SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
27/05/2009
21/05/2009
Na bruma 3
Impregnada de neblinas
absorvo a humidade quente
que paira na minha madrugada
de acordares sem sal
na tranquilidade dos mares
devoro as nuvens
na liberdade de quem sou
em cada momento
aspiro o orvalho
e reclamo luz na sombra
de quem sorri.
08/05/2009
Na bruma 2
Antevejo formas lunares
de um eclipse sideral
numa órbita imaginária
de sentidos e odores
Não distingo o volume
atreito a rumos e,
numa trajectória repentina,
afasto a neblina
que me inflama a retina
numa percepção clara
da unidade absoluta.
Vocalizo a tua presença
num efémero murmúrio
da voz do silêncio.
06/05/2009
Na bruma 1

Obrigada TCA pela ilustração deste poema.
abraço a bruma
de uma aurora que tarda
nos lábios de quem não diz
nada nem ninguém
numa espera silenciosa
respiro o futuro
com a incerta certeza
do amanhã adiado,
que virá envolvido
na ténue imagem de ti.
26/04/2009
Una palabra, Carlos Varela
Una palabra no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
igual que el viento que esconde el agua
como las flores que esconde el lodo.
Una mirada no dice nada
y al mismo tiempo lo dice todo
como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro.
Una verdad no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
como una hoguera que no se apaga
como una piedra que nace polvo.
Si un dia me faltas no sere nada
y al mismo tiempo lo sere todo
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo,
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo
20/04/2009
Imprevisto(s) 3
que se adivinha no meu olhar
inerte permaneço
no seio de línguas frenéticas
tão cheias de vazios
que secamente se dilatam
em manifestos sibilinos
respiram lufadas bafientas
que não me embriagam
dessa luz anímica
e num suspiro de ironia
recolho a suavidade
de cores e sons
21/03/2009
Imprevisto(s) 2
que insistente desabrocha nos meus lábios
de cores desmaiadas pelo espelho
que nada me diz
no silêncio áureo
da catedral de sonhos barrocos
dos meus gestos maquinais
surge um esboço do mundo
incandescente e fugaz
e num apetite de palavras
cruzo promessas laminadas
por um rio azul
05/03/2009
Imprevisto(s) 1
estranho-me no véu de minúsculas
que em vão cobre o meu nome
não me sinto ali no papel
nem me vejo mulher
na translúcida passagem
por lugares distantes das minhas mãos
dos meus olhares vazios
nasce a vontade de encher o mar
de estrelas e de cavalos
num galope desenfreado
retenho uma imagem opaca
da ínfima realidade que sou
23/02/2009
13/02/2009
11/02/2009
09/02/2009
26/01/2009
Deixei atrás os erros do que fui
Deixei atrás os erros do que quis
E que não pude haver porque a hora flui
E ninguém é exacto nem feliz.
Tudo isso como o lixo da viagem
Deixei nas circunstâncias do caminho,
No episódio que fui e na paragem,
No desvio que foi cada vizinho.
Deixei tudo isso, como quem se tapa
Por viajar com uma capa sua,
E a certa altura se desfaz da capa
E atira com a capa para a rua.
Poesias Inéditas (1930-1935)
09/01/2009
30/12/2008
Imprecisão 3
uma misteriosa inquietação
resisto à luz gradual que me cega
e à minha volta espalho pétalas de medo
do fundo retirei os raios de água
sem notas musicais impossíveis
Imprecisão 2
21/12/2008
Imprecisão 1
palavras dormentes acordam o regresso
ao canto esquecido de um quarto
na traseira soalheira da casa invisível
e o calor do relâmpago espreita com olhos de poeira
o segredo que durante milénios ousou feitiços
Irene Ermida
11/12/2008
A diferença
26/11/2008
24/11/2008
22/11/2008
Dores e outras coisas de momento
