SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
14/02/2007
Delírio(s) 2
não me entendem as palavras num estar de doer
ontem e amanhã sem hojes que não sinto mares magoados
alienados correm voluptuosos de rios sem margens
de lágrimas transpiradas suores e desejos corruptos e sumidos
mea culpa de mim possuída de ímpetos arrebatados impulsivos
em sombras de ontens e de clarões de amanhãs
.
13/02/2007
abundam-me as palavras subitamente
e afogam-me num sucumbir sóbrio de inevitabilidades
aborrece-me pesquisar imagens no google
aborrece-me seleccionar fotografias
como nestas fases da lua...
um desafio para quem ama as palavras e sabe desenhá-las em sentidos
não há prémios... nem recompensas... nem sorteios
apenas o meu mail à disposição para receber
as vossas linhas e curvas e traços
12/02/2007
lua nova
quarto minguante
exigente de saberes e nunca de teres a solidão das rochas inundadas
de ciúmes e invejas
em vinganças salta e morre e renasce até perder de vista
pecados inocentes
impoluto de certezas duvidosas do bem e do mal tangidas
de melodias férteis e opulentas
distante de neves e de sóis
quando?!
lua cheia
apetites vorazes de tesouros dourados de pratas e de ouros
dormem em canções de intervenção e de cio
latejando nas ondas curtas e longas de saudades de vidas
latidos e miares purgam fantasmas medievais de sentidos impensáveis
ama e só?
quarto crescente
bandeiras vermelhas de azul sem razões de aparências duvidosas
cataventos azuis de branco sem limites de ilusões inflexíveis
faróis de verdes mares tão violetas e recurvos de linhas e linhas
incontornáveis
sim?!
Trânsito(s) 3
Trânsito(s) 2

cativa numa amena existência
num casulo fingido de valentia
refugio-me insignificante
de dores e pavores
numa firmeza de papel
arrasto mágoas e sentires
de ti em mim
e invento saídas
que nunca serão
querer
reinventar palavras e momentos e avançar num futuro
redesenhar planos e esboços e investir num há-de vir
transitar pelas margens de seres sem nunca o ser e soltar nós
11/02/2007
Conspiração de domingo

Acordada pela intensidade da dor muscular que me atormentou o sono, decidi ficar entre os lençóis a ouvir a chuva lá fora e a ler «As voltas dadas ao mundo», de Salvador Nogueira.
Mais por hábito que por vontade de ser contactada, liguei o telemóvel. Apetecia-me ficar assim indolente e ociosa, alimentando o meu imaginário de palavras e de universos alheios.
Tocou inoportunamente! Do lado de lá: – Bom dia Maria Irene, olha preciso que me escrevas frases para ilustrar vinte e nove imagens… Atordoada pelo estranho pedido, questionei: – mas sobre o quê? assim de repente, não consigo! -, - consegues, pois, tu tens uma cabeça do caraças! -, - com que então sou cabeçuda? -, - ahahahahah, fazes-me isso? Preciso disso hoje sem falta! -, - mas as imagens têm a ver com o quê? (insisti), - olha, é para o dia dos namorados! - Ah! (exclamei indiferente) ok, vou tentar… (derrotada, aquiesci, pois não há nada que consiga negar a este meu sobrinho).
Em seguida, duche: deixei correr a água para que esta ficasse bem quente… entrei e saí de imediato!!! A caldeira solidarizou-se com a máquina de café e teimou em manter-se inactiva! Dei voltas e voltas e vi que não tinha pressão. Tentei tudo! Liguei até para uma vizinha que me deu uns conselhos,
Decidi então aquecer água… mas o fogão impavidamente se aliou à conspiração dos electrodomésticos, recusando-se a dar chama! Ia começar a praguejar, mas respirei fundo (ultimamente este exercício tem resultado lindamente!).
Já no escritório, esquecida destes contratempos, decidi arquivar a papelada que durante algumas semanas se foi acumulando em cima da secretária. Separadas as facturas e outros papéis inutéis, que só existem para nos lembrar que vivemos numa sociedade moderna, deparei-me com as facturas do gás que, de repente, ganharam uma majestosa importância!!! Atentei de perto: e apercebi-me que, desde Dezembro, o meio de pagamento deixou de ser automático (sem que nada tivesse feito para isso ser alterado!) e constava o pagamento por Multibanco!!! Incrédula com a minha inépcia para estas vulgaridades que desvirtuam o sentido da vida, entendi então que me tinham cortado o gás!
10/02/2007
Um sorriso pintado de ironia

