
SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
09/06/2008
(se)mentes

Ora toma lá!
José Eduardo Moniz "Nunca tomarei decisões apenas porque determinada funcionária é minha mulher. (...) A Manela tem méritos próprios, que não precisam do marido para nada."
José Eduardo Moniz, director-geral da TVI, comentando o regresso de Manuela Moura Guedes aos ecrãs da estação, in "Notícias TV".
Fonte: http://fama.sapo.pt/
Para quem não sabia, fica a saber!
Que más línguas, que coisa!
Fiquei muito mais feliz por ser assim!
Ai que não caibo em mim de contente!
Malha caída
Fazia tricô e deixou cair uma malha.
E agora?
Negaçao do nada

Foto: Narcis Virgiliu
não trilho veredas de nuvens informes
não me seco no instante fugaz do vazio
não navego na vacilante onda de espuma
não cresço em agrestes jardins sem raízes
não me afogo em inconstantes marés cheias
não me alimento da efémera torrente do vulcão
não estremeço no fluxo contínuo do volúvel
não combato inexistentes espectros de luz
não me resigno a inquietos ímpetos de fé
não derivo na intranquila corrente do rio
não flutuo em lagos de verdes pântanos
não, não me sinto nos outros sem mim
07/06/2008
Iniciativa audaz
Enquanto milhões de olhares se fixam no quadrado mágico para ver quem primeiro mete a bola na baliza do adversário, ouvi num outro canal de TV, a notícia de que em Portugal nenhuma cidade aderiu à
Dada a singularidade do evento, decidi pesquisar mais alguma informação, visto que não será nada fácil pedalar em tão nu estado e, acima de tudo, causou-me estranheza a ausência desta iniciativa em Portugal, já que, noutras, estamos sempre solícitos a participar. Foto retirada da net, ao acaso (nem todos(as) apreciarão a escolha, paciência...)
Estando nós em crise, seria sempre uma boa alternativa!
Em vez de invejarmos a peça de roupa ou o automóvel da marca, passaríamos a comentar as mamas, mais ou menos descaídas, das mulheres, ou o tamanho do pénis, maior ou menor, dos homens...
Pensando bem, o «sexo» passaria a ser o tema central das conversas diárias e tornar-se-ia tão banal que, ao fim de algum tempo, os conceitos e valores estariam completamente alterados!
As vantagens seriam inúmeras: os atropelamentos seriam reduzidos e menos graves, os combustíveis eram dispensáveis, os benefícios para a saúde seriam evidentes, a poluição diminuiria drasticamente, diminuiriam as desigualdades sociais, aumentaria a natalidade e a paisagem seria francamente mais aprazível.
Bem, não aderimos desta vez mas, aos poucos. lá chegaremos, pois com o actual estado de coisas, o nosso país vai ser o primeiro a dar o exemplo aderindo massivamente!
Pelos gritos de «goooooooolo» que ouvi há pouco, deduzo que Portugal esteja a ganhar... ainda bem que há quem não perca tempo com «iniciativas» destas e aproveite bem o seu tempo!
E para quem gostar de MPB
No próximo dia 14 de Junho, às 22h00, no Auditório Exterior do Teatro de Vila Real.
E este sim, é acessível a todos...
Espero que a noite esteja quente!
Bailado no programa de sexta à noite...
Graças à política de fidelização dos espectadores adoptada pelo Teatro de Vila Real, que consiste em oferecer bilhetes de vez em quando, a quem está inscrito na sua base de dados, tive hoje a oportunidade de assistir a este espectáculo. Aprecio a arte nas suas diferentes formas. Não entendo as técnicas mas os sentidos reagem positiva ou negativamente aos estímulos e isso para mim é que é importante.
Não foi o primeiro bailado a que assisti, evidentemente. Ainda bem que venci os últimos instantes de hesitação. Assim, as três partes “LES SYLPHIDES”, de Mikhail Fokine, “LENTO PARA QUARTETO DE CORDAS”, de Vasco Wellenkamp e “FRONT LINE”, de Henri Oguike corresponderam a três momentos de prazer, embora se tratasse de coreografias completamente diferentes.
Da leveza dos movimentos à intensidade dos ritmos, tudo se passou no palco, ao som de composições musicais envolventes.
A cultura deveria ser acessível a todos... (não acham?)
04/06/2008
Como S. Tomé: ver para crer!
Encontra-se na Galeria do JN a exposição de João Silva:
A realidade é filtrada através da lente do repórter, que decide o quê e o que deve fotografar para que os nossos olhos alcancem a dimensão da tragédia humana! Mas ela é tão real que quase queremos que seja ficção. Ver, para crer!
os_meus_rabiscos
descobri este
Na capital da Catalalunha
02/06/2008
Adivinhação

