11/03/2007

Charmaine Neville Band

Com Charmaine Neville (voz), Amasa Miller (teclados), Jefferey Cardarelli (baixo), Gerald French (bateria)

Charmaine Neville Band é certamente uma das melhores formações saídas de Nova Orleães. Liderada a nível instrumental pelo veterano teclista Amasa Miller e pelo saxofonista Reggie Houston, que tocou com Fats Domino, a banda tem como vocalista Charmaine Neville, filha de um dos mais aclamados elementos dos Neville Brothers. Misturando com sabedoria os sons lendários de Nova Orleães, a Charmaine Neville Band junta ao blues, o R&B, o jazz e o funky.

Um espectáculo diferente... uma mistura de ritmos interpretada por uma Charmaine enérgica que transmite em palco uma presença contagiante, como se estivesse possuída de espíritos ancestrais criadores de sons primitivos.

08/03/2007

Terá razão?!

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Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.

O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor.
É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz.
É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber.

O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade.

É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra.

A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso

Porquê o dia 8 de Março

07/03/2007

Imersão 3

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trasladada

numa imersão de saudade

rio e choro

sumersa pelas camadas ermas

de tintas púrpuras

num imergir repentino

que naufraga

desalentos e paradoxos

ininterruptos

de formas e de cores

Imersão 2

imergente

nas águas profundas e revoltas

hesito

na cadeia de corais

sem astrolábio

sem bússola

forrada de estilhaços salinos

flutuo

por oceanos esquecidos

perdidos achados

ocultos expostos

à deriva em mim

até ti

05/03/2007

Imersão 1

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La Columna rota, Frida Kahlo
1944


imersa no errar da denúncia

concedo-me cogitações vagabundas

placebo da dor

distancia-se do agora

e o nunca regurgita

de tanto amar


04/03/2007

E o Melhor Filme é...



Martin Scorsese é, por si só, um nome que me impele a sentar-me na cadeira confortável do cinema...

Taxi Driver (1976), me impressionou e, desde aí, tento ver todos os seus filmes, embora me tenham escapado alguns, por um ou outro motivo, ao longo destas décadas .
Ao vencer o Oscar para o melhor filme com Entre Inimigos, Scorsese vê reconhecido o seu talento, perseverança e trabalho, que o público já há muito lhe reconhecera ao brindá-lo com grandes audiências.
A escolha dos actores contribuiu em grande parte para a qualidade do filme e, na minha opinião, Jack Nicholson teve uma das melhores interpretações da sua carreira.
Este remake do primeiro filme da trilogia de Hong Kong Infernal Affairs, apresenta as teias da luta entre os bons e os maus que, a dada altura do filme, se confundem em torno do objectivo comum que perseguem, pois, afinal, «Polícias ou criminosos. Quando enfrentas uma arma carregada qual é a diferença?»
A violência é dominante no filme e, como qualquer filme americano deste género, a palavra "fuckin" é uma constante... (Sempre me fez muita confusão esta reincidência de registo...!)
Gostei do filme. Confesso que Scorsese me fascinou mais com Taxi Driver ou Nova Iorque Fora de Horas, por exemplo. Mas, ainda bem para o realizador, que a Academia se lembrou dele ainda vivo.

Mais informações no
site oficial.


Silêncio(s) 3

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privada de palavras
retenho pensamentos
numa omissão de sons e de ruídos

uma abstenção de afirmações
paralisa-me a memória
que erra por destinos ocultos

um ócio inerte
anula o bulício
e interrompe o curso do tempo


28/02/2007

Prioridades

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Antídoto para os workahólicos!!! Incluindo eu!

Mesmo a propósito: slow down week e slowdownnow

É caso para pensar...

e talvez mudar de atitude e redefinir prioridades!

Afinal todos sabemos isto mas deixamos que o tempo faça de nós o que quer...

Devia ser ao contrário, não?!


Obrigada Carlos pelo mail e pela sugestão!
Espero que a ponhas em prática também... :-)


26/02/2007

Silêncio(s) 2

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cedo ao mutismo que me cala
e em surdina ouço silêncios

cerco-me por segredos mudos
e tranquila desvendo silêncios

cega de omissões que me afagam
e serena destapo silêncios


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25/02/2007

Woody Allen em cena

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Mais um título a constar na filmografia de Woody Allen, tão longe dos anos 70/80: «Nem Guerra, nem Paz», «Annie Hall», «Intimidade», «Manhatan», «Uma Comédia Sexual numa Noite de Verão» ou de «A Rosa Púrpura do Cairo», «Dias da Rádio» ou de tantos outros.

«Match Point», o filme anterior a «Scoop», agradou-me bastante, e até me surpreendeu pela vivacidade com que o septagenário Allen nos brindou.

Estava à espera de mais em «Scoop»... A veia humorística mantém-se eficaz, embora pouco criativa e que salva o argumento, o qual oscila entre o thriller desconcertante e a comédia romântica sem sal. Sid Waterman, o ilusionista americano interpretado pelo próprio Allen, revela-se uma personagem fundamental para colorir a história que gira à volta de Peter Lyman (Hugh Jackman) e Sondra Pransky (Scarlett Johanssen), mas tinha esquecido como é cansativo acompanhar o ritmo ininterrupto e apressado das locuções de Allen!

