SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
10/11/2011
09/11/2011
Trilho(s) 1
ditas, em silêncio, que ecoam cá dentro
não há mas nem sim nem não
há uns talvez que mantêm
a nuvem escura e padecem
na sombra escura de mim
nas entrelinhas de quem sou
nos intervalos de quem fui
não vês o que apagas de ti
na vereda que ladeia
o caminho que sou
e algo não esmorece
e permanece.
Irene Ermida
28/10/2011
09/10/2011
O Amargo Destino do Sonho
«Aí residia a sua força e a sua virtude, aí era invergável e incorruptível, aí o seu carácter era firme e rectilíneo. No entanto, esta virtude trazia estreitamente ligados a si também o seu sofrimento e o seu destino.
Acontecia-lhe o que a todos acontece: aquilo que por impulso da sua mais íntima natureza demandava e em que se empenhava com a maior pertinácia, era-lhe concedido, mas ultrapassando aquilo que ao homem é benéfico. O que começava por ser sonho e felicidade, redundava em amargo destino.»
Hermann Hesse, in "O Lobo das Estepes"
és a metade que me nega
que se recusa no tormento do esquecimento
és o sinal longínquo de um barco arrancado às tormentasamputada do meu corpo, exilada no teu deserto
os olhos já não são olhos
e as mãos abrem-se no limiar do sorriso
não há invenção de dias e de noites
há a tristeza e os tremores das lágrimas
que se escondem em poesia.
Irene Ermida
Fio de luz (3)
...e num mar de sonhos não resistia à forte corrente que a fustigava, que a estremecia numa estrela, que a rodeava de (in)sentidos, de meias-luas, de ventos solitários... deixava-se ir para o abismo pelos caminhos de um amor avassalador. E não via o horizonte que lhe mostrava as nuvens densas dentro de si. E não via a luz cortada de sombras, nem o azul de um mar entontecido pelas marés. Via a margem onde os seus pés teimavam na areia movediça de pantanosos círculos. E tudo era imenso como o mistério de um profundo (a)mar.
Irene Ermida
25/09/2011
Fio de luz (2)
Saltou da margem de si mesma e mergulhou nas águas do rio que se abria de par em par como se ele tivesse estado ali, sempre, à sua espera. Não nadou contra a corrente que a espreitava e lançou-se na transparência da escuridão e via... via tudo que sempre viu, numa vertigem que a fazia voar e sorrir. E o rio segredou-lhe o vento e mostrou-lhe o mar, tingido de tantas cores de oceanos onde o tempo não era tempo e a luz era luz.
Irene Ermida
28/08/2011
Fio de luz
Dominou-a um cansaço extremo como se o peso do mundo fosse apenas uma pena que cambaleando pelo ar lhe tivesse caído em cima dominasse todos os seus movimentos e numa paralisia total nem os olhos abria... eram as cenas repetidas de um filme clássico que se projectavam no seu íntimo e não se mexia... assistia... misturada numa plateia imóvel também, suspensa por um fio de luz sem tamanho nem cor... sabia que extinta a luz o filme repetir-se-ia vezes sem conta num contínuo fluir de imagens. Fechou os olhos e sorriu, alheada de si, e presa no feixe de luz que lhe fugia.
Irene Ermida
06/08/2011
há palavras...

Imagem: https://www.facebook.com/modernart21
há palavras que ficam presas no ar quando te respiro e te sinto em mim
numa espiral de sentidos tão sentidos e sem sentido
que só a loucura do amor entende o sonho que vagueia por jardins de emoções
e uma interrogação que acende gélidos vulcões
e explode em ondas que não são minhas mas são tuas
como se nada existisse entre os dedos colados das minhas mãos nas tuas
e o sorriso que descobre o momento que acontece sem tempo nem medida
que possa desvanecer a imagem de dois num só
e num mundo que gira no sentido que nós queremos
e toma a forma do que sentimos e renasce e cresce na absoluta certeza
entre uma lágrima que enternece e um sorriso que consome o destino infalível
e morro na tua boca que me inunda a alma
e o pensamento foge de mim para ti
numa pressa que só tu entendes
e amo o que há em ti,
amo o que há em nós.
Irene Ermida
11/06/2011
10/06/2011
02/06/2011
01/06/2011
25/05/2011
Dêem-me...
Dêem-me um espaço
pequeno que seja
que faço dele um mar de cores...
Dêem-me um espaço
pequeno que seja
que faço dele um oceano de sons...
Mas não me dêem as cores nem os sons!
pequeno que seja
que faço dele um mar de cores...
Dêem-me um espaço
pequeno que seja
que faço dele um oceano de sons...
Mas não me dêem as cores nem os sons!
03/05/2011
Golpe(s)
são golpes de nuvens
que resistem à luz
e não sabem onde cair
e não ferem as sombras
que se desviam entre os ramos vestidos de pedra
numa súbita evasão feita de fogo e de água
são golpes de vozes que estremecem a um cantoe desfiguram os rostos ocultos que perdem a cor
soltam-se as mãos amordaçadas de palavras
e inflamam-se os olhos inertes e opacos
são golpes que sorriem e choram
e se calam num silêncio que não dorme.
Irene Ermida
02/05/2011
Sem razões...
não as há no sol, no mar, na noite
razões... que se procuram
para enganar o tempo
e o espaço dentro de nós
razões... que se procuram
para enganar o tempo
e o espaço dentro de nós
um espaço metade medo metade fuga
e se mais metades houvesse
não haveria razões
apenas invenções
Irene Ermida
05/03/2011
A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Záfon
Não resisto a partilhar estes extractos deste maravilhoso livro:
«Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o seu olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte.»
« - Aquela mulher é um vulcão à beira da erupção, com uma líbido de magma ígneo e um coração de santa - disse, derretendo-se todo. - Para estabelecer um paralelismo veraz, lembra-me a minha mulatinha lá em Havana, que era uma beata muito devota. Mas, como no fundo sou um cavalheiro dos de antigamente, não me aproveito, e com um casto beijo na face me conformei. Porque eu não tenho pressa, sabe? Há por aí pategos que acham que se puserem a mão no cu a uma mulher e ela não se queixar, já a têm no papo. Aprendizes. O coração da fêmea é um labirinto de subtilezas que desafia a mente grosseira do macho trapaceiro. Se quiser realmente possuir uma mulher, tem de pensar como ela, e a primeira coisa é conquistar-lhe a alma. O resto, o doce envoltório macio que nos faz perder o sentido e a virtude, vem por acréscimo.»
«- Alguém disse uma vez que no momento em que paramos a pensar se gostamos de alguém, já deixamos de gostar dessa pessoa para sempre»
«- Não sei o que me deu. Não te ofendas, mas às vezes uma pessoa sente-se mais à vontade para falar com um estranho do que com pessoas que conhece. Por que será? (...)
- Provavelmente porque um estranho nos vê como somos, e não como quer acreditar que somos.»
«(...) o destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.»
«O tempo ensinou-me a não perder as esperanças, mas a não confiar demasiado nelas. São cruéis, vaidosas, desprovidas de consciência.»
«Bea diz que que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos.»
Subscrever:
Mensagens (Atom)








