recolho-me no abrigo de espectros
invisíveis a desejos de carrascos
que esbatem sombras de aves
loucas de voos agrestes e desabridos
apago-me em teorias de probabilidades
que arrastam hipóteses alienadas
de conceitos e de funções
por cima das ondas que entoam melopeias
que me aconchegam o olhar
SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
28/10/2007
Intervalo(s) 2
incorro em blasfémias e ironias
porque de mim não quero ser
apenas pintura figurativa
cometo delitos puros de intenções
e desenho identidades triangulares
limitadas por circunferências presumíveis
que arredondam formas sequazes
de corpos esbeltos
porque de mim não quero ser
apenas pintura figurativa
cometo delitos puros de intenções
e desenho identidades triangulares
limitadas por circunferências presumíveis
que arredondam formas sequazes
de corpos esbeltos
23/10/2007
Intervalo(s) 1
atento nos sinais ténues da mudança:
flutua uma nuvem que abraça o mar
e mergulha na profundidade de transparências
indomáveis e revolvidas
habito território bravio
e altero pigmentos na superfície espessa
de textura insurgente e suave
irradio brilhos e contrastes
em projectos de matizes oníricas
que me acordam tranquila
flutua uma nuvem que abraça o mar
e mergulha na profundidade de transparências
indomáveis e revolvidas
habito território bravio
e altero pigmentos na superfície espessa
de textura insurgente e suave
irradio brilhos e contrastes
em projectos de matizes oníricas
que me acordam tranquila
22/10/2007
«Crianças Invisíveis»

"Crianças Invisíveis" (2005)é uma colectânea de sete curta-metragens realizadas por cineastas de diferentes nacionalidades, que narram histórias sobre as condições de
vida das crianças que habitam na região de onde são originários, expondo uma realidade cruel e desumana que faz delas uns heróis.
Impressionou-me a força de viver, a capacidade de sobrevivência e a coragem de enfrentar os obstáculos. Fez-me pensar nas preocupações ridículas que atormentam as nossas tão vulgares existências. Perto destas crianças somos meros transeuntes da vida!
Mehdi Charef, conta a história de Tanza, um rapaz de 12 anos que se alista num exército de lutadores pela liberdade.
Emir Kusturica, escolhe para título do seu segmento Blue Gypsy, que conta a comovente história de um jovem cigano.
Spike Lee apresenta Jesus Children of America, que retrata a luta de uma adolescente de Brooklyn que descobre ser a filha seropositiva de um casal de toxicodependentes.
Katia Lund, em Bilu e João, retrata um dia na vida de duas crianças que não se resignam às adversidades, nas ruas de São Paulo.
Jordan e Ridley Scott co-realizam Jonathan, que descreve a vida de um repórter fotográfico, que regressa à infância para escapar ao sofrimento pessoal.
Stefano Veneruso em Ciro leva-nos aos bairros pobres de Nápoles para assistirmos à história de um jovem a viver entre o crime e as brincadeiras próprias da sua idade.
Com John Woo viajamos até à China com Song Song e Little Cat, e descobrimos a vida de duas crianças - uma órfã pobre e uma jovem rica, mas perturbada.
14/10/2007
«A Terra antes do Céu»
.
Assisti, sexta-feira, no pequeno auditório do Teatro de Vila Real à ante-estreia do filme de João Botelho.
Um Torga cheio de música, de olhares diversos, de palavras, de silêncios, de forças ocultas da terra e de imagens filtradas pelos sentidos individuais...
Um filme de autor que penetrou no universo torguiano de forma singular mas poderosa.
Muito mais haveria a dizer sobre o que vi mas, perante obra de arte de tal dimensão, recolho-me a um silêncio feito de admiração.
Advertência: incompatível com ambientes "pipoqueiros", como, aliás, o próprio realizador referiu.
Um Torga cheio de música, de olhares diversos, de palavras, de silêncios, de forças ocultas da terra e de imagens filtradas pelos sentidos individuais...
