17/04/2007

Sobre rodas... (continuação)


O meu é igual a este:
Para os interessados que leram a postagem anterior:
Novamente numa oficina da concorrência, relatei a ocorrência de ontem ao mecânico... Palpites: pode ser o filtro, blá, blá, blá, a bomba que puxa a gasolina que é cara...

Ao almoço recebo o telefonema a comunicar que é necessário substituir a tal bomba... 195 €... o que somado à quantia já gasta este mês com o carro, perfaz quase 500€!
E tenho alternativa?! É nestas alturas que sinto mesmo vontade de me mudar para uma zona metropolitana bem servida de transportes públicos! E todo o dinheiro que se gasta em combustível, seguros e oficina bem aplicado numa viagem de sonho!!! Do meu sonho, entenda-se, não dos sonhos que nos impingem nas agências de viagens!!!

Para que saibam tenho um humilde Kia Shuma de 99 com pouco mais de 100 000 Km que até agora nunca me deu motivos para me arrepender... Será mesmo conspiração da parte dele?! Provavelmente quer usufruir de alguns dias de férias na oficina... Talvez alguma paixãozita que tem por lá... Vá-se lá entender estas máquinas!!!

16/04/2007

Sobre rodas...

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Será que este tem soluços?!


Há uns anos tive a oportunidade de ver, num qualquer canal de televisão, um documentário sensacionalista de autoria norte-americana sobre a «vida» que, supostamente, os automóveis podem assumir. Exemplificava-se com casos de carros que não obedeciam às orientações concretas dos condutores e, embora eles virassem o volante para a esquerda, o carro teimava ir para a direita provocando o despiste e acidentes!
Sugeria-se, pois, que os carros eram donos de uma vontade própria e que deviam ser sujeitos a atitudes de respeito por parte dos seus donos a fim de os tornar dóceis e obedientes.

Hoje, numa deslocação à Maia para uma reunião, deparei-me com a vontade própria do meu carro que me transportava juntamente com uma colega. A dado passo, na auto-estrada, diminuiu abruptamente de velocidade, entrando num suplício de solavancos, ameaçando a qualquer instante parar!!!

Insisti e, aos soluços, continuei consultando a minha colega sobre a possibilidade de parar na estação de serviço e chamar a assistência em viagem. Mais descontraída ainda do que eu, sugeriu que prosseguisse. Lá fomos andando e soluçando até chegar à entrada da Maia onde tive mesmo que parar. Mesmo assim, retomei a marcha e persisti até estacionar no centro, no parque de estacionamento, onde venho a descobrir mesmo em frente um stand da marca!
Trataram-me de ir buscar o carro e averiguar o problema.

Após a reunião fui ver qual era a situação e, para meu espanto, informam-me que, apesar de todos os testes electrónicos e outros, não haviam detectado qualquer problema.
Impotente, sem poder provar o contrário, regressei após ter recebido aquele olhar tipo «ela-imaginou-tudo», ou «não-percebe-nada-de-carros»... Até que ao chegar às portagens, lá começou ele novamente aos soluços e, entre paragens e risos na IP4, lá chegámos sãs e salvas!

Amanhã vou levá-lo novamente à oficina...

15/04/2007

«Diamante de sangue»

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Não haverá mais nada a dizer sobre este filme...
A mensagem que transmite é incómoda e perturba a nossa rotina que se mantém indiferente aos atentados que por aí grassam aos direitos humanos.

O mundo civilizado, que se mantém à custa de valores tão ocos espelhados nas montras de joalharias, virá certamente a provar do seu próprio veneno e, embora os exemplos já sejam numerosos, continuamos a alimentar o fosso de desenvolvimento entre países que se julgam civilizados e continuam de olhos fechados ao contínuo desrespeito dos direitos humanos.

A par da história de amizade que liga três personagens unidas por um diamante, existe a denúncia de realidades condenáveis: as crianças-soldados usadas numa guerra que não é certamente a delas, o comércio ilegal de diamantes, os campos de refugiados, a luta sem escrúpulos pelo poder.
A densidade do tema é provocatória mais do que o sangue que se derrama frequentemente durante as cenas. Um filme que, obrigatoriamente, nos deixa a pensar nesta «vidinha» que vai indo...

(In)suspeição 2

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atípica e fugaz suspeita de infernos apocalípticos
de seduções cultivadas em teias exponenciais de ímpares certezas e dúvidas
enredam-te em imagens quiméricas de felicidades sonhadas
serpeiam pelos poros de um futuro simbólico
oprimido por promessas diletantes volúveis e errantes
simulas universos de rosas que de espinhos te cobrem
sem pétalas cor de vermelho
exuberantes ritmos do mundo de tons e de sons
porque danças?
recurvas enredas ludibrias
palavras presas nas distintas maiúsculas
de espelho rasgadas
porque dizes?

