
sem expressão, imóvel
fixo-me na miragem de um mar
pleno de vazio sentido
serei quem fui?
sem palavra que me baste
não fui quem serei
num estranho lema
sem noite
Irene Ermida
SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...

«Uma vez tomada a decisão, a coisa não é assim tão difícil quanto isso. Basta que nos separemos da realidade concreta e deixemos para trás o nosso corpo, a fim de nos transformarmos num ponto de vista conceptual, desprovido de matéria. Esse estado permite-nos atravessar toda e qualquer barreira, passar por cima do abismo mais profundo. E transformamo-nos de facto num mero ponto,atravessamos o ecrã de televisão que separa os dois mundos. Partimos deste lado e somos transportados para o outro lado. Quando passamos através da parede e transpomos o abismo, o mundo conhece uma enorme transformação, abre falhas, desmorona-se e desaparece por momentos.Tudo adquire a consistência de uma poeira fina, imperceptível, que se espalha em todas as direcções. É então que o mundo torna a reconstruir-se. Cerca-nos uma nova materialidade. E isto acontece num abrir e fechar de olhos.»