10/02/2007

Um sorriso pintado de ironia




O som abestalhado invadiu-me o pensamento que, por mera precaução, se precaveu contra uma súbita invasão dos sonhos e adiantou-se, por isso, à hora do despertar.
Já preparada para o trilho traçado para este sábado que incluía, entre outras coisas, assistir a uma lição de estratégia de marketing, tomei consciência da dor que me atormentava o pescoço e me causava uma indisposição geral e que me obrigou mais tarde a recorrer a uma farmácia onde, além de um emplastro colocado estrategicamente, tomei um medicamento que me aliviou o incómodo.
Já relativamente refeita, aventurei-me pela rua de comércio mais ou menos movimentada e um impulso levou-me a entrar numa loja de artigos de cristal, pensando ver uma lembrança para uma amiga que já há meses ando para comprar.
A empregada dirigiu-se-me após alguns minutos indagando se pretendia ajuda e vendo a minha hesitação, muito solícita, perguntou-me se era para uma amiga, - é sim -, - estes aqui dão para pendurar num fio, aqueles... - interrompi-a, decidida - vou levar aquele! - olhou-me espantada, não sei se pela rapidez da minha escolha, se pelo objecto escolhido que, neste caso, era um coração multicolor muito bonito.
Sempre articulando palavras em catadupa que não faziam muito sentido para mim, em virtude do meu pescoço ainda se impor impiedosamente ao meu cérebro, esboçava sorrisos, trocava olhares com a colega, perguntava maliciosamente - é para oferecer, não é? -, - sim, é para oferecer - respondi, enquanto maquinalmente efectuava o pagamento.
À saída reparei na montra adornada com corações vermelhos invocando um santo que, a ser verdade, morreu por unir casais em segredo, quando decretada a sua proibição a fim de aumentar o exército e que terá pago essa ousadia com a própria vida.
Soltei um sorriso quase gargalhada e percebi finalmente...

3 comentários:

Su disse...

tenho um desses...em cristal..gosto muito

jocas maradas

Daniel Aladiah disse...

As épocas de prendas ocupam o ano, deixando-nos pouco espaço para o diferente. Dar uma prenda, apesar de ser uma dessas épocas...
Um beijo
Daniel

Irene disse...

a su
ainda bem

a daniel
precisamente! não escolhi a época, foi mera coincidência... de qualquer modo o que está subjacente não tem a ver com a prenda, mas sim com a pressuposição...