SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
07/06/2008
E para quem gostar de MPB
No próximo dia 14 de Junho, às 22h00, no Auditório Exterior do Teatro de Vila Real.
E este sim, é acessível a todos...
Espero que a noite esteja quente!
Bailado no programa de sexta à noite...
Graças à política de fidelização dos espectadores adoptada pelo Teatro de Vila Real, que consiste em oferecer bilhetes de vez em quando, a quem está inscrito na sua base de dados, tive hoje a oportunidade de assistir a este espectáculo. Aprecio a arte nas suas diferentes formas. Não entendo as técnicas mas os sentidos reagem positiva ou negativamente aos estímulos e isso para mim é que é importante.
Não foi o primeiro bailado a que assisti, evidentemente. Ainda bem que venci os últimos instantes de hesitação. Assim, as três partes “LES SYLPHIDES”, de Mikhail Fokine, “LENTO PARA QUARTETO DE CORDAS”, de Vasco Wellenkamp e “FRONT LINE”, de Henri Oguike corresponderam a três momentos de prazer, embora se tratasse de coreografias completamente diferentes.
Da leveza dos movimentos à intensidade dos ritmos, tudo se passou no palco, ao som de composições musicais envolventes.
A cultura deveria ser acessível a todos... (não acham?)
04/06/2008
Como S. Tomé: ver para crer!
Encontra-se na Galeria do JN a exposição de João Silva:
A realidade é filtrada através da lente do repórter, que decide o quê e o que deve fotografar para que os nossos olhos alcancem a dimensão da tragédia humana! Mas ela é tão real que quase queremos que seja ficção. Ver, para crer!
os_meus_rabiscos
descobri este
Na capital da Catalalunha
02/06/2008
Adivinhação

que me rasga latitudes infinitas
sob o lodo inundado de um querer
que emerge do nada
fogos distintos de um sentir
perdido por oráculos obstinados
desviam rumos pendulares
sem rota predestinada
01/06/2008
Por terras de nuestros hermanos...

Além de objecto de adorno fora de uso, útil para refrescar em dias de calor as partes do corpo mais ruborizadas, elemento obrigatório da indumentária tradicional espanhola, o leque é também um meio de comunicação:

El Lenguaje de los Abanicos
El abanico colocado cerca del corazón: "Has ganado mi amor"
Cerrar el abanico tocándose el ojo derecho: " Cuando podré verte"
El número de varillas muestran la contestación a una pregunta: "A que hora"
Abanico medio abierto presionado sobre los labios: "Puedes besarme"
Las dos manos juntas sujetando el abanico abierto: "Olvídame"
Cubrirse la oreja izquierda con el abanico abierto: "No reveles nuestro secreto"
Esconder los ojos detrás del abanico abierto: "Te quiero"
Tocar con el dedo la parte alta del abanico: "Desearía hablar contigo"
Dejar el abanico descansado sobre la mejilla derecha: "Si"
Dejar el abanico descansado sobre la mejilla izquierda: "No"
Descender el abanico: "Seremos amigos "
Abanicarse lentamente: "Estoy casada"
Abanicarse rápidamente: "Estoy comprometida"
Poner el abanico sujetándolo sobre los labios: "Bésame"
Abrir totalmente el abanico: "Espérame"
Situar el abanico detrás de la cabeza: "No me olvides"
Situar el abanico detrás de la cabeza con el dedo extendido: "Adiós"
Situar el abanico delante de la cara con la mano derecha: "Sígueme"
Mantener el abanico sobre la oreja izquierda: "Deseo deshacerme de ti"
Mover el abanico alrededor de la frente: "Has cambiado"
Dar vueltas al abanico con la mano derecha: "Quiero a otro"
Llevar el abanico abierto en la mano derecha: "Eres demasiado ferviente"
Mover el abanico entre las manos: "Te odio"
Entregar el abanico cerrado: "¿Me quieres?"
Mover el abanico alrededor de la mejilla: "Te quiero"
22/05/2008
Reflexões impróprias...

O paradoxo introduzido pelo adjectivo «absurdo» exprime a inutilidade do «desejo» e confere-lhe uma ininteligibilidade na visão do próprio sujeito. Sendo o «desejo» uma vontade própria com vista à satisfação, torna-se incompreensível que se deseje «sofrer»; daí a existência imprescindível do «absurdo» que traduz o estado de espírito de alguém que, racionalmente, reconhece que é em vão sentir esse desejo mas que, irracionalmente, não é capaz de o evitar.
Num ou noutro momento da nossa vida, sentimos essa necessidade incompreensível e inútil de «sofrer».
Encontramos refúgio no autismo e na dissolução de laços afectivos e queremos romper toda e qualquer ligação com o mundo exterior, convencidos de que aí estará a solução dos nossos problemas. Sendo uma fase que nos permite «crescer» interiormente, se tivermos a experiência de vida e a sabedoria de nos recolocar no caminho certo, com ou sem ajuda de outrém, acordaremos um dia e veremos que a realidade, apesar de permanecer inalterada, é aquela que realmente desejamos e temos de enfrentar.
Quantas vezes nos deixamos abater pelas circunstâncias que nos parecem catastróficas e das quais achamos que não conseguimos sair?
Relativizar os problemas e criar prioridades, bem como distinguir o essencial do acessório, serão, provavelmente, os mecanismos ao nosso alcance que nos desvendam os mistérios da nossa existência.
Quando nos orientamos pela ambição de tudo querer num dado momento, aumentamos, na mesma proporção, o risco de tudo perder. Encontrar o equilíbrio e a estabilidade emocional pode resultar de um longo, mas necessário, sofrimento interior, pois, só assim se aprende a dar valor às pessoas ou às oportunidades que surgem na nossa vida.
Irene Ermida
Estamos sempre a aprender!