que me rasga latitudes infinitas
sob o lodo inundado de um querer
que emerge do nada
fogos distintos de um sentir
perdido por oráculos obstinados
desviam rumos pendulares
sem rota predestinada
01/06/2008
Por terras de nuestros hermanos...

Além de objecto de adorno fora de uso, útil para refrescar em dias de calor as partes do corpo mais ruborizadas, elemento obrigatório da indumentária tradicional espanhola, o leque é também um meio de comunicação:

El Lenguaje de los Abanicos
El abanico colocado cerca del corazón: "Has ganado mi amor"
Cerrar el abanico tocándose el ojo derecho: " Cuando podré verte"
El número de varillas muestran la contestación a una pregunta: "A que hora"
Abanico medio abierto presionado sobre los labios: "Puedes besarme"
Las dos manos juntas sujetando el abanico abierto: "Olvídame"
Cubrirse la oreja izquierda con el abanico abierto: "No reveles nuestro secreto"
Esconder los ojos detrás del abanico abierto: "Te quiero"
Tocar con el dedo la parte alta del abanico: "Desearía hablar contigo"
Dejar el abanico descansado sobre la mejilla derecha: "Si"
Dejar el abanico descansado sobre la mejilla izquierda: "No"
Descender el abanico: "Seremos amigos "
Abanicarse lentamente: "Estoy casada"
Abanicarse rápidamente: "Estoy comprometida"
Poner el abanico sujetándolo sobre los labios: "Bésame"
Abrir totalmente el abanico: "Espérame"
Situar el abanico detrás de la cabeza: "No me olvides"
Situar el abanico detrás de la cabeza con el dedo extendido: "Adiós"
Situar el abanico delante de la cara con la mano derecha: "Sígueme"
Mantener el abanico sobre la oreja izquierda: "Deseo deshacerme de ti"
Mover el abanico alrededor de la frente: "Has cambiado"
Dar vueltas al abanico con la mano derecha: "Quiero a otro"
Llevar el abanico abierto en la mano derecha: "Eres demasiado ferviente"
Mover el abanico entre las manos: "Te odio"
Entregar el abanico cerrado: "¿Me quieres?"
Mover el abanico alrededor de la mejilla: "Te quiero"
22/05/2008
Reflexões impróprias...

O paradoxo introduzido pelo adjectivo «absurdo» exprime a inutilidade do «desejo» e confere-lhe uma ininteligibilidade na visão do próprio sujeito. Sendo o «desejo» uma vontade própria com vista à satisfação, torna-se incompreensível que se deseje «sofrer»; daí a existência imprescindível do «absurdo» que traduz o estado de espírito de alguém que, racionalmente, reconhece que é em vão sentir esse desejo mas que, irracionalmente, não é capaz de o evitar.
Num ou noutro momento da nossa vida, sentimos essa necessidade incompreensível e inútil de «sofrer».
Encontramos refúgio no autismo e na dissolução de laços afectivos e queremos romper toda e qualquer ligação com o mundo exterior, convencidos de que aí estará a solução dos nossos problemas. Sendo uma fase que nos permite «crescer» interiormente, se tivermos a experiência de vida e a sabedoria de nos recolocar no caminho certo, com ou sem ajuda de outrém, acordaremos um dia e veremos que a realidade, apesar de permanecer inalterada, é aquela que realmente desejamos e temos de enfrentar.
Quantas vezes nos deixamos abater pelas circunstâncias que nos parecem catastróficas e das quais achamos que não conseguimos sair?
Relativizar os problemas e criar prioridades, bem como distinguir o essencial do acessório, serão, provavelmente, os mecanismos ao nosso alcance que nos desvendam os mistérios da nossa existência.
Quando nos orientamos pela ambição de tudo querer num dado momento, aumentamos, na mesma proporção, o risco de tudo perder. Encontrar o equilíbrio e a estabilidade emocional pode resultar de um longo, mas necessário, sofrimento interior, pois, só assim se aprende a dar valor às pessoas ou às oportunidades que surgem na nossa vida.
Irene Ermida
Estamos sempre a aprender!

