05/03/2011

A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Záfon

Não resisto a partilhar estes extractos deste maravilhoso livro:

«Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o seu olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte.» 

« - Aquela mulher é um vulcão à beira da erupção, com uma líbido de magma ígneo e um coração de santa - disse, derretendo-se todo. - Para estabelecer um paralelismo veraz, lembra-me a minha mulatinha lá em Havana, que era uma beata muito devota. Mas, como no fundo sou um cavalheiro dos de antigamente, não me aproveito, e com um casto beijo na face me conformei. Porque eu não tenho pressa, sabe? Há por aí pategos que acham que se puserem a mão no cu a uma mulher e ela não se queixar, já a têm no papo. Aprendizes. O coração da fêmea é um labirinto de subtilezas que desafia a mente grosseira do macho trapaceiro. Se quiser realmente possuir uma mulher, tem de pensar como ela, e a primeira coisa é conquistar-lhe a alma. O resto, o doce envoltório macio que nos faz perder o sentido e a virtude, vem por acréscimo.» 

«- Alguém disse uma vez que no momento em que paramos a pensar se gostamos de alguém, já deixamos de gostar dessa pessoa para sempre» 

«- Não sei o que me deu. Não te ofendas, mas às vezes uma pessoa sente-se mais à vontade para falar com um estranho do que com pessoas que conhece. Por que será? (...)
- Provavelmente porque um estranho nos vê como somos, e não como quer acreditar que somos.»

«(...) o destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.»


«O tempo ensinou-me a não perder as esperanças, mas a não confiar demasiado nelas. São cruéis, vaidosas, desprovidas de consciência.» 

«Bea diz que que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos.»

16/02/2011




A escrita leve de Sepúlveda flui no contexto histórico do Chile, entre o humor e a reflexão mais séria de alguns representantes de uma geração, que lutou por um ideal, conheceu o exílio e vive da memória traída. Recomendo.



«Nunca confies na memória porque está sempre do nosso lado: suaviza a atrocidade, dulcifica a amargura, põe luz onde só houve sombras. A memória tende sempre à ficção.»

A Sombra do que Fomos, de Luis Sepúlveda

13/02/2011

Estas coisas de astros...

A ciência é o suporte para a maioria do conhecimento e o meu cepticismo perante explicações rebuscadas de espiritualismos talvez até me impeça de conhecer outras explicações, mas quanto à astrologia tenho as minhas crenças! É que lendo isto, há passagens que são um autêntico espelho!

http://www.fototelas.com.pt/signo_de_caranguejo.htm

09/02/2011

Assombrada? Não!


Sou o fantasma de um rei
Que sem cessar percorre
As salas de um palácio abandonado...
Minha história não sei...
Longe em mim, fumo de eu pensá-la, morre
A ideia de que tive algum passado...

Eu não sei o que sou.
Não sei se sou o sonho
Que alguém do outro mundo esteja tendo...
Creio talvez que estou
Sendo um perfil casual de rei tristonho
Numa história que um deus está relendo...

Fernando Pessoa


Ao meu filho, pela palavra que me deste!



Não vivo assombrada por fantasmas. Assombram-me os presentes, que se movem num pântano de emoções e sensações, toldadas de descrença, de pessimismo, de desesperança, de dúvidas, de hesitações; que se lamentam eternamente pelo que foram ou viveram e escolhem continuar a deslizar na mesmice da rotina, sem um rasgo de mudança, num hábito de si próprios sem saberem o que realmente são sem os outros. Como se a sua vida dependesse de um milagre suspenso que vai acontecer a qualquer momento adiado. Que escolhem ter algo, alguém ou alguma coisa para que tudo faça sentido, um álibi para o seu crime de desperdiçar tempo e justificar a sua (in)existência no presente.
Esquecem o valor do casual, do imprevisto, do espontâneo, do momento e encolhem-se na vastidão de uma marcha cadenciada de ritmos alucinantes para não pensarem e saborearem a vida. Acordam sem sorrir e fechados ao desconhecido e ao improvável, esperando apenas que chegue de novo a noite e possam dormir, com uma insónia pelo meio, para no dia seguinte repetirem o sagrado quotidiano que os automatiza.
Quando a vida, subitamente os confronta com uma verdadeira e real tragédia que os faz tremer de verdade, há os que lamentam a oportunidade perdida e não poderem voltar atrás para fazer o que evitaram, desanimam e não vêem motivos para lutar, já que foi sempre assim; e há os que olham para trás e pensam que, afinal, até tiveram uma boa vida cheia de bons e maus momentos, e que, por isso mesmo, vale a pena lutar sempre e agarram-se à vida num combate com a natureza por vezes desigual.
Há quem espere ser feliz e há quem seja feliz por não ter esperado e ter feito as coisas acontecerem. Há quem viva conformado com o inconformismo e há quem, sempre inconformista, se sinta sereno por saber que, essa dádiva que é a vida, é um bem precioso de valor incalculável.
Há quem alimente um ideal esperando… Há quem alimente um ideal e o concretize em cada pequeno gesto, numa simples palavra, num sorriso…
Não somos todos iguais, mas cada um de nós pode desenvolver um esforço, por menor que seja, para modificar o dia-a-dia dos outros (acredito eu, apesar de, paradoxalmente, ter os meus momentos de descrença).

