29/10/2008

Hemisfério(s) 1

Foto: José Meneses http://olhares.aeiou.pt/


cerebral

esquerdo a sul acidental

direito a norte oriental


hemisférios sem meridiano

cruzam-se na linha curva que une pontos

de partida e de chegada

do princípio de nada ao fim de tudo

numa recta contínua

de um plano imprevisível

de um espaço excessivo

preenchido de vazios tão cheios...

Irene Ermida




28/10/2008

Segmento(s) 3


Foto de Nélio Filipe http://olhares.aeiou.pt/
.
páginas divididas em partes iguais sem rótulos nem verdades adormecidas em veredas singulares percorridas por existências similares e anódinas na permanência agrilhoada num tempo seco e trivial inquantificável e imenso interrompido por um luar dominado pela noite enevoada de ruídos inexplicáveis projectados ostensivamente no delito cometido sem pudor preconizado por entidades feéricas que dançam sob a chuva que atrai gotas minúsculas que se unem numa trajectória de queda no cume de montanhas inatingíveis
 
Irene Ermida



26/10/2008

Segmento(s) 2


Foto de Nélio Filipe http://olhares.aeiou.pt/
.
recortes e colagens transparentes de vontades presas em celas espelhadas de ouro prateado de portas abertas para a rua de cima que espreita o mar extenso de sal e de azul efémero e habitado de seres minúsculos que volteiam as ondas que perpetuam o ciclo infindável de sonhos derretidos na boca sem idade no limite de um sabor adocicado de mel sem dor à mistura e com olhares cruzados no horizonte que antevê a cumplicidade de gestos e de sentidos

Irene Ermida



Segmento(s) 1

Foto de Nélio Filipe http://olhares.aeiou.pt/



desfile de imagens subtis serpenteiam pelo olhar cego a traços nítidos impressos em letras desenhadas com mão firme guiada por um fio de seda envolvente embrenhado em ideias condensadas que chovem na madrugada ventilada e fresca surpreendida pelo sol acordado à pressa e esfrega os olhos ainda dormentes dos sonhos inconsistentes que projectaram raios de luz frágeis e apagados em qualquer rosto embriagado de um sentir imerso num dizer do silêncio

Irene Ermida



25/10/2008



Música: Enya - Watermark

24/10/2008

Registo(s) 3

Foto de Maria Catunto http://olhares.aeiou.pt/

um registo gravado em rocha metamórfica que se dilui na transparência do vento que sopra a uma velocidade estonteante poupando incólume a escritura bíblica de um qualquer episódio passado decidido na voracidade do tempo medido em segundos sem escala contínua de uma unidade transfigurada em espectros volúveis de sons propagados no universo ínfimo e de luzes extintas no espaço habitado por oceanos de águas salinas inodoras e sem gosto nem odor

Irene Ermida

Registo(s) 2

Foto de Ingrid http://olhares.aeiou.pt/


silhueta derramada na sombra de um tronco imponente inclinado no cima da serra onde o sol descansa nas ínfimas ervas daninhas e não sem sono perturbado ou tranquilo semeado de sonhos diletantes e ingénuos com vaidades ocultas entre as folhas das árvores secas e centenárias que abrigam segredos eternos sem princípio e sem fim numa continuidade impermeável a qualquer contingência temporal ou erupção de vulcões (porque não?) de lava desenhados a preto e branco ausentes de cor e de calor

Irene Ermida

23/10/2008

Registo(s)1



Foto de Ingrid http://olhares.aeiou.pt/





carta redigida em papel de lustro guardado na gaveta das memórias distraídas inclusas e ociosas o branco ressalta no fundo azul turquesa de madrepérolas e jóias obtusas e fora de moda as palavras circuncidadas emergem perenes e alheadas enredadas num qualquer envelope agridoce criado no mofo de qualquer livro lido e esquecido deixado no canto de uma estante arrumada no sótão das quimeras por onde divaga a vontade de ter sido e tornada não ser de um destinatário sem remetente nem morada registada na agenda amarelecida e bolorenta que dança em qualquer pacote sem embrulho desfeito desde o dia em que foi oferecido e esquecido em qualquer caixa postal


Irene Ermida




..........................................
.................existo num gesto.......................
..........................numa gota......................
...............numa nuvem.....................................
num registo.....................................
...................................



15/06/2008



Imagem da autoria de adesenhar que pode ver também em Cartoons 3D .

11/06/2008

Perlexidades


? ? ?

Sexo e a cidade



Para terminar as minhas férias em beleza, lá fui ver o filme, com as minhas amigas.

O meu cérebro estabeleceu uma subliminar associação com um dos melhores filmes de Woody Allen "A Rosa Púrpura do Cairo", cuja actriz principal, interpretada por Mia Farrow, é surpreendida pelo actor que sai do écrã e a introduz na tela, desenvolvendo um jogo entre fantasia e realidade.

A realidade exposta pelo quarteto inseparável destas mulheres procurando o amor, cada uma à sua maneira, despertou em mim uma sensação de desengano.
A vida, se fosse cinema, seria, sem dúvida, bem melhor, pois, pelo menos, haveria a certeza de que, no fim, tudo acabaria bem.

Hoje, caí na realidade, quando tocou o despertador às 7h30 e me preparei para recomeçar a minha actividade (que se adivinha intensa!).
E lá fui de boleia, já que na «realidade», o meu carro está há uns dias na oficina!

10/06/2008

Já ninguém se lembra de Camões?

