SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
28/05/2007
transparência(s) 1
20/05/2007
romaria popular q.b.
«Como está a tua agenda? Tás para me aturar?» Foi esta mensagem via telemóvel que o meu amigo recebeu. E estava. Como estão sempre os verdadeiros amigos!
Um jantar rápido enquanto fizemos o ponto da situação das nossas vidas: novidades de cá e de lá; a dele mais organizada e tranquila; a minha com as necessárias flutuações para quebrar rotinas indesejáveis.
O passeio a pé que encetámos em seguida à beira-mar, fazia prever uma deambulação ao sabor de ideias e de sentimentos... cinema, teatro, política, amores e desamores, filhos, casamentos, divórcios... e demos connosco no meio do Senhor de Matosinhos.
Há anos que não sentia o odor das farturas que teimam em acoplar-se aos churros de nuestros hermanos; o algodão doce branco ou cor-de-rosa que girava e crescia, e fazia crescer água na boca; os divertimentos que agora, além de todos os que povoaram a minha/nossa infância, já incluem motos todo o terreno ou as chamadas motos quatro, que fazem as delícias de quem nunca terá coragem para vender os electrodomésticos e comprar uma.
Descobrimos que fazer o «enxoval» pode ser animador para quem quer juntar os trapinhos, pois, por cinco euros vendem dez peças de loiça; a olaria regional contrastava com a «porcelana» fina da Vista Alegre desenhada por Fátima Lopes; a cestaria que evoluiu de design e de funcionalidade desde o tempo em que os meus pais me levavam aos Remédios; pedras vindas do Brasil ao lado das peças de roupa vindas do Peru, ao lado de instrumentos artesanais de música que nos abrem o apetite de viajar até à cordilheira dos Andes; os relógios que atraem os coleccionadores e as bugigangas sonoras e coloridas que seduzem as crianças; as esculturas africanas que, em menor número este ano, denotando a política de imigração, passavam despercebidas junto ao alarido das «discotecas» que passavam os top ten da popular música portuguesa que, agora, nem sabemos muito bem o que é.
Um quadro de cor, de luz, de movimento, de odores, de multidões, que me fez recuar até à minha infância e levar-me a desafiar o meu amigo a dar uma volta numa das distracções que me faziam sonhar aos dez anos. Mas a sua expressão de surpresa convenceu-me a desistir antes que me pedissem o B.I.
Optámos por acabar a noite numa cervejaria que se orgulha de ter um leque variado de cerveja e, entre duas imperiais e tremoços, alguns desabafos e conselhos que têm o dom de me ancorarem e deslindar alguns nós que vão entorpecendo a existência.
ócios produtivos (?)
«Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros, e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?»
Interrompia a leitura pontualmente para observar o movimento da palhinha que, num copo vazio abandonado numa mesa à frente, interpretava uma dança sensual com o vento, que a acariciava com a delicadeza de um amante terno e apaixonado.
O olhar projectava-se no horizonte dominado pela espuma das ondas cúmplices que, em movimentos despudorados, mostravam ao vento que o mar enrola na areia.
Tropecei subitamente nas palavras! Não naquelas proferidas pelo homem que se levantou para ver o resultado do jogo: «viva o Mourinho»; «o Mourinho é o maior!»
E divaguei... solidão... solitários... o ser humano é essencialmente social...
Há momentos em que, sozinhos, não nos sentimos solitários e vice-versa. A solidão é necessária e, sem dúvida, tem efeitos terapêuticos; é ela que nos permite dissecar o que se passa à nossa volta e no nosso interior. É ela que nos mantém conectados ao exterior, aos outros, ao mundo. É ela que nos mantém em sintonia e harmonia. Quando bem orientada, pode traduzir-se no encontro com o outro e descobrir o valor e o significado que o outro tem para nós.
Agora, um solitário que se agrupe com outro solitário... resultará em dois solitários ou não necessariamente?!
das sombras à clareza

e os contornos que me medem redefinem-se
numa silhueta contrastante de luz e de cor
esbatem-se as sombras
nas águas subitamente tranquilas
e a nitidez da imagem
corporiza vontades e rumos
numa determinação lúcida
de desvendar o que esqueci
esqueci-me,
entre medos e tempestades
desviei-me,
entre muros e espectros
mais forte que o vento
dás-me força
olhares e palavras
despertam-me
e sinto-te
18/05/2007
de sombras

imito o som da ave que, frenética, enceta um voo delirante
esbarro no remoto muro de solidez e opacidade
mãos revoltas tão vazias e cheias de tudo
rebelo-me contra vagas de saudades que povoam recantos ocultos
tropeço na lágrima obstinada reflectida no espelho
embaciada na solidão que deixaste
um mundo de sombras coexiste
de mim de ti
p'ra nós
13/05/2007
Um pé de dança
Foto: 1000imagensA música variava entre melodias sentimentalóides do tempo da minha adolescência e um ou outro ritmo mais actual.
Fui observando: pessoas de meia idade acompanhadas de outras de metade da idade delas, um outro casalinho mais jovem, alguns solitários… Pairava um clima de insinuação, de desejo, de vontades…
Subliminarmente, o desespero andava à solta: vestidos justos que agitavam corpos que, um dia, já foram perfeitos; decotes ousados que alimentavam esperanças; camisas cujas fraldas tentavam esconder o peso da idade; olhares de caçadores furtivos à espera da distracção da presa; gestos sedentos do amor que nunca chega.
Estoicamente, teimam em manter-se vivas apesar das marcas deixadas pelo tempo inexorável, que lhes semeou desgostos e desilusões, e que os impele a viver na urgência do momento, antes que notícias súbitas de doença ou morte lhes venha cortar a conexão a esta existência efémera.