Irene Ermida


o que me faz olhar em frente e avançar, não é fugir do passado, mas antes torná-lo ainda mais passado e para que o presente o seja também um dia, sem a amargura de não o ter vivido!

Irene Ermida

08/02/2011

pois...

na teoria é fácil...


"Algumas pessoas desconfiam do carácter instintivo das emoções e reprimem-nas porque receiam sofrer ou mesmo perder o controlo das suas vidas, mas tentar viver à margem das nossas emoções é uma falácia: não só nos limita, como as emoções reprimidas passam ao inconsciente e são muito mais inconsoláveis nessa parte da nossa mente"

http://www.jn.pt/VivaMais/interior.aspx?content_id=1775906&page=-1

Paradoxo(s) 3

não escrevi uma letra de canção numa tarde que tardava ao fim do dia como se a noite saltasse e me afagasse numa névoa tão nítida que as estrelas suavizavam a escuridão que me prendia

não escrevi uma letra de canção que falava de amor nem de paixão mas só desse horizonte que me perpassa a cada segundo sem tempo contado nem retido na minha mão

não escrevi uma letra de canção mas podia tê-la escrito se a mão soltasse ao vento pétalas de mim e de ti sem escravidão de existir entre muros erigidos entre nós

Irene Ermida

Paradoxo(s) 2

fechei a porta que se abria sobre um mar deslizante e suave e voltei a fechá-la não a sete chaves mas a um número potenciado ao infinito para que dúvidas não restassem sobre a viagem no tempo

fechei a porta que se fechava e abria num vendaval de sombras dançando à volta da fogueira e mais não havia senão fantasmas criados e alimentados por um diabólico monstro incansável

fechei a porta mas ela abriu-se de um sopro matinal que acordava precocemente de um sono feito leito onde me aconchegava até ao limite de quem sou

Irene Ermida

Paradoxo(s) 1


acontece por vezes as memórias deixarem de ser o que pensávamos terem sido porque ela própria nos atraiçoa e inventa o deserto e o oásis que se alternam nas mágoas e alegrias que supomos querer na vida

acontece por vezes ficarmos presos no limbo do que queríamos e não tivemos e do que tivemos e não queríamos afinal ter tido porque as lembranças do gosto, do cheiro e do toque alimenta a hora

acontece não ter acontecido e querer tanto que sonhamos um passado em vez do presente que pintamos as recordações de tons coloridos para não enfrentarmos o medo de sermos hoje


Irene Ermida

03/02/2011

Frontalidade amena

Convicta, em tempos que já lá vão, comentei com um amigo: «Tenho um defeito: sou frontal». Ao que ele me respondeu, de modo igualmente convicto: «Isso é defeito?!» 

Nunca mais pensei nisso... até agora. A pergunta exclamativa e retórica do meu amigo ficou no ar, simplesmente, e continuei a ser o que me exige a natureza ser. Quis o tempo, e o que ele me tem ensinado, que essa frontalidade «frontal» fosse amenizando o radicalismo com que sempre assumi esse meu «defeito» incómodo para muita gente. Não que tenha deixado de o ser, mas porque a tolerância e a serenidade foram tomando em mim um lugar mais valorizado.

Ser razoável, mas ao mesmo tempo directa e sem subterfúgios, tem sido a balança onde tenho o meu centro de apoio. 

