.
no ponto desarticulado
desci pelo íngreme firmamento
oblíqua de vazios
arada de incursões
caminhei
perpendicular a mim própria
desprovida de ódios
cultivei afectos
distantes do tacto
e sucumbi à sedução
sem medos à porta
.
SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
14/03/2007
(Des)articulação 2
.
e num passo desarticulado de ritmo
determinei o meu compasso
de vida
avancei na impossibilidade
de cair
privada de visão límpida
adiei uma invisual certeza
e voei na escrita
e encontrei-me
.
e num passo desarticulado de ritmo
determinei o meu compasso
de vida
avancei na impossibilidade
de cair
privada de visão límpida
adiei uma invisual certeza
e voei na escrita
e encontrei-me
.
(Des)articulação 1
.
um inconcebível desígnio
cruzou serenidades e desassossegos
e
numa indomável tempestade
arranquei punhais de pedra
que feriam gestos e olhares
uma insípida indiferença irrompeu
ao virar da esquina
escoei-me em movimentos
e
desarticulei-me em sons
.
um inconcebível desígnio
cruzou serenidades e desassossegos
e
numa indomável tempestade
arranquei punhais de pedra
que feriam gestos e olhares
uma insípida indiferença irrompeu
ao virar da esquina
escoei-me em movimentos
e
desarticulei-me em sons
.
Segunda descida à Terra
.
No post « Descer à Terra» de 2 de Novembro de 2006, escrevi: «sempre atenta ao sinal sonoro que anunciava o número de chamada e o respectivo balcão de atendimento. Cerca de uma hora depois, lá consegui vislumbrar o meu número no écran de uma das televisões colocadas a dois metros e tal do chão, o que constitui um verdadeiro teste à visão e ficamos sempre a pensar que a nossa miopia se agravou e que vamos usufruir das vantagens da idade naquela óptica dos anúncios televisivos...»
Ontem, uma nova deslocação aos mesmos serviços e, quando procurava a informação do número e respectivo balcão de atendimento, deparei-me com os écrans desligados, ali moribundos...
E porque, por vezes, me apetece ser estúpida, pedi ao funcionário a informação: «tem que aguardar a sua vez e ver quando aparece ali no plasma». Ah! «Plasma» é a palavra secreta!
E porque, por vezes, me apetece ser estúpida, pedi ao funcionário a informação: «tem que aguardar a sua vez e ver quando aparece ali no plasma». Ah! «Plasma» é a palavra secreta!
Esta eficiência provocou-me um arrepio. Olhei à volta e ali estavam eles: dois plasmas colocados estrategicamente, apresentando, do lado esquerdo, uma pequena imagem muda do jornal televisivo e, do lado direito, o número e o balcão de atendimento em letras suficientemente grandes para uma visão mais míope.
Os anteriores aparelhos jaziam ali, estáticos e obsoletos, a dois metros e tal do chão.
Fiquei contente pela opção de ver os meus impostos assim aplicados !!!
13/03/2007
Rotação (1)
O despertador avisa que são sete e quarenta e cinco minutos. Embora a vontade seja adormecer novamente, levanto-me!
Adivinho uma longa jornada, mas nem imagino quanto!!!
Oito e meia da noite, entro em casa. De rastos!
Ligo para alguém por uma questão profissional e acabo por receber uma péssima notícia!
Há dias assim...
Encho a banheira, acendo umas velas, mergulho na água morna e fecho os olhos. Desfaleço!
E choro...
Adivinho uma longa jornada, mas nem imagino quanto!!!
Oito e meia da noite, entro em casa. De rastos!
Ligo para alguém por uma questão profissional e acabo por receber uma péssima notícia!
Há dias assim...
Encho a banheira, acendo umas velas, mergulho na água morna e fecho os olhos. Desfaleço!
E choro...
11/03/2007
Insólito(s) 1
Um instante insólito, enquanto caminhava ontem ao longo da praia, sucedeu-me inesperadamente.
Dedicava-me ao meu exercício de desentorpecimento do corpo e do espírito quando, repentinamente, me senti «uma ilha»!
Havia o mar, o sol, as pessoas mas, como uma ficha desligada da corrente, experimentei uma sensação de que tudo à minha volta era um imenso absurdo!
E pensei: se me evaporasse agora, tudo continuaria exactamente igual por milhares de anos!
