16/12/2011



“Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior acto de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de estar a agir correctamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo”.

José Saramago

15/12/2011

GWTW - Vivien Leigh - '...tomorrow is another day...'

Podem magoar-me, que perdoo...
Podem derrubar-me, que me levanto...
Podem odiar-me, que amo ainda mais!




13/12/2011

Sem tempo

Imagem do Google


espremo o tempo contra o peito
como se dele quisesse mais alguns segundos
para o ter na minha mão e deixá-lo fugir

o meu tempo é a estrada
sou partida
sou chegada

cansada

nasci sem tempo
sem asas

e não há pensamento 
nem entendimento

para o que sinto
e nada

nada traz o vento
e não sei fugir

só sei planar invisível 
num vácuo onde atraso os ponteiros da ausência   
de mim e do mundo.




Irene Ermida



22/11/2011

Trilho(s) 3

e há um sol que queima por dentro
e consome o ar e a terra de uma partida

e há uma pena perpétua
que acaba no tempo que sonho
sem um trilho atrevido
que me engole no vácuo
há uma palavra que dita o silêncio
e não há distância que esquece
os passos medidos entre nós.

Irene Ermida



19/11/2011

Trilho(s) 2

sigo o trilho até ao fim de mim mesma
que me leva a memórias de areia e de mar

e há cheiros a sal feitos de água
que jorram de sonhos (des)feitos
ao sabor de lágrimas e de risos
tranquilos e escondidos
que correm atrás de horas
sempre de imagens sobrepostas
numa tela que não é minha.


Irene Ermida



09/11/2011

Trilho(s) 1





é um passo num trilho gasto de palavras
ditas, em silêncio, que ecoam cá dentro
não há mas nem sim nem não
há uns talvez que mantêm
a nuvem escura e padecem
na sombra escura de mim
nas entrelinhas de quem sou
nos intervalos de quem fui
não vês o que apagas de ti
na vereda que ladeia
o caminho que sou

e algo não esmorece
e permanece.

Irene Ermida



Mew - Symmetry

28/10/2011


(imagem Google, alterada)



"Approchez vous du bord, dit-il; 

-On ne peut pas, Maître, on a peur ; 

-Approchez-vous du bord, réitéra-t-il; 

- On ne peut pas, Maître, on a peur; 

- Approchez-vous du bord", fit-il encore. 

Ils vinrent. 

Il les poussa... 

Et ils volèrent..." 

Guillaume Apollinaire

09/10/2011

O Amargo Destino do Sonho

«Aí residia a sua força e a sua virtude, aí era invergável e incorruptível, aí o seu carácter era firme e rectilíneo. No entanto, esta virtude trazia estreitamente ligados a si também o seu sofrimento e o seu destino. 
Acontecia-lhe o que a todos acontece: aquilo que por impulso da sua mais íntima natureza demandava e em que se empenhava com a maior pertinácia, era-lhe concedido, mas ultrapassando aquilo que ao homem é benéfico. O que começava por ser sonho e felicidade, redundava em amargo destino.»

Hermann Hesse, in "O Lobo das Estepes"
morrem-me as palavras

na nascente da água doce e pura...

morro na tua boca

sem amanhã

porque não és meu

há uma partida do destino
para um lugar qualquer

distante de mim.



Irene Ermida



és a metade que me nega

que se recusa no tormento do esquecimento

és o sinal longínquo de um barco arrancado às tormentas

amputada do meu corpo, exilada no teu deserto

os olhos já não são olhos
e as mãos abrem-se no limiar do sorriso

não há invenção de dias e de noites
há a tristeza e os tremores das lágrimas
que se escondem em poesia.


Irene Ermida



Dói-me deste amor.

Dói-me de doer 

Dói-me de pensar em ti

Dói-me da tua ausência

Dói-me a saudade

Dóis-me
de amar...






Irene Ermida

Fio de luz (3)

...e num mar de sonhos não resistia à forte corrente que a fustigava, que a estremecia numa estrela, que a rodeava de (in)sentidos, de meias-luas, de ventos solitários... deixava-se ir para o abismo pelos caminhos de um amor avassalador. E não via o horizonte que lhe mostrava as nuvens densas dentro de si. E não via a luz cortada de sombras, nem o azul de um mar entontecido pelas marés. Via a margem onde os seus pés teimavam na areia movediça de pantanosos círculos. E tudo era imenso como o mistério de um profundo (a)mar.

Irene Ermida

25/09/2011

Fio de luz (2)

Saltou da margem de si mesma e mergulhou nas águas do rio que se abria de par em par como se ele tivesse estado ali, sempre, à sua espera. Não nadou contra a corrente que a espreitava e lançou-se na transparência da escuridão e via... via tudo que sempre viu, numa vertigem que a fazia voar e sorrir. E o rio segredou-lhe o vento e mostrou-lhe o mar, tingido de tantas cores de oceanos onde o tempo não era tempo e a luz era luz.


Irene Ermida

28/08/2011

Fio de luz


Dominou-a um cansaço extremo como se o peso do mundo fosse apenas uma pena que cambaleando pelo ar lhe tivesse caído em cima dominasse todos os seus movimentos e numa paralisia total nem os olhos abria... eram as cenas repetidas de um filme clássico que se projectavam no seu íntimo e não se mexia... assistia... misturada numa plateia imóvel também, suspensa por um fio de luz sem tamanho nem cor... sabia que extinta a luz o filme repetir-se-ia vezes sem conta num contínuo fluir de imagens. Fechou os olhos e sorriu, alheada de si, e presa no feixe de luz que lhe fugia.


Irene Ermida

06/08/2011

há palavras...

Imagem: https://www.facebook.com/modernart21




há palavras que ficam presas no ar quando te respiro e te sinto em mim

numa espiral de sentidos tão sentidos e sem sentido 

que só a loucura do amor entende o sonho que vagueia por jardins de emoções 

e uma interrogação que acende gélidos vulcões 

e explode em ondas que não são minhas mas são tuas

como se nada existisse entre os dedos colados das minhas mãos nas tuas 

e o sorriso que descobre o momento que acontece sem tempo nem medida 

que possa desvanecer a imagem de dois num só 

e num mundo que gira no sentido que nós queremos 

e toma a forma do que sentimos e renasce e cresce na absoluta certeza 

entre uma lágrima que enternece e um sorriso que consome o destino infalível 

e morro na tua boca que me inunda a alma 

e o pensamento foge de mim para ti 

numa pressa que só tu entendes 

e amo o que há em ti,
amo o que há em nós.

Irene Ermida