O som abestalhado invadiu-me o pensamento que, por mera precaução, se precaveu contra uma súbita invasão dos sonhos e adiantou-se, por isso, à hora do despertar.
Já preparada para o trilho traçado para este sábado que incluía, entre outras coisas, assistir a uma lição de estratégia de marketing, tomei consciência da dor que me atormentava o pescoço e me causava uma indisposição geral e que me obrigou mais tarde a recorrer a uma farmácia onde, além de um emplastro colocado estrategicamente, tomei um medicamento que me aliviou o incómodo.
Já relativamente refeita, aventurei-me pela rua de comércio mais ou menos movimentada e um impulso levou-me a entrar numa loja de artigos de cristal, pensando ver uma lembrança para uma amiga que já há meses ando para comprar.
A empregada dirigiu-se-me após alguns minutos indagando se pretendia ajuda e vendo a minha hesitação, muito solícita, perguntou-me se era para uma amiga, - é sim -, - estes aqui dão para pendurar num fio, aqueles... - interrompi-a, decidida - vou levar aquele! - olhou-me espantada, não sei se pela rapidez da minha escolha, se pelo objecto escolhido que, neste caso, era um coração multicolor muito bonito.
Sempre articulando palavras em catadupa que não faziam muito sentido para mim, em virtude do meu pescoço ainda se impor impiedosamente ao meu cérebro, esboçava sorrisos, trocava olhares com a colega, perguntava maliciosamente - é para oferecer, não é? -, - sim, é para oferecer - respondi, enquanto maquinalmente efectuava o pagamento.
À saída reparei na montra adornada com corações vermelhos invocando um santo que, a ser verdade, morreu por unir casais em segredo, quando decretada a sua proibição a fim de aumentar o exército e que terá pago essa ousadia com a própria vida.
Soltei um sorriso quase gargalhada e percebi finalmente...
08/02/2007
Cena(s) (sur)real(ais) 2
Mais uma vez os pés teimaram em manter-se presos ao chão de um gabinete onde, por entre papéis, telefonemas, decisões, risos, desabafos, partilhas e lágrimas até, me mantive ancorada à realidade que se impõe, fatalmente, no quotidiano «do lado de fora da janela».
- Ontem um miúdo magoou-se durante a prova!
- Foi grave?!
- Foi, fez um golpe que deixou o osso à mostra... lá lhe prestei os primeiros socorros enquanto aguardávamos a ambulância que, claro, teve alguma dificuldade a chegar ao sítio onde estávamos no meio do monte...
Contou-me, visivelmente abatido, mas convicto de ter tomado a atitude certa em todos os momentos.
No centro de saúde não havia material para sutura interna: costumamos ter, mas hoje por acaso não temos.
Reencaminhado para o hospital juntamente com uma carta elucidativa do problema, aguardou nova triagem, um cartão de certa cor que o rotulava de mais ou menos urgente... e passadas quatro horas de se ter ferido(!!!), foi assistido.
Valeu-lhe a companhia reconfortante do professor e a valentia que se pode ter com 10 anos.
Trânsito(s) 1
cingida num efémero enleio
06/02/2007
Questão de vírgulas?!
05/02/2007
Cena(s) (sur)real(is) 1
Quem visita este espaço poderá pressupor que a autora não passa duma visionária letrada que, por mero entretenimento, se dedica a somar palavras pertencentes a diferentes categorias lexicais e a criar universos fictícios e por aí anda perdida...
Seria óptimo ter essa capacidade de flutuar sem nunca tocar com os pés no chão... é que, por vezes, há cenas da vida real que só deveriam acontecer no imaginário de cada um!
Hoje, na caixa de um hipermercado, aguardava a minha vez de ser atendida, quando a cliente seguinte começou a colocar os seus artigos no tapete, logo atrás dos meus.
A criança de cerca de 4-5 anos, em pé, no carrinho das compras, movimentava-se atarefada, ameaçando a qualquer minuto uma queda que lhe custaria no mínimo uns hematomas, e pedia repetidamente à mãe um chupa-chupa.
Esta recusava tal pretensão, argumentando pedagogicamente que lhe fazia mal à barriga, ao que acrescentei afavelmente: e aos dentes. O rapazinho olhou-me ferozmente, enquanto a mãe me retribuía um sorriso.
A insistência do pedido aumentou numa clara demonstração de que não iria ceder a tal táctica. E então, a mãe, após alguns segundos, propôs: queres um dvd ou o chupa-chupa? exibindo-o energicamente diante dos olhos da criança que, hesitante por breves instantes, aceitou a troca, ciente da vantagem do negócio.
Assisti muda e perplexa, imaginando um mundo de adultos escravizado por estes seres inocentes e maravilhosos...
Então, adivinhando os meus pensamentos e, não querendo deixar margem para dúvidas, este «micro-empresário» lançou: quero um chocolate!
A mãe, orgulhosa de ter dado à luz tal criatura com evidente capacidade de negociação, imaginando o futuro risonho de um potencial Belmiro de Azevedo (ressalvo as devidas distâncias), entra no jogo e responde mais uma vez negativamente, ameaçando com um possível desarranjo no organismo... Ele reitera o seu propósito, ela opõe-se... e, subitamente, eleva no ar não um, meus senhores, não dois, não três... mas o extraordinário número de cinco dvd's!!!
Desta vez, a criança não hesitou, esboçando imediatamente um sorriso triunfante, ao mesmo tempo que me dirigia um olhar digno de qualquer imperador vitorioso regressado de mais uma batalha!
Controlei a minha estupefacção, com receio de que tal aprendiz de mercador tivesse algum poder secreto, adquirido num dos filmes do Harry Potter e me transformasse repentinamente em abóbora!
Ainda pude observar a felicidade que a mãe irradiava, ostentando-a através de gestos de carinho, premiando o filho pela sua proeza!
03/02/2007
Pausa de sábado

