SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
28/12/2009
24/12/2009
Fingimento
sem significado e sem ser santo
mais um dia em que fingimos que nos preocupamos
em que trocamos presentes comprados à pressa entre sorrisos atabalhoados
e acreditamos nos sonhos das crianças
que já nem sonham
perpetua-se a tradição da ceia que acaba com urgência
por ausência das palavras imposta pela distância
ao longo dos meses
e vêm à lembrança os que ignorámos e esquecemos
fingimos tão completamente
que chega a ser verdade
a verdade que deveras é...
Irene Ermida
Pensamentos
“Os Educadores lutam pelo sonho, de tornar os alunos felizes, saudáveis e sábios.
Por isso cultivam os terrenos mais difíceis de serem trabalhados; os da Inteligência e da Emoção.
Esta é uma tarefa heróica, mas estes ensinamentos não se destinam a heróis.
Destinam-se a seres humanos falíveis (como todos somos) que sabem que educar é realizar a mais bela e complexa arte da inteligência; é acreditar na vida, mesmo nos momentos menos alegres; é ter esperança no futuro, mesmo que o presente nos desiluda…”
Auguste Cury
19/12/2009
13/12/2009
Uma noite quente
O frio não esmoreceu a vontade de interromper a rotina da semana e deleitar-me com os sons da Old Blind Mole Orkestra que acabou por ser uma lufada de ar quente numa noite gelada! O humor e a voz do vocalista Stelele e a versatilidade dos instrumentos e da música (uma mistura de jazz e swing, em pop boémio, em folk e gipsy ou música dos Balcãs) foram um bom motivo para retomar o entusiasmo e a energia para mais uma semana de luta.
06/12/2009
Leituras...

«Na manhã seguinte, está sentado à secretária manca com uma caneta na mão, examina um poema recente e sente-se cada vez mais desencantado com o que escreveu, pergunta-se o que será melhor: seguir em frente com o poema, arrumar o manuscrito para posterior reflexão, ou muito simplesmente atirá-lo para o cesto do lixo. Ergue a cabeça paea espreitar pela janela: cinzento e nublado, uma montanha de nuvens avoluma-se a oeste, mais uma mudança no sempre mutável céu de Paris. Agrada-lhe a obscuridade que inunda o quarto - uma obscuridade reconfortante, por assim dizer, uma obscuridade amistosa, uma obscuridade com que uma pessoa poderia conversar horas a fio.»
Um livro inquietante e imprevisível ao estilo de Paul Auster. Mas este «Invisível» ultrapassa as expectativas a que já nos habituou. Uma história caleidoscópica que prende o leitor aos pormenores e a uma escrita que viaja no tempo e espaço.

« - Quando alguém procura - respondeu Siddhartha - pode acontecer que os seus olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre, porque ele pensa sempre apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos.(...)»
Uma viagem pela espiritualidade do ser humano que nos recolhe em nós próprios, por sensações esquecidas e nos revela o fluir da vida.
Um livro que não pode ser lido e arrumado na prateleira!

«Ele era um homem de fé. A fé elevava-o, proporcionava-lhe altura, transportava-o para fora do tempo. E justamente no momento em que, com mais fervor, pedia ajuda, os seus olhos cruzaram-se com os de Malinalli e uma faísca maternal uniu-os num mesmo desejo.Malinalli sentiu que aquele homem a podia proteger; Cortés, que aquela mulher o podia ajudar como só uma mãe o conseguia fazer: incondicionalmente.»
Uma história de amor entre Hernán Cortés, um dos mais importantes conquistadores espanhóis e a índia Malinalli, sua intérprete, atenua, por um lado, os acontecimentos cruéis ligados à conquista do México e, por outro, realça a riqueza da cultura indígena.
Uma leitura que nos leva a pensar na imperfeição do Homem, que tanto é capaz de crueldades extremas, como de infinita benevolência.

