25/01/2007

O último de Mel Gibson

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Programa de quarta-feira à noite numa cidade vigiada pelas montanhas sem neve do Marão:

Jantar de amigas em casa de M.M. seguido de uma ida ao cinema...
Após uma agradável conversa à volta da mesa recheada de boa comida (parabéns à cozinheira) regada com um bom vinho (não me perguntem qual, por favor...) lá fomos nós satisfazer a nossa curiosidade cinematográfica...
M.M. gosta de história e sabia tratar-se da civilização Maia; eu tinha visto a apresentação do filme e pareceu-me tratar-se de um épico a meu gosto; O.D. não queria ver pois tinha ouvido dizer que tinha duas ou três cenas violentas...

Prós: a fotografia do filme é notável; o desenrolar das cenas impede qualquer sonolência; tem uma alternância de planos interessante...

Inconvenientes: interdito a espectadores impressionáveis e susceptíveis a contracturas musculares, provocadas pela tensão contínua do início ao fim do filme! Quem vai à espera de aprender alguma coisa mais sobre a civilização Maia, esqueça! E ainda há que ter um grande fôlego para acompanhar a correria do Pata-Jaguar...

Apreciação global: contrariamente ao meu hábito, passei o filme a tecer comentários irónicos para aguentar a pressão; MM escondia o rosto nas cenas mais chocantes (tipo sangue a jorrar qual torneira aberta...); OD pagou o bilhete e não deve ter visto nem dois minutos seguidos, tal o horror que lhe provocava a tela! Ainda lhe emprestei os meus óculos de sol mas não resultou!

Decididamente, mal por mal, prefiro o inofensivo Mel Gibson quando lê e ouve o pensamento das mulheres!

24/01/2007

Claridade(s) 2


Fracciono-me num arco-íris enquanto a imagem espelha o espectro solar; a decomposição da luz através do prisma óptico afirma as leis da física. Tudo é como deve ser. Tudo está como deve estar.

O centro do sistema planetário ofusca a visão e determina os fantasmas que, de mão dada, porque não?! impingem a maior burla do século e, de pernas para o ar, movo-me respeitosamente por entre os vultos distorcidos e apaixonados... que extensão? que horizonte? que metas?

Avanço e recuo ao ritmo sincopado de palavras cavadas em imbecilidades caseiras - ora viva, como vai, como está essa saúde, está muito frio, o café é muito bom - brilho, porque ainda reservo a força na alma como se a tivesse.

Aliança, conexão, ponte: porque o outro lado existe.

23/01/2007

Claridade(s) 1

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Após uma semana de descanso regressei à minha rotina laboral (soa a linguagem sindical?!)...
Deparei-me com uma pilha considerável de papéis na minha secretária que provocou a imediata vontade de partir. Saliente-se que metade eram cópias do sinistro D.R. !!!
De arma em punho, rabisquei assinaturas, escrevinhei «autorizo», «deferido», «indeferido com base na alínea tal do ponto tal do despacho normativo tal...», «cumpra-se», recitei vagarosamente parágrafos ao meu cérebro que, incauto, lá ia absorvendo o que podia...
Aquele aparelho que serve para comunicar à distância sobressaltava-me, de vez em quando, com uma campainha que devia ser proibida em qualquer parte do mundo, de tão irritante soar!
O computador ligado, alheado e contemplativo, servia para passar os olhos, distraidamente, pelas primeiras dos jornais.
Não conformado a esta letargia, o meu orgulho profissional, ferido, demonstrava eficácia e determinação nas decisões.
Consciente do dever «comprido», regressei a casa ao fim do dia. Como quase sempre, a última a sair... o guarda-nocturno, com um encolher de ombros, saudou-me e repetiu, como quase sempre: tem que ser, não é?! Respondi energicamente, mais pelo arrepio de frio que me atravessou o corpo ao sentir a diferença de temperatura, do que por convicção: Pois tem!

