09/06/2008

Ora toma lá!



José Eduardo Moniz "Nunca tomarei decisões apenas porque determinada funcionária é minha mulher. (...) A Manela tem méritos próprios, que não precisam do marido para nada."
José Eduardo Moniz, director-geral da TVI, comentando o regresso de Manuela Moura Guedes aos ecrãs da estação, in "Notícias TV".


Fonte: http://fama.sapo.pt/

Para quem não sabia, fica a saber!
Que más línguas, que coisa!
Fiquei muito mais feliz por ser assim!
Ai que não caibo em mim de contente!

Malha caída



Foto: Google (alterada)
Entrelaçava o fio vermelho concentrada nos seus botões. As agulhas dançavam ao ritmo da música. Para trás ficava um pedaço de camisola que nunca iria usar. A textura suave e elástica hipnotizavam os sentidos adormecidos.
Fazia tricô e deixou cair uma malha.
E agora?

Irene Ermida

Negaçao do nada


Foto: Narcis Virgiliu

não me embalo na robustez do vento

não trilho veredas de nuvens informes

não me seco no instante fugaz do vazio

não navego na vacilante onda de espuma

não cresço em agrestes jardins sem raízes

não me afogo em inconstantes marés cheias

não me alimento da efémera torrente do vulcão

não estremeço no fluxo contínuo do volúvel

não combato inexistentes espectros de luz

não me resigno a inquietos ímpetos de fé

não derivo na intranquila corrente do rio

não flutuo em lagos de verdes pântanos

não, não me sinto nos outros sem mim

Irene Ermida

07/06/2008

Iniciativa audaz

Enquanto milhões de olhares se fixam no quadrado mágico para ver quem primeiro mete a bola na baliza do adversário, ouvi num outro canal de TV, a notícia de que em Portugal nenhuma cidade aderiu à 5ª Manifestação Ciclonudista Mundial que teve hoje lugar em várias cidades do mundo.

Dada a singularidade do evento, decidi pesquisar mais alguma informação, visto que não será nada fácil pedalar em tão nu estado e, acima de tudo, causou-me estranheza a ausência desta iniciativa em Portugal, já que, noutras, estamos sempre solícitos a participar.
Estando nós em crise, seria sempre uma boa alternativa!
Em vez de invejarmos a peça de roupa ou o automóvel da marca, passaríamos a comentar as mamas, mais ou menos descaídas, das mulheres, ou o tamanho do pénis, maior ou menor, dos homens...
Pensando bem, o «sexo» passaria a ser o tema central das conversas diárias e tornar-se-ia tão banal que, ao fim de algum tempo, os conceitos e valores estariam completamente alterados!
As vantagens seriam inúmeras: os atropelamentos seriam reduzidos e menos graves, os combustíveis eram dispensáveis, os benefícios para a saúde seriam evidentes, a poluição diminuiria drasticamente, diminuiriam as desigualdades sociais, aumentaria a natalidade e a paisagem seria francamente mais aprazível.
Bem, não aderimos desta vez mas, aos poucos. lá chegaremos, pois com o actual estado de coisas, o nosso país vai ser o primeiro a dar o exemplo aderindo massivamente!


Foto retirada da net, ao acaso (nem todos(as) apreciarão a escolha, paciência...)

Pelos gritos de «goooooooolo» que ouvi há pouco, deduzo que Portugal esteja a ganhar... ainda bem que há quem não perca tempo com «iniciativas» destas e aproveite bem o seu tempo!

E para quem gostar de MPB



No próximo dia 14 de Junho, às 22h00, no Auditório Exterior do Teatro de Vila Real.
E este sim, é acessível a todos...
Espero que a noite esteja quente!

Bailado no programa de sexta à noite...

Graças à política de fidelização dos espectadores adoptada pelo Teatro de Vila Real, que consiste em oferecer bilhetes de vez em quando, a quem está inscrito na sua base de dados, tive hoje a oportunidade de assistir a este espectáculo. Aprecio a arte nas suas diferentes formas. Não entendo as técnicas mas os sentidos reagem positiva ou negativamente aos estímulos e isso para mim é que é importante.
Não foi o primeiro bailado a que assisti, evidentemente. Ainda bem que venci os últimos instantes de hesitação. Assim, as três partes “LES SYLPHIDES”, de Mikhail Fokine, “LENTO PARA QUARTETO DE CORDAS”, de Vasco Wellenkamp e “FRONT LINE”, de Henri Oguike corresponderam a três momentos de prazer, embora se tratasse de coreografias completamente diferentes.
Da leveza dos movimentos à intensidade dos ritmos, tudo se passou no palco, ao som de composições musicais envolventes.

A cultura deveria ser acessível a todos... (não acham?)

04/06/2008

Como S. Tomé: ver para crer!

Encontra-se na Galeria do JN a exposição de João Silva: Pesadelo.

