01/07/2009

despertar 1

um despertar lento de volúpia
beijos que se entrelaçam
no calor dos corpos e dos lábios
quero-te
livre, como uma águia

que bebe o ar quente
e a água fresca


quero ser a tua nascente.
Irene Ermida

27/06/2009

«O canto do Marquês»


Escrever, para uns, é uma arte, para outros, apenas uma ferramenta de comunicação imediata. Cada vez há mais escritores, cada vez há menos quem escreva «bem». Por isso, foi com grande satisfação que descobri este blogue http://www.ricardomarques.pt.vc/ !!!
Reparem na idade do autor e digam lá que não é uma maravilha ler «alguém» assim!

20/06/2009

num compasso de espera, vou alterando os tons...

27/05/2009

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O cinzento que dominava o fundo deste blogue deu lugar a um tom rosa claro...
Que quererá isto dizer?!
Estou a regredir no tempo e a voltar à infância?!
Ainda vou mudar a foto!
Espero que gostem do novo visual!
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21/05/2009

Na bruma 3

...


Impregnada de neblinas

absorvo a humidade quente

que paira na minha madrugada

de acordares sem sal

na tranquilidade dos mares


devoro as nuvens

na liberdade de quem sou

em cada momento

aspiro o orvalho

e reclamo luz na sombra

de quem sorri.
Irene Ermida

08/05/2009

Na bruma 2

...

Antevejo formas lunares

de um eclipse sideral

numa órbita imaginária

de sentidos e odores


Não distingo o volume

atreito a rumos e,

numa trajectória repentina,

afasto a neblina

que me inflama a retina

numa percepção clara

da unidade absoluta.

Vocalizo a tua presença

num efémero murmúrio

da voz do silêncio.
Irene Ermida

06/05/2009

Na bruma 1




Obrigada TCA pela ilustração deste poema.



abraço a bruma

de uma aurora que tarda

nos lábios de quem não diz

nada nem ninguém



numa espera silenciosa

respiro o futuro

com a incerta certeza

do amanhã adiado,


que virá envolvido

na ténue imagem de ti.
Irene Ermida

26/04/2009

Una palabra, Carlos Varela



Una palabra no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
igual que el viento que esconde el agua
como las flores que esconde el lodo.
Una mirada no dice nada
y al mismo tiempo lo dice todo
como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro.
Una verdad no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
como una hoguera que no se apaga
como una piedra que nace polvo.
Si un dia me faltas no sere nada
y al mismo tiempo lo sere todo
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo,
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo

20/04/2009

Imprevisto(s) 3

ferida no traço de um corpo

que se adivinha no meu olhar

inerte permaneço

no seio de línguas frenéticas

tão cheias de vazios

que secamente se dilatam

em manifestos sibilinos


respiram lufadas bafientas

que não me embriagam

dessa luz anímica


e num suspiro de ironia

recolho a suavidade

de cores e sons
Irene Ermida

21/03/2009

Imprevisto(s) 2

oculto-me na linha de um sorriso

que insistente desabrocha nos meus lábios

de cores desmaiadas pelo espelho

que nada me diz

no silêncio áureo

da catedral de sonhos barrocos


dos meus gestos maquinais

surge um esboço do mundo

incandescente e fugaz


e num apetite de palavras

cruzo promessas laminadas

por um rio azul
Irene Ermida



05/03/2009

Imprevisto(s) 1


estranho-me no véu de minúsculas

que em vão cobre o meu nome

não me sinto ali no papel

nem me vejo mulher

na translúcida passagem

por lugares distantes das minhas mãos



dos meus olhares vazios

nasce a vontade de encher o mar

de estrelas e de cavalos



num galope desenfreado

retenho uma imagem opaca

da ínfima realidade que sou

Irene Ermida



23/02/2009

Imagem: google

soprava a pena

contra o vendaval

tecido entre a bruma

de nevoeiro nenhum

(cansada)

foi pousar no mar

que a (en)levou

para longe do olhar
Irene Ermida



13/02/2009

é um faz-de-conta
que se atravessa no oásis
de um tudo-ou-nada

maravilha-mulher
de melancolia feita

perdida na multidão
impessoal e anódina
emitente de razões
inexistentes
Irene Ermida



11/02/2009

foi um segundo
(sem ser o primeiro)
numa eternidade
de olhares
de palavras
de gestos
de silêncios
sem tempos marcados
sem memórias
sem voz

26/01/2009

Deixei atrás os erros do que fui

Deixei atrás os erros do que fui,
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exacto nem feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.

Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua.



Poesias Inéditas (1930-1935)
Fernando Pessoa
As palavras de Pessoa impressionam pela simplicidade com que exprime a vida!

30/12/2008

Imprecisão 3

FOTO: Pedro Noel da Luz http://olhares.aeiou.pt/


uma misteriosa inquietação

constrói uma consciência impávida
que surge na escuridão de uma manhã

impávida fragmentada ameaçadora

resisto à luz gradual que me cega

e à minha volta espalho pétalas de medo

sabia onde parar?

do fundo retirei os raios de água

que escorriam pelo rosto imóvel

em momentos de hesitação inexistente

sem notas musicais impossíveis

rodo os ponteiros do relógio

e reencontro-me, submersa,

na margem de um rio febrilmente seco
Irene Ermida



Imprecisão 2

FOTO: Pedro Noel da Luz http://olhares.aeiou.pt/




vem aos lábios a letra indistinguível

de difusas canções familiares

um átrio atravessado por um denso nevoeiro


exala aromas de infinitas memórias

de uma infância encadernada de verde

pressenti a indiferença e folheei as fantasias


emersas do gelo inquebrável

que, envolvido em doce nostalgia,

se derretia nas minhas mãos

escorreguei pela vereda das imagens insólitas


e parti, num dia claro,

em viagem

Irene Ermida



21/12/2008

Imprecisão 1


FOTO: Pedro Noel da Luz http://olhares.aeiou.pt/

não arrisco adivinhas nem magias

palavras dormentes acordam o regresso

ao canto esquecido de um quarto

na traseira soalheira da casa invisível

aperto a sombra contra mim

e o calor do relâmpago espreita com olhos de poeira

o segredo que durante milénios ousou feitiços

tropecei na aventura informe e abriu-se o alçapão

pendurei o calendário dos anos seguintes

e as memórias expiraram

num poema

Irene Ermida