SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
07/03/2007
Imersão 2
05/03/2007
Imersão 1
04/03/2007
E o Melhor Filme é...
Martin Scorsese é, por si só, um nome que me impele a sentar-me na cadeira confortável do cinema...
Já Taxi Driver (1976), me impressionou e, desde aí, tento ver todos os seus filmes, embora me tenham escapado alguns, por um ou outro motivo, ao longo destas décadas .
Ao vencer o Oscar para o melhor filme com Entre Inimigos, Scorsese vê reconhecido o seu talento, perseverança e trabalho, que o público já há muito lhe reconhecera ao brindá-lo com grandes audiências.
A escolha dos actores contribuiu em grande parte para a qualidade do filme e, na minha opinião, Jack Nicholson teve uma das melhores interpretações da sua carreira.Este remake do primeiro filme da trilogia de Hong Kong Infernal Affairs, apresenta as teias da luta entre os bons e os maus que, a dada altura do filme, se confundem em torno do objectivo comum que perseguem, pois, afinal, «Polícias ou criminosos. Quando enfrentas uma arma carregada qual é a diferença?»
Gostei do filme. Confesso que Scorsese me fascinou mais com Taxi Driver ou Nova Iorque Fora de Horas, por exemplo. Mas, ainda bem para o realizador, que a Academia se lembrou dele ainda vivo.
Mais informações no
Silêncio(s) 3
privada de palavras
retenho pensamentos
numa omissão de sons e de ruídos
uma abstenção de afirmações
paralisa-me a memória
que erra por destinos ocultos
um ócio inerte
anula o bulício
e interrompe o curso do tempo
28/02/2007
Prioridades
e talvez mudar de atitude e redefinir prioridades!
Afinal todos sabemos isto mas deixamos que o tempo faça de nós o que quer...
Devia ser ao contrário, não?!
Espero que a ponhas em prática também... :-)
26/02/2007
Silêncio(s) 2
cedo ao mutismo que me cala
e em surdina ouço silêncios
cerco-me por segredos mudos
e tranquila desvendo silêncios
cega de omissões que me afagam
e serena destapo silêncios
.
25/02/2007
Woody Allen em cena
Mais um título a constar na filmografia de Woody Allen, tão longe dos anos 70/80: «Nem Guerra, nem Paz», «Annie Hall», «Intimidade», «Manhatan», «Uma Comédia Sexual numa Noite de Verão» ou de «A Rosa Púrpura do Cairo», «Dias da Rádio» ou de tantos outros.«Match Point», o filme anterior a «Scoop», agradou-me bastante, e até me surpreendeu pela vivacidade com que o septagenário Allen nos brindou.
Estava à espera de mais em «Scoop»... A veia humorística mantém-se eficaz, embora pouco criativa e que salva o argumento, o qual oscila entre o thriller desconcertante e a comédia romântica sem sal. Sid Waterman, o ilusionista americano interpretado pelo próprio Allen, revela-se uma personagem fundamental para colorir a história que gira à volta de Peter Lyman (Hugh Jackman) e Sondra Pransky (Scarlett Johanssen), mas tinha esquecido como é cansativo acompanhar o ritmo ininterrupto e apressado das locuções de Allen!
Um filme simpático para descontrair, num dia de Inverno...
Dualidade(s) 3
duplicidades triangulares
na superfície lisa de pares
por tão pouco o regresso é adiado
pelas estradas dissolutas de vogais
entre parêntesis curvos de notas musicais
espelhos que se abrem em concavidades oprimidas de soluços
e incidem nas oscilações definidas por ventos
que nada importam que nada revelam
que tudo fraccionam em instantes de genuína inocência
23/02/2007
Silêncio(s) 1
silêncios
perfumados de filosofias orientais
silêncios
engastados de exotismos arcaicos
silêncios
turvados de signos incógnitos
21/02/2007
O lado menos (ou mais) sério da vida
Ao vaguear por essa blogosfera, descobri há tempos o sítio «Vida de Casado» que consta a partir de hoje da minha lista de links. E a propósito, surgiu-me a vontade de escrever sobre humor...
O humor usado com inteligência é, frequentemente, a melhor «arma» para lidar com o grotesco das situações e relativizar a gravidade de gestos e atitudes. A ironia, por sua vez, é uma variante que acaba por se revelar extremamente útil, para combater a irracionalidade e ambivalência de atitudes com que, diariamente, somos confrontados...
Ambos os processos exigem um treino específico e sistemático, que permite, ao ser humano mais decente, atingir níveis de reacção elevados e apropriados a cada momento, com o mínimo de desgaste.
Perante a hipocrisia, a mentira, a falsidade, a estupidez, que nos exasperam e nos deixam à beira dum ataque de nervos, nada melhor do que mudar de atitude e, mantendo a calma, reagir com um discurso raiado de humor, temperado de requinte, de inequívoca incisão e de desconcertante frontalidade.