A realidade é filtrada através da lente do repórter, que decide o quê e o que deve fotografar para que os nossos olhos alcancem a dimensão da tragédia humana! Mas ela é tão real que quase queremos que seja ficção. Ver, para crer!

Recebi a visita de
os_meus_rabiscos
e deambulando, prazenteiramente, pela sua escrita
descobri este
texto
singular mas muito frontal!

Na capital da Catalalunha

Em Barcelona há vida nas ruas...


...primaveras convidadas...



...cores e sabores estivais...


...música no ar...


...há luz e sombra...



...há pormenores e arte...



... e sonhos, para quem ousa sonhar...

... e muitos turistas!

02/06/2008

Adivinhação


Foto: Narcis Virgiliu
arrisco uma palavra solta
que me rasga latitudes infinitas

duendes e magos rastejam
sob o lodo inundado de um querer
que emerge do nada

videntes e bruxos consomem
fogos distintos de um sentir
perdido por oráculos obstinados

e os destinos fragmentados pelas estrelas
desviam rumos pendulares
sem rota predestinada

Irene Ermida

01/06/2008

Por terras de nuestros hermanos...



Além de objecto de adorno fora de uso, útil para refrescar em dias de calor as partes do corpo mais ruborizadas, elemento obrigatório da indumentária tradicional espanhola, o leque é também um meio de comunicação:


El Lenguaje de los Abanicos

El abanico colocado cerca del corazón: "Has ganado mi amor"
Cerrar el abanico tocándose el ojo derecho: " Cuando podré verte"
El número de varillas muestran la contestación a una pregunta: "A que hora"
Abanico medio abierto presionado sobre los labios: "Puedes besarme"
Las dos manos juntas sujetando el abanico abierto: "Olvídame"
Cubrirse la oreja izquierda con el abanico abierto: "No reveles nuestro secreto"
Esconder los ojos detrás del abanico abierto: "Te quiero"
Tocar con el dedo la parte alta del abanico: "Desearía hablar contigo"
Dejar el abanico descansado sobre la mejilla derecha: "Si"
Dejar el abanico descansado sobre la mejilla izquierda: "No"
Descender el abanico: "Seremos amigos "
Abanicarse lentamente: "Estoy casada"
Abanicarse rápidamente: "Estoy comprometida"
Poner el abanico sujetándolo sobre los labios: "Bésame"
Abrir totalmente el abanico: "Espérame"
Situar el abanico detrás de la cabeza: "No me olvides"
Situar el abanico detrás de la cabeza con el dedo extendido: "Adiós"
Situar el abanico delante de la cara con la mano derecha: "Sígueme"
Mantener el abanico sobre la oreja izquierda: "Deseo deshacerme de ti"
Mover el abanico alrededor de la frente: "Has cambiado"
Dar vueltas al abanico con la mano derecha: "Quiero a otro"
Llevar el abanico abierto en la mano derecha: "Eres demasiado ferviente"
Mover el abanico entre las manos: "Te odio"
Entregar el abanico cerrado: "¿Me quieres?"
Mover el abanico alrededor de la mejilla: "Te quiero"

22/05/2008

Reflexões impróprias...



No poema de Cesário Verde - Avé-Marias - há uma frase que sempre me fascinou (...) Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O paradoxo introduzido pelo adjectivo «absurdo» exprime a inutilidade do «desejo» e confere-lhe uma ininteligibilidade na visão do próprio sujeito. Sendo o «desejo» uma vontade própria com vista à satisfação, torna-se incompreensível que se deseje «sofrer»; daí a existência imprescindível do «absurdo» que traduz o estado de espírito de alguém que, racionalmente, reconhece que é em vão sentir esse desejo mas que, irracionalmente, não é capaz de o evitar.

Num ou noutro momento da nossa vida, sentimos essa necessidade incompreensível e inútil de «sofrer».

Encontramos refúgio no autismo e na dissolução de laços afectivos e queremos romper toda e qualquer ligação com o mundo exterior, convencidos de que aí estará a solução dos nossos problemas. Sendo uma fase que nos permite «crescer» interiormente, se tivermos a experiência de vida e a sabedoria de nos recolocar no caminho certo, com ou sem ajuda de outrém, acordaremos um dia e veremos que a realidade, apesar de permanecer inalterada, é aquela que realmente desejamos e temos de enfrentar.
Quantas vezes nos deixamos abater pelas circunstâncias que nos parecem catastróficas e das quais achamos que não conseguimos sair?
Relativizar os problemas e criar prioridades, bem como distinguir o essencial do acessório, serão, provavelmente, os mecanismos ao nosso alcance que nos desvendam os mistérios da nossa existência.
Quando nos orientamos pela ambição de tudo querer num dado momento, aumentamos, na mesma proporção, o risco de tudo perder. Encontrar o equilíbrio e a estabilidade emocional pode resultar de um longo, mas necessário, sofrimento interior, pois, só assim se aprende a dar valor às pessoas ou às oportunidades que surgem na nossa vida.