Deambulei pela realidade deprimente e a reflexão incontornável. Há vivências que têm o efeito terapêutico de nos acordar do entorpecimento mental, em que a rotina nos vai envolvendo.
Quantas vezes nos deixamos subjugar pelas circunstâncias e nos obrigamos a vegetar durante o ciclo noite-dia, evitando o confronto connosco próprios?
10/05/2007
interrogações que tiram o sono...
???
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??? em tom convicto ouvi: «és profundamente espiritual ! » ???
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???
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04/05/2007
No fundo do mar...
Palavra(s) salgada(s) 3
é certa a dúvida perpétua de riquezas simbólicas
desnuda-se em ambiguidades
e fracciona-se em significações afadigadas
e a palavra reaparece
para o mundo
que a reconhece
de cabelos repousados em olhares adormecidos
Palavra(s) salgada(s) 2
com sabor a mel e sal
a palavra desliza por mim
descama almas e essências
quando
soltam-se, expulsam-me, dizem-se
abrem-se, fecham-se
engolem-me
cegas embatem no casco do navio que se afunda
o mar recebe-o no seu ventre
e imagina-se mãe que,
num movimento inverso,
impede a gestação
03/05/2007
Palavra(s) salgada(s) 1
Não sei porque escreves...
por que respiras palavras
esvoaçam leves e compactas
mancham o branco esquecido
com nódoas doridas
numa libertinagem infrene
e amam intensamente
sensitivas saudosas sarcásticas
elegem-te e cingem-te
excessivas ou sóbrias
fascinam-me
01/05/2007
30/04/2007
Pérola(s) só
derreto-me em diamantes raros
recolhidas em tranquilos mares transparentes
rolam ligeiras na pele
vermelhas de lágrimas doridas
mas não basta
o mundo não é meu
e abro mão de horizontes
e
de malhas tecidas de gestos
Sombra(s) 3
pelas penumbras da paixão
na certeza de amar
escoa-se
por fendas estreitas e olhares desatentos
por corações ausentes e portas prudentes
ignora e transpõe
extremos que imploram
remanescentes
Sombra(s) 2
ogivais e transitórias
expostas
ao olhar descuidado, fatais
da mão espalho a quietação
de dedos rigídos e inertes
e do gesto
interrompo o sentido
para o templo recuo
e de costas voltadas
solto génios que trauteiam o teu passo
incauta avanço
em contínua transgressão
de limites de céus e de mares
29/04/2007
Quem / o que nos passa ao lado ?
Haverá, provavelmente uma, ou mais, explicações lógicas, e até credíveis, que sustentem este estranho acontecimento que põe em causa o comportamento humano e a percepção do mundo que o rodeia.
Conheço pouco, mas o suficiente para dizer que gosto de
Perdemos a capacidade de apreciar a beleza, como diz John Lane no artigo, ou a sensibilidade de a reconhecer?!
A vida actual encarcera-nos num autismo a que nos submetemos dócil e resignadamente. Tudo nos passa ao lado ou nós passamos ao lado da vida, da sua essência, do que realmente interessa?!
Sombra(s) 1
de ariscos lamentos reais
soltas e remendadas
as palavras na pedra riscam
limites de mim
abrigada
nas sombras de nuvens desenhadas
e de terra projectadas
em azuis e verdes e brancos
rodopiam em milímetros
dum deserto rejeitado
apaziguadas em ti retidas
27/04/2007
A língua que faz sorrir
Enquanto atravesso o deserto e as palavras se recusam a atormentar-me, vou invadindo este espaço com algumas «brincadeiras» porque brincar também é preciso!
POEMA GENIAL
Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
A leitura deste poema encerra outra completamente diferente, oculta à primeira vista; ora tente ler do fim para o princípio...
Agradeço ao João o envio do texto.
26/04/2007
Surpresa!
23/04/2007
Exemplos: bons ou maus?!
Acerca de Churchill sempre se ouviu falar sobre a sua presença de espírito...
Recebi do vício este mail que não resisto a publicar:
Quando CHURCHILL completou os 80 anos um repórter de menos de 30 foi fotografá-lo e disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos.
Resposta de Churchill:
- Por que não? Você parece-me bastante saudável.
Telegramas trocados entre Bernard Shaw e Churchill
Convite de Bernard Shaw a Churchill:
"Tenho o prazer e a honra de convidar Sua Excelência Primeiro-Ministro para apresentação da minha peça "Pigmaleão". Venha e traga um amigo, se tiver." Bernard Shaw
Resposta de Churchill a Bernard Shaw:
”Agradeço ilustre escritor honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver." Winston Churchill.
Debate no Parlamento inglês.
Aconteceu num dos discursos de Churchill, quando foi interrompido por uma deputada da oposição.
Ora, todos sabiam que Churchill não gostava de ser interrompido... Mas foi dada a palavra à deputada e ela disse, alto e bom som:
-"Sr. Ministro, se V. Exª. fosse o meu marido, punha-lhe veneno no chá!"
Churchill, com muita calma, tirou os óculos e, depois de uns minutos de silêncio em que todos estavam suspensos pela resposta, exclamou:
-"E se eu fosse o seu marido, tomava-o."
Quantas vezes, no nosso dia-a-dia, precisamos de ter a resposta na ponta da língua para desarmar os adversários instantaneamente e ficamos paralisados pela inércia do pensamento que teima em alhear-se por momentos!!!
Posteriormente, quando reflectimos sobre a situação ou a partilhamos com alguém, comentamos: «devia ter dito isto ou aquilo» mas já perdemos a oportunidade!