21/01/2007

1,2... experiência



«Ver para crer» é um atributo que, por vezes, alguns usam para qualificar a minha incredulidade e cepticismo em relação a alguns assuntos mais, ou menos, sérios... se bem que, está clara a minha dissociação de qualquer santidade que possa suscitar esta classificação!
E, por isso mesmo, num ambiente de secretismo prudente, qual enredo dum policial tecido à volta do suspense, com o fim de manter o leitor apreensivo até ao último momento... deixo aqui uma única palavra:

sexo

Cenas do próximo episódio, só mesmo quando o meu «eu» estiver confrontado com resultados credíveis...

Intervalo para um filme



Este filme de Tony Scott, com Denzel Washington como protagonista, aborda o fenómeno do déjà vu, num ângulo de projecção do passado no presente, permitindo regredir no tempo, através de um aparelho que proporciona a viagem até ao momento anterior ao drama da explosão de um ferry de Nova Orleans, e modificar assim o rumo dos acontecimentos, salvando centenas de inocentes.
Não sendo o meu género de filme, dificilmente posso emitir opinião favorável. Uma corrida contra o tempo que nos provoca uma sensação de cansaço no final...

Esta expressão «déjà vu» que, pronunciada em bom francês, dá um toque de requinte a qualquer conversa, equivale a dizer «já visto». E esta sensação de um «flash» particular que nos dá a impressão da situação nos ser familiar, quando materialmente é impossível, tive-a há uns anos atrás...

Acompanhada de uma amiga, parti de férias sem rumo e, quando dei conta estava no Algarve, mais precisamente em Armação de Pera, onde nunca tinha estado anteriormente. Por nenhuma razão especial, decidimos montar a tenda (belos tempos esses de campismo!) por lá. Quando, ao entrar no parque, tive esse flash! Conduzindo até à recepção do parque de campismo, tive a nítida sensação que já ali tinha estado, repetindo os movimentos e até palavras! Mesmo as que proferi, quando comuniquei à minha amiga: «tive agora um déjà vu»!

A ideia da possibilidade de viajar até ao passado apresentada no filme, suscitou-me uma reflexão: se, de facto, tivéssemos a oportunidade de voltar atrás, o que mudaríamos nas nossas vidas?!
E não acredito que ninguém quisesse mudar rigorosamente nada!

«Se vão da lei da Morte libertando»



Sou renitente a comemorações dos nascimentos e dos centenários de escritores! O universo literário produzido e alimentado pelo criador impõe-se pela sua grandeza plurissiginificativa e singular, e realiza-se numa intemporalidade à prova de datas, de interesses e de protagonismos oportunistas que, subitamente, emergem de nenhures para celebrar a obra e vida de quem transpirou palavras e sonhos.
Também há quem, reconheço, se dedique à causa despretensiosamente... porque a cultura, para esses, é uma vocação, uma opção de vida, um modo de estar.
Seja como for, é nestas alturas que temos raras oportunidades de assistir a alguns eventos que evidenciam as facetas de Miguel Torga, por isso, aconselho a visitar: Centenário do Nascimento de Miguel Torga, no site da Delegação Regional da Cultura do Norte, onde se pode consultar a respectiva programação.


Perfil

Não. Não tenho limites.
Quero de tudo
Tudo.
O ramo que sacudo
Fica já varejado.
Já nascido em pecado,
Todos são naturais
À minha condição,
Que quando, por excepção,
Os não pratico
É que me mortifico.
Alma perdida
Antes de se perder,
Sou uma fonte incontida
De viver.
E o que redime a vida
É ela não caber
em nenhuma medida.
Miguel Torga

20/01/2007

RESPIRO-TE



Caminhei junto ao mar e porque te sinto, apesar de tudo!





respiro as ondas e sorvo as palavras
que te dançam num abraço
e te cantam num hino de ave

imenso excessivo intenso
beijo desfralda as velas
navega entre os dedos
e num passe de magia
enrola-se
no estrépido aplauso das ondas

voejas alheado das dunas
que escondem raros e preciosos
cursos de água doce
e repousas quieto
na ilusão de esperar

17/01/2007

Dizer-me de ti



Caminhei junto ao rio e porque te digo e te penso, apesar de tudo!