realizo portanto
porque no entanto
tão só

11/04/2007

(In)suspeição 1

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imagem do google
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uma suspeição que circunda a chama do fósforo
que arde inteiro por entre dedos e lábios
de pálpebras e olhares enclausurados
dobras-te em ângulo recto e sopras palavras ténues
de tanta suavidade incontida e desprezada
saber que foges pelos arbustos adormecidos
por sonhos moribundos de cinturas finas
cais da cama de penas enlutadas de ciúme e de infortúnio
porque cantas?
de palavras choras e em palavras habitas
no ancestral dilúvio te escoas e te intrometes
resistes porque da natureza te fazes
gritas do umbral e projectas distâncias triviais
porque fendes e não esqueces?
ora ora
nem sabes quem eu sou
nem de que sou feita na tua mente

10/04/2007

«Pecados íntimos»

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Na divulgação, a frase «Cinema... sem pipocas, no Teatro de Vila Real» cativou-me de imediato. E paguei cinco euros para ver este filme de Todd Field, do qual já tinha ouvido excelentes críticas.

Dinheiro mais bem empregue!!!

No pequeno auditório, recordei-me dos tempos idos do Quarteto, em Lisboa.

E o filme é, sem dúvida nenhuma, o meu género: desenrola-se sob uma densidade oculta por uma vida rotineira e desinteressante, as frustrações, os desejos, o desistir dos sonhos; o acordar num tempo qualquer e dar-se conta... e querer mudar; e ficar...

A última mensagem do narrador: ninguém pode mudar o passado; mas o futuro pode-se a qualquer altura e em qualquer lugar...


09/04/2007

Human system


Não resisto a publicar esta imagem que me foi enviada por mail! Nem todas as legendas corresponderão aos mitos feminino/masculino, mas não deixa de ter piada.
Certamente, cada um de nós substituiria algumas!
Obrigada Carlos

07/04/2007

Rascunhos 3

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A foto foi enviada pelo meu querido amigo Francisco que me ajudou na procura mas perdeu a referência de onde a tirou!
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um sorriso desliza pelos lábios
e uma borboleta bate asas

ensaios vividos
entre equações e cálculos
entre sinopses e esboços
de energias aglutinadas vindas e crescidas de temerários reflexos
desfraldo velas
solto aves
e pincelo o abraço ao mundo que me aguarda
para além de tudo que sufoca entre as paredes

pulverizada
repartida
e
ferverosa
derreto-me entre gelos polares
e atravesso incólume tempestades de areias
rodeada de cintilantes estrelas
e uma interrogação toma corpo e voz
e ecoa por entre mim

quando parte o voo?


Rotação (2)

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«Explica-me como se eu fosse muito, muito, mas mesmo muito burra!»
Ora aí está a solução!

Enquanto ouço o marido a queixar-se (o que deve ser entendido como 'vangloriar-se' evidentemente) que, por vezes, tem feito de motorista, permitindo à adorada esposa o cumprimento dos seus deveres profissionais que, de momento, a obrigam a constantes deslocações por esse distrito fora, vou ironizando que tal facto só pode ficar a dever-se ao prazer que a sua companhia lhe proporciona, ao fim de vinte e tantos anos de casamento (sem comentários e sem ironias!), pois, afinal, ela até é uma mulher destemida!
Entre sorrisos, ela pergunta-me se, no meu caso, iria sozinha... Apostada em provocar um cataclismo, apesar do ambiente solene do velório, confesso naturalmente que já fui até ao Algarve sozinha e iria até à China se fosse preciso! E de repente, um misto de admiração e de repulsa desceu sobre mim!

De há uns tempos para cá, os homens descobriram (após séculos de total ignorância!) que lhes assenta muito bem confessarem que apreciam a 'inteligência' nas mulheres. O que é certo, é que sob essa superficialidade democrática, aproveitam, sempre que podem, para demonstrar que isso é pura ilusão. Mas, no fundo, eles próprios é que estão a ser vítimas duma outra ilusão!

E pus-me cá a pensar com os meus botões: uma mulher que se finja de 'burra', só tem vantagens!!! Poupa-se muito mais, tem sempre um homem que a trata como uma princesa e só faz o que lhe apetece!

Viver em sociedade (homens e mulheres) exige regras que se enquadrem num código social e mantenham as aparências! Por isso, aqui fica uma sugestão: a inteligência nas mulheres deve ser sempre camuflada! O papel de indefesa, de vítima, de frágil, de carente, de retardada intelectualmente, deve ser sempre preservado!

Vão por mim, as mais jovens, que eu já não vou a tempo!
E sim, deliberadamente, corro o risco da generalização!
E sim, declaradamente, não sou feminista!
E sim, esta postagem pretende mesmo ser tudo o que se pode vir a dizer...

"Alma Grande"

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Numa encenação de João Brites, o Bando dá voz e corpo às palavras cheias de força do conto de Miguel Torga: Alma Grande, a figura do Abafador que se ocupava a abreviar o sofrimento numa primitiva eutanásia necessária à manutenção da dignidade da vida. O contraste da luz e da sombra que vai desfilando ante os olhos do espectador anestesia os sentidos e acorda a irrefutabilidade da inevitável morte.