A pedido de «muitas famílias» retirei o Vangelis para evitar qualquer conotação política...
Rosas, só mesmo as que têm espinhos!
Às dúzias, de preferência!
Mas acima de tudo prefiro tulipas!
Uma perfeição feita de pétalas
Que invade olhares
e suaviza tristezas...
As mulheres, os homens e... as flores! Oferecer, receber flores...
Ainda se oferecem flores?!
Já recebi, em tempos, rosas e tulipas também...
No tempo em que os gestos eram importantes...
Mais do que as palavras...
02/02/2007
Delírio(s) 1
triângulos e círculos
losangos e rectângulos
numa geometria da afeição
demente e alienada
colateral e simplificada
o silêncio suaviza a distância
entre ti e a tua ausência
imóvel e determinada
alísios ventos sopram
pelo equador da tua ideia
e inventam uma rosa dos ventos
com cardeais pontos reinventados
sonhados
desorientado
navegas pelas marés diletantes
de oceanos pacíficos
distantes delirantes dissecados
naufragado
contudo
Miopia(s) 3
01/02/2007
Miopia(s) 2

a fantasias dissonantes
a devaneios complacentes
olhares cegos por girassóis
oblíquos sinuosos distorcidos
despenham-se nas curvas
prostradas falsas arqueadas
olhares hauridos por papoilas
cálidas quentes ardentes
alongam-se nos painéis
pendentes descaídos suspensos
perfeitas espirais preciosas
de um presente amado
e desprezado
31/01/2007
Miopia(s) 1
descoberto de sentidos
não dorme sonos indolentes
sem sonhos sem quimeras sem ilusões
míope de honras de louros de triunfos
apela grita e risca
avidamente
penedos e rochedos
abalados tremidos assustados
sedimenta diáfanos sóis
luzentes ardentes cegos
ditosos caminhos percorridos
de um futuro adiado
mas apetecido
30/01/2007
Lufadas de humor fresco!
Portugal tem uma superfície de 92 100 km2. O território continental (88500 km2) inscreve-se num rectângulo com 560 km de comprimento por 220 km de largura!!!
População: 10 569 900 habitantes
Língua oficial: hipocrisês, falada principalmente por mentes iluminadas à força de tanta literatura consumida avidamente, para ser «despejada» uma vez por semana perante as câmaras de televisão...