Um filme de autor que penetrou no universo torguiano de forma singular mas poderosa.
Muito mais haveria a dizer sobre o que vi mas, perante obra de arte de tal dimensão, recolho-me a um silêncio feito de admiração.
Advertência: incompatível com ambientes "pipoqueiros", como, aliás, o próprio realizador referiu.
Distância(s) 3
.
percorro a carta topográfica de sorrisos
envoltos em acidentes geográficos
que determinam o perímetro da inconsciência
e revelam audazes distâncias e ângulos
de um sentir saudade sem tamanho
sem fio de prumo credível
sustento olhares indiscretos de razões verticais
sem nível estável
espalho-me numa horizontalidade de solvências
e recordo infâncias alheias como se de mim
fossem outros a quebrar silêncios
.
percorro a carta topográfica de sorrisos
envoltos em acidentes geográficos
que determinam o perímetro da inconsciência
e revelam audazes distâncias e ângulos
de um sentir saudade sem tamanho
sem fio de prumo credível
sustento olhares indiscretos de razões verticais
sem nível estável
espalho-me numa horizontalidade de solvências
e recordo infâncias alheias como se de mim
fossem outros a quebrar silêncios
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08/10/2007
Distância(s) 2
.
parto sem quadrantes, nem astrolábios, nem balestilhas
sem coordenadas geográficas irrompo
por entre jardins de tulipas roxas
e esquivo-me para refúgios gerados em ventres férteis e frondosos
reduzidos a escalas celestes e universais
descanso na rosa-dos-ventos que aponta a direcção
para infinitos afluentes de qualquer lugar
sem patamares e sem razões
.
parto sem quadrantes, nem astrolábios, nem balestilhas
sem coordenadas geográficas irrompo
por entre jardins de tulipas roxas
e esquivo-me para refúgios gerados em ventres férteis e frondosos
reduzidos a escalas celestes e universais
descanso na rosa-dos-ventos que aponta a direcção
para infinitos afluentes de qualquer lugar
sem patamares e sem razões
.
Distância(s) 1
.
Concebo um mapa de distâncias ausentes
entre penumbras e luzes que se aconchegam
no rosto de versatilidades dormentes
em segmentos de metáforas sincopadas
traço longitudes melancólicas entre pontos imaginários
estabeleço um meridiano perpendicular a pólos
sem norte sem sul
esboço um equador de intersecções abstractas
e de hemisférios inseparáveis
onde a realidade é aquilo que quero.
entre penumbras e luzes que se aconchegam
no rosto de versatilidades dormentes
em segmentos de metáforas sincopadas
traço longitudes melancólicas entre pontos imaginários
estabeleço um meridiano perpendicular a pólos
sem norte sem sul
esboço um equador de intersecções abstractas
e de hemisférios inseparáveis
onde a realidade é aquilo que quero.
03/10/2007
O Lobo Antunes de sempre
.
Hoje fui visitar alguns blogues que fazem parte da minha lista de preferências. Não tenho tido tempo para me dedicar à leitura, à divagação, à observação, à escrita.
Hoje fui visitar alguns blogues que fazem parte da minha lista de preferências. Não tenho tido tempo para me dedicar à leitura, à divagação, à observação, à escrita.Tenho sido engolida pelo tempo, esgotado entre ritmos alucinantes de trabalho... mas hoje, sentei-me diante do monitor e deambulei um pouco por aí. Descobri no Absorto um link para uma entrevista do António Lobo Antunes ao DN, (DN continuação) de um interesse notável. Desde sempre que admiro a personalidade intempestiva e de uma rebeldia serena deste escritor.
A entrevista, valorizada pelo conteúdo das respostas em detrimento da qualidade das perguntas que só alguém como A.L.A. consegue com uma habilidade intelectual e riqueza interior, surpreendeu-me linha a linha.
