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«Explica-me como se eu fosse muito, muito, mas mesmo muito burra!»
Ora aí está a solução!
Enquanto ouço o marido a queixar-se (o que deve ser entendido como 'vangloriar-se' evidentemente) que, por vezes, tem feito de motorista, permitindo à adorada esposa o cumprimento dos seus deveres profissionais que, de momento, a obrigam a constantes deslocações por esse distrito fora, vou ironizando que tal facto só pode ficar a dever-se ao prazer que a sua companhia lhe proporciona, ao fim de vinte e tantos anos de casamento (sem comentários e sem ironias!), pois, afinal, ela até é uma mulher destemida!
Entre sorrisos, ela pergunta-me se, no meu caso, iria sozinha... Apostada em provocar um cataclismo, apesar do ambiente solene do velório, confesso naturalmente que já fui até ao Algarve sozinha e iria até à China se fosse preciso! E de repente, um misto de admiração e de repulsa desceu sobre mim!
De há uns tempos para cá, os homens descobriram (após séculos de total ignorância!) que lhes assenta muito bem confessarem que apreciam a 'inteligência' nas mulheres. O que é certo, é que sob essa superficialidade democrática, aproveitam, sempre que podem, para demonstrar que isso é pura ilusão. Mas, no fundo, eles próprios é que estão a ser vítimas duma outra ilusão!
E pus-me cá a pensar com os meus botões: uma mulher que se finja de 'burra', só tem vantagens!!! Poupa-se muito mais, tem sempre um homem que a trata como uma princesa e só faz o que lhe apetece!
Viver em sociedade (homens e mulheres) exige regras que se enquadrem num código social e mantenham as aparências! Por isso, aqui fica uma sugestão: a inteligência nas mulheres deve ser sempre camuflada! O papel de indefesa, de vítima, de frágil, de carente, de retardada intelectualmente, deve ser sempre preservado!
Vão por mim, as mais jovens, que eu já não vou a tempo!
E sim, deliberadamente, corro o risco da generalização!
E sim, declaradamente, não sou feminista!
E sim, esta postagem pretende mesmo ser tudo o que se pode vir a dizer...