17/06/2007

Uma pérola verde

.

http://viajar.clix.pt/


A celebração de um feliz acontecimento levou-me ontem até a Ervamoira, uma quinta localizada na margem esquerda do rio Côa, em pleno Parque Arqueológico do Vale do Côa. Após oito quilómetros de caminho de terra, entre uma vegetação agreste e acidentada marcada pelo negro do xisto, vislumbramos, de repente, duzentos hectares de verde vinhateiro numa plantação vertical, que difere na forma das restantes caracterizadas pelos socalcos. O museu, que existe na quinta, expõe fotografias e algumas peças encontradas na estação arqueológica existente na propriedade.

A chuva, que caiu intensamente durante quase todo o dia, não impediu os convivas de usufruir da beleza da paisagem, da tranquilidade do espaço, do silêncio que abafava vozes prazenteiras, que traduziam o grau de satisfação com o repasto confeccionado com esmero - um óptimo bacalhau com broa e um delicioso cabrito assado -, acompanhado de um excelente vinho.

Este empreendimento é a prova de que a vontade do homem pode superar condicionalismos de relevo geográfico e pode desenhar uma harmonia natural. De salientar o bom senso que imperou quando a intenção de construir a barragem não se concretizou!


14/06/2007

Desafogo-me nas palavras, ora essa!

.

Após textos que falam de amor e coisa e tal, apetece-me ter um desabafo daqueles que guilhotinam emoções e criam perplexidades de manter a boca aberta durante horas!
É que, na verdade, tenho uma dificuldade enorme em manter a calma, a boa disposição, a descontracção perante atitudes que revelam, além de insensatez e ingenuidade, uma grande, mas do tamanho das pirâmides do Egipto (agora não me lembro de algo mais alto!!!), dizia eu, uma imensa e paradoxal estupidez!
Não! não lido bem com esta castração do pensamento que, não lhe bastando corroer a mente de quem a detém, atinge com imponência graus de pura insanidade, que provocam calafrios de indignação a quem tem que assistir aparvalhadamente a atitudes de quem a ostenta!
Com tantos fármacos e tanta investigação científica, ainda ninguém terá pensado em criar um antídoto para este mal humilhante da condição humana ?!
Poupo os pormenores da história e perdoem-me o exagero da linguagem que raia a altivez arrogante de quem se acha muito esperta! Mas também tenho os meus dias... haja paciência.

Agora que desabafei já me sinto bem melhor! Por isso repito amem muito, sempre!


13/06/2007

O Cupido, nem mais!

.


Ai, ai, ai... fui atingida em cheio!!! Uma flecha vinda do palavras soltas caiu no meu blogue!

«Cupido Fonte de Amor» é uma expressão deveras sugestiva... desconheço-lhe a origem, da expressão, entenda-se... Mas a história de Cupido fascina pela carga simbólica que sustenta a imaginação humana.


O Amor

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.

A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.

A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.

A marcar sobre os teus flancos
itinerários da espuma.

Assim é o amor: mortal e navegável.


Eugénio de Andrade

****************************************************************






um todo único

metade mim, metade tu

penso-te, sinto-te, adivinho-te

com intensidades serenas de ardor

creio-te, suponho-te, afago-te

com veemências
tranquilas de certezas

prendo-te, solto-te, medito-te

com firmezas e com amor!



****************************************************************


É suposto nomear dez blogues e cá vai:


Charlas








Provavelmente, alguns estarão a vociferar e a rogar-me uma praga e com toda a razão! Mas não se sintam obrigados a nada e ficamos amigos à mesma...
O importante é que nunca se esqueçam de amar, sempre!


Un petit rien...

.

Foto: http://www.allposters.com/


Fui renomeada pelo sonho a sul para os memes e adoro desafios. Nunca lhes resisto! Mas desta vez não bloqueei!!! Lembrei-me, subitamente, de alguns textos que foram escritos há anos e que fazem parte de uma colectânea intitulada, por enquanto : Memórias Afectivas. Trata-se de uma tentativa de perpetuar algumas emoções relacionadas com histórias vividas durante a infância e adolescência.

O meme que vos deixo baseia-se num dos textos e conta como foi o meu primeiro dia na escola «por dentro de mim»... e não, não vou renomear mais um blogue! Antes, lanço um repto a todos os que entenderem responder: lembrem-se e contem como foi o vosso primeiro dia na escola «por dentro» de vós mesmos.