Afinal, o que marca a diferença?!
Dedicava-me ao meu exercício de desentorpecimento do corpo e do espírito quando, repentinamente, me senti «uma ilha»!
Havia o mar, o sol, as pessoas mas, como uma ficha desligada da corrente, experimentei uma sensação de que tudo à minha volta era um imenso absurdo!
E pensei: se me evaporasse agora, tudo continuaria exactamente igual por milhares de anos!
Afinal, o que marca a diferença?!
Charmaine Neville Band
Com Charmaine Neville (voz), Amasa Miller (teclados), Jefferey Cardarelli (baixo), Gerald French (bateria)Charmaine Neville Band é certamente uma das melhores formações saídas de Nova Orleães. Liderada a nível instrumental pelo veterano teclista Amasa Miller e pelo saxofonista Reggie Houston, que tocou com Fats Domino, a banda tem como vocalista Charmaine Neville, filha de um dos mais aclamados elementos dos Neville Brothers. Misturando com sabedoria os sons lendários de Nova Orleães, a Charmaine Neville Band junta ao blues, o R&B, o jazz e o funky.
Um espectáculo diferente... uma mistura de ritmos interpretada por uma Charmaine enérgica que transmite em palco uma presença contagiante, como se estivesse possuída de espíritos ancestrais criadores de sons primitivos.
08/03/2007
Terá razão?!
.
Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor.
É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz.
É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber.
O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade.
É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor.
É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz.
É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber.
O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade.
É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.
O coração guarda o que se nos escapa das mãos.
E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Miguel Esteves Cardoso
07/03/2007
Imersão 3
.
trasladada
numa imersão de saudade
rio e choro
sumersa pelas camadas ermas
de tintas púrpuras
num imergir repentino
que naufraga
desalentos e paradoxos
ininterruptos
de formas e de cores
trasladada
numa imersão de saudade
rio e choro
sumersa pelas camadas ermas
de tintas púrpuras
num imergir repentino
que naufraga
desalentos e paradoxos
ininterruptos
de formas e de cores
Imersão 2
imergente
nas águas profundas e revoltas
hesito
na cadeia de corais
sem astrolábio
sem bússola
forrada de estilhaços salinos
flutuo
por oceanos esquecidos
perdidos achados
ocultos expostos
à deriva em mim
até ti
05/03/2007
Imersão 1
04/03/2007
E o Melhor Filme é...
Martin Scorsese é, por si só, um nome que me impele a sentar-me na cadeira confortável do cinema...
Já Taxi Driver (1976), me impressionou e, desde aí, tento ver todos os seus filmes, embora me tenham escapado alguns, por um ou outro motivo, ao longo destas décadas .
Ao vencer o Oscar para o melhor filme com Entre Inimigos, Scorsese vê reconhecido o seu talento, perseverança e trabalho, que o público já há muito lhe reconhecera ao brindá-lo com grandes audiências.
A escolha dos actores contribuiu em grande parte para a qualidade do filme e, na minha opinião, Jack Nicholson teve uma das melhores interpretações da sua carreira.Este remake do primeiro filme da trilogia de Hong Kong Infernal Affairs, apresenta as teias da luta entre os bons e os maus que, a dada altura do filme, se confundem em torno do objectivo comum que perseguem, pois, afinal, «Polícias ou criminosos. Quando enfrentas uma arma carregada qual é a diferença?»
A violência é dominante no filme e, como qualquer filme americano deste género, a palavra "fuckin" é uma constante... (Sempre me fez muita confusão esta reincidência de registo...!)
Gostei do filme. Confesso que Scorsese me fascinou mais com Taxi Driver ou Nova Iorque Fora de Horas, por exemplo. Mas, ainda bem para o realizador, que a Academia se lembrou dele ainda vivo.
Mais informações nosite oficial.
Gostei do filme. Confesso que Scorsese me fascinou mais com Taxi Driver ou Nova Iorque Fora de Horas, por exemplo. Mas, ainda bem para o realizador, que a Academia se lembrou dele ainda vivo.
Mais informações no
Silêncio(s) 3
.
privada de palavras
retenho pensamentos
numa omissão de sons e de ruídos
uma abstenção de afirmações
paralisa-me a memória
que erra por destinos ocultos
um ócio inerte
anula o bulício
e interrompe o curso do tempo
privada de palavras
retenho pensamentos
numa omissão de sons e de ruídos
uma abstenção de afirmações
paralisa-me a memória
que erra por destinos ocultos
um ócio inerte
anula o bulício
e interrompe o curso do tempo
28/02/2007
Prioridades
.
