24/03/2008

luta de vida e de morte

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"Possa ser espontaneamente realizado este desejo de coração,
A liberdade completa para todo o Tibete
Há muito tempo esperada".

Words of Truth, Dalai Lama
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de anátema impune

reveste-se a humanidade...

bélico sofrer de balas

que rastejam a dor de existir

trespassam a alma de um povo

votado ao crer

de ser

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Irene Ermida

23/03/2008

Garcia Marquez no cinema


Uma adaptação cinematográfica insípida. Distante do fabuloso ambiente criado pelo autor da narrativa, limita-se a uma história de amor banal.
A experiência literária é infinitamente mais aliciante!

Arte em Serralves


Foto aqui

Percorri, atónita, a exposição "Robert Rauschenberg: Em Viagem 70-76" patente no museu da Fundação de Serralves.
E fiquei a pensar: Afinal o que é a «Arte»?!

Continuei a visita à exposição "Júlio Pomar - Cadeia da Relação", que centraliza a acção nos trabalhos de colagem, "assemblage" e no confronto entre a tela crua e a cor.
Aos poucos, fui enredando-me numa lógica dominada por uma abstracção sedutora e envolvente espelhada em sensualidade e erotismo.

20/03/2008

Ainda a propósito...

Nos tempos conturbados pós 25 de Abril, apresentou-se na sala de aula a professora de Educação Visual. Filha da Directora que exercia funções à data e que representava o sistema autoritário do ensino tradicional, engenheira de formação, recentemente vinda de Lisboa, apresentou-se descontraidamente: «Chamo-me Marta e quero que todos me tratem assim e por tu» - disse, aos cerca de trinta alunos do então 7º ano do curso unificado, com idades na média dos 12 anos.

Chegada a casa, à hora do almoço em família, ingenuamente contei a proeza. O meu pai, na casa dos quarenta e com a quarta classe antiga, sentado à minha frente proferiu serenamente a sentença: «Ai de ti que eu saiba que tratas assim a professora!»

E seria a única a tratá-la por professora até final do ano.

Hoje penso: Se não tivesse acatado a ordem inequívoca do meu pai, talvez ele nunca tivesse tido conhecimento da minha desobediência, mas algo mais forte me impeliu a cumprir religiosamente a sua indicação!

Imbuída desse espírito, criei um filho, hoje em idade adulta. Nunca recebi uma queixa por falta de respeito de professor algum e sinto orgulho dos elogios que fui ouvindo ao longo destes anos a propósito da sua correcção e educação. Por vezes, dizem-me: tens muita sorte! Tive, de facto, mas foi com muito esforço que a procurei!

Irene Ermida

«Ó professora, será que eles têm pais como nós?!»

NOTA: Aqui esteve este vídeo
mas, mais do que as imagens, agora interessam as palavras.


Uma amiga falou-me há pouco deste vídeo. Recebi alguns e-mails dos quais constava o endereço electrónico, mas foi em vão que cliquei nos links, pois anunciava a sua remoção. Por mero acaso, acabei por encontrá-lo no blogue
De Rerum Natura
, quando menos esperava.

Ao visualizar estas imagens, fui invadida pela perplexidade e por uma vontade inexplicável de chorar, que me impedem de tecer comentários alongados.
A postura agressiva da aluna, os risos e comentários dos colegas que filmam, a idade respeitável da senhora professora...

De repente, recordo uma frase que uma antiga aluna me colocou, há cerca de vinte anos atrás, durante uma visita de estudo a Lisboa, durante a qual, infelizmente, nos foi dada a oportunidade de assistir aos insultos verbais de um grupo de pretensos skinheads, na estação de comboios de Oeiras, dirigidos a uma pessoa negra que se misturou connosco, a fim de se manter segura: »Ó professora, será que eles têm pais como nós?!»

Irene Ermida

19/03/2008

Labaredas 3



Foto: Palinchak Mikhail

o magma que permanece em mim

subitamente emerge

através das fendas vulcâncias

que me afastam dos rios e dos mares

nessa erupção sintáctica

revejo ancestrais demónios

em versos livres submersos

oscilo no relevo dos períodos e das orações

que, voláteis, explodem em efusivos sintagmas

e abrem crateras vazias de entendimento

alheios à fonética acústica

e enredados em enunciados fervilhantes.