Primeiro dia

A mão materna aperta com ternura, força e segurança os pequenos dedos, durante a subida, degrau a degrau, até ao patamar. O primeiro dia! A ansiedade tolda a visão agravada pelo estrabismo e alguma miopia. Uma névoa envolve os passos até à porta da sala, a entrada, os vultos. Vislumbra-se lá no fundo, ao pé da janela e ao lado secretária da senhora professora uma mesa grande, baixa, de tampo verde, rodeada de cadeiras como as que se vêem na feira para as crianças: de madeira e pequenas. Pouco a pouco, os contornos vão tomando forma: um quadro negro, uma secretária, carteiras de madeira, um mapa na parede, um globo. Vestidos de branco, os vultos reanimam-se e tomam vida. Falam, olham, riem… Na mesa grande e baixa, de tampo verde, aparece o caderno e o lápis. Os olhos esbugalhados percorrem o cenário. À volta da mesa: batas brancas, rostos apreensivos, cadeiras vazias… Os olhos fixos na porta e na figura de uma menina, também de bata branca, com os cabelos encaracolados e uns olhos de brotam lágrimas a fio. Aproxima-se e senta-se. As lágrimas saltam e circulam ondeando as faces rosadas. «Não chores» arrisco eu aflitivamente, esquecendo o quadro, o giz, o mapa, os cadernos, os lápis… e assisto, incrédula, àquela cena incompreensível. Chorar, porquê? Um nó na garganta apertava e obrigava-me a repetir: Não chores!
As palavras e as lágrimas descobriram um sentimento novo: a amizade.

11/06/2007

«memes»

.
Respondendo ao desafio de charlas e de adesenhar e, após um incontornável «bloqueio» , aqui estão os meus memes :


http://www.allposters.com/

amor / esperança / sonho


Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões


Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
O teu sorriso puro,
A tua graça animal.
Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
somente um bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinha.
Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
Por vê-los nus e suados.

Eugénio de Andrade

mar / lua / sol /mar / dia / noite / mar




O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.


Carlos Drummond de Andrade



http://www.ni-photos.jmcwd.com/moonlight-ireland3.jpg


Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Fernando Pessoa


http://www.1000imagens.com/

verdade / mentira

Se tudo o que há é mentira,
É mentira tudo o que há.
De nada nada se tira
A nada nada se dá.

Se tanto faz que eu suponha
Uma coisa ou não com fé,
Suponho-a se ela é risonha,
Se não é suponho que é.

Que o grande jeito da vida
É por vida com jeito.
Fana a rosa não colhida
Como a rosa posta ao peito.

Mais vale é o mais valer,
Que o resto ortigas o cobrem
E só se cumpra o dever
Para as palavras sobrem.

Fernando Pessoa


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia Mello Breyner Andresen


palavras / palavras / palavras / palavras / palavras


Serão Palavras


Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens

Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração

Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.

Eugénio de Andrade in “Mar de Setembro” (1961)



De amores e de esperanças navego por mares
inundados de lua e de sol

De palavras e de sonhos alimento dias e noites



Para a divulgação de outros «memes» escolho: Abstracto Concreto

10/06/2007

Despedidas...


.Ontem, pela primeira vez na vida, fui a uma despedida de solteira. Apesar de não compreender a expressão no seu sentido mais amplo, fiquei a saber que se trata de um alegre e saudável convívio entre amigas (sem artefactos indecorosos, nem manifestações indecentes, nem espectáculos de cariz sexual), que fazem questão de lembrar à noiva que a partir do dia «fatal» vão acabar as «borgas» e começar as responsabilidades de esposa e de mãe, de acordo com as expectativas da sociedade... (?)

09/06/2007

Transparência(s) 3

.
http://www.1000imagens.com/


determinado, o direito avança
enquanto o esquerdo vacila

recolhida na voragem dos monossílabos hesitantes

esboço olhares que atravessam opacidades frágeis e intactas


transfiguram-se em imagens translúcidas

que sem cor, sem alma, sem dor, emergem possantes

de universos criados para alimentar saudades e fraquezas


reúno aliterações e metáforas e dou-lhes a cor de madrugada

pinto-as de calor e de sorrisos que encantam inesperados duendes

recolhida na força da água transparente que subjuga rios agitados

esboço singulares gestos que sugerem afagos e afectos

decididos, direito e esquerdo reconciliam-se e impetuosamente avançam


07/06/2007

Transparência(s) 2

.

http://olhares.aeiou.pt/

deslizo o olhar pela minha sombra

e deixo-a ali estática e entaipada


descalça de fantasmas piso a relva húmida de orvalhos matutinos

que em gotas se entrelaçam nas folhas decalcadas de verde

nua de hipocrisias dormentes

que rastejam pela margem

do rio de águas exaltadas pela luz de graciosos profetas

que de sorriso em sorriso pintam vales e montes e sóis e nuvens

dispo-me de espartilhos morais que ornam o pórtico da razão

e esgrimo ditongos que penetram palavras ausentes de sílabas


de intenções torpes crivo o olhar alheado de visões reticentes

assombrada de invisíveis intuitos metamórficos

diluo cortinas de flores estampadas e inspiro pedaços do tempo

que um dia foi mas volta sempre

regresso e retomo a sombra

que ali esperava estática e entaipada


28/05/2007

transparência(s) 1

.