Um filme simpático para descontrair, num dia de Inverno...
Há mais aqui.

Dualidade(s) 3

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duplicidades triangulares
riscam vértices obtusos
na superfície lisa de pares

por tão pouco o regresso é adiado
pelas estradas dissolutas de vogais
entre parêntesis curvos de notas musicais

espelhos que se abrem em concavidades oprimidas de soluços
e incidem nas oscilações definidas por ventos
que nada importam que nada revelam
que tudo fraccionam em instantes de genuína inocência

23/02/2007

Silêncio(s) 1



silêncios

perfumados de filosofias orientais


silêncios

engastados de exotismos arcaicos


silêncios

turvados de signos incógnitos


21/02/2007

O lado menos (ou mais) sério da vida

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Ao vaguear por essa blogosfera, descobri há tempos o sítio «Vida de Casado» que consta a partir de hoje da minha lista de
links. E a propósito, surgiu-me a vontade de escrever sobre humor...

As relações humanas revestem-se de uma complexidade de dimensões incomensuráveis que obriga a análises cada vez mais profundas e contraditórias e, se focarmos a questão nas relações entre homem e mulher, então aí há «pano para mangas»!

O humor usado com inteligência é, frequentemente, a melhor «arma» para lidar com o grotesco das situações e relativizar a gravidade de gestos e atitudes. A ironia, por sua vez, é uma variante que acaba por se revelar extremamente útil, para combater a irracionalidade e ambivalência de atitudes com que, diariamente, somos confrontados...

Ambos os processos exigem um treino específico e sistemático, que permite, ao ser humano mais decente, atingir níveis de reacção elevados e apropriados a cada momento, com o mínimo de desgaste.

Perante a hipocrisia, a mentira, a falsidade, a estupidez, que nos exasperam e nos deixam à beira dum ataque de nervos, nada melhor do que mudar de atitude e, mantendo a calma, reagir com um discurso raiado de humor, temperado de requinte, de inequívoca incisão e de desconcertante frontalidade.

Desenvolver a capacidade de transformar situações dolorosas, embaraçosas, ou simplesmente irritantes, num desafio à resistência do «verniz» que «encera» alguns habitantes deste minúsculo planeta, pode significar uma excelente oportunidade de evitar «cabelos brancos», «envelhecimento precoce», e contribui decisivamente para uma natural melhoria da nossa qualidade de vida.

Reconheço que é tarefa difícil, pois nem sempre a disposição nos permite actuar dentro dos limites do bom senso e da racionalidade. Daí a indispensável preparação e exercício metódico, de modo a permitir-nos adquirir o imprescindível savoir-faire para olhar de frente e desarmar o nosso «alvo».

Tirar a terra debaixo dos pés de alguém com um sorriso, é sempre o caminho mais fácil de desmascarar um idiota!

Reflictam sobre o assunto e usem e abusem do humor... a vida assim fica mais leve!

Ah, e deixo o link dum texto delicioso de
Victor Hugo.

Foto: David Mendelsohn

20/02/2007

Dualidade(s) 2

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David Mendelsohn

uma interrogação em forma de dilema
contrai-se espasmodicamente
entre inspiração e expiração seráficas

que vejo se não sinto,
que sinto se não vejo?

uma esfera mundana arrepia-me
e sem arrebatamentos de última hora
esfolo o passado que se enovela
no meu calcanhar de Aquiles

e numa busca constante
distingo o acaso que me desviou de caminho algum
como se algum fosse um caminho
aleatoriamente acoplado a outros caminhos
de estreita passagem vedada

mas não! era livre e ainda sou

Impressões fortes

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O realizador de 21 Gramas, Alejandro González Iñarritu, apresenta-nos agora outro surpreendente filme: Babel.

Exímio contador de histórias de vidas humanas, revelando uma magnífica capacidade de nos aproximar das personagens que, subitamente, vêem o curso das suas vidas alterado devido a um incidente, Iñarritu demonstra como um simples gesto (neste caso, um turista japonês que oferece uma espingarda a um guia marroquino) pode desencadear uma sequência de acontecimentos diversificados em vários pontos do mundo e entrelaçar destinos de estranhos que falam diferentes línguas.

Num perspicaz aproveitamento da metáfora da Torre de Babel, este realizador anuncia aqui e ali diferentes incómodos do mundo contemporâneo, em que não faltam os contrastes civilizacionais que põem a nu preconceitos, paranóias, discriminações.
Iñarritu revela-se um profundo conhecedor da complexidade da mente humana quer na sua individualidade, quer despoletando a sua vivência social.

...ninguém leva a mal...



Ir ao cinema foi sempre e continua a ser, para mim, um acontecimento único. Não me convencem com home cinema, surround, plasmas, dvd, hdtv, e toda essa profusão de tecnologias que retiram o prazer de viver o maravilhoso mundo de sensações que um bom filme pode proporcionar, desde que não haja por perto «comedores de pipocas», nem «palradores indomáveis».