Irene Ermida

Labaredas 2



Foto: Palinchak Mikhail


consumida por ardentes substantivos

ilumino caminhos desertos de sentido

possessivos determinantes de paisagens

mordiscam luzes e sons

baralhados de silêncios demonstrativos

... contracções e derivações ...

lançam chamas indomáveis e abrasam adjectivos:

incendiados, ardentes, inflamados


retenho a essência ruborizada do verbo

que transita para complementos

que desafiam a etimologia de amar

Irene Ermida

Labaredas 1



Foto: Palinchak Mikhail

assediam-me palavras tropicais
temperadas de acentos polares

... entediam-m'os pronomes sombrios... que afasto

escrevo apóstrofos e suprimo vogais áridas
troco cedilhas por sibilantes consoantes

... inflamo discursos insípidos... que rejeito

sem faísca, queimo preposições austeras
e sussurro dissílabos incandescentes
sem limites lexicais
envoltas em semânticas loucuras
e num eco desabrido
clamo anacrónicas vibrações...

Irene Ermida

13/03/2008

Intervalo(s)


Foto: http://www.1000imagens.com/



Des moments libres. Toute vie bien réglée a les siens, et qui ne sait pas les provoquer ne sait pas vivre.



Il faut toujours un coup de folie pour bâtir un destin.



Toute loi trop souvent transgressée est mauvaise: c'est au législateur à l'abroger ou à la changer.



Marguerite Yourcenar

10/03/2008

Sinais do tempo

Veio-me à memória os tempos idos de estudante quando, convicta, participava nas marchas de contestação pela cidade universitária até ao Campo Grande e na ocupação pacífica da Reitoria... Acreditava num mundo melhor...

Demorava a saída do Marquês de Pombal. Os helicópteros da polícia e das TVs sobrevoavam a área e alguém especulava: a ministra está a ver-nos...
Passo a passo, avançámos lentamente até à Avenida da Liberdade, onde nos cruzámos com grupos de pessoas que nos apoiavam e davam coragem! Um grupo de idosos, orgulhoso de lutas passadas, gritava: Foi pela liberdade que nós lutámos! Uma mãe aplaudia exibindo na camisola: Os «pais» estão com a ministra, eu sou mãe! Duas crianças empunhavam um cartaz: Os professores são os nossos pais!

Acreditei novamente! Redescobri porque escolhi este caminho! E um orgulho inocente deu-me força. Força para acreditar que ser professor não é profissão. É mudar o mundo. É ajudar a desvendá-lo, a compreendê-lo na sua globalidade e particularidade.
É plantar uma árvore, é semear um jardim, é inventar um rio, é percorrer mares e continentes, é falar várias línguas, é regressar ao passado e viajar no futuro...
Ninguém me pode tirar tudo isto! Por mais que tentem, nunca o conseguirão!
Os ministros, os governos, as políticas passam... os professores ficam!







Irene Ermida

02/03/2008

Almoço em família



Um domingo diferente e igual a tantos outros. Em cima da hora, e num telefonema rápido perguntei: há almoço para mais dois? Do lado de lá, ouvi a voz meiga que me dizia, claro que há, mas não sei se o teu filho gosta, Então o que é?, Arroz de lampreia, ele é capaz de não gostar, Ele gosta, de certeza, como a mãe.

Lá fomos a carregar no acelerador mais do que devia, mas a estrada convidava e o tempo também. A lampreia estava uma delícia, mas resisti à tentação de me servir segunda vez, a pensar na balança e no tempo primaveril que convida a umas roupas mais leves.

Com a conversa posta em dia e a tarde a ameaçar tornar-se noite, regressámos à cidade, onde me esperava algumas tarefas domésticas enfadonhas que tratei de executar depressa. Vim, entretanto, visitar o meu blogue sem intenção nenhuma de escrever. Só ver... e, assim que me deparei com a página aberta, recuei e não me revi no último post! Como se um intruso (aliás, intrusa!) tivesse forçado a entrada e ocupasse agora um espaço que antes era só meu. Uma estranha sensação a que senti!
E decidi eliminar esse vídeo que mostrava declarações da senhora Ministra da Educação à RTP 1 há alguns meses atrás.
É que neste espaço quero só que permaneça o meu lado oculto que desvendo num registo distinto do dia-a-dia, para que possa libertar ideias, pensamentos, sensações, emoções ao sabor das palavras...

Irene Ermida

01/03/2008

A mobilização dos professores

Vivemos tempos conturbados em vários sectores da sociedade, senão em todos. Há quem diga que as mudanças geram reactivamente contestação, pois faz parte da natureza do ser humano, em especial do povo português que gosta de estar no seu cantinho sem que o incomodem.
Assistimos a uma onda de manifestações, das quais particularizo a do grupo profissional dos professores dos níveis de ensino pré-escolar, básico e secundário.
Mas, independentemente, de quaisquer considerações acerca das medidas tomadas pelo Ministério da Educação, torna-se emergente reflectir sobre o movimento que corre o país de lés a lés, excepção feita às Regiões Autónomas, onde o sistema de avaliação é pacífico, nomeadamente nos Açores, que foi pensado com instituições de ensino superior credíveis, como prova a análise das fichas de avaliação que simplificam o processo e o tornam evidentemente mais objectivo.