Saí com a tal dor de cabeça e vim para casa.
17/11/2008
Pérola(s)
um corpo estranho
invade o ser que sou
sem o ser
16/11/2008
(de)gelo
Desabafar é bom... ou excelente?!
Já há uns tempos atrás tive oportunidade de me referir à minha professora primária.
E hoje, mais uma vez, quero, necessito, mais do que nunca, lembrar-me dela!
O seu estatuto impunha respeito, admiração e o seu empenho e dedicação incentivava os melhores e não deixava para trás os mais fracos. Uma professora que ensinava, corrigia, educava… tratava-nos como alunos e como filhos, víamos nela a figura de mãe, de conselheira, de lutadora: era a senhora professora. Aprendíamos, porque ela nos ensinava, porque sabia exactamente qual a sua missão! Uma EXCELENTE professora!
Nós, crianças, sentíamo-nos gratas! E, pelo seu aniversário, oferecíamos-lhe um ramo de flores em sinal do nosso reconhecimento, que amaciava a sua aparência austera e deixava ver aos mais atentos, as lágrimas que ficavam a brilhar nos seus olhos.
Ao longo da nossa vida de estudantes privámos com EXCELENTES professores, que fizeram a diferença e se perpetuaram na nossa memória como exemplo a seguir. Dos fracos? Não reza a história! Caem no mais profundo esquecimento!
A todos os EXCELENTES professores que, diariamente, se empenharam ao longo de décadas (e aos que se empenham) na sua tarefa de ensinar pelo simples prazer de ver os seus alunos aprender, sem esperar louvores, nem menções honrosas, nem prémios, conscientes de que a sua acção ultrapassa qualquer rótulo, que o contributo que prestam para melhorar a «educação» dos homens e mulheres que um dia serão profissionais dos mais diversos sectores (mecânicos, cozinheiros, jornalistas, médicos, engenheiros, motoristas, ministros…), e que sempre foram alvo da indiferença total por parte da sociedade que deixou de lhes reconhecer competência, autoridade, dignidade; votados a um esquecimento displicente durante anos e anos, a quem, mais do que qualquer formalidade de avaliação, interessa o juízo que os seus alunos formam deles no quotidiano das suas aulas e fora delas…
A todos os EXCELENTES professores que foram avaliados com uma menção de SATISFAZ (importaria saber quantos requereram a menção de BOM no anterior sistema de avaliação!) e se contentaram com ela, porque o mais importante era a sua rotina escolar centralizada na aprendizagem dos alunos, porque esse sim, era o sentido do seu trabalho…
A todos os EXCELENTES professores que deram o seu contributo para que os seus(suas) alunos(as), passados uns anos, soubessem escrever, ler, criticar, formar opiniões, argumentar, fundamentar, mesmo contra eles…
A esses EXCELENTES professores anónimos para quem as quotas nunca serão suficientes nem os afectará na sua integridade, presto a minha homenagem porque souberam (sabem) enriquecer o país de ideias e de atitudes!
Expresso, por último, à minha professora primária um agradecimento especial por me ter ensinado que a pronúncia do “x” pode ser diferente consoante a palavra, e que o significado da palavra EXCELENTE não se limita a um mero quantitativo numérico, mas antes corresponde a um conteúdo e a uma essência incompreensíveis a quem não guarda memória dos seus professores.
Afinal, não é mais importante ser um BOM EXCELENTE do que um EXCELENTE de 10 valores?!
10/11/2008
Cinema sem pipocas
“Shine a Light” À última da hora venci a inércia da segunda-feira e lá fui ao «Cinema sem Pipocas». Um documentário arrepiante
(des)enlace
enlace
01/11/2008
Destruir depois de ler