Antídoto para os workahólicos!!! Incluindo eu!
Mesmo a propósito: slow down week e slowdownnow
É caso para pensar...
e talvez mudar de atitude e redefinir prioridades!
Afinal todos sabemos isto mas deixamos que o tempo faça de nós o que quer...
Devia ser ao contrário, não?!
e talvez mudar de atitude e redefinir prioridades!
Afinal todos sabemos isto mas deixamos que o tempo faça de nós o que quer...
Devia ser ao contrário, não?!
Obrigada Carlos pelo mail e pela sugestão!
Espero que a ponhas em prática também... :-)
Espero que a ponhas em prática também... :-)
26/02/2007
Silêncio(s) 2
.
cedo ao mutismo que me cala
e em surdina ouço silêncios
cerco-me por segredos mudos
e tranquila desvendo silêncios
cega de omissões que me afagam
e serena destapo silêncios
.
cedo ao mutismo que me cala
e em surdina ouço silêncios
cerco-me por segredos mudos
e tranquila desvendo silêncios
cega de omissões que me afagam
e serena destapo silêncios
.
25/02/2007
Woody Allen em cena
.
Mais um título a constar na filmografia de Woody Allen, tão longe dos anos 70/80: «Nem Guerra, nem Paz», «Annie Hall», «Intimidade», «Manhatan», «Uma Comédia Sexual numa Noite de Verão» ou de «A Rosa Púrpura do Cairo», «Dias da Rádio» ou de tantos outros.
«Match Point», o filme anterior a «Scoop», agradou-me bastante, e até me surpreendeu pela vivacidade com que o septagenário Allen nos brindou.
Estava à espera de mais em «Scoop»... A veia humorística mantém-se eficaz, embora pouco criativa e que salva o argumento, o qual oscila entre o thriller desconcertante e a comédia romântica sem sal. Sid Waterman, o ilusionista americano interpretado pelo próprio Allen, revela-se uma personagem fundamental para colorir a história que gira à volta de Peter Lyman (Hugh Jackman) e Sondra Pransky (Scarlett Johanssen), mas tinha esquecido como é cansativo acompanhar o ritmo ininterrupto e apressado das locuções de Allen!
Um filme simpático para descontrair, num dia de Inverno...
Mais um título a constar na filmografia de Woody Allen, tão longe dos anos 70/80: «Nem Guerra, nem Paz», «Annie Hall», «Intimidade», «Manhatan», «Uma Comédia Sexual numa Noite de Verão» ou de «A Rosa Púrpura do Cairo», «Dias da Rádio» ou de tantos outros.«Match Point», o filme anterior a «Scoop», agradou-me bastante, e até me surpreendeu pela vivacidade com que o septagenário Allen nos brindou.
Estava à espera de mais em «Scoop»... A veia humorística mantém-se eficaz, embora pouco criativa e que salva o argumento, o qual oscila entre o thriller desconcertante e a comédia romântica sem sal. Sid Waterman, o ilusionista americano interpretado pelo próprio Allen, revela-se uma personagem fundamental para colorir a história que gira à volta de Peter Lyman (Hugh Jackman) e Sondra Pransky (Scarlett Johanssen), mas tinha esquecido como é cansativo acompanhar o ritmo ininterrupto e apressado das locuções de Allen!
Um filme simpático para descontrair, num dia de Inverno...
Há mais aqui.
Dualidade(s) 3
.
duplicidades triangulares
duplicidades triangulares
riscam vértices obtusos
na superfície lisa de pares
por tão pouco o regresso é adiado
pelas estradas dissolutas de vogais
entre parêntesis curvos de notas musicais
espelhos que se abrem em concavidades oprimidas de soluços
e incidem nas oscilações definidas por ventos
que nada importam que nada revelam
que tudo fraccionam em instantes de genuína inocência
na superfície lisa de pares
por tão pouco o regresso é adiado
pelas estradas dissolutas de vogais
entre parêntesis curvos de notas musicais
espelhos que se abrem em concavidades oprimidas de soluços
e incidem nas oscilações definidas por ventos
que nada importam que nada revelam
que tudo fraccionam em instantes de genuína inocência
23/02/2007
Silêncio(s) 1
silêncios
perfumados de filosofias orientais
silêncios
engastados de exotismos arcaicos
silêncios
turvados de signos incógnitos
21/02/2007
O lado menos (ou mais) sério da vida
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Ao vaguear por essa blogosfera, descobri há tempos o sítio «Vida de Casado» que consta a partir de hoje da minha lista de links. E a propósito, surgiu-me a vontade de escrever sobre humor...