Lidar diariamente com «cretinos» não é tarefa fácil e deixa-nos poucas alternativas: ou agimos com a indiferença proporcional ao grau, ou tentamos «salvar» esse intelecto do naufrágio iminente ou, simplesmente, acreditamos que existem como contraponto dos «inteligentes».
Tratando-se de «debilidade mental» ligada a doença, a solução talvez passe por encaminhar o caso para um especialista e esperar que o nosso contributo tenha consequências positivas na história da humanidade!
Façam o favor de sorrir...
20/05/2008
incursões medievais

Foto: Günter Griesmayr
sonhava defesas indestrutíveis
entre ameias e muralhas
sonhava solidões e indiferenças
construí pontes levadiças
sobrevivi a batalhas e esquivei-me a flechas
resisti até aos limites da força
e as estrelas segredaram-me palavras...
soltas e demolidoras
que me catapultaram para fora de mim
23/04/2008
sem título
Há instantes que nos surpreendem pela evidência da mutabilidade e pela consciência de que a nossa vida se constrói na incessante passagem de etapas da vida dos outros.
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21/04/2008
Vidas à espera da morte

Site oficial
Poderia dissertar sobre os actores, a fotografia, a música, o guião... Mas nada disso faria sentido!
A dialéctica vida / morte é lugar comum em discussões, à mesa do café, pela noite dentro, quando a crise existencial nos bate à porta, sobretudo quando ainda jovens, não entendemos a razão pela qual a vida nos obriga a morrer. À luz de doutrinas filosóficas, de cariz mais existencialista ou mais teológico, discute-se o sentido, ou falta dele, de ambas, procuramos respostas para justificar, afinal, a certeza mais infalível que todos temos desde que vimos ao mundo!
A nossa visão da vida condiciona a aceitação ou a negação da nossa morte.
Há os que defendem a teoria do «consumismo» do tempo e vivem cada dia com a convicção de não acordar no seguinte!
Há os que defendem o «adiamento» da vida como se fossem donos do tempo!
Há os que injectam doses de trabalho nas horas para lhes sugar o tutano!
Há os que vivem alucinados pelo medo da morte!
Há os que vivem moribundos adiando um amor!
Há os que existem aprisionados ao passado!
Arrisco dizer que poucos são os que saboreiam a vida com serenidade e aceitam a morte com naturalidade!
Quando saí do cinema, ocorreu-me também escrever uma lista de coisas que quero ainda fazer: viajar na montanha russa, dar uma volta no carrossel, caminhar na praia sob a chuva, apreciar o nascer do sol, fazer um piquenique, rever o álbum de fotografias de família...
Mas dei comigo a pensar que, afinal, a vida, assim como a morte, são imprevisíveis!
14/04/2008
Interstício
Existo no intervalo entre a tua chegada e a tua partida
na forma de me sentir mais eu junto a ti
nos braços que me rodeiam e me evaporam no vácuo
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Mensagens que dançam no silêncio do olhar
no espaço de um mundo renovado
em que a nossa trajectória ocupa o centro do universo
.................................................
O resto desvanece-se em sombras invertidas no espelho
de uma virtualidade oca e intrusa
à margem da nossa cumplicidade que sustém as lacunas
entre a tua partida e a tua chegada.
.....................................................
08/04/2008
No cinema... sem pipocas!