Nesta cidade de «província», como tanto gostam de nomear os nossos compatriotas citadinos, ir ao cinema é um acontecimento inolvidável. Nas palavras do meu descendente, sou detentora de um poder de atracção para «azares» que, por exemplo, faz mover livros de prateleiras rumo ao chão sem que ninguém esteja por perto... o certo é que, não recordo nenhuma vez que tenha ido ao cinema nesta «santa terrinha», que não venha de lá com alguma historieta caricata!
Uma dessas vezes levantei-me visivelmente indignada, visto que a projecção do filme teimava em apresentar meio filme e apresentei reclamação; de outra vez, um grupo de «catraios» decidiu ir ver um filme para «grandes» (os pais descansadinhos em casa porque os meninos estavam guardadinhos a incomodarem os outros e, como não percebiam patavina do filme, insistiram em publicitar em voz alta a sua ignorância, apesar dos protestos dos restantes espectadores); poderia enumerar mais algumas, mas fico por mais esta que aconteceu hoje.

Num dia de chuva, véspera do dia de tolerância de ponto, nada mais apropriado do que ver Babel, um filme fabuloso de um realizador surpreendente.
Ora, estando já sentada no meu lugar (detesto esta marcação por números e letras!), atenta às primeiras imagens do filme, apercebo-me de uns atrasados que reclamavam por terem ocupado os respectivos lugares, o que obrigou a uma mudança de última hora, passando os prevaricadores mesmo à minha frente, num grande alarde... Não gostei!!!
Como se isso não bastasse, logo de seguida, a espectadora do meu lado esquerdo, pergunta-me: «Que filme veio ver?!» Olhei-a, atónita!!! Então não se estava mesmo a ver o título no écran?! BABEL?! Respondi, serenamente: Babel... Entre uma exclamação e outra, ela e o acompanhante lá saíram, pois, afinal, tratava-se de um equívoco... não era bem aquele filme...
No intervalo (que existe apenas para manter o bar lá do sítio), encontrei um casal de amigos que já não via há algum tempo... Ela sempre muito aprumada, dando dois passos atrás para me olhar de alto a baixo, tendo fixado o olhar na bolsa a tiracolo (que não sendo Gucci, é simplesmente um assombro e que me tira pelo menos dez anos!) foi comentando que não estava a gostar do filme. Naturalmente, aludi ao facto de conhecer já o realizador e reconheci que não me sentia nada decepcionada, pois o filme vinha totalmente de encontro às minhas expectativas...
Mas quem me manda a mim ter estas tiradas?! Mais uma vez olhou fixamente a minha bolsa, numa descarada observação do meu estilo descontraído mas que, sem dúvida, a incomodava. Ri-me por dentro e continuei com ar condescendente... De repente, apareceu o marido que teceu alguns comentários sobre o filme e, pobre homem!, ouviu das que não quis... Tentei pôr água na fervura, convencendo-a de que a vida de casada implica algumas cedências de parte a parte... mas nem me ouviu de tão agitada que estava e manifestava a sua intenção em nunca mais vir ao cinema; ele contrapunha que sim, que haviam de vir mais vezes e que até queria ver o Diamante de Sangue, ela: nem pensar!

Refugiada de novo na bela fotografia de Rodrigo Prieto, esqueci todos estes contratempos, prometendo a mim mesma que, da próxima vez, faço novamente cem quilómetros para ver um filme descansada!

18/02/2007

Dualidade(s) 1

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http://www.olhares.com/a_cela/foto840099.html

desprendo-me desta farsa feita história
que artificial se desenrola numa arena
de dúvidas e hesitações
retiro o lenço que limpou suores
e solto a satisfação do sorriso matutino
que projecta no sol aprazimento e perspicácia
de loucuras adiadas

afinal sempre quis
que fosse ou não
sem sombras nem decadências
as figuras que se destacam no fundo de mim
que me impelem na hora de avançar
rumo ao mistério da leveza
insubsistente e frívola
aponho adereços de vidro
numa transparência irredutível de chamas
acesas e extintas
vertigens e suspiros soltam o derradeiro fôlego
e uma ferida dissipa-se para abrir caminhos
inéditos e selvagens


Obscenidade(s) 3

.http://www.1monde.net/index.php/C7/

num carrossel de segredos entre sussurros e medos
giram as mãos em desvarios momentâneos
pelos cabelos cruéis que afagados adormecem
sob um luar de verão ainda distante
não te olho

num ingénuo delírio inflamado
encosto-me sem reservas inúteis
a um calor irresistível de sonhos castos
sucumbo ao hipnótico momento intacta
e não te quero
assim assim


17/02/2007

Obscenidade(s) 2

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os meus dedos percorrem o contorno dos teus ombros

num deleite abandonado de sentidos

surda a palavras ocas que rodopiam nos intervalos

do espaço que o meu corpo ocupa, entre vírgulas,

me expando lasciva e nua de conceitos

numa síntese de intimidades minhas e tuas

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