29/12/2009

Ano Novo, Vida Nova... que grande treta!

Frases de ciscunstância não fazem mal, mas não mudam nada. A mudança reside na atitude, e isso é que custa! Por isso, se estamos bem connosco próprios, vamos continuar a estar; senão, mudemos de atitude, se tivermos coragem!

Vibração

forrada do avesso com suave veludo 
desenho-me de vermelho sangue
moldada em formas de cetim macio
transpiro odores floridos
trajada de seda natural
escoo-me em pálidos fluidos
derretida em contínuas vibrações
respiro palavras ofegantes
dilatada nas ondas de calor
irrompo em lufadas ciclónicas
adormecida em tranquilos sonhos
sorrio olhares amendoados

acordada
sou uma sobrevivente
amada

Irene Ermida

In Libris

In Libris é uma livraria, uma editora e um espaço onde se fazem coisas malucas - Cultura - PUBLICO.PT

Leituras...

Uma coisa, qualquer que ela seja, se permanece demasiado tempo igaul a si própria, acaba por perder aos poucos a sua própria energia e torna-se letárgica. Até mesmo os castelos no ar só têm a ganhar com uma nova demão de tinta para ficarem com a «cara lavada».

Uma narrativa que nos prende da primeira à última linha, oscilando entre a realidade e a fantasia, em que o narrador retoma o passado no presente, com a intenção de reescrever a sua vida, dissimulando a cronologia dos acontecimentos, como se fosse possível partir do zero a qualquer momento. O narrador caminha para o abismo numa promiscuidade entre o imaginário e o real, acompanhado pelo leitor que mergulha na teia ora do improvável mas possível, ora do impossível mas provável.





28/12/2009

desassossego(s) 1






desassossega-me a chuva
em corpo de gente
que desfia palavras
e gotas
loucas de vento
e de esperança

que ficam no tempo
impenetrável e esférico

não sonho distâncias
nem amarguras

limpo as estrelas do céu
e bebo a água
do tempo da chuva.

Irene Ermida

24/12/2009

Fingimento


sem significado e sem ser santo
mais um dia em que fingimos que nos preocupamos
em que trocamos presentes comprados à pressa entre sorrisos atabalhoados
e acreditamos nos sonhos das crianças
que já nem sonham
perpetua-se a tradição da ceia que acaba com urgência
por ausência das palavras imposta pela distância
ao longo dos meses
e vêm à lembrança os que ignorámos e esquecemos
fingimos tão completamente
que chega a ser verdade
a verdade que deveras é...

Irene Ermida

Pensamentos

“Os Educadores lutam pelo sonho, de tornar os alunos felizes, saudáveis e sábios.


Por isso cultivam os terrenos mais difíceis de serem trabalhados; os da Inteligência e da Emoção.


Esta é uma tarefa heróica, mas estes ensinamentos não se destinam a heróis.


Destinam-se a seres humanos falíveis (como todos somos) que sabem que educar é realizar a mais bela e complexa arte da inteligência; é acreditar na vida, mesmo nos momentos menos alegres; é ter esperança no futuro, mesmo que o presente nos desiluda…”
 
 
Auguste Cury

13/12/2009

Uma noite quente


O frio não esmoreceu a vontade de interromper a rotina da semana e deleitar-me com os sons da Old Blind Mole Orkestra que acabou por ser uma lufada de ar quente numa noite gelada! O humor e a voz do vocalista Stelele e a versatilidade dos instrumentos e da música (uma mistura de jazz e swing, em pop boémio, em folk e gipsy ou música dos Balcãs) foram um bom motivo para retomar o entusiasmo e a energia para mais uma semana de luta.

06/12/2009

Leituras...



«Na manhã seguinte, está sentado à secretária manca com uma caneta na mão, examina um poema recente e sente-se cada vez mais desencantado com o que escreveu, pergunta-se o que será melhor: seguir em frente com o poema, arrumar o manuscrito para posterior reflexão, ou muito simplesmente atirá-lo para o cesto do lixo. Ergue a cabeça paea espreitar pela janela: cinzento e nublado, uma montanha de nuvens avoluma-se a oeste, mais uma mudança no sempre mutável céu de Paris. Agrada-lhe a obscuridade que inunda o quarto - uma obscuridade reconfortante, por assim dizer, uma obscuridade amistosa, uma obscuridade com que uma pessoa poderia conversar horas a fio.»