30/10/2008
Hemisfério(s) 3

colateral
ponto cardeal
da rosa-dos-ventos
.
arco lançado ao vento
num rodopio circular
desenha espirais contínuas
sem fim sem princípio
cruza distâncias e proximidades
em fracções de segundo
que não chega a ser
tempo contado pelos ponteiros
de relógios de cristal sem pêndulo
a medir amplitudes
nem variações
Hemisfério(s) 2
29/10/2008
Hemisfério(s) 1
cerebral
esquerdo a sul acidental
direito a norte oriental
hemisférios sem meridiano
cruzam-se na linha curva que une pontos
de partida e de chegada
do princípio de nada ao fim de tudo
numa recta contínua
de um plano imprevisível
de um espaço excessivo
preenchido de vazios tão cheios...
28/10/2008
Segmento(s) 3
26/10/2008
Segmento(s) 2

Segmento(s) 1
Foto de Nélio Filipe http://olhares.aeiou.pt/desfile de imagens subtis serpenteiam pelo olhar cego a traços nítidos impressos em letras desenhadas com mão firme guiada por um fio de seda envolvente embrenhado em ideias condensadas que chovem na madrugada ventilada e fresca surpreendida pelo sol acordado à pressa e esfrega os olhos ainda dormentes dos sonhos inconsistentes que projectaram raios de luz frágeis e apagados em qualquer rosto embriagado de um sentir imerso num dizer do silêncio
Irene Ermida
25/10/2008
24/10/2008
Registo(s) 3
Registo(s) 2
23/10/2008
Registo(s)1
15/06/2008
11/06/2008
Sexo e a cidade

O meu cérebro estabeleceu uma subliminar associação com um dos melhores filmes de Woody Allen "A Rosa Púrpura do Cairo", cuja actriz principal, interpretada por Mia Farrow, é surpreendida pelo actor que sai do écrã e a introduz na tela, desenvolvendo um jogo entre fantasia e realidade.
A realidade exposta pelo quarteto inseparável destas mulheres procurando o amor, cada uma à sua maneira, despertou em mim uma sensação de desengano.
A vida, se fosse cinema, seria, sem dúvida, bem melhor, pois, pelo menos, haveria a certeza de que, no fim, tudo acabaria bem.
Hoje, caí na realidade, quando tocou o despertador às 7h30 e me preparei para recomeçar a minha actividade (que se adivinha intensa!).
E lá fui de boleia, já que na «realidade», o meu carro está há uns dias na oficina!
10/06/2008
Já ninguém se lembra de Camões?
Mário Quintana
E se quiserem treinar e não tiverem a obra à mão (o que é imperdoável) aqui vai um
Recomendo a (re)leitura das estrofes 120 - 134, do Canto III
09/06/2008
(se)mentes
Ora toma lá!
José Eduardo Moniz "Nunca tomarei decisões apenas porque determinada funcionária é minha mulher. (...) A Manela tem méritos próprios, que não precisam do marido para nada."
José Eduardo Moniz, director-geral da TVI, comentando o regresso de Manuela Moura Guedes aos ecrãs da estação, in "Notícias TV".
Fonte: http://fama.sapo.pt/
Para quem não sabia, fica a saber!
Que más línguas, que coisa!
Fiquei muito mais feliz por ser assim!
Ai que não caibo em mim de contente!
Malha caída
Fazia tricô e deixou cair uma malha.
E agora?
Negaçao do nada