Vem isto a propósito de, por vezes, mesmo sendo frontal e assumindo pensamentos, emoções, sentimentos e estados de alma, torna-se difícil passar uma mensagem. Ou seja, posso dizer «quero isto ou não quero aquilo» que a interpretação pode ser sempre deturpada e verem nas minhas palavras apenas uma mera necessidade de afirmação gratuita!

Ninguém está a entender nada, pois não? Eu explico:

Quando escrevo no meu blogue «palavras» e as associo numa determinada sequência ou atribuo-lhes um objecto, isso (e digo-o frontalmente!) não quer dizer absolutamente nada!!! A minha frontalidade não passa, nem passará nunca, pelo recurso a meios indirectos. Quando digo nos olhos de alguém o que penso ou sinto, é porque penso e sinto exactamente assim! 

Quando brinco com palavras, num mero exercício técnico, faço-o pela necessidade de canalizar para o exterior «as palavras» e não os sentimentos! Sei que não é fácil ver esta equação de um prisma unilateral e quem lê, acredita que lê os meus estados de alma e não apenas palavras. Não posso obrigar ninguém a ver apenas o que está ali, à frente dos olhos: palavras! Mas também ninguém pode responsabilizar-me pelas interpretações que decidem atribuir aos meus textos.

O acto de criação está num patamar muito mais sublime do que a realidade do dia-a-dia. Ou seja, a realidade é real! A realidade das palavras é irreal. São as duas faces da mesma moeda! Pode uma pessoa não amar e escrever sobre o amor? Só respondo por mim: posso! Porque quando se ama, não se perde tempo a escrever palavras, vive-se intensamente o sentimento! 

E se querem ler nas entrelinhas do que escrevo, é fácil: há fases de maior ou menor actividade de publicações! São livres de pensar o que quiserem; eu sou livre de amar, de escrever e de dizer. (E por fim até substituí as reticências pelo ponto final para não dar azo a livres pensamentos, cuja responsabilidade não é minha.)

Permaneça-se na vida com a frontalidade necessária ao confronto connosco próprios!

Irene Ermida

30/01/2011

Sabor(es)


Desenho de Amadeu Brigas
não há derrotas nem vitórias
nem sabores amargos nem doces
só há verdades
no corpo que se desnuda
e mata vontades
na boca que devora
suores e tremores
nas mãos que deslizam
pelos contornos de um olhar
que não vê
só há um navio à deriva
náufragos que gritam
e movem a água e a terra
e resistem ao luar
sem provas a dar
e abraçam o sol
que nasce na ponta
dos teus dedos.

Irene Ermida

Breve

não explicamos a vida
ela explica-nos a nós

como somos
é o como fomos





29/01/2011

Am' o mar



Desenho de Amadeu Brigas

não sou a tua mão
não sou o destino de ninguém
há um rio ao lado que sussurra
segredos de um passado

e eu amo o mar
na extensão do presente 
que aquece o sangue
e enlouquece 

não sou o teu sorriso
e não sou o deserto de ninguém
há um leito junto a mim
que abre portas e janelas

amo o sol
derramado num agora
que pode ser um sempre
pode ser um já
sem urgência de palavras
esgotadas.

Irene Ermida

Voar



Desenho de Amadeu Brigas


não, não é a tristeza que me chama
nem a vela que queima os meus dedos
é só a vida que não se cala
num corpo que não existe
é a luta contra um nada
que geme e profana a natureza
num desejo absurdo e insano
de querer o horizonte
de pintar um céu
de soltar as amarras
e de voar.

Irene Ermida

Na palma da mão


Desenho de Amadeu Brigas


resisto ao inevitável até ao último minuto
como se do tempo dependesse a minha vontade

mas não é no olhar que estou
nem no sentido de tocar as nuvens

estou apenas
e sou sem ser quem devia
mas quem quero ser

alheia à distância de um palmo
das estrelas
e da mão que me segura.

Irene Ermida

30/12/2010

«O amor não acaba, nós é que mudamos»


«Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades. O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantém os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos. O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.»


Martha Medeiros

Eduardo Agualusa


O penúltimo livro lido, uma compilação de crónicas do escritor angolano Eduardo Agualusa, veio reforçar o meu gosto e preferência pela literatura africana. Há um misterioso dom numa escrita tão transparente e, ao mesmo tempo, tão intensa!