«Há zonas em mim que desconheço, portas que nunca abri e que, no entanto, aparecem nos livros e provocam-me uma certa perplexidade ao querer saber de onde é que isto vem, de que profundidades nossas, que todos temos.»
NaVisão Online podemos ouvir e ler mais...
A entrevista, valorizada pelo conteúdo das respostas em detrimento da qualidade das perguntas que só alguém como A.L.A. consegue com uma habilidade intelectual e riqueza interior, surpreendeu-me linha a linha.
«Há zonas em mim que desconheço, portas que nunca abri e que, no entanto, aparecem nos livros e provocam-me uma certa perplexidade ao querer saber de onde é que isto vem, de que profundidades nossas, que todos temos.»
Na
30/09/2007
Um saxofone com vida
Apesar do cansaço provocado por uma longa e árdua semana de trabalho, não resistindo a fechar os olhos uma vez por outra, apreciei os sons retirados do saxofone com alma e coração. Sim, porque a alma existe só e apenas na música. É a conclusão a que cheguei no final do concerto.
23/09/2007
«Um Poderoso Coração»
A sinopse, lida na pausa de um café, aliada ao título sugestivo, prometia cento e dez minutos cinematográficos empolgantes. Sem pipocas por perto, assisti ao desenrolar da história do desaparecimento do jornalista do Wall Street, Daniel Pearl, interpretado por Dan Futterman, no Paquistão em 23 de Janeiro de 2002. Quando se propunha realizar o seu trabalho de investigação de pistas sobre o 11 de Setembro, a morte por decapitação põe fim aos seus dias, deixando uma viúva grávida de seis meses, interpretada (e mal, a meu ver!) por Angelina Jolie.Um Coração Poderoso, realizado por Michael Winterbottom, poderia ser um bom filme, mas, a meu ver, reduz-se a uma perspectiva monocular da verdadeira história que, por si só tão dramática quanto real, poderia servir para explorar outras sendas políticas e revolver consciências.
22/09/2007
IMPOSTOS p'ra que vos quero!!!
.
A criatividade gráfica sobre os impostos que o adesenhar demonstrou, inspirou-me uma curta e leve reflexão...
IRS - subtraem-me automaticamente 571€ do meu vencimento mensal (em 14 meses)... e fico sempre a pensar:
- irá para pagar as pensões dos idosos que, com pouco mais de 50 anos, se levantam às 7 da manhã, fazem exercício físico, passeiam pelos jardins, tomam café com os amigos/as, viajam por esse mundo fora, sustentam os filhos e os netos (porque o dinheiro não lhes chega, pois, por sua vez, pagam impostos, o LCD, o veículo topo de gama, o infantário, o Instituto de Inglês, a natação, as aulas de música, os vídeojogos, o telemóvel deles e dos filhos) ...
- ou para as pensões dos idosos indigentes e doentes que recebem uma ninharia?
Penso também: a que grupo pertencerei daqui a 20 anos?! Por este andar certamente ao segundo. É que nessa altura não haverá nenhum otário a pagar a minha reforma!
IRC - era o que faltava... não pago! não sou pessoa colectiva... por enquanto... sei lá...
IVA - indirectamente em tudo... no papel higiénico, no leite, no cinema... (há que poupar na higiene, na alimentação, na cultura!)
IMI - em 2 anos 900,10€ directamente para o município... (quem me mandou a mim confiar no representante da imobiliária que me garantiu ter pedido a isenção?!)
IMT - Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (conheciam este?! se venderem ou comprarem um imóvel vão descobri-lo!)
IMV - 50,29€ pago em 31 de Julho... acrescido ao imposto que, sem sequer darmos conta, pagamos na gasolina...
Habitualmente ando distraída com as contas... mas há tempos reparei por mero acaso que desde Abril de 2005 a prestação do meu apartamento aumentou 265€... (pouco menos do dobro que pagava no início!). A este ritmo, não tarda a que a placa "VENDE-SE" esteja colada na minha varanda e seja mais uma a enfeitar o prédio de 9 andares em que moro! O problema será arranjar um comprador que ganhe mais do que eu e que pague menos impostos!
