20/03/2008

«Ó professora, será que eles têm pais como nós?!»

NOTA: Aqui esteve este vídeo
mas, mais do que as imagens, agora interessam as palavras.


Uma amiga falou-me há pouco deste vídeo. Recebi alguns e-mails dos quais constava o endereço electrónico, mas foi em vão que cliquei nos links, pois anunciava a sua remoção. Por mero acaso, acabei por encontrá-lo no blogue
De Rerum Natura
, quando menos esperava.

Ao visualizar estas imagens, fui invadida pela perplexidade e por uma vontade inexplicável de chorar, que me impedem de tecer comentários alongados.
A postura agressiva da aluna, os risos e comentários dos colegas que filmam, a idade respeitável da senhora professora...

De repente, recordo uma frase que uma antiga aluna me colocou, há cerca de vinte anos atrás, durante uma visita de estudo a Lisboa, durante a qual, infelizmente, nos foi dada a oportunidade de assistir aos insultos verbais de um grupo de pretensos skinheads, na estação de comboios de Oeiras, dirigidos a uma pessoa negra que se misturou connosco, a fim de se manter segura: »Ó professora, será que eles têm pais como nós?!»

Irene Ermida

3 comentários:

Carlos disse...

Não queria comentar,mas é mais forte do que eu.

Estas imagens são o espelho do País,reproduzindo imagens «desfocadas e aterradoras»,
onde os valores de cortesia e polidez,assim como aqueles que deveriam ser condição da democracia,se dissipam em cenas lamentáveis.
querem os velhos do Restelo, que os homens do amanhã se pautem por este tipo de comportamentos indignos e dissociados de qualquer sociedade evoluída.
Continuem estes senhores a permitir
que os alunos transitem de ano sem o merecerem, e a teimar combater o insucesso escolar com «paninhos quentes»
Pena que continuam a insistir na desinteligência, no trato aos professores.
Gostaria de aqui deixar a minha humilde veneração aos PROFESSORES.

P.S
Também fui estudante e ainda sou Pai.
Desculpa Irene,o enfado, estás no direito de não publicar o comentário.

bj

Irene disse...

Penso que a generalização contém sempre alguma injustiça. Ainda há muitos jovens conscientes dos valores do respeito e da boa educação. Quero acreditar que este "exemplo" traduz ainda uma realidade minoritária, embora o "facilitismo" que tem vindo a implementar-se possa ajudar a inverter a situação e tornar-se um verdadeiro problema!

APC disse...

Empatizo com o sentimento aqui confessado...