Rascunhos 2

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.http://www.1000imagens.com/foto.asp?idautor=45&idfoto=215&t=&g=&p=


uma equação de primeiro grau
alimenta o patamar onírico de sintomas derrotados por cálculos impossíveis

extrair energia do interior do átomo
numa missão que só a nós dois contém
alimenta a fogueira de cor vermelha
de rubores e suores

as nossas partículas convivem numa comunhão efémera
porque o amanhã não se adia e permanece
imutável nas leis da física

uma exponencial descoberta repele os corpos de carga positiva
como se diferenciais de tónicas desintegrassem núcleos
e induzissem uma tempestade de estrelas


04/04/2007

Rascunhos 1

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rascunhos impróprios
de ensaios vividos
mal bem
de mim dos outros

de quem sem olhos nem boca se liberta da espuma das ondas e do sal do mar e do doce do rio
sem dó e com vazios de pó preenchidos e gastos de sentidos e de afectos

pulverizada
repartida
e
ferverosa
de ideias animadas de vida e de substância
subtrai mágoas
acrescenta entusiasmo
e desafia poucos e todos
até um dia?!

Papoilas...

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Foto que prima pela sua má qualidade, pois, captada que foi por um telemóvel (o meu...!), hoje, durante a minha caminhada ao fim da tarde. É curioso: encontrei-as no passeio duma avenida da cidade que é ladeada por alguma vegetação.
Recuei uns passos e, de repente, vi ali este par. Lembrei-me do comentário do jg... e decidi fotografar a prova de que, realmente, existem ainda papoilas, quando menos se espera e quanto menos se procura!

02/04/2007

libertate




«Ele era um ponto fixo num turbilhão de mudanças, um corpo firmado numa imobilidade absoluta, enquanto o mundo corria através dele e desaparecia. O carro tornou-se um santuário de invulnerabilidade, um refúgio onde já nada poderia magoá-lo. Enquanto conduzia, não carregava fardo nenhum e nem a mais ínfima partícula da sua antiga vida poderia estorvá-lo. Não quer isto dizer que as recordações tivessem sido apagadas, mas a verdade é que já não pareciam provocar nele nada que se parecesse com a angústia de outros tempos.»


Esta citação de Paul Auster na sua obra «Música ao Acaso» refere-se à personagem principal que perdeu a antiga identidade e evoluiu para um estado de total liberdade interior, sem qualquer amarra ao mundo que o rodeia, sem ter nada a ganhar ou a perder.

Até que ponto somos realmente livres?

Ou aspiramos a sê-lo?

Será este o estado ideal?!


29/03/2007

da vida 3

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definitivamente o verde emoldura a tela
e papoilas adormecem
e contrastes
que se desfazem
que se renovam
que se enaltecem
sem cinzentos de nuvens e de águas
com azuis brandos de amor
de morenos que sabes ter
nas mãos revelas
palavras
sólidas de dúvidas
de momentos incertos
de inconstante firmeza
aqui e ali
na direcção indicada
de sons surdos
sorrisos
desenhados nas curvas dos teus lábios
sem marasmos recônditos
extenuados
numa simplicidade por si


26/03/2007

da vida 2

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da vida e do tempo que se perde
em minutos de sofreguidão
rumo a incertezas que se inventam
és certeza em mim
convictamente acordada
de temores e distâncias
que se encurtam
de tão perto que te ouço
respirar
submetida por palavras
escondidas
em gestos reprimidos
de ternuras desejadas
regresso
daí onde adormeces
adiada por excessos de dias
espero
porque quero e porque sei
essa espera
de pétalas feita

20/03/2007

Insólitos (3)

Porque nem só de coisas sérias "vive" este blogue...

Muita imaginação!!! Até no pormenor do preço!

Em que estaria a pensar o(a) autor(a) desta frase?!

18/03/2007

da vida 1

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limpa
quero ser
e
imagino um bosque
atrofiado de fantasmas
entrelaçados
nos ramos das árvores
agitadas
por ventos quentes

numa solidão de loucuras
de sintomas
de indícios
assisto à serenidade do regresso
na beleza da história
leio os vazios
crescentes de ânsias e de versos
resisto aos encantos obscuros
de sóis pungentes
e transfigurada
persisto na saudade do efémero

Insólito(s) 2

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Visitei o blog 'troca de olhares' e deparei-me
com uma citação (que não conhecia) de António Lobo Antunes:

«Esquecer uma mulher inteligente
custa um número incalculável de mulheres estúpidas.»

Fiquei a pensar com os meus botões se,
em vez de «mulher» estivesse «homem»,
os termos da oposição dicotómica inteligente / estúpido
seriam os mesmos...
Talvez seja assunto para reflectir, ou será que não?
Afinal, o que faz uma mulher não esquecer um homem?!

17/03/2007

Projecção 3

 porque nunca há porquês


Foto: http://www.photoforum.ru/
projecto olhares
longe do pensamento
indefinido

ali me sento
esquecida
de trapos e de ideias

da tua voz
em contrastes de sons
espartilho as palavras
que ditas em gestos
é por aqui
ou por além
desvio-me
da metáfora que és
e encerro-te
numa hipérbole de sonhos