Um filme que alia a simplicidade da vida e a complexidade interior do ser humano perante as circunstâncias que permanecem para além da sua vontade.
O crescimento interior do ser humano em contraponto com a cronologia dos acontecimentos extrínsecos.
Um Irão desmistificado pelos olhos de uma criança/adolescente/mulher que aprende com a avó o significado de «integridade».
Uma curiosidade: o filme foi proibido no Líbano.
Um outro olhar sobre este filme no
06/04/2008
02/04/2008
Afluente
Sou um afluente que desagua em rio nenhum
numa viagem atribulada pelas margens da existência
a jusante de investidas impróprias e rutilantes
que desaguam numa foz inverosímil
Adormeço no leito de águas turvas, serenas
longínqua e consistente
que me fixam no caudal que flui através de mim
31/03/2008
Permanências 3

de traçar uma espiral tridimensional
que equaciona o campo das hipóteses
e exercita a razão geradora
de contradições do pensamento
que avança da afirmação da negação
para a caducidade do espírito
distende a resistência
e infere antíteses implícitas
em axiomas e regras que assolam as divergências
30/03/2008
Permanências 2

apurados pela ininteligibilidade
de aromas e de gostos imanentes
para além do tempo e dos sentidos obstinados
na procura pela extensão da memória
que evoca pedaços de vida e momentos efémeros
concentrados num odor de intenso sabor
Permanências 1

o entendimento e a sustentação
de ventos que convergem no erro
numa ascensão de massas de ar
que se deslocam, perdidas, no universo
como se as palavras rudes
entretidas numa teimosia primária
projectassem sombras de ideias corruptíveis
e o Mundo Sensível nos condenasse
a uma pena perpétua de viver
26/03/2008
Sobre a hipocrisia

Lido mal com a hipocrisia. Quando a frontalidade é a regra número um do nosso estar no mundo, ficamos confusos e perplexos perante a desfaçatez com que algumas "pessoas" nos interpelam ou respondem.
As emoções que me assaltam nesses momentos são do mais primário que existe e é difícil manter o controlo! Nada melhor que um Xanax para evitar problemas maiores!
Ocorre-me o ensaio de Victor Hugo: »O Sofrimento do Hipócrita»:
Ter mentido é ter sofrido. 0 hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso. 0 odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. 0 verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. 0 traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. 0 hipócrita é um titã-anão.
24/03/2008
luta de vida e de morte
A liberdade completa para todo o Tibete
Há muito tempo esperada".
de anátema impune
reveste-se a humanidade...
bélico sofrer de balas
que rastejam a dor de existir
trespassam a alma de um povo
votado ao crer
de ser
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23/03/2008
Garcia Marquez no cinema
Arte em Serralves

Foto
Percorri, atónita, a exposição "Robert Rauschenberg: Em Viagem 70-76" patente no museu da
Continuei a visita à exposição "Júlio Pomar - Cadeia da Relação", que centraliza a acção nos trabalhos de colagem, "assemblage" e no confronto entre a tela crua e a cor.
Aos poucos, fui enredando-me numa lógica dominada por uma abstracção sedutora e envolvente espelhada em sensualidade e erotismo.
20/03/2008
Ainda a propósito...
Chegada a casa, à hora do almoço em família, ingenuamente contei a proeza. O meu pai, na casa dos quarenta e com a quarta classe antiga, sentado à minha frente proferiu serenamente a sentença: «Ai de ti que eu saiba que tratas assim a professora!»
E seria a única a tratá-la por professora até final do ano.
Hoje penso: Se não tivesse acatado a ordem inequívoca do meu pai, talvez ele nunca tivesse tido conhecimento da minha desobediência, mas algo mais forte me impeliu a cumprir religiosamente a sua indicação!
Imbuída desse espírito, criei um filho, hoje em idade adulta. Nunca recebi uma queixa por falta de respeito de professor algum e sinto orgulho dos elogios que fui ouvindo ao longo destes anos a propósito da sua correcção e educação. Por vezes, dizem-me: tens muita sorte! Tive, de facto, mas foi com muito esforço que a procurei!
«Ó professora, será que eles têm pais como nós?!»
Uma amiga falou-me há pouco deste vídeo. Recebi alguns e-mails dos quais constava o endereço electrónico, mas foi em vão que cliquei nos links, pois anunciava a sua remoção. Por mero acaso, acabei por encontrá-lo no blogue
De Rerum Natura
Ao visualizar estas imagens, fui invadida pela perplexidade e por uma vontade inexplicável de chorar, que me impedem de tecer comentários alongados.
A postura agressiva da aluna, os risos e comentários dos colegas que filmam, a idade respeitável da senhora professora...
De repente, recordo uma frase que uma antiga aluna me colocou, há cerca de vinte anos atrás, durante uma visita de estudo a Lisboa, durante a qual, infelizmente, nos foi dada a oportunidade de assistir aos insultos verbais de um grupo de pretensos skinheads, na estação de comboios de Oeiras, dirigidos a uma pessoa negra que se misturou connosco, a fim de se manter segura: »Ó professora, será que eles têm pais como nós?!»
19/03/2008
Labaredas 3