dizer-me de ti:
erro numa ausência prescrita
pelo teu olhar que me importuna
de noite de dia
de dia de noite

a tua ausência vem do mar
da lua do sol
da areia do rio
do campo da cidade
do perto do longe

não sucumbir
às tuas palavras
que de tão ocas
fazem sentido
no limiar do absurdo

tingir o teu cabelo
adulterar os teus olhos
mudar a tua voz
até que a ínfima minudência
detenha memórias
e enfim
dizer-me sem ti

16/01/2007

Um parêntesis na desorientação



Egon Shiele

Um parêntesis no tempo e na vida que cinge pensamentos soltos, como se numa cela existisse. Uma luz lúgubre denuncia a odiosa janela atravessada por execráveis barras de ferro.
Cinzentos, os tons de sombras despovoadas e de cores matizadas, exumam do esquecimento o alvoroço remoto, enquanto o vermelho abominável dos olhos tão doces e devassos serpenteia pelo trajecto sinuoso e arqueado.
Afastou-se, desferindo golpes de brilhos robustos e vigorosos:
- muito bem, passe à frente que é a sua vez!
Lajeou a extensão que se lhe deparava, subitamente, e ergueu um palácio de mármore.
A mágoa derreteu castelos e trevas e sumiu entre árvores enfermas e derrotadas.
Ergueu-se num suspiro que trepou pelas nuvens, agora extintas de branco, e dissipou ternuras dolentes de afecto e gritou:
- é a sua vez! retire-se!

14/01/2007

(DES)orientação sem parêntesis!!!



Recordo a expressão e reacção da minha avó, quando lhe anunciava provocatoriamente alguma novidade mais adiantada no tempo e ideias: - então... - dizia com um encolher de ombros simultâneo.
Não a entendia nessa altura, mas dava-me especial prazer a sua atitude de indiferença e resignação...
Já cheguei ao ponto em que compreendo esse olhar distante, como se o mundo a ignorasse e ela retribuísse da mesma forma, como se ambos vivessem numa irreconciliação sem retorno!
Mas, de quando em vez, concedo-me um parêntesis preenchido com alguma indignação ou, pelo menos, espanto!

Então o ministro da Saúde tem um sentido de humor tão refinado que se permite tecer «piadas» em público, sobre enforcamento ?!
Tempos houve em que momentos infelizes do género implicava a demissão!

(DES)orientação!


Quem está no terreno conhece bem as dificuldades decorrentes de mais uma experiência pedagógica! Esta, no âmbito da língua portuguesa, que tão mal tratada tem sido...

A TLEBS - Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário - gerou uma enorme confusão nas escolas, dado que a formação específica na área foi restrita e deixou de fora a maior parte dos docentes, que se viram confrontados com o facto de aplicar a nova terminologia nas aulas, sem tempo para a devida preparação.

Mas, como no reino do faz-de-conta vale tudo, leia esta notícia do DN.

Aqui, no DGIDC pode consultar mais informações sobre este tema.

E ainda a propósito...

E agora?! Se achar que deve, assine a Petição!

REcuos 1, 2 , 3


Jornada enebriante
Pôr do sol encandescente
Obscuridade estonteante

Rompo estrelas pelo universo dentro
Na esperança de encontrar o cometa
Maléfico e bemfazejo
De um luar mitológico e distante

Jaz no planeta monstro
Segue a tua viagem
Clareia o dia
E sufoca as margens
Da vida perene e fácil
De tão míope e viril.

29 / 09 /2004


A angústia devora os nervos do meu ser …
A saudade amordaça-me e impede o grito que se gera cá dentro…
A solidão é o monstro que me priva de alcançar a luz
que se infiltra através dos quadrados da minha cela…
A loucura é a evasão à irracionalidade e o encontro da doce alienação,
da qual emerge a felicidade!

15/09/1983


Esperança
Que vacila
E se perde.
Cansada e viva,
Extenuada.
A madrugada vem
E renasço.

O sol não se põe
e a luz ofusca a razão.
Cega-me a claridade
Da lua cheia, esmoreço.

A lágrima hesita
E une-se em fio
À minha desgraça.