É incontornável, dizia eu, falar desta mobilização autêntica, espontânea, genuína dos professores, embora os mais desprevenidos e dogmáticos continuem a rotulá-la de político-partidária e defendam que, afinal, não passam de manobras urdidas pelos vários partidos os quais, a propósito de não sei o quê, se uniram contra a política do Ministério da Educação.

Considero que esta fachada que alguns tentam impor para fazer crer que os professores não passam de meros fantoches nas mãos de dirigentes sindicais, partidários ou outros, se venha a revelar até perigosa.

Baseio esta minha percepção na imprevisibilidade que esta mobilização geral pode originar, já que, de facto, é a indignação de uma classe que tem vindo a ser denegrida desde há alguns anos, quer pelos efeitos do desgaste das sistemáticas reformas que aconteceram continuamente, em prol da melhoria do sistema educativo e que se revelaram catastróficas, quer pelo contributo que os governantes têm dado ultimamente para transformar os 150 mil professores deste país numa classe de incompetentes e faltosos. Esta generalização acabou por afectar a dignidade daqueles que, de facto, sempre foram dedicados à profissão e nunca precisaram de diplomas legais para compreender que o essencial do seu trabalho são os alunos!

Esta tomada de consciência global que, por sua vez, está a gerar também uma acção global, será certamente para os sociólogos um campo interessante para aprofundar.
A apatia da maior parte dos docentes durante anos e anos, que as forças sindicais não souberam contrariar, está a dar lugar a uma tomada de atitude consciente, embora haja sempre quem o exprima menos bem, talvez devido à falta de hábito das luzes da ribalta.

Se pensarmos que a escola é uma área onde se concentram o maior número de licenciados por metro quadrado, como dizia há tempos um responsável do sector, e constitui um dos maiores grupos profissionais dotados de um grau académico superior, então teremos razões sérias para ficarmos apreensivos com esta mobilização a nível nacional. Afinal, os ministros passam e eles permanecem...


Interessante o texto do A VER O MUNDO


Irene Ermida

28/02/2008

Palavras geométricas



as palavras fluem em segmentos convexos

e expiram no vértice circunflexo

de alguém sem nome e sem origem...

do ângulo côncavo explodem destinos

que percorrem distâncias sem rumo,

de tempos sem dias para projectar estrelas

irrompem círculos desenhados no ar,

de cenas sem história e sem actores

resplandecem horizontes sem trajectória,

em pontos de fuga sem passado

convergem perspectivas grotescas...

fractais pulverizados de infinitos detalhes

distorcem a semântica dos sentidos

recolhidos em fragmentos anónimos...

20/02/2008


http://www.1000imagens.com/


adormeço no intervalo do teu sono
que me ampara quimeras e projectos
perdidos no tempo de um passado esquecido
sem ti
sou mais uma árvore à mercê de ventos fortes
que sopram sem pudor e arrasam ficções
de restos de desejos um dia almejados

19/02/2008

Alice (?) no país das maravilhas...




Não sabia... mas fiquei a saber!
Não sabia que vivia no país das maravilhas!

Não sabia... mas fiquei a saber...
...que é tão fácil atravessar o espelho e viver no mundo da fantasia, em que a harmonia, a alegria, a esperança preenchem o nosso dia-a-dia.

Por um qualquer truque de magia, o importante é elevarmo-nos acima das comezinhas preocupações da vida e criar uma nova realidade de acordo com o que nos convém.

Só assim, poderemos manter a nossa sanidade mental!!!

Não sabia... mas fiquei a saber!
Que neste país "real", há canais de televisão que deixam qualquer "Alice no país das maravilhas" explanar os seus sonhos e fantasias durante 50 minutos...

Agora compreendo a necessidade de uma second life !

E se cada um de nós tivesse a oportunidade de explanar os nossos sonhos e fantasias durante 50 minutos num canal de tv?!

Seria uma terapia insubstituível e decerto seria mais fácil passar através do espelho e mantermo-nos do lado de lá!

