SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
19/12/2009
13/12/2009
Uma noite quente
O frio não esmoreceu a vontade de interromper a rotina da semana e deleitar-me com os sons da Old Blind Mole Orkestra que acabou por ser uma lufada de ar quente numa noite gelada! O humor e a voz do vocalista Stelele e a versatilidade dos instrumentos e da música (uma mistura de jazz e swing, em pop boémio, em folk e gipsy ou música dos Balcãs) foram um bom motivo para retomar o entusiasmo e a energia para mais uma semana de luta.
06/12/2009
Leituras...

«Na manhã seguinte, está sentado à secretária manca com uma caneta na mão, examina um poema recente e sente-se cada vez mais desencantado com o que escreveu, pergunta-se o que será melhor: seguir em frente com o poema, arrumar o manuscrito para posterior reflexão, ou muito simplesmente atirá-lo para o cesto do lixo. Ergue a cabeça paea espreitar pela janela: cinzento e nublado, uma montanha de nuvens avoluma-se a oeste, mais uma mudança no sempre mutável céu de Paris. Agrada-lhe a obscuridade que inunda o quarto - uma obscuridade reconfortante, por assim dizer, uma obscuridade amistosa, uma obscuridade com que uma pessoa poderia conversar horas a fio.»
Um livro inquietante e imprevisível ao estilo de Paul Auster. Mas este «Invisível» ultrapassa as expectativas a que já nos habituou. Uma história caleidoscópica que prende o leitor aos pormenores e a uma escrita que viaja no tempo e espaço.

« - Quando alguém procura - respondeu Siddhartha - pode acontecer que os seus olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre, porque ele pensa sempre apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos.(...)»
Uma viagem pela espiritualidade do ser humano que nos recolhe em nós próprios, por sensações esquecidas e nos revela o fluir da vida.
Um livro que não pode ser lido e arrumado na prateleira!

«Ele era um homem de fé. A fé elevava-o, proporcionava-lhe altura, transportava-o para fora do tempo. E justamente no momento em que, com mais fervor, pedia ajuda, os seus olhos cruzaram-se com os de Malinalli e uma faísca maternal uniu-os num mesmo desejo.Malinalli sentiu que aquele homem a podia proteger; Cortés, que aquela mulher o podia ajudar como só uma mãe o conseguia fazer: incondicionalmente.»
Uma história de amor entre Hernán Cortés, um dos mais importantes conquistadores espanhóis e a índia Malinalli, sua intérprete, atenua, por um lado, os acontecimentos cruéis ligados à conquista do México e, por outro, realça a riqueza da cultura indígena.
Uma leitura que nos leva a pensar na imperfeição do Homem, que tanto é capaz de crueldades extremas, como de infinita benevolência.

«Doeram-me as palavras dele como se a vida estivesse espetada no meu corpo e, para crescer, eu tivesse que desencravar essa farpa.»
«Em Jesusalém, o que mais me impressionou, desde logo, foi a ausência de electricidade. Nunca antes tinha sentido a noite, nunca tinha sido abraçada pelo escuro, abraçada por dentro até eu mesma ser escuro.»
«Regressados à cozinha, um impulso me atirou de encontro ao peito do meu irmão. abracei-o, por fim. E o abraço durou todo o tempo da sua ausência.»
A magia da escrita de Mia Couto em todo o seu esplendor!
Expressões de uma beleza e expressividade surpreendentes, é o que podemos descobrir neste livro, que me foi oferecido pelo meu filho, com a particularidade de estar autografado pelo próprio autor! Até hoje, sem dúvida, a melhor prenda de aniversário!
28/10/2009
... e permaneço
risco no cetim diademas e pulseiras
obras de arte rudes e inocentes
que adornam os voláteis anéis de vento
encaracolados
combino planos inclinados e traço gotas de água
enredadas em forma nenhuma
distraída de mim
modelo sombras num mistério ignorado
cansado
entristecido
rasgo o pano imaculado
e viro as trevas do avesso
num gesto ferido!
obras de arte rudes e inocentes
que adornam os voláteis anéis de vento
encaracolados
combino planos inclinados e traço gotas de água
enredadas em forma nenhuma
distraída de mim
modelo sombras num mistério ignorado
cansado
entristecido
rasgo o pano imaculado
e viro as trevas do avesso
num gesto ferido!
Irene Ermida
24/10/2009
... não sou
nasci na nuvem que atravessa o deserto
e voo nas secretas asas de mim
num dia sem horas marcadas
numa palavra distinta
separo a chuva, gota a gota,
escrita nas mãos
que verbo sou na folhagem pintada
no mural de vultos e silêncios?
e voo nas secretas asas de mim
num dia sem horas marcadas
numa palavra distinta
separo a chuva, gota a gota,
escrita nas mãos
que verbo sou na folhagem pintada
no mural de vultos e silêncios?
Irene Ermida
enquanto sou...
e porque se cala o vento?
de onde vem esse sussurro que abafa a voz?
sem tempo, nem dó?
não há sol no meu olhar,
e vejo a luz que se acende na minha boca
e abraço a sombra do meu corpo
numa forma que não é
procuro o sopro adiado que vem de longe
entre quimeras e perguntas
perdidas nas águas vermelhas do rio
e não há céu
e não há voz
de onde vem esse sussurro que abafa a voz?
sem tempo, nem dó?
não há sol no meu olhar,
e vejo a luz que se acende na minha boca
e abraço a sombra do meu corpo
numa forma que não é
procuro o sopro adiado que vem de longe
entre quimeras e perguntas
perdidas nas águas vermelhas do rio
e não há céu
e não há voz
Irene Ermida
15/10/2009
12/10/2009
08/09/2009
Viagem
A capacidade de viajar ultrapassa largamente as limitações geográficas e económicas.
Viajar é abrir portas e janelas e deixar entrar a luz e o vento, sensações e pensamentos.
Uma viagem pode ser um livro, um filme, uma conversa, uma atitude, um sonho, um devaneio...
É, no fundo, uma questão de sobrevivência e um modo de estar na vida. É a essência e a alteridade. É desembrulhar arquétipos e escavar túneis. É desobstruir canais e construir pontes. É riscar preconceitos e percorrer estradas.
Não interessa o meio, o local, o tempo... viajar, é fundamental.
31/07/2009
Luz(es) 3
Luz(es) 2