Isto tudo reduz-me à grandeza dos números e à insignificância do esforço com que diariamente exerço a minha profissão, luto por ideias e acredito ainda ... ... ... (em quê?!) Agora, juro, fiquei sem palavras!
Mas não há crise nenhuma! Não fiquem com uma ideia errada! Isto é só um problema pessoal, ou nem isso, pois não havendo solução à vista, deixa de ser problema! A comunicação social dá-nos conta diariamente dos avanços que o país tem realizado.
Um àparte: o marido de uma funcionária lá do sítio onde trabalho, com 52 anos, recebeu um computador portátil como prémio por ter concluído o 6º ano em pouco mais de dois meses (pobre do filho que não tem a mesma oportunidade e se mata a estudar!)!!! Não sabe é trabalhar com ele... pois o emprego que tem ainda não está ajustado a essa necessidade... mas certamente será para breve que baste teclar «rede de saneamento» no seu portátil e todo o concelho fique servido eficazmente!
- irá para pagar as pensões dos idosos que, com pouco mais de 50 anos, se levantam às 7 da manhã, fazem exercício físico, passeiam pelos jardins, tomam café com os amigos/as, viajam por esse mundo fora, sustentam os filhos e os netos (porque o dinheiro não lhes chega, pois, por sua vez, pagam impostos, o LCD, o veículo topo de gama, o infantário, o Instituto de Inglês, a natação, as aulas de música, os vídeojogos, o telemóvel deles e dos filhos) ...
- ou para as pensões dos idosos indigentes e doentes que recebem uma ninharia?
Penso também: a que grupo pertencerei daqui a 20 anos?! Por este andar certamente ao segundo. É que nessa altura não haverá nenhum otário a pagar a minha reforma!
IRC - era o que faltava... não pago! não sou pessoa colectiva... por enquanto... sei lá...
IVA - indirectamente em tudo... no papel higiénico, no leite, no cinema... (há que poupar na higiene, na alimentação, na cultura!)
IMI - em 2 anos 900,10€ directamente para o município... (quem me mandou a mim confiar no representante da imobiliária que me garantiu ter pedido a isenção?!)
IMT - Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (conheciam este?! se venderem ou comprarem um imóvel vão descobri-lo!)
IMV - 50,29€ pago em 31 de Julho... acrescido ao imposto que, sem sequer darmos conta, pagamos na gasolina...
Habitualmente ando distraída com as contas... mas há tempos reparei por mero acaso que desde Abril de 2005 a prestação do meu apartamento aumentou 265€... (pouco menos do dobro que pagava no início!). A este ritmo, não tarda a que a placa "VENDE-SE" esteja colada na minha varanda e seja mais uma a enfeitar o prédio de 9 andares em que moro! O problema será arranjar um comprador que ganhe mais do que eu e que pague menos impostos!
Isto tudo reduz-me à grandeza dos números e à insignificância do esforço com que diariamente exerço a minha profissão, luto por ideias e acredito ainda ... ... ... (em quê?!) Agora, juro, fiquei sem palavras!
Mas não há crise nenhuma! Não fiquem com uma ideia errada! Isto é só um problema pessoal, ou nem isso, pois não havendo solução à vista, deixa de ser problema! A comunicação social dá-nos conta diariamente dos avanços que o país tem realizado.
Um àparte: o marido de uma funcionária lá do sítio onde trabalho, com 52 anos, recebeu um computador portátil como prémio por ter concluído o 6º ano em pouco mais de dois meses (pobre do filho que não tem a mesma oportunidade e se mata a estudar!)!!! Não sabe é trabalhar com ele... pois o emprego que tem ainda não está ajustado a essa necessidade... mas certamente será para breve que baste teclar «rede de saneamento» no seu portátil e todo o concelho fique servido eficazmente!
Sugestão

.