Desenvolver a capacidade de transformar situações dolorosas, embaraçosas, ou simplesmente irritantes, num desafio à resistência do «verniz» que «encera» alguns habitantes deste minúsculo planeta, pode significar uma excelente oportunidade de evitar «cabelos brancos», «envelhecimento precoce», e contribui decisivamente para uma natural melhoria da nossa qualidade de vida.
Reconheço que é tarefa difícil, pois nem sempre a disposição nos permite actuar dentro dos limites do bom senso e da racionalidade. Daí a indispensável preparação e exercício metódico, de modo a permitir-nos adquirir o imprescindível savoir-faire para olhar de frente e desarmar o nosso «alvo».
Reflictam sobre o assunto e usem e abusem do humor... a vida assim fica mais leve!
Ah, e deixo o link dum texto delicioso de
20/02/2007
Dualidade(s) 2
uma interrogação em forma de dilema
contrai-se espasmodicamente
entre inspiração e expiração seráficas
que vejo se não sinto,
que sinto se não vejo?
uma esfera mundana arrepia-me
e sem arrebatamentos de última hora
esfolo o passado que se enovela
no meu calcanhar de Aquiles
e numa busca constante
distingo o acaso que me desviou de caminho algum
como se algum fosse um caminho
aleatoriamente acoplado a outros caminhos
de estreita passagem vedada
mas não! era livre e ainda sou
Impressões fortes
O realizador de 21 Gramas, Alejandro González Iñarritu, apresenta-nos agora outro surpreendente filme: Exímio contador de histórias de vidas humanas, revelando uma magnífica capacidade de nos aproximar das personagens que, subitamente, vêem o curso das suas vidas alterado devido a um incidente, Iñarritu demonstra como um simples gesto (neste caso, um turista japonês que oferece uma espingarda a um guia marroquino) pode desencadear uma sequência de acontecimentos diversificados em vários pontos do mundo e entrelaçar destinos de estranhos que falam diferentes línguas.
Num perspicaz aproveitamento da metáfora da Torre de Babel, este realizador anuncia aqui e ali diferentes incómodos do mundo contemporâneo, em que não faltam os contrastes civilizacionais que põem a nu preconceitos, paranóias, discriminações.
Iñarritu revela-se um profundo conhecedor da complexidade da mente humana quer na sua individualidade, quer despoletando a sua vivência social.
...ninguém leva a mal...
Ir ao cinema foi sempre e continua a ser, para mim, um acontecimento único. Não me convencem com home cinema, surround, plasmas, dvd, hdtv, e toda essa profusão de tecnologias que retiram o prazer de viver o maravilhoso mundo de sensações que um bom filme pode proporcionar, desde que não haja por perto «comedores de pipocas», nem «palradores indomáveis».
Nesta cidade de «província», como tanto gostam de nomear os nossos compatriotas citadinos, ir ao cinema é um acontecimento inolvidável. Nas palavras do meu descendente, sou detentora de um poder de atracção para «azares» que, por exemplo, faz mover livros de prateleiras rumo ao chão sem que ninguém esteja por perto... o certo é que, não recordo nenhuma vez que tenha ido ao cinema nesta «santa terrinha», que não venha de lá com alguma historieta caricata!
Uma dessas vezes levantei-me visivelmente indignada, visto que a projecção do filme teimava em apresentar meio filme e apresentei reclamação; de outra vez, um grupo de «catraios» decidiu ir ver um filme para «grandes» (os pais descansadinhos em casa porque os meninos estavam guardadinhos a incomodarem os outros e, como não percebiam patavina do filme, insistiram em publicitar em voz alta a sua ignorância, apesar dos protestos dos restantes espectadores); poderia enumerar mais algumas, mas fico por mais esta que aconteceu hoje.
Num dia de chuva, véspera do dia de tolerância de ponto, nada mais apropriado do que ver
Ora, estando já sentada no meu lugar (detesto esta marcação por números e letras!), atenta às primeiras imagens do filme, apercebo-me de uns atrasados que reclamavam por terem ocupado os respectivos lugares, o que obrigou a uma mudança de última hora, passando os prevaricadores mesmo à minha frente, num grande alarde... Não gostei!!!
Como se isso não bastasse, logo de seguida, a espectadora do meu lado esquerdo, pergunta-me: «Que filme veio ver?!» Olhei-a, atónita!!! Então não se estava mesmo a ver o título no écran?! BABEL?! Respondi, serenamente: Babel... Entre uma exclamação e outra, ela e o acompanhante lá saíram, pois, afinal, tratava-se de um equívoco... não era bem aquele filme...