As relações humanas revestem-se de uma complexidade de dimensões incomensuráveis que obriga a análises cada vez mais profundas e contraditórias e, se focarmos a questão nas relações entre homem e mulher, então aí há «pano para mangas»!
O humor usado com inteligência é, frequentemente, a melhor «arma» para lidar com o grotesco das situações e relativizar a gravidade de gestos e atitudes. A ironia, por sua vez, é uma variante que acaba por se revelar extremamente útil, para combater a irracionalidade e ambivalência de atitudes com que, diariamente, somos confrontados...
Ambos os processos exigem um treino específico e sistemático, que permite, ao ser humano mais decente, atingir níveis de reacção elevados e apropriados a cada momento, com o mínimo de desgaste.
Perante a hipocrisia, a mentira, a falsidade, a estupidez, que nos exasperam e nos deixam à beira dum ataque de nervos, nada melhor do que mudar de atitude e, mantendo a calma, reagir com um discurso raiado de humor, temperado de requinte, de inequívoca incisão e de desconcertante frontalidade.
Desenvolver a capacidade de transformar situações dolorosas, embaraçosas, ou simplesmente irritantes, num desafio à resistência do «verniz» que «encera» alguns habitantes deste minúsculo planeta, pode significar uma excelente oportunidade de evitar «cabelos brancos», «envelhecimento precoce», e contribui decisivamente para uma natural melhoria da nossa qualidade de vida.
Reconheço que é tarefa difícil, pois nem sempre a disposição nos permite actuar dentro dos limites do bom senso e da racionalidade. Daí a indispensável preparação e exercício metódico, de modo a permitir-nos adquirir o imprescindível savoir-faire para olhar de frente e desarmar o nosso «alvo».
Reflictam sobre o assunto e usem e abusem do humor... a vida assim fica mais leve!
Ah, e deixo o link dum texto delicioso deVictor Hugo.
Ao vaguear por essa blogosfera, descobri há tempos o sítio «Vida de Casado» que consta a partir de hoje da minha lista de links. E a propósito, surgiu-me a vontade de escrever sobre humor...
O humor usado com inteligência é, frequentemente, a melhor «arma» para lidar com o grotesco das situações e relativizar a gravidade de gestos e atitudes. A ironia, por sua vez, é uma variante que acaba por se revelar extremamente útil, para combater a irracionalidade e ambivalência de atitudes com que, diariamente, somos confrontados...
Ambos os processos exigem um treino específico e sistemático, que permite, ao ser humano mais decente, atingir níveis de reacção elevados e apropriados a cada momento, com o mínimo de desgaste.
Perante a hipocrisia, a mentira, a falsidade, a estupidez, que nos exasperam e nos deixam à beira dum ataque de nervos, nada melhor do que mudar de atitude e, mantendo a calma, reagir com um discurso raiado de humor, temperado de requinte, de inequívoca incisão e de desconcertante frontalidade.
Desenvolver a capacidade de transformar situações dolorosas, embaraçosas, ou simplesmente irritantes, num desafio à resistência do «verniz» que «encera» alguns habitantes deste minúsculo planeta, pode significar uma excelente oportunidade de evitar «cabelos brancos», «envelhecimento precoce», e contribui decisivamente para uma natural melhoria da nossa qualidade de vida.
Reconheço que é tarefa difícil, pois nem sempre a disposição nos permite actuar dentro dos limites do bom senso e da racionalidade. Daí a indispensável preparação e exercício metódico, de modo a permitir-nos adquirir o imprescindível savoir-faire para olhar de frente e desarmar o nosso «alvo».
Tirar a terra debaixo dos pés de alguém com um sorriso, é sempre o caminho mais fácil de desmascarar um idiota!
Reflictam sobre o assunto e usem e abusem do humor... a vida assim fica mais leve!
Ah, e deixo o link dum texto delicioso de
Foto: David Mendelsohn
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