Irene Ermida

Estamos sempre a aprender!


Vagueando pela rede de conhecimento que a internet nos oferece, aprendi hoje que o «cretinismo» é uma patologia! Convencida que estava que um «cretino» não passava de um indivíduo dotado de imbecilidade e de estupidez, foi com surpresa que me deparei com este novo facto.
Lidar diariamente com «cretinos» não é tarefa fácil e deixa-nos poucas alternativas: ou agimos com a indiferença proporcional ao grau, ou tentamos «salvar» esse intelecto do naufrágio iminente ou, simplesmente, acreditamos que existem como contraponto dos «inteligentes».
Tratando-se de «debilidade mental» ligada a doença, a solução talvez passe por encaminhar o caso para um especialista e esperar que o nosso contributo tenha consequências positivas na história da humanidade!

Façam o favor de sorrir...

Irene Ermida

20/05/2008

incursões medievais


Foto: Günter Griesmayr
na minha torre de menagem
sonhava defesas indestrutíveis

no meu abrigo fortificado
entre ameias e muralhas
sonhava solidões e indiferenças

inventei valas e fossos
construí pontes levadiças

envolta numa armadura de opaco nevoeiro
sobrevivi a batalhas e esquivei-me a flechas
resisti até aos limites da força

e... num minuto, fui cercada pelo luar
e as estrelas segredaram-me palavras...
soltas e demolidoras
que me catapultaram para fora de mim

desferem-me golpes e resisto...

afinal onde está a lua? - pergunto às estrelas


Irene Ermida

23/04/2008

sem título

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Há instantes que nos surpreendem pela evidência da mutabilidade e pela consciência de que a nossa vida se constrói na incessante passagem de etapas da vida dos outros.

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Irene Ermida

21/04/2008

Vidas à espera da morte



Site oficial

Poderia dissertar sobre os actores, a fotografia, a música, o guião... Mas nada disso faria sentido!

A dialéctica vida / morte é lugar comum em discussões, à mesa do café, pela noite dentro, quando a crise existencial nos bate à porta, sobretudo quando ainda jovens, não entendemos a razão pela qual a vida nos obriga a morrer. À luz de doutrinas filosóficas, de cariz mais existencialista ou mais teológico, discute-se o sentido, ou falta dele, de ambas, procuramos respostas para justificar, afinal, a certeza mais infalível que todos temos desde que vimos ao mundo!

A nossa visão da vida condiciona a aceitação ou a negação da nossa morte.
Há os que defendem a teoria do «consumismo» do tempo e vivem cada dia com a convicção de não acordar no seguinte!
Há os que defendem o «adiamento» da vida como se fossem donos do tempo!
Há os que injectam doses de trabalho nas horas para lhes sugar o tutano!
Há os que vivem alucinados pelo medo da morte!
Há os que vivem moribundos adiando um amor!
Há os que existem aprisionados ao passado!

Arrisco dizer que poucos são os que saboreiam a vida com serenidade e aceitam a morte com naturalidade!

Quando saí do cinema, ocorreu-me também escrever uma lista de coisas que quero ainda fazer: viajar na montanha russa, dar uma volta no carrossel, caminhar na praia sob a chuva, apreciar o nascer do sol, fazer um piquenique, rever o álbum de fotografias de família...

Mas dei comigo a pensar que, afinal, a vida, assim como a morte, são imprevisíveis!

14/04/2008

Interstício

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Existo no intervalo entre a tua chegada e a tua partida

na forma de me sentir mais eu junto a ti

nos braços que me rodeiam e me evaporam no vácuo

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Mensagens que dançam no silêncio do olhar

no espaço de um mundo renovado

em que a nossa trajectória ocupa o centro do universo

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O resto desvanece-se em sombras invertidas no espelho

de uma virtualidade oca e intrusa

à margem da nossa cumplicidade que sustém as lacunas

entre a tua partida e a tua chegada.

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Irene Ermida

08/04/2008

No cinema... sem pipocas!



Um filme que alia a simplicidade da vida e a complexidade interior do ser humano perante as circunstâncias que permanecem para além da sua vontade.
O crescimento interior do ser humano em contraponto com a cronologia dos acontecimentos extrínsecos.
Um Irão desmistificado pelos olhos de uma criança/adolescente/mulher que aprende com a avó o significado de «integridade».



Uma curiosidade: o filme foi proibido no Líbano.

Um outro olhar sobre este filme no «Charlas»

02/04/2008

Afluente


Foto: Rio Corgo, 03/04/2008


Sou um afluente que desagua em rio nenhum
numa viagem atribulada pelas margens da existência

a jusante de investidas impróprias e rutilantes
que desaguam numa foz inverosímil

Adormeço no leito de águas turvas, serenas

saboreando a essência da nascente
longínqua e consistente


Acordo na queda de águas revoltas e possantes
que me fixam no caudal que flui através de mim

Irene Ermida