15/02/2008

Perplexidades



Seguramente a imagem da esquerda enternece os corações mais empedernidos...
A da direita assusta os mais destemidos...
Sem querer entrar em polémicas ou emitir qualquer juízo de valor, apenas exprimo a minha perplexidade perante alguns casos que vão sendo divulgados na comunicação social:


"Os quatro cães de raça rottweiler que mataram Vira Chudenko, de 59 anos, ucraniana, na Várzea de Sintra, foram abatidos logo no dia do ataque (anteontem), por ordem da procuradora-adjunta do Tribunal de Sintra e sem ter sido cumprido o prazo mínimo de 15 dias estipulado na lei para o despiste da raiva. O seu dono ficou em liberdade, com termo de identidade e residência."
DN, Sexta, 23 de Março de 2007

Nunca saberemos se a «raiva» foi o motivo do ataque, assim como nunca saberemos o que sentiu a vítima nesse momento!


"Agarrei-o e ordenei-lhe que a soltasse. Obedeceu de imediato. Acho que nem se apercebeu do que fez porque estava calmo, como se tivesse estado a brincar"; Visivelmente emocionado, André Fernandes não consegue perceber o que aconteceu. Garante que "o Apolo era um cão dócil, muito meigo e estava connosco desde que nasceu há sete anos. Nunca revelou sinais de agressividade". Acredita que a explicação poderá estar no facto de cão e criança nunca terem brincado juntos."
JN, Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

A dor e a consternação que, sem dúvida alguma, tal situação gera, será indescritível e, só nesse contexto, poderá ser entendida esta declaração... (?)

Para mais informações: Rottweiler Clube de Portugal

11/02/2008

Agitação



forro-me do avesso com veludo suave
e desenho-me de vermelho sangue

moldo-me em formas de cetim macio
e transpiro odores floridos

trajo-me de seda natural
e escoo-me em pálidos fluidos

derreto-me em vibrações contínuas
e respiro palavras ofegantes

dilato-me nas ondas de calor
e irrompo em lufadas ciclónicas

adormeço em sonhos tranquilos
e sorrio olhares amendoados

04/02/2008

DESAFIO: «O idiota e a moeda»

Há dias recebi no meu endereço electrónico a seguinte história:

O IDIOTA E A MOEDA

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor, de 2000 REIS. Ele escolhia sempre a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.

Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e perguntou-lhe se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.

Respondeu o tolo: - Eu sei, ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar a minha moeda.


No final desta história tão simples, alguém deduzia a moral.
Lembrei-me então de colocar um desafio aqui no blogue e esperar que dêem asas à vossa criatividade, imaginação e capacidade crítica.
Aceitam-se sugestões para a «moral da história» e haverá apenas duas regras:
1. As respostas são aceites até 15 de Fevereiro;
2. Após essa data serão publicadas em simultâneo.

14/01/2008

Remar contra a maré

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Remar contra a maré será uma expressão que traduz a persistência em afirmar ideias, princípios e postura na vida, apesar das adversidades que surgem em cada esquina.

Ficar de braços cruzados enquanto engolimos sapos acarreta consequências para a integridade moral, que pode destruir, corroer e lançar o ser humano num labirinto até se perder, sem bilhete de regresso.

Não dar o braço a torcer quando a crença de que o lado certo é mais forte do que qualquer evidência que nos queiram impingir, traz, com o passar do tempo, alguma debilidade de comportamento que pode levar, de vez, a perder a cabeça e a viver eternamente no mundo da lua!

Pôr as cartas na mesa pode custar os olhos da cara e levar-nos a passar o tempo com a pulga atrás da orelha.

Ser um osso duro de roer pode granjear o respeito e a admiração dos outros que, sentindo-se de mãos atadas, acabam, por vezes, a trepar paredes!

Quantas vezes se recebe um balde de água fria, por tentarmos manter a verticalidade que nos distingue de alguns zeros à esquerda que se pavoneiam sem pés nem cabeça na calçada atapetada de vermelho!

Riscá-los do mapa seria a solução mais confortável e deixaria margem para a evolução natural das coisas, antes que se transformassem em meras baratas tontas preocupados em infernizar a vida dos outros!

Mas, convenhamos que, fazer uma tempestade num copo de água, não contribui, de modo nenhum, para pôr os pontos nos is. Por vezes, é recomendável mandar essa gente pentear macacos e fazer vista grossa às asneiras que cometem.

Não adianta chorar sobre o leite derramado nem bater na mesma tecla! Importa antes armarmo-nos até aos dentes, arregaçar as mangas e meter mãos à obra!

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13/01/2008

Entoação 3

o aroma galopante sobrevoa radiantes figuras

contrastantes meticulosas e adormecidas

sobrevoa ninhos de águias que vigiam as crias

de que preciso? sem interrogação gráfica

porque não é uma pergunta hesitante

restauro a imagem diluída no denso nevoeiro

e formo réplicas de animais extintos

que questionam existências derrotadas pelo paradigma

abolido por estrelas próximas e distantes

que apelam à suavidade de momentos eternos.