20/03/2008

Ainda a propósito...

Nos tempos conturbados pós 25 de Abril, apresentou-se na sala de aula a professora de Educação Visual. Filha da Directora que exercia funções à data e que representava o sistema autoritário do ensino tradicional, engenheira de formação, recentemente vinda de Lisboa, apresentou-se descontraidamente: «Chamo-me Marta e quero que todos me tratem assim e por tu» - disse, aos cerca de trinta alunos do então 7º ano do curso unificado, com idades na média dos 12 anos.

Chegada a casa, à hora do almoço em família, ingenuamente contei a proeza. O meu pai, na casa dos quarenta e com a quarta classe antiga, sentado à minha frente proferiu serenamente a sentença: «Ai de ti que eu saiba que tratas assim a professora!»

E seria a única a tratá-la por professora até final do ano.

Hoje penso: Se não tivesse acatado a ordem inequívoca do meu pai, talvez ele nunca tivesse tido conhecimento da minha desobediência, mas algo mais forte me impeliu a cumprir religiosamente a sua indicação!

Imbuída desse espírito, criei um filho, hoje em idade adulta. Nunca recebi uma queixa por falta de respeito de professor algum e sinto orgulho dos elogios que fui ouvindo ao longo destes anos a propósito da sua correcção e educação. Por vezes, dizem-me: tens muita sorte! Tive, de facto, mas foi com muito esforço que a procurei!

Irene Ermida

2 comentários:

Carlos disse...

Muito bem, parabéns,valeu a pena então o teu esforço.Missão cumprida.
: )

bj

Irene disse...

Valeram-me os ensinamentos recebidos: as proibições e as regras tão contestados então mas que impeliram a "ver" o mundo...