Foto: Narcis Virgiliu
não trilho veredas de nuvens informes
não me seco no instante fugaz do vazio
não navego na vacilante onda de espuma
não cresço em agrestes jardins sem raízes
não me afogo em inconstantes marés cheias
não me alimento da efémera torrente do vulcão
não estremeço no fluxo contínuo do volúvel
não combato inexistentes espectros de luz
não me resigno a inquietos ímpetos de fé
não derivo na intranquila corrente do rio
não flutuo em lagos de verdes pântanos
não, não me sinto nos outros sem mim
07/06/2008
Iniciativa audaz
Enquanto milhões de olhares se fixam no quadrado mágico para ver quem primeiro mete a bola na baliza do adversário, ouvi num outro canal de TV, a notícia de que em Portugal nenhuma cidade aderiu à
Dada a singularidade do evento, decidi pesquisar mais alguma informação, visto que não será nada fácil pedalar em tão nu estado e, acima de tudo, causou-me estranheza a ausência desta iniciativa em Portugal, já que, noutras, estamos sempre solícitos a participar. Foto retirada da net, ao acaso (nem todos(as) apreciarão a escolha, paciência...)
Estando nós em crise, seria sempre uma boa alternativa!
Em vez de invejarmos a peça de roupa ou o automóvel da marca, passaríamos a comentar as mamas, mais ou menos descaídas, das mulheres, ou o tamanho do pénis, maior ou menor, dos homens...
Pensando bem, o «sexo» passaria a ser o tema central das conversas diárias e tornar-se-ia tão banal que, ao fim de algum tempo, os conceitos e valores estariam completamente alterados!
As vantagens seriam inúmeras: os atropelamentos seriam reduzidos e menos graves, os combustíveis eram dispensáveis, os benefícios para a saúde seriam evidentes, a poluição diminuiria drasticamente, diminuiriam as desigualdades sociais, aumentaria a natalidade e a paisagem seria francamente mais aprazível.
Bem, não aderimos desta vez mas, aos poucos. lá chegaremos, pois com o actual estado de coisas, o nosso país vai ser o primeiro a dar o exemplo aderindo massivamente!
Pelos gritos de «goooooooolo» que ouvi há pouco, deduzo que Portugal esteja a ganhar... ainda bem que há quem não perca tempo com «iniciativas» destas e aproveite bem o seu tempo!
E para quem gostar de MPB
No próximo dia 14 de Junho, às 22h00, no Auditório Exterior do Teatro de Vila Real.
E este sim, é acessível a todos...
Espero que a noite esteja quente!
Bailado no programa de sexta à noite...
Graças à política de fidelização dos espectadores adoptada pelo Teatro de Vila Real, que consiste em oferecer bilhetes de vez em quando, a quem está inscrito na sua base de dados, tive hoje a oportunidade de assistir a este espectáculo. Aprecio a arte nas suas diferentes formas. Não entendo as técnicas mas os sentidos reagem positiva ou negativamente aos estímulos e isso para mim é que é importante.
Não foi o primeiro bailado a que assisti, evidentemente. Ainda bem que venci os últimos instantes de hesitação. Assim, as três partes “LES SYLPHIDES”, de Mikhail Fokine, “LENTO PARA QUARTETO DE CORDAS”, de Vasco Wellenkamp e “FRONT LINE”, de Henri Oguike corresponderam a três momentos de prazer, embora se tratasse de coreografias completamente diferentes.
Da leveza dos movimentos à intensidade dos ritmos, tudo se passou no palco, ao som de composições musicais envolventes.
A cultura deveria ser acessível a todos... (não acham?)
04/06/2008
Como S. Tomé: ver para crer!
Encontra-se na Galeria do JN a exposição de João Silva:
A realidade é filtrada através da lente do repórter, que decide o quê e o que deve fotografar para que os nossos olhos alcancem a dimensão da tragédia humana! Mas ela é tão real que quase queremos que seja ficção. Ver, para crer!
os_meus_rabiscos
descobri este
Na capital da Catalalunha
02/06/2008
Adivinhação

que me rasga latitudes infinitas
sob o lodo inundado de um querer
que emerge do nada
fogos distintos de um sentir
perdido por oráculos obstinados
desviam rumos pendulares
sem rota predestinada
01/06/2008
Por terras de nuestros hermanos...

Além de objecto de adorno fora de uso, útil para refrescar em dias de calor as partes do corpo mais ruborizadas, elemento obrigatório da indumentária tradicional espanhola, o leque é também um meio de comunicação:

