27/08/2010

Frases soltas...

«A maior cobardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la»

Supostamente, esta frase teria sido dita por uma mulher ressabiada, que se deixou iludir pelas artimanhas de algum predador que não olharia a meios para caçar a sua presa e que, após anos de esperanças perdidas, teria proferido estas palavras, ressentida com o desprezo, indiferença ou apatia do amante.

Mas não... não foi! Este pensamento, vá-se lá saber porquê, saiu da cabeça (ou do coração?!) de Bob Marley...




A curiosidade de descobrir algum indício que pudesse esclarecer o fundamento da frase de Marley, levou-me a pesquisar a biografia do cantor e músico e descobri na Wikipedia o seguinte:

O pai, Norval Sinclair Marley, um militar branco do exército inglês casou com a adolescente negra Cedella Booker, grávida de Bob, e abandonou-a no dia seguinte ao casamento. Continuou a dar-lhes apoio financeiro mas não impediu as dificuldades a que a família foi sujeita, nem provavelmente algum sentimento de abandono por parte do jovem Marley.

Isto sou eu a pensar... a vida afinal é mesmo assim, cheia de injustiças ou de pontas soltas... e, dado que as sentimos na própria pele, por vezes, herdamos os fantasmas e queremos corrigir o percurso dos antecessores, como se expiássemos as suas culpas ou erros. É como se voltássemos atrás, encarnássemos as figuras que nos puseram no mundo e resolvêssemos que, agora sim, é que vamos repor tudo no sítio certo.

É evidente que viver com tamanho peso acaba por ter custos elevados: primeiro, porque ao corrigirmos uns, cometemos outros; segundo, porque não vivemos a «nossa» vida, mas sim uma vida emprestada. E não porque nos foi emprestada, mas antes porque a usurpámos, convencidos que somos mais capazes de a viver, sem desvios nem fracassos!

É interessante reflectir como este legado interfere com as nossas emoções mais profundas e até que ponto pode condicionar as nossas decisões ao longo da vida. É como se quiséssemos compensar as pessoas que amávamos e vimos sofrer e evitar o sofrimento de outras que amamos.

O livre arbítrio dá-nos essa possibilidade; mas, independentemente do que fizermos ou tentarmos corrigir, há sempre a imponderabilidade das consequências das nossas acções. Como acabamos por ter a certeza de que estamos a agir bem?! Provavelmente, só se o ciclo se perpetuar e virmos os nossos filhos a «corrigir» as nossas falhas...

A natureza humana não é infalível e exigir demais de nós próprios acaba por resultar numa pena de prisão perpétua, condenados por «crimes» dos quais, no fim de contas, somos os únicos inocentes!

Mas, para desanuviar, vale a pena ouvir esta versão do «is this love»:

2 comentários:

Anónimo disse...

lembro-me de dançar isto nas nossas festas, no tempo da Escola Secundária

Irene disse...

esta e outras, não?
ultimamente tenho dançado muitas músicas desse tempo! tenho que meter uma cunha a um certo DJ para dançar esta! :))
pena que já não se dance aqueles slowsssssssssss!