«Doeram-me as palavras dele como se a vida estivesse espetada no meu corpo e, para crescer, eu tivesse que desencravar essa farpa.»
«Em Jesusalém, o que mais me impressionou, desde logo, foi a ausência de electricidade. Nunca antes tinha sentido a noite, nunca tinha sido abraçada pelo escuro, abraçada por dentro até eu mesma ser escuro.»
«Regressados à cozinha, um impulso me atirou de encontro ao peito do meu irmão. abracei-o, por fim. E o abraço durou todo o tempo da sua ausência.»
A magia da escrita de Mia Couto em todo o seu esplendor!
Expressões de uma beleza e expressividade surpreendentes, é o que podemos descobrir neste livro, que me foi oferecido pelo meu filho, com a particularidade de estar autografado pelo próprio autor! Até hoje, sem dúvida, a melhor prenda de aniversário!
28/10/2009
... e permaneço
risco no cetim diademas e pulseiras
obras de arte rudes e inocentes
que adornam os voláteis anéis de vento
encaracolados
combino planos inclinados e traço gotas de água
enredadas em forma nenhuma
distraída de mim
modelo sombras num mistério ignorado
cansado
entristecido
rasgo o pano imaculado
e viro as trevas do avesso
num gesto ferido!
obras de arte rudes e inocentes
que adornam os voláteis anéis de vento
encaracolados
combino planos inclinados e traço gotas de água
enredadas em forma nenhuma
distraída de mim
modelo sombras num mistério ignorado
cansado
entristecido
rasgo o pano imaculado
e viro as trevas do avesso
num gesto ferido!
Irene Ermida
24/10/2009
... não sou
nasci na nuvem que atravessa o deserto
e voo nas secretas asas de mim
num dia sem horas marcadas
numa palavra distinta
separo a chuva, gota a gota,
escrita nas mãos
que verbo sou na folhagem pintada
no mural de vultos e silêncios?
e voo nas secretas asas de mim
num dia sem horas marcadas
numa palavra distinta
separo a chuva, gota a gota,
escrita nas mãos
que verbo sou na folhagem pintada
no mural de vultos e silêncios?
Irene Ermida
enquanto sou...
e porque se cala o vento?
de onde vem esse sussurro que abafa a voz?
sem tempo, nem dó?
não há sol no meu olhar,
e vejo a luz que se acende na minha boca
e abraço a sombra do meu corpo
numa forma que não é
procuro o sopro adiado que vem de longe
entre quimeras e perguntas
perdidas nas águas vermelhas do rio
e não há céu
e não há voz
de onde vem esse sussurro que abafa a voz?
sem tempo, nem dó?
não há sol no meu olhar,
e vejo a luz que se acende na minha boca
e abraço a sombra do meu corpo
numa forma que não é
procuro o sopro adiado que vem de longe
entre quimeras e perguntas
perdidas nas águas vermelhas do rio
e não há céu
e não há voz
Irene Ermida
15/10/2009
12/10/2009
08/09/2009
Viagem
A capacidade de viajar ultrapassa largamente as limitações geográficas e económicas.
Viajar é abrir portas e janelas e deixar entrar a luz e o vento, sensações e pensamentos.
Uma viagem pode ser um livro, um filme, uma conversa, uma atitude, um sonho, um devaneio...
É, no fundo, uma questão de sobrevivência e um modo de estar na vida. É a essência e a alteridade. É desembrulhar arquétipos e escavar túneis. É desobstruir canais e construir pontes. É riscar preconceitos e percorrer estradas.
Não interessa o meio, o local, o tempo... viajar, é fundamental.
31/07/2009
Luz(es) 3
Luz(es) 2

e saio de mim pelo rio
que nasceu floresta no mar
sem extensão, sem espaço
imagem que me afasta e me aproxima
do centro, tímido e húmido, informe
sem perdão,
caminho entre as vozes
de silêncios
quem murmura palavras
atrás da cortina secreta
sonha-me inteira
atrás da cortina secreta
sonha-me inteira
e não sou eu que mudo o som
que não se ouve
que não se ouve
Irene Ermida
Luz(es) 1

não há vento que me abale
nem dia, nem noite
que me atordoe
nasci árvore num continente
que podia ser africano ou asiático
ou nenhum deles, ou todos num só
é uma terra sem luz, sem rio
sem vazio
surda, ouço a cor do som
que me pinta num quadro
onde o verde é azul
que me pinta num quadro
onde o verde é azul
e a água cega o olhar de quem não vê.
Irene Ermida
23/07/2009
Mágoas
e a propósito de nada
e o cordão umbilical
a meio do calor da tarde
lanças o perfume relesde uma natureza rude e incisiva
que esquece a dor do parto
e o cordão umbilical
que fez de ti mãe
dissolve-se na amargura
e na mágoa das palavrascontundentes e injustas
Irene Ermida
02/07/2009
despertar 3
saio do sono montada
numa estrela cadente
já não é noite nem dia
és tu, sou eu
sem limites de horas
nem de fronteiras
não há cercas nem grades
há uma vontade de te querer.
numa estrela cadente
já não é noite nem dia
és tu, sou eu
sem limites de horas
nem de fronteiras
não há cercas nem grades
há uma vontade de te querer.
Irene Ermida
despertar 2
um beijo que me arrasta
pelos lençóis da ternura
acorda a minha existência
em labaredas galopantes
que me consomem
até deixar o rasto de um sorriso
travesso e penetrante
bom dia, meu amor.
pelos lençóis da ternura
acorda a minha existência
em labaredas galopantes
que me consomem
até deixar o rasto de um sorriso
travesso e penetrante
bom dia, meu amor.
Irene Ermida
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