retoco o olhar com sombra azul

revejo-me no espelho por breves segundos

saio e vagueio por jardins diáfanos que me embelezam os sentidos

apanho o feixe de luz que incide na sombra de mim

vestida de transparências rústicas e prescritas

nego singularidades deturpadas de flores silvestres

porque de selvagens respiram

mergulho em lagos gelados que fortificam excentricidades ocultas de peixes rosados

porque de rosas se alimentam

beijo pássaros que persistem distantes das luas e dos sóis

sorrio aragens de satisfação genuína de fontes de águas castas

porque ninguém alcança

regresso impregnada de tranquilidades visíveis
retoco o olhar com sombra azul

revejo-me no espelho por breves segundos

e prossigo - incansável, consistente e sólida

20/05/2007

romaria popular q.b.


«Como está a tua agenda? Tás para me aturar?» Foi esta mensagem via telemóvel que o meu amigo recebeu. E estava. Como estão sempre os verdadeiros amigos!
Um jantar rápido enquanto fizemos o ponto da situação das nossas vidas: novidades de cá e de lá; a dele mais organizada e tranquila; a minha com as necessárias flutuações para quebrar rotinas indesejáveis.
O passeio a pé que encetámos em seguida à beira-mar, fazia prever uma deambulação ao sabor de ideias e de sentimentos... cinema, teatro, política, amores e desamores, filhos, casamentos, divórcios... e demos connosco no meio do Senhor de Matosinhos.
Há anos que não sentia o odor das farturas que teimam em acoplar-se aos churros de nuestros hermanos; o algodão doce branco ou cor-de-rosa que girava e crescia, e fazia crescer água na boca; os divertimentos que agora, além de todos os que povoaram a minha/nossa infância, já incluem motos todo o terreno ou as chamadas motos quatro, que fazem as delícias de quem nunca terá coragem para vender os electrodomésticos e comprar uma.
Descobrimos que fazer o «enxoval» pode ser animador para quem quer juntar os trapinhos, pois, por cinco euros vendem dez peças de loiça; a olaria regional contrastava com a «porcelana» fina da Vista Alegre desenhada por Fátima Lopes; a cestaria que evoluiu de design e de funcionalidade desde o tempo em que os meus pais me levavam aos Remédios; pedras vindas do Brasil ao lado das peças de roupa vindas do Peru, ao lado de instrumentos artesanais de música que nos abrem o apetite de viajar até à cordilheira dos Andes; os relógios que atraem os coleccionadores e as bugigangas sonoras e coloridas que seduzem as crianças; as esculturas africanas que, em menor número este ano, denotando a política de imigração, passavam despercebidas junto ao alarido das «discotecas» que passavam os top ten da popular música portuguesa que, agora, nem sabemos muito bem o que é.
Um quadro de cor, de luz, de movimento, de odores, de multidões, que me fez recuar até à minha infância e levar-me a desafiar o meu amigo a dar uma volta numa das distracções que me faziam sonhar aos dez anos. Mas a sua expressão de surpresa convenceu-me a desistir antes que me pedissem o B.I.
Optámos por acabar a noite numa cervejaria que se orgulha de ter um leque variado de cerveja e, entre duas imperiais e tremoços, alguns desabafos e conselhos que têm o dom de me ancorarem e deslindar alguns nós que vão entorpecendo a existência.


ócios produtivos (?)

.

«Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros, e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?»


Sentada, ao fim da tarde, num bar de praia tentava concluir um dos livros que me acompanham há algum tempo «Sputnik, meu Amor», de Haruki Murakami.
Interrompia a leitura pontualmente para observar o movimento da palhinha que, num copo vazio abandonado numa mesa à frente, interpretava uma dança sensual com o vento, que a acariciava com a delicadeza de um amante terno e apaixonado.
O olhar projectava-se no horizonte dominado pela espuma das ondas cúmplices que, em movimentos despudorados, mostravam ao vento que o mar enrola na areia.
Tropecei subitamente nas palavras! Não naquelas proferidas pelo homem que se levantou para ver o resultado do jogo: «viva o Mourinho»; «o Mourinho é o maior!»
E divaguei... solidão... solitários... o ser humano é essencialmente social...
Há momentos em que, sozinhos, não nos sentimos solitários e vice-versa. A solidão é necessária e, sem dúvida, tem efeitos terapêuticos; é ela que nos permite dissecar o que se passa à nossa volta e no nosso interior. É ela que nos mantém conectados ao exterior, aos outros, ao mundo. É ela que nos mantém em sintonia e harmonia. Quando bem orientada, pode traduzir-se no encontro com o outro e descobrir o valor e o significado que o outro tem para nós.
Agora, um solitário que se agrupe com outro solitário... resultará em dois solitários ou não necessariamente?!