El Lenguaje de los Abanicos
El abanico colocado cerca del corazón: "Has ganado mi amor"
Cerrar el abanico tocándose el ojo derecho: " Cuando podré verte"
El número de varillas muestran la contestación a una pregunta: "A que hora"
Abanico medio abierto presionado sobre los labios: "Puedes besarme"
Las dos manos juntas sujetando el abanico abierto: "Olvídame"
Cubrirse la oreja izquierda con el abanico abierto: "No reveles nuestro secreto"
Esconder los ojos detrás del abanico abierto: "Te quiero"
Tocar con el dedo la parte alta del abanico: "Desearía hablar contigo"
Dejar el abanico descansado sobre la mejilla derecha: "Si"
Dejar el abanico descansado sobre la mejilla izquierda: "No"
Descender el abanico: "Seremos amigos "
Abanicarse lentamente: "Estoy casada"
Abanicarse rápidamente: "Estoy comprometida"
Poner el abanico sujetándolo sobre los labios: "Bésame"
Abrir totalmente el abanico: "Espérame"
Situar el abanico detrás de la cabeza: "No me olvides"
Situar el abanico detrás de la cabeza con el dedo extendido: "Adiós"
Situar el abanico delante de la cara con la mano derecha: "Sígueme"
Mantener el abanico sobre la oreja izquierda: "Deseo deshacerme de ti"
Mover el abanico alrededor de la frente: "Has cambiado"
Dar vueltas al abanico con la mano derecha: "Quiero a otro"
Llevar el abanico abierto en la mano derecha: "Eres demasiado ferviente"
Mover el abanico entre las manos: "Te odio"
Entregar el abanico cerrado: "¿Me quieres?"
Mover el abanico alrededor de la mejilla: "Te quiero"
22/05/2008
Reflexões impróprias...

O paradoxo introduzido pelo adjectivo «absurdo» exprime a inutilidade do «desejo» e confere-lhe uma ininteligibilidade na visão do próprio sujeito. Sendo o «desejo» uma vontade própria com vista à satisfação, torna-se incompreensível que se deseje «sofrer»; daí a existência imprescindível do «absurdo» que traduz o estado de espírito de alguém que, racionalmente, reconhece que é em vão sentir esse desejo mas que, irracionalmente, não é capaz de o evitar.
Num ou noutro momento da nossa vida, sentimos essa necessidade incompreensível e inútil de «sofrer».
Encontramos refúgio no autismo e na dissolução de laços afectivos e queremos romper toda e qualquer ligação com o mundo exterior, convencidos de que aí estará a solução dos nossos problemas. Sendo uma fase que nos permite «crescer» interiormente, se tivermos a experiência de vida e a sabedoria de nos recolocar no caminho certo, com ou sem ajuda de outrém, acordaremos um dia e veremos que a realidade, apesar de permanecer inalterada, é aquela que realmente desejamos e temos de enfrentar.
Quantas vezes nos deixamos abater pelas circunstâncias que nos parecem catastróficas e das quais achamos que não conseguimos sair?
Relativizar os problemas e criar prioridades, bem como distinguir o essencial do acessório, serão, provavelmente, os mecanismos ao nosso alcance que nos desvendam os mistérios da nossa existência.
Quando nos orientamos pela ambição de tudo querer num dado momento, aumentamos, na mesma proporção, o risco de tudo perder. Encontrar o equilíbrio e a estabilidade emocional pode resultar de um longo, mas necessário, sofrimento interior, pois, só assim se aprende a dar valor às pessoas ou às oportunidades que surgem na nossa vida.
Irene Ermida
Estamos sempre a aprender!

Lidar diariamente com «cretinos» não é tarefa fácil e deixa-nos poucas alternativas: ou agimos com a indiferença proporcional ao grau, ou tentamos «salvar» esse intelecto do naufrágio iminente ou, simplesmente, acreditamos que existem como contraponto dos «inteligentes».
Tratando-se de «debilidade mental» ligada a doença, a solução talvez passe por encaminhar o caso para um especialista e esperar que o nosso contributo tenha consequências positivas na história da humanidade!
Façam o favor de sorrir...
20/05/2008
incursões medievais