«Qual Ioga, qual nada! A melhor ginástica respiratória que existe é a leitura, em voz alta, dos Lusíadas.»

Mário Quintana

E se quiserem treinar e não tiverem a obra à mão (o que é imperdoável) aqui vai um endereço.

Recomendo a (re)leitura das estrofes 120 - 134, do Canto III

09/06/2008

(se)mentes




Foto: Oleg Lobachev
(mal)tratei fracturas do teu ser
pela noite espa(e)lhadas
preenchi lacunas con(re)sumidas no tempo
e enfeitei (des)providas madrugadas
(des)ocupei camas e mesas fendidas
aclarei manchas (des)povoadas
esvaziei sentidos (in)quietos
destituí palavras a(du)lteradas


Irene Ermida

Ora toma lá!



José Eduardo Moniz "Nunca tomarei decisões apenas porque determinada funcionária é minha mulher. (...) A Manela tem méritos próprios, que não precisam do marido para nada."
José Eduardo Moniz, director-geral da TVI, comentando o regresso de Manuela Moura Guedes aos ecrãs da estação, in "Notícias TV".


Fonte: http://fama.sapo.pt/

Para quem não sabia, fica a saber!
Que más línguas, que coisa!
Fiquei muito mais feliz por ser assim!
Ai que não caibo em mim de contente!

Malha caída



Foto: Google (alterada)
Entrelaçava o fio vermelho concentrada nos seus botões. As agulhas dançavam ao ritmo da música. Para trás ficava um pedaço de camisola que nunca iria usar. A textura suave e elástica hipnotizavam os sentidos adormecidos.
Fazia tricô e deixou cair uma malha.
E agora?

Irene Ermida

Negaçao do nada


Foto: Narcis Virgiliu

não me embalo na robustez do vento

não trilho veredas de nuvens informes

não me seco no instante fugaz do vazio

não navego na vacilante onda de espuma

não cresço em agrestes jardins sem raízes

não me afogo em inconstantes marés cheias

não me alimento da efémera torrente do vulcão

não estremeço no fluxo contínuo do volúvel

não combato inexistentes espectros de luz

não me resigno a inquietos ímpetos de fé

não derivo na intranquila corrente do rio

não flutuo em lagos de verdes pântanos

não, não me sinto nos outros sem mim

Irene Ermida

07/06/2008

Iniciativa audaz

Enquanto milhões de olhares se fixam no quadrado mágico para ver quem primeiro mete a bola na baliza do adversário, ouvi num outro canal de TV, a notícia de que em Portugal nenhuma cidade aderiu à 5ª Manifestação Ciclonudista Mundial que teve hoje lugar em várias cidades do mundo.

Dada a singularidade do evento, decidi pesquisar mais alguma informação, visto que não será nada fácil pedalar em tão nu estado e, acima de tudo, causou-me estranheza a ausência desta iniciativa em Portugal, já que, noutras, estamos sempre solícitos a participar.
Estando nós em crise, seria sempre uma boa alternativa!
Em vez de invejarmos a peça de roupa ou o automóvel da marca, passaríamos a comentar as mamas, mais ou menos descaídas, das mulheres, ou o tamanho do pénis, maior ou menor, dos homens...
Pensando bem, o «sexo» passaria a ser o tema central das conversas diárias e tornar-se-ia tão banal que, ao fim de algum tempo, os conceitos e valores estariam completamente alterados!
As vantagens seriam inúmeras: os atropelamentos seriam reduzidos e menos graves, os combustíveis eram dispensáveis, os benefícios para a saúde seriam evidentes, a poluição diminuiria drasticamente, diminuiriam as desigualdades sociais, aumentaria a natalidade e a paisagem seria francamente mais aprazível.
Bem, não aderimos desta vez mas, aos poucos. lá chegaremos, pois com o actual estado de coisas, o nosso país vai ser o primeiro a dar o exemplo aderindo massivamente!


Foto retirada da net, ao acaso (nem todos(as) apreciarão a escolha, paciência...)

Pelos gritos de «goooooooolo» que ouvi há pouco, deduzo que Portugal esteja a ganhar... ainda bem que há quem não perca tempo com «iniciativas» destas e aproveite bem o seu tempo!

E para quem gostar de MPB



No próximo dia 14 de Junho, às 22h00, no Auditório Exterior do Teatro de Vila Real.
E este sim, é acessível a todos...
Espero que a noite esteja quente!

Bailado no programa de sexta à noite...

Graças à política de fidelização dos espectadores adoptada pelo Teatro de Vila Real, que consiste em oferecer bilhetes de vez em quando, a quem está inscrito na sua base de dados, tive hoje a oportunidade de assistir a este espectáculo. Aprecio a arte nas suas diferentes formas. Não entendo as técnicas mas os sentidos reagem positiva ou negativamente aos estímulos e isso para mim é que é importante.
Não foi o primeiro bailado a que assisti, evidentemente. Ainda bem que venci os últimos instantes de hesitação. Assim, as três partes “LES SYLPHIDES”, de Mikhail Fokine, “LENTO PARA QUARTETO DE CORDAS”, de Vasco Wellenkamp e “FRONT LINE”, de Henri Oguike corresponderam a três momentos de prazer, embora se tratasse de coreografias completamente diferentes.
Da leveza dos movimentos à intensidade dos ritmos, tudo se passou no palco, ao som de composições musicais envolventes.

A cultura deveria ser acessível a todos... (não acham?)