E tu dormes
E não sonhas.
Não vês o buraco
Onde caio.
Acordas e vais,
tonto e apressado.
E não tropeças
Nas lágrimas
Que não viste.

06/10/95

O sabor do tempo


Quando a primavera desponta, os sonhos infiltram-se nas veias e correm no sangue. É-se atacado de febres extremas que nos impelem para um futuro desconhecido, que nos aguçam a curiosidade e nos lançam irreflectidamente numa ânsia de descobrir quem somos. É o desabrochar lento e ansioso de todas as flores, de todos os jardins da alma. O não e o sim fustigam-nos e a incerteza toma a cor da esperança.

O calor sereno vem espraiar-se, subitamente! O barulho do mar entontece-nos e o medo dissipa-se entre os fios brancos da luz. O sonho é verdade e a vida acontece no demérito casuístico.

Da janela vislumbramos a paisagem envolta no ar nevoento e nevoso. Será então assim?...

E uma folha perpessa os ramos num movimento oscilante e vagaroso, iniciando a queda irreversível, desenhando no tronco e no âmago cicatrizes pungentes, momentos translúcidos e gotas de sangue e de suor.

O esqueleto pálido contrasta no fundo negro, despe a silhueta e mostra a nudez do espírito. A calma sobrepõe-se ao desalento, a luta expia-se na efervescência sonhada.

Do alpendre avista-se o lago de águas imóveis, as árvores corcundas, as flores sem viço e uma extensão de sabedoria, de indiferença, de ironia, complementando o ser que deixou de ser.

24 /03 /98

13/01/2007

Nuvem cósmica num mar imenso




Um mar cheio de oceanos invadiu-me por dentro e por fora.
Permaneci uma ilha envolta num arquipélago de muralhas.
Soltei o olhar pelas constelações, galáxias, cometas...
Mergulhei no buraco negro,
certa de que o Universo e todos os acontecimentos que contém,
se repetem ou repetirão eternamente da mesma forma!

11/01/2007

Um outro olhar sobre Lisboa - Dakar





A competição desportiva Lisboa - Dakar é uma aventura que suscita uma diversidade de sensações únicas, quer para os participantes, quer para os que acompanham este evento, no qual, além da perícia técnica, é testada a resistência física dos pilotos.
É uma prova emocionante que envolve uma máquina humana gigantesca, aliada ao mundo fascinante da mecânica, em que tudo é observado ao pormenor, a fim de evitar o menor erro que pode pôr em causa o trabalho de anos.
O rally mais célebre do mundo deve o seu impacto à possibilidade de divulgação que os media proporcionam, hoje em dia, a qualquer acontecimento.
A fim de acompanhar o desenrolar da prova, coloquei o link Objectivo Dakar na barra lateral, que é um blog do JN.
Hoje, como o tempo se deu ao luxo de me deixar em paz, vasculhei com mais atenção o blog e deparo-me com o «fora de pista» de Alfredo Leite que nos dá conta de uma perspectiva bem diferente, mas sem dúvida muito interessante desta magnífica prova.
Gostei especialmente do «Tâmaras no palmeiral».
Numa linguagem atractiva e sugestiva, A.L. denota uma especial veia de escritor que, neste caso, se sobrepõe às suas qualidades de jornalista. A selecção das fotos é muito feliz, pois são de uma extrema expressividade e complementam o tom vivo que perpassa pelos textos.
É gratificante verificar que há exemplos assim nesse meio que, por vezes, anda pelas ruas da amargura com tantos jornalistas a usarem o «nome profissional» para se dedicarem aos deleites da escrita...E pergunto: porque não usam um pseudónimo?!
Entretanto, podem atestar o que acabei de dizer lendo o «fora de pista».

10/01/2007

Sem discussão



No sítio da Comissão Nacional de Eleições podemos ler:


«O Presidente da República marcou a data de realização do Referendo Nacional para o próximo dia 11 de Fevereiro de 2007.
Os cidadãos eleitores recenseados no território nacional irão pronunciar-se sobre a seguinte questão:
«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».