das sombras à clareza

.


http://prismes.free.fr/myst.htm

e os contornos que me medem redefinem-se
numa silhueta contrastante de luz e de cor
esbatem-se as sombras
nas águas subitamente tranquilas
e a nitidez da imagem
corporiza vontades e rumos
numa determinação lúcida
de desvendar o que esqueci

esqueci-me,
entre medos e tempestades
desviei-me,
entre muros e espectros

mais forte que o vento
dás-me força
olhares e palavras
despertam-me
e sinto-te

18/05/2007

de sombras

.

http://prismes.free.fr/myst.htm


imito o som da ave que, frenética, enceta um voo delirante
esbarro no remoto muro de solidez e opacidade
mãos revoltas tão vazias e cheias de tudo

rebelo-me contra vagas de saudades que povoam recantos ocultos
tropeço na lágrima obstinada reflectida no espelho
embaciada na solidão que deixaste

um mundo de sombras coexiste
de mim de ti
p'ra nós

13/05/2007

Um pé de dança

.

Foto: 1000imagens

Uma destas noites tive uma curiosa experiência. Entrei e senti que recuara umas décadas.
A música variava entre melodias sentimentalóides do tempo da minha adolescência e um ou outro ritmo mais actual.
Fui observando: pessoas de meia idade acompanhadas de outras de metade da idade delas, um outro casalinho mais jovem, alguns solitários… Pairava um clima de insinuação, de desejo, de vontades
Subliminarmente, o desespero andava à solta: vestidos justos que agitavam corpos que, um dia, já foram perfeitos; decotes ousados que alimentavam esperanças; camisas cujas fraldas tentavam esconder o peso da idade; olhares de caçadores furtivos à espera da distracção da presa; gestos sedentos do amor que nunca chega.
Estoicamente, teimam em manter-se vivas apesar das marcas deixadas pelo tempo inexorável, que lhes semeou desgostos e desilusões, e que os impele a viver na urgência do momento, antes que notícias súbitas de doença ou morte lhes venha cortar a conexão a esta existência efémera.
Deambulei pela realidade deprimente e a reflexão incontornável. Há vivências que têm o efeito terapêutico de nos acordar do entorpecimento mental, em que a rotina nos vai envolvendo.
Quantas vezes nos deixamos subjugar pelas circunstâncias e nos obrigamos a vegetar durante o ciclo noite-dia, evitando o confronto connosco próprios?
NOTA: Este texto foi escrito três vezes! A ligação caiu e perdi-o das duas primeiras vezes. O primeiro estava muito mais incisivo... Aprendi a lição: escrevo em Word e colo em seguida!

10/05/2007

interrogações que tiram o sono...

.
?

???

???????

????????????

??? em tom convicto ouvi: «és profundamente espiritual ! » ???

????????????

???????

???

?

04/05/2007

No fundo do mar...

.


Fotos da autoria de P. E. - cópia proibida...

É o mais novo. Sempre aventureiro e destemido. Estas fotos foram tiradas por ele durante mais um mergulho, desta vez, no fundo do mar, em Sesimbra... Lindas imagens!!!
«Bigada mano»

Palavra(s) salgada(s) 3

.

é certa a dúvida perpétua de riquezas simbólicas

desnuda-se em ambiguidades
e fracciona-se em significações afadigadas

e a palavra reaparece
entre loucuras chegadas de longínquos destinos
sucumbe aos sons
amadurece afectuosamente e sorri
para o mundo
que a reconhece

palavra que grita ferindo silêncios torturados
impondo universos levianos
de cabelos repousados em olhares adormecidos

Palavra(s) salgada(s) 2

.

com sabor a mel e sal
a palavra desliza por mim
descama almas e essências
quando

aromas de sílabas tónicas ou átonas de risos e lágrimas
soltam-se, expulsam-me, dizem-se
abrem-se, fecham-se
engolem-me

cegas embatem no casco do navio que se afunda
o mar recebe-o no seu ventre
e imagina-se mãe que,
num movimento inverso,
impede a gestação

03/05/2007

Palavra(s) salgada(s) 1

.

Não sei porque escreves...

por que respiras palavras
e por que as provocas
por quem as sentes
ou por quem as apagas
risco-as e sopro-lhes
esvoaçam leves e compactas

mancham o branco esquecido
com nódoas doridas
em páginas amarelecidas
fulgurantes correm
numa libertinagem infrene
generosas oferecem ternuras
e amam intensamente
suaves sensuais submersas
sensitivas saudosas sarcásticas
elegem-te e cingem-te
excessivas ou sóbrias
fascinam-me


01/05/2007