e saio de mim pelo rio
que nasceu floresta no mar
sem extensão, sem espaço
imagem que me afasta e me aproxima
do centro, tímido e húmido, informe
sem perdão,
caminho entre as vozes
de silêncios
quem murmura palavras
atrás da cortina secreta
sonha-me inteira
atrás da cortina secreta
sonha-me inteira
e não sou eu que mudo o som
que não se ouve
que não se ouve
Irene Ermida
Luz(es) 1

não há vento que me abale
nem dia, nem noite
que me atordoe
nasci árvore num continente
que podia ser africano ou asiático
ou nenhum deles, ou todos num só
é uma terra sem luz, sem rio
sem vazio
surda, ouço a cor do som
que me pinta num quadro
onde o verde é azul
que me pinta num quadro
onde o verde é azul
e a água cega o olhar de quem não vê.
Irene Ermida
23/07/2009
Mágoas
e a propósito de nada
e o cordão umbilical
a meio do calor da tarde
lanças o perfume relesde uma natureza rude e incisiva
que esquece a dor do parto
e o cordão umbilical
que fez de ti mãe
dissolve-se na amargura
e na mágoa das palavrascontundentes e injustas
Irene Ermida
02/07/2009
despertar 3
saio do sono montada
numa estrela cadente
já não é noite nem dia
és tu, sou eu
sem limites de horas
nem de fronteiras
não há cercas nem grades
há uma vontade de te querer.
numa estrela cadente
já não é noite nem dia
és tu, sou eu
sem limites de horas
nem de fronteiras
não há cercas nem grades
há uma vontade de te querer.
Irene Ermida
despertar 2
um beijo que me arrasta
pelos lençóis da ternura
acorda a minha existência
em labaredas galopantes
que me consomem
até deixar o rasto de um sorriso
travesso e penetrante
bom dia, meu amor.
pelos lençóis da ternura
acorda a minha existência
em labaredas galopantes
que me consomem
até deixar o rasto de um sorriso
travesso e penetrante
bom dia, meu amor.
Irene Ermida
01/07/2009
despertar 1
um despertar lento de volúpia
beijos que se entrelaçam
no calor dos corpos e dos lábios
quero-te
livre, como uma águia
que bebe o ar quente
e a água fresca
quero ser a tua nascente.
beijos que se entrelaçam
no calor dos corpos e dos lábios
quero-te
livre, como uma águia
que bebe o ar quente
e a água fresca
quero ser a tua nascente.
Irene Ermida
27/06/2009
«O canto do Marquês»
Escrever, para uns, é uma arte, para outros, apenas uma ferramenta de comunicação imediata. Cada vez há mais escritores, cada vez há menos quem escreva «bem». Por isso, foi com grande satisfação que descobri este blogue http://www.ricardomarques.pt.vc/ !!!
Reparem na idade do autor e digam lá que não é uma maravilha ler «alguém» assim!
20/06/2009
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