FINANCIAMENTO DA CAMPANHA DO REFERENDO - Deliberação da CNE de 9 de Janeiro

- Não é permitida a contribuição de partidos para a campanha de grupos de cidadãos eleitores (à excepção do caso em que o partido ou a coligação declara participar na campanha do referendo através de grupos de cidadãos eleitores);
- A publicação do nome do mandatário financeiro deve ocorrer até ao dia 9 de Fevereiro - último dia de campanha do referendo - já que por aplicação do prazo estipulado para as eleições, o prazo recairia no dia da realização do referendo e, nessa medida, a CNE considera que a publicação de tal anúncio não pode acontecer nem no dia de reflexão, nem no dia de votação.
Chama-se a atenção que o prazo para a entrega do orçamento de campanha à CNE termina no próximo dia 12 de Janeiro.»

Vagueando por diversos blogs, deparei-me com posições mais ou menos extremadas quer a favor, quer contra a despenalização da IVG.
A propósito. recordo uma frase que escrevi, há mais de vinte anos, no livro em branco, que me foi oferecido pela minha melhor amiga de sempre:

«No universo da hipocrisia quero apenas os grãos de areia
que voam com o vento!»


Estranho como uma decisão do foro íntimo da mulher pode ser debatida numa guerra sem tréguas de argumentos de todo o tipo, que desvirtualiza a questão central e alimenta tanta hipocrisia?!
Vão chover protestos, elogios e sei lá que mais... mas também esta questão é do meu foro íntimo e, como tal, reservo-me o direito de não responder a qualquer comentário que, eventualmente, possam vir a fazer.

NOTA: Seria interessante conhecer as fontes de financiamento de todos os movimentos... num país onde a palavra «crise» é fatal, decerto que há curiosidade em saber!


09/01/2007

Cativar 3


Chanson triste

Chanson juste pour toi,
Chanson un peu triste je crois,
Trois temps de mots froissées,
Quelques notes et tous mes regrets,
Tous mes regrets de nous deux,
Sont au bout de mes doigts,
Comme do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.
C'est une chanson d'amour fané,
Comme celle que tu fredonnais,
Trois fois rien de nos vies,
Trois fois rien comme cette mélodie,
Ce qu'il reste de nous deux,
Est au creux de ma voix,
Comme do, ré, mi, fa, sol, la, si, do.
C'est une chanson en souvenir
Pour ne pas s'oublier sans rien dire
S'oublier sans rien dire


Cativar com uma canção triste de amor triste como são todas as tristes canções de amor...

Cativar 2


O hábito de ler nem sempre obedece a um ritual sistemático e impositivo, mas antes a uma necessidade imperiosa de rodopiar por letras impressas, que se modulam em páginas e têm o dom mágico de nos manter imersos num mundo subaquático fascinante.
A imagem da água pode ser substituída por outras, conforme a vontade de voar, de nadar, de respirar, de correr...
Após esta introdução nonsense remeto para uma postagem antiga (17 de Dezembro de 2006) intitulada «No alto da Serra do Marão».
Ontem, quando os olhos teimavam em subsistir abertos por mais alguns minutos, iniciei a leitura deste conto, se assim se pode nomear.
Tal foi a pressa em acabá-lo que, no fim, o relógio digital marcava 03:15!!!
A cada página que lia esperava que o estilo mudasse de tom, a narrativa se enriquecesse morfológica e semanticamente, a personagem tomasse um rumo próprio e impusesse à acção uma dinâmica inesperada.
Na última página, apercebi-me de que as minhas expectativas saíram goradas. Não é uma sensação agradável quando a leitura de um livro deixa um amargo de boca difícil de adocicar.
Além de um ou outro erro ortográfico, de passagens eróticas completamente insípidas e repetitivas, e de uma construção linear de acontecimentos que gera monotonia e algum fastio até, o criador não soube catapultar a história para um verdadeiro drama humano vivido pela personagem principal, quer na vida real, quer na ficção.
Notei, agora mesmo, ao olhar de relance a capa, que já vai na terceira edição... Ando com problemas de visão e de audição!
Ou foi alucinação ouvir os títulos mais vendidos em Portugal em 2006?!
Cativar implica bom gosto! A literatura não é excepção!