Espreitei o adesenhar e descobri isto.
Sigam as pistas e aproveitem o fim-de-semana
para mudar a rotina
e ganhar novas energias para a semana.
Visite também
Fuego (3)
.
de sombras e de labaredas
de mãos e de olhares
divago e perco-me
em ti
por fora por dentro
arrasto-te
corres nas minhas veias
em permanente combustão
Fuego (2)
.
ardo na tua boca
e no insenso que nos amanhece
sem pudores de inverno
tirito de calor
numa onda que invade os sentidos
insensatos e alienados
visto-me para ti
de cores vermelhas
e de excepção coberta
Fuego (1)
adormeço em ti
entre o branco dos lençóis de linho
bordados
de sonhos e de desejos interditos
sem temores
as dermes rubras
cruzam-se
num contínuo fluir
d'estremecimentos
entre o branco dos lençóis de linho
bordados
de sonhos e de desejos interditos
sem temores
as dermes rubras
cruzam-se
num contínuo fluir
d'estremecimentos
Abreviatura(s) 3
.
é um acento grave
que me adormece
e me acorda
em rotineiros costumes
(de rotinas perdidas)
impassível
parágrafo da vida
que me agrilhoa
no tempo e no espaço
pontilha as horas
e os adjectivos
entre um e outro ditongo
e resvalo para o rio
sem translineação
nem ancoradouro.
.
é um acento grave
que me adormece
e me acorda
em rotineiros costumes
(de rotinas perdidas)
impassível
parágrafo da vida
que me agrilhoa
no tempo e no espaço
pontilha as horas
e os adjectivos
entre um e outro ditongo
e resvalo para o rio
sem translineação
nem ancoradouro.
.
13/09/2007
Novos Talentos
.
Update: Apresentação Lisboa
Não me recordo como foi... vagueei pela blogosfera e encontrei- o , achei interessante o que vi e coloquei o link na barra lateral.

Na entrevista ao autor podemos descobrir mais...
O lançamento do livro de Tiago Nené será em Lisboa, no Onda Jazz pelas 19:30 do dia 29 de Setembro.
Uma capa expressiva que sugere um «miolo saboroso» .
Votos de muito sucesso!
Update: Apresentação Lisboa
Houve alteração da hora e local da apresentação, em virtude do agendamento do jogo Benfica- Sporting para aquela hora.
Assim:
Apresentação pública de Versos Nus, em Lisboa, no dia 29 de Setembro:
16 horas
Magnolia Caffe - Praça de Londres
Metro mais próximo: Campo Pequeno - (linha amarela)
Não me recordo como foi... vagueei pela blogosfera e encontrei-

Na entrevista ao autor podemos descobrir mais...
O lançamento do livro de Tiago Nené será em Lisboa, no
Uma capa expressiva que sugere um «miolo saboroso» .
Votos de muito sucesso!
02/09/2007
Abreviatura(s) 2
.
palavras nutritivas
dão alimento à fome de viver
enquanto
silêncios abstractos
tonificam sonhos musculados
versos por rimar
(porque em rimas não respiro)
toldam razões e tensões
conquanto
o trilho mais perceptível
recebe passos abertos
incondicionais
sem peso nem medida
.
palavras nutritivas
dão alimento à fome de viver
enquanto
silêncios abstractos
tonificam sonhos musculados
versos por rimar
(porque em rimas não respiro)
toldam razões e tensões
conquanto
o trilho mais perceptível
recebe passos abertos
incondicionais
sem peso nem medida
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01/09/2007
Abreviatura(s) 1
.
escrevo uma abreviatura
navego pelo alfabeto
escrevo uma abreviatura
solta,
sem rima nem ancoradouronavego pelo alfabeto
fosforescente,
e aconchego-me na caligrafia
ondeante,
que me mantém
permanentemente
em combustão
no cais de intemporal chegada
que me mantém
permanentemente
em combustão
no cais de intemporal chegada
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