Lidar diariamente com «cretinos» não é tarefa fácil e deixa-nos poucas alternativas: ou agimos com a indiferença proporcional ao grau, ou tentamos «salvar» esse intelecto do naufrágio iminente ou, simplesmente, acreditamos que existem como contraponto dos «inteligentes».
Tratando-se de «debilidade mental» ligada a doença, a solução talvez passe por encaminhar o caso para um especialista e esperar que o nosso contributo tenha consequências positivas na história da humanidade!
Façam o favor de sorrir...
20/05/2008
incursões medievais

Foto: Günter Griesmayr
sonhava defesas indestrutíveis
entre ameias e muralhas
sonhava solidões e indiferenças
construí pontes levadiças
sobrevivi a batalhas e esquivei-me a flechas
resisti até aos limites da força
e as estrelas segredaram-me palavras...
soltas e demolidoras
que me catapultaram para fora de mim
23/04/2008
sem título
Há instantes que nos surpreendem pela evidência da mutabilidade e pela consciência de que a nossa vida se constrói na incessante passagem de etapas da vida dos outros.
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21/04/2008
Vidas à espera da morte

Site oficial
Poderia dissertar sobre os actores, a fotografia, a música, o guião... Mas nada disso faria sentido!
A dialéctica vida / morte é lugar comum em discussões, à mesa do café, pela noite dentro, quando a crise existencial nos bate à porta, sobretudo quando ainda jovens, não entendemos a razão pela qual a vida nos obriga a morrer. À luz de doutrinas filosóficas, de cariz mais existencialista ou mais teológico, discute-se o sentido, ou falta dele, de ambas, procuramos respostas para justificar, afinal, a certeza mais infalível que todos temos desde que vimos ao mundo!
A nossa visão da vida condiciona a aceitação ou a negação da nossa morte.
Há os que defendem a teoria do «consumismo» do tempo e vivem cada dia com a convicção de não acordar no seguinte!
Há os que defendem o «adiamento» da vida como se fossem donos do tempo!
Há os que injectam doses de trabalho nas horas para lhes sugar o tutano!
Há os que vivem alucinados pelo medo da morte!
Há os que vivem moribundos adiando um amor!
Há os que existem aprisionados ao passado!
Arrisco dizer que poucos são os que saboreiam a vida com serenidade e aceitam a morte com naturalidade!
Quando saí do cinema, ocorreu-me também escrever uma lista de coisas que quero ainda fazer: viajar na montanha russa, dar uma volta no carrossel, caminhar na praia sob a chuva, apreciar o nascer do sol, fazer um piquenique, rever o álbum de fotografias de família...
Mas dei comigo a pensar que, afinal, a vida, assim como a morte, são imprevisíveis!
14/04/2008
Interstício
Existo no intervalo entre a tua chegada e a tua partida
na forma de me sentir mais eu junto a ti
nos braços que me rodeiam e me evaporam no vácuo
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Mensagens que dançam no silêncio do olhar
no espaço de um mundo renovado
em que a nossa trajectória ocupa o centro do universo
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O resto desvanece-se em sombras invertidas no espelho
de uma virtualidade oca e intrusa
à margem da nossa cumplicidade que sustém as lacunas
entre a tua partida e a tua chegada.
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08/04/2008
No cinema... sem pipocas!

Um filme que alia a simplicidade da vida e a complexidade interior do ser humano perante as circunstâncias que permanecem para além da sua vontade.
O crescimento interior do ser humano em contraponto com a cronologia dos acontecimentos extrínsecos.
Um Irão desmistificado pelos olhos de uma criança/adolescente/mulher que aprende com a avó o significado de «integridade».
Uma curiosidade: o filme foi proibido no Líbano.
Um outro olhar sobre este filme no
06/04/2008
02/04/2008
Afluente
Sou um afluente que desagua em rio nenhum
numa viagem atribulada pelas margens da existência
a jusante de investidas impróprias e rutilantes
que desaguam numa foz inverosímil
Adormeço no leito de águas turvas, serenas
longínqua e consistente
que me fixam no caudal que flui através de mim
31/03/2008
Permanências 3

de traçar uma espiral tridimensional
que equaciona o campo das hipóteses
e exercita a razão geradora
de contradições do pensamento
que avança da afirmação da negação
para a caducidade do espírito
distende a resistência
e infere antíteses implícitas
em axiomas e regras que assolam as divergências
30/03/2008
Permanências 2

apurados pela ininteligibilidade
de aromas e de gostos imanentes
para além do tempo e dos sentidos obstinados
na procura pela extensão da memória
que evoca pedaços de vida e momentos efémeros
concentrados num odor de intenso sabor
Permanências 1

o entendimento e a sustentação
de ventos que convergem no erro
numa ascensão de massas de ar
que se deslocam, perdidas, no universo
como se as palavras rudes
entretidas numa teimosia primária
projectassem sombras de ideias corruptíveis
e o Mundo Sensível nos condenasse
a uma pena perpétua de viver
26/03/2008
Sobre a hipocrisia

Lido mal com a hipocrisia. Quando a frontalidade é a regra número um do nosso estar no mundo, ficamos confusos e perplexos perante a desfaçatez com que algumas "pessoas" nos interpelam ou respondem.
As emoções que me assaltam nesses momentos são do mais primário que existe e é difícil manter o controlo! Nada melhor que um Xanax para evitar problemas maiores!
Ocorre-me o ensaio de Victor Hugo: »O Sofrimento do Hipócrita»:
Ter mentido é ter sofrido. 0 hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso. 0 odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. 0 verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. 0 traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. 0 hipócrita é um titã-anão.