«Uma segunda oportunidade»
«Li recentemente, num jornal brasileiro, a história de um homem que foi atingido por um raio durante uma tempestade tropical. um médico que passava pelo local socorreu-o. Verificando que não era capaz de o reanimar (o infeliz sofrera paragem cardíaca), afastou-se para pedir ajuda. Nesse momento o homem foi atingido por um segundo raio, e com isso, espamosamente, recuperou a consciência. Morto por um raio, ressuscitado por outro, aquele homem está certamente convencido que Deus lhe deu uma segunda oportunidade.
Lembro-me disto a propósito do amor. Pode haver, no amor, uma segunda oportunidade?»

A Substância do Amor e Outras Crónicas, pág. 169

29/12/2010

Um óptimo 2011!

Quem é que já anda a pensar nas promessas para 2011?!

Eu já decidi: vou continuar a ser eu mesma, acordar e pensar no dia que tenho pela frente, ser optimista e inconformada, realista e sonhadora, surpreendente e desconcertante, a preocupar-me com quem gosto e ajudar no que for possível! E, sobretudo, muita saúde para mim, para os meus e para todos os meus amigos e amigas!

«A rapariga que roubava livros»

Uma narrativa magnífica que nos surpreende ao ser contada pela Morte mas que nos seduz palavra a palavra, linha a linha, página a página, até perdermos a noção do tempo e encontrarmos um espaço longínquo, mas tão perto, numa deliciosa doçura do ser humano, numa tragédia da humanidade que nos faz pensar e relativizar o sofrimento!
Escusado será dizer que foi uma das melhores leituras até hoje!

28/12/2010

Podia ser uma crónica...


Aconselhada a organizar-me mentalmente, abro a página e solto as palavras para este espaço em branco, pois, até hoje, não descobri ainda outro meio mais eficaz para tentar colocar algumas peças, não no seu devido lugar (porque nunca estarão!), mas no lugar onde agora têm de estar. E quando digo agora, é agora mesmo! Daqui a uns minutos se a minha respiração deixar de funcionar, aqui ficarão neste «lugar» e nunca se saberá se terão ficado onde deveriam, porque tudo está em permanente mutação, ou se, pelo contrário, deveriam estar todas às avessas numa miscelânea indecifrável e misteriosa e se tal situação me poderia proporcionar outros rumos e outros clarões

À medida que a experiência e o conhecimento se vão somando a um todo, é mais que provável que ele se desintegre em dúvidas e perplexidades (ele, o «todo»!). Isto, porque quando achamos que a quantidade de vivências nos dará mais certezas de que o caminho não é aquele, vem sempre um pormenor estragar tudo e derrubar as convicções que demorámos tanto a construir, tal como aqueles legos empilhados, e desempilhados logo a seguir, pelas mãos de uma criança no tempo em que as teclas não eram a sua ferramenta predilecta!

Vem a propósito este fluxo de vocábulos da necessidade de evacuar as ideias engelhadas em pregas, no rosto de uma idosa arruinada pelos anos, pela doença e pelos desgostos, sobrepostos em rugas que nem uma cirurgia plástica seria capaz de disfarçar, o que também não está em questão, porque, por mais lisa que esteja a pele, as cicatrizes estão na profundidade do seu âmago e nenhuma técnica poderá reparar.

Poderia e deveria concluir por aqui, mas sinto que as palavras que aí vêm ainda poderão rasgar algumas intenções e colar fantasias, de modo que o esforço de sanar (ou sarar?!) as gelhas da roupagem de inverno, não seja em vão! E que inverno! E não me refiro propriamente aos elementos da natureza que têm sempre o seu efeito negativo na auto-estima e confiança do ser humano, durante os meses em que o sol descansa da sua labuta de verão! 

É um inverno vacilante, que quer ser ousado, mas apesar da constante procura, não encontra o ponto de apoio para colocar o calcanhar, ou pelo menos um dos dedos do pé, nem que seja o quinto e mais pequeno em proporção. Esta ausência de fundamento prende-se directamente com a surpresa inevitável com que algumas vicissitudes teimam em nos confundir. 

Não que esteja confusa, nem vacilante... pois, afinal... há uma certeza proverbial que ordena que todos os caminhos vão dar a Roma, o que implica uma fatalidade, vá por que caminho for! 


Irene Ermida
(num momento que foi este, mas podia ter sido outro!)