11/01/2010

Tremor(es) 3

aturdida, oscilo
na penumbra do amanhã
que chega ainda hoje

no cais de embarque
não parto sem ti
e entrego-me ao tempo
e dele depende a saída
de voltar a ser
inquebrantável no propósito
de, pela última vez,
adormecer sem sonhar
com águas salgadas revoltas
e acordar num beijo
temperado de paixão.


Irene Ermida

Tremor(es) 2

é um receio na sombra
que me estremece o sentir
e sustenta uma voz secreta

e viro do avesso
o momento do olhar
colado no meu pensamento

reavivada na tua presença
afago a memória
com um sorriso generoso
e abraço a luz
com uma força firme
para nunca mais a ver fugir
entre os fios da saudade


Irene Ermida

Tremor(es) 1

e assim trémula de palavras,
entre reticências eternas
sorvo as gotas que deslizam na tua voz

ausento-me do meu corpo
e parto numa viagem sem fim
por estradas amplas de sentidos

e toco nas nuvens com os dedos
puxando-as levemente para mim
num aconchego de minutos

solto-as num ímpeto,
e deixo-as voar ao vento,
céleres,eufóricas e saciadas
penetram os poros da minha pele
e alimentam a sede do porvir!


Irene Ermida
Vale a pena ver o filme da minha amiga Lena!!!

http://mhfg1.wordpress.com/2010/01/10/let-it-snow/

10/01/2010

Neva... e neva...


Balada da neve




Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

Augusto Gil

05/01/2010

A rever...





Closer - Perto Demais

O destino (?) dá voltas ao próprio destino e gera histórias que se cruzam num círculo fechado entre quatro personagens que se amam, que se traem a si mesmas num labirinto sem saída.

03/01/2010

Leituras...



«É curioso que as pessoas falem tão ligeiramente do futuro, como se o tivessem na mão, como se estivesse em seu poder afastá-lo ou aproximá-lo de acordo com as conveniências e necessidades de cada momento.» (pág. 176)

Aquando da publicação do livro, estava eu numa livraria com o próprio na mão e fui olhada com desdém por uma «senhora» que comentou: «Hum, Saramago!» Arregalei os olhos e sorri...

Alheia à polémica, li-o apenas agora, calmamente. Não sendo surpreendente, visto que toda a gente sabe das crenças do escritor e só o lê quem quer, é uma leitura crua sem espaço para distracções. Aliás, já o Evangelho o era! E gostei! Principalmente das evidências que são difíceis de dissimular e do estilo a que o Prémio Nobel nos habituou.

E, por mero acaso, agorinha mesmo lembrei-me do Nome da Rosa... cujo livro ainda não li, mas a acreditar no filme havia livros proibidos... e havia pessoas queimadas vivas... e ufa!!! que alívio! Já estamos no século XXI, embora às vezes não pareça!

Um 2010 com muitas leituras destas e de outras...

29/12/2009

Ano Novo, Vida Nova... que grande treta!

Frases de ciscunstância não fazem mal, mas não mudam nada. A mudança reside na atitude, e isso é que custa! Por isso, se estamos bem connosco próprios, vamos continuar a estar; senão, mudemos de atitude, se tivermos coragem!

Vibração

forrada do avesso com suave veludo 
desenho-me de vermelho sangue
moldada em formas de cetim macio
transpiro odores floridos
trajada de seda natural
escoo-me em pálidos fluidos
derretida em contínuas vibrações
respiro palavras ofegantes
dilatada nas ondas de calor
irrompo em lufadas ciclónicas
adormecida em tranquilos sonhos
sorrio olhares amendoados

acordada
sou uma sobrevivente
amada

Irene Ermida

In Libris

In Libris é uma livraria, uma editora e um espaço onde se fazem coisas malucas - Cultura - PUBLICO.PT

Leituras...

Uma coisa, qualquer que ela seja, se permanece demasiado tempo igaul a si própria, acaba por perder aos poucos a sua própria energia e torna-se letárgica. Até mesmo os castelos no ar só têm a ganhar com uma nova demão de tinta para ficarem com a «cara lavada».

Uma narrativa que nos prende da primeira à última linha, oscilando entre a realidade e a fantasia, em que o narrador retoma o passado no presente, com a intenção de reescrever a sua vida, dissimulando a cronologia dos acontecimentos, como se fosse possível partir do zero a qualquer momento. O narrador caminha para o abismo numa promiscuidade entre o imaginário e o real, acompanhado pelo leitor que mergulha na teia ora do improvável mas possível, ora do impossível mas provável.





28/12/2009

desassossego(s) 1






desassossega-me a chuva
em corpo de gente
que desfia palavras
e gotas
loucas de vento
e de esperança

que ficam no tempo
impenetrável e esférico

não sonho distâncias
nem amarguras

limpo as estrelas do céu
e bebo a água
do tempo da chuva.

Irene Ermida

24/12/2009

Fingimento


sem significado e sem ser santo
mais um dia em que fingimos que nos preocupamos
em que trocamos presentes comprados à pressa entre sorrisos atabalhoados
e acreditamos nos sonhos das crianças
que já nem sonham
perpetua-se a tradição da ceia que acaba com urgência
por ausência das palavras imposta pela distância
ao longo dos meses
e vêm à lembrança os que ignorámos e esquecemos
fingimos tão completamente
que chega a ser verdade
a verdade que deveras é...

Irene Ermida

Pensamentos

“Os Educadores lutam pelo sonho, de tornar os alunos felizes, saudáveis e sábios.


Por isso cultivam os terrenos mais difíceis de serem trabalhados; os da Inteligência e da Emoção.


Esta é uma tarefa heróica, mas estes ensinamentos não se destinam a heróis.


Destinam-se a seres humanos falíveis (como todos somos) que sabem que educar é realizar a mais bela e complexa arte da inteligência; é acreditar na vida, mesmo nos momentos menos alegres; é ter esperança no futuro, mesmo que o presente nos desiluda…”
 
 
Auguste Cury