Foto: Günter Griesmayr
sonhava defesas indestrutíveis
entre ameias e muralhas
sonhava solidões e indiferenças
construí pontes levadiças
sobrevivi a batalhas e esquivei-me a flechas
resisti até aos limites da força
e as estrelas segredaram-me palavras...
soltas e demolidoras
que me catapultaram para fora de mim
23/04/2008
sem título
Há instantes que nos surpreendem pela evidência da mutabilidade e pela consciência de que a nossa vida se constrói na incessante passagem de etapas da vida dos outros.
...................................................
21/04/2008
Vidas à espera da morte

Site oficial
Poderia dissertar sobre os actores, a fotografia, a música, o guião... Mas nada disso faria sentido!
A dialéctica vida / morte é lugar comum em discussões, à mesa do café, pela noite dentro, quando a crise existencial nos bate à porta, sobretudo quando ainda jovens, não entendemos a razão pela qual a vida nos obriga a morrer. À luz de doutrinas filosóficas, de cariz mais existencialista ou mais teológico, discute-se o sentido, ou falta dele, de ambas, procuramos respostas para justificar, afinal, a certeza mais infalível que todos temos desde que vimos ao mundo!
A nossa visão da vida condiciona a aceitação ou a negação da nossa morte.
Há os que defendem a teoria do «consumismo» do tempo e vivem cada dia com a convicção de não acordar no seguinte!
Há os que defendem o «adiamento» da vida como se fossem donos do tempo!
Há os que injectam doses de trabalho nas horas para lhes sugar o tutano!
Há os que vivem alucinados pelo medo da morte!
Há os que vivem moribundos adiando um amor!
Há os que existem aprisionados ao passado!
Arrisco dizer que poucos são os que saboreiam a vida com serenidade e aceitam a morte com naturalidade!
Quando saí do cinema, ocorreu-me também escrever uma lista de coisas que quero ainda fazer: viajar na montanha russa, dar uma volta no carrossel, caminhar na praia sob a chuva, apreciar o nascer do sol, fazer um piquenique, rever o álbum de fotografias de família...
Mas dei comigo a pensar que, afinal, a vida, assim como a morte, são imprevisíveis!
14/04/2008
Interstício
Existo no intervalo entre a tua chegada e a tua partida
na forma de me sentir mais eu junto a ti
nos braços que me rodeiam e me evaporam no vácuo
.................................................
Mensagens que dançam no silêncio do olhar
no espaço de um mundo renovado
em que a nossa trajectória ocupa o centro do universo
.................................................
O resto desvanece-se em sombras invertidas no espelho
de uma virtualidade oca e intrusa
à margem da nossa cumplicidade que sustém as lacunas
entre a tua partida e a tua chegada.
.....................................................
08/04/2008
No cinema... sem pipocas!

Um filme que alia a simplicidade da vida e a complexidade interior do ser humano perante as circunstâncias que permanecem para além da sua vontade.
O crescimento interior do ser humano em contraponto com a cronologia dos acontecimentos extrínsecos.
Um Irão desmistificado pelos olhos de uma criança/adolescente/mulher que aprende com a avó o significado de «integridade».
Uma curiosidade: o filme foi proibido no Líbano.
Um outro olhar sobre este filme no
06/04/2008
02/04/2008
Afluente
Sou um afluente que desagua em rio nenhum
numa viagem atribulada pelas margens da existência
a jusante de investidas impróprias e rutilantes
que desaguam numa foz inverosímil
Adormeço no leito de águas turvas, serenas
longínqua e consistente
que me fixam no caudal que flui através de mim
31/03/2008
Permanências 3

de traçar uma espiral tridimensional
que equaciona o campo das hipóteses
e exercita a razão geradora
de contradições do pensamento
que avança da afirmação da negação
para a caducidade do espírito
distende a resistência
e infere antíteses implícitas
em axiomas e regras que assolam as divergências
30/03/2008
Permanências 2

apurados pela ininteligibilidade
de aromas e de gostos imanentes
para além do tempo e dos sentidos obstinados
na procura pela extensão da memória
que evoca pedaços de vida e momentos efémeros
concentrados num odor de intenso sabor






