Um livro inquietante e imprevisível ao estilo de Paul Auster. Mas este «Invisível» ultrapassa as expectativas a que já nos habituou. Uma história caleidoscópica que prende o leitor aos pormenores e a uma escrita que viaja no tempo e espaço.





« - Quando alguém procura - respondeu Siddhartha - pode acontecer que os seus olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre, porque ele pensa sempre apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos.(...)»

Uma viagem pela espiritualidade do ser humano que nos recolhe em nós próprios, por sensações esquecidas e nos revela o fluir da vida.
Um livro que não pode ser lido e arrumado na prateleira!



«Ele era um homem de fé. A fé elevava-o, proporcionava-lhe altura, transportava-o para fora do tempo. E justamente no momento em que, com mais fervor, pedia ajuda, os seus olhos cruzaram-se com os de Malinalli e uma faísca maternal uniu-os num mesmo desejo.Malinalli sentiu que aquele homem a podia proteger; Cortés, que aquela mulher o podia ajudar como só uma mãe o conseguia fazer: incondicionalmente.»

Uma história de amor entre Hernán Cortés, um dos mais importantes conquistadores espanhóis e a índia Malinalli, sua intérprete, atenua, por um lado, os acontecimentos cruéis ligados à conquista do México e, por outro, realça a riqueza da cultura indígena.

Uma leitura que nos leva a pensar na imperfeição do Homem, que tanto é capaz de crueldades extremas, como de infinita benevolência.



«Doeram-me as palavras dele como se a vida estivesse espetada no meu corpo e, para crescer, eu tivesse que desencravar essa farpa.»

«Em Jesusalém, o que mais me impressionou, desde logo, foi a ausência de electricidade. Nunca antes tinha sentido a noite, nunca tinha sido abraçada pelo escuro, abraçada por dentro até eu mesma ser escuro.»

«Regressados à cozinha, um impulso me atirou de encontro ao peito do meu irmão. abracei-o, por fim. E o abraço durou todo o tempo da sua ausência.»

A magia da escrita de Mia Couto em todo o seu esplendor!
Expressões de uma beleza e expressividade surpreendentes, é o que podemos descobrir neste livro, que me foi oferecido pelo meu filho, com a particularidade de estar autografado pelo próprio autor! Até hoje, sem dúvida, a melhor prenda de aniversário!

28/10/2009

... e permaneço

risco no cetim diademas e pulseiras

obras de arte rudes e inocentes
que adornam os voláteis anéis de vento
encaracolados

combino planos inclinados e traço gotas de água
enredadas em forma nenhuma
distraída de mim

modelo sombras num mistério ignorado
cansado
entristecido

rasgo o pano imaculado
e viro as trevas do avesso
num gesto ferido!
Irene Ermida

24/10/2009

... não sou

nasci na nuvem que atravessa o deserto
e voo nas secretas asas de mim
num dia sem horas marcadas

numa palavra distinta
separo a chuva, gota a gota,
escrita nas mãos

que verbo sou na folhagem pintada
no mural de vultos e silêncios?

Irene Ermida

enquanto sou...

e porque se cala o vento?
de onde vem esse sussurro que abafa a voz?
sem tempo, nem dó?

não há sol no meu olhar,
e vejo a luz que se acende na minha boca
e abraço a sombra do meu corpo
numa forma que não é

procuro o sopro adiado que vem de longe
entre quimeras e perguntas
perdidas nas águas vermelhas do rio

e não há céu

e não há voz
Irene Ermida

15/10/2009


é doce (?)

como uma cereja madura caída despida

a palavra espera guardada

entre as páginas de esquinas e de rebordos

de livros secretos

Irene Ermida

É de arrepiar...


12/10/2009



«This is the PEN Story in stop motion. We shot 60.000 pictures, developed 9.600 prints and shot over 1.800 pictures again. No post production! Thanks to all the stop motion artists who inspired us. ... »

http://www.youtube.com/watch?v=m9Et7UQh1tg

08/09/2009

Viagem



A capacidade de viajar ultrapassa largamente as limitações geográficas e económicas.
Viajar é abrir portas e janelas e deixar entrar a luz e o vento, sensações e pensamentos.
Uma viagem pode ser um livro, um filme, uma conversa, uma atitude, um sonho, um devaneio...

É, no fundo, uma questão de sobrevivência e um modo de estar na vida. É a essência e a alteridade. É desembrulhar arquétipos e escavar túneis. É desobstruir canais e construir pontes. É riscar preconceitos e percorrer estradas.

Não interessa o meio, o local, o tempo... viajar, é fundamental.