No intervalo (que existe apenas para manter o bar lá do sítio), encontrei um casal de amigos que já não via há algum tempo... Ela sempre muito aprumada, dando dois passos atrás para me olhar de alto a baixo, tendo fixado o olhar na bolsa a tiracolo (que não sendo Gucci, é simplesmente um assombro e que me tira pelo menos dez anos!) foi comentando que não estava a gostar do filme. Naturalmente, aludi ao facto de conhecer já o realizador e reconheci que não me sentia nada decepcionada, pois o filme vinha totalmente de encontro às minhas expectativas...
Mas quem me manda a mim ter estas tiradas?! Mais uma vez olhou fixamente a minha bolsa, numa descarada observação do meu estilo descontraído mas que, sem dúvida, a incomodava. Ri-me por dentro e continuei com ar condescendente... De repente, apareceu o marido que teceu alguns comentários sobre o filme e, pobre homem!, ouviu das que não quis... Tentei pôr água na fervura, convencendo-a de que a vida de casada implica algumas cedências de parte a parte... mas nem me ouviu de tão agitada que estava e manifestava a sua intenção em nunca mais vir ao cinema; ele contrapunha que sim, que haviam de vir mais vezes e que até queria ver o Diamante de Sangue, ela: nem pensar!
Refugiada de novo na bela fotografia de Rodrigo Prieto, esqueci todos estes contratempos, prometendo a mim mesma que, da próxima vez, faço novamente cem quilómetros para ver um filme descansada!
18/02/2007
Dualidade(s) 1

desprendo-me desta farsa feita história
que artificial se desenrola numa arena
e solto a satisfação do sorriso matutino
que projecta no sol aprazimento e perspicácia
de loucuras adiadas
afinal sempre quis
que fosse ou não
que me impelem na hora de avançar
rumo ao mistério da leveza
numa transparência irredutível de chamas
e uma ferida dissipa-se para abrir caminhos
Obscenidade(s) 3
num carrossel de segredos entre sussurros e medos
giram as mãos em desvarios momentâneos
pelos cabelos cruéis que afagados adormecem
sob um luar de verão ainda distante
não te olho
encosto-me sem reservas inúteis
a um calor irresistível de sonhos castos
sucumbo ao hipnótico momento intacta
e não te quero
assim assim
17/02/2007
Obscenidade(s) 2
Obscenidade(s) 1
ondulando os passos de salto alto
pela insistência do teu olhar sôfrego
- formosa e insegura ? -
afoita!
tiritei sílabas de vermelho bâton e de rubra paixão
no meu peito um rubor latejava
fendia gelos e convencia magos
de escarlates intenções e silêncios abafados
ruboresceste numa palidez resignada do limbo
em que me sonhaste
16/02/2007
Delírio(s) 3
à deriva no mapa oscilo entre norte e sul
e extraviada nas margens de mim
chego ao porto de mares esquecidos
de obstinadas memórias possantes
errante de destinos indesejados
prisioneira de absurdas linhas cruzadas
e de aromas perturbados
à deriva no mapa oscilo no vácuo
de aragens perfumadas de rosas
e ditam elas caminhos entre lírios e prosas
e me deito com o que sinto
sem sentir o que pinto!
14/02/2007
Um dia apropriado!!!
Esta coincidência não pode ser casual!!!
Li
Disfunções Sexuais
«O dia europeu da Disfunção Sexual (14 de Fevereiro) relembra um problema que afecta cada vez mais portugueses. Felizmente, a cura é uma realidade para a maior parte das patologias do foro íntimo.»
in EGO, 20 a 26 de Fevereiro de 2004
O que é Amar
Ausente dele ou porque me excede, não, não falo de amor...
Deixo que outros falem por mim porque o fazem melhor do que eu...
Obrigada Éric pelo teu contributo!
Já não há filósofos nem poetas
Que me digam, hoje,
o que é amar.
O que é gostar de alguém como se gosta de um Deus,
O que é ouvir embevecido
a voz doce e penetrante
de quem se ama,
O que é ficar arrepiado
quando o frio da noite já passou,
O que é acalorar-se
quando a brisa da janela passa,
O que é sentir o coração bater descompassado
quando o nome do amado é soletrado,
O que é estar à espera
sentado no telefone
da palavra “semprevoucontigo”,
O que é ficar prostrado e moribundo
quando o dia do encontro é adiado,
o que é ser trespassado
pela força desse beijo quente
que se dá,
o que é cheirar inebriado o corpo nu
que se entrelaça em nós,
O que é ficar corado de vermelho vivo
quando o sangue corre lesto
pelo torso inteiro
anunciando em espasmos brancos
os cumes todos que trepamos
quando somos um,
em dois, em nós.
Não
não sei o que é Amar.
Sei apenas o que sinto que seja.
E digo-o aqui
como se ninguém antes
nada tivesse dito sobre isso
e eu fosse o primeiro a desvendá-lo.
Mas vejo agora
que o disse,
que tudo isto é mentira
e não existe:
eu nunca senti nada disto que vos disse
nem vou voltar a sentir.
António Pinheiro