o magma que permanece em mim
subitamente emerge
através das fendas vulcâncias
que me afastam dos rios e dos mares
revejo ancestrais demónios
em versos livres submersos
oscilo no relevo dos períodos e das orações
que, voláteis, explodem em efusivos sintagmas
e abrem crateras vazias de entendimento
alheios à fonética acústica
e enredados em enunciados fervilhantes.
Labaredas 2

consumida por ardentes substantivos
ilumino caminhos desertos de sentido
possessivos determinantes de paisagens
mordiscam luzes e sons
baralhados de silêncios demonstrativos
lançam chamas indomáveis e abrasam adjectivos:
incendiados, ardentes, inflamados
retenho a essência ruborizada do verbo
que transita para complementos
que desafiam a etimologia de amar
Labaredas 1

assediam-me palavras tropicais
temperadas de acentos polares
... entediam-m'os pronomes sombrios... que afasto
escrevo apóstrofos e suprimo vogais áridas
troco cedilhas por sibilantes consoantes
... inflamo discursos insípidos... que rejeito
sem faísca, queimo preposições austeras
e sussurro dissílabos incandescentes
sem limites lexicais
envoltas em semânticas loucuras
e num eco desabrido
clamo anacrónicas vibrações...
13/03/2008
Intervalo(s)

Foto: http://www.1000imagens.com/
Des moments libres. Toute vie bien réglée a les siens, et qui ne sait pas les provoquer ne sait pas vivre.
Il faut toujours un coup de folie pour bâtir un destin.
Toute loi trop souvent transgressée est mauvaise: c'est au législateur à l'abroger ou à la changer.
Marguerite Yourcenar
10/03/2008
Sinais do tempo
Demorava a saída do Marquês de Pombal. Os helicópteros da polícia e das TVs sobrevoavam a área e alguém especulava: a ministra está a ver-nos...
Passo a passo, avançámos lentamente até à Avenida da Liberdade, onde nos cruzámos com grupos de pessoas que nos apoiavam e davam coragem! Um grupo de idosos, orgulhoso de lutas passadas, gritava: Foi pela liberdade que nós lutámos! Uma mãe aplaudia exibindo na camisola: Os «pais» estão com a ministra, eu sou mãe! Duas crianças empunhavam um cartaz: Os professores são os nossos pais!
Acreditei novamente! Redescobri porque escolhi este caminho! E um orgulho inocente deu-me força. Força para acreditar que ser professor não é profissão. É mudar o mundo. É ajudar a desvendá-lo, a compreendê-lo na sua globalidade e particularidade.
É plantar uma árvore, é semear um jardim, é inventar um rio, é percorrer mares e continentes, é falar várias línguas, é regressar ao passado e viajar no futuro...
Ninguém me pode tirar tudo isto! Por mais que tentem, nunca o conseguirão!
Os ministros, os governos, as políticas passam... os professores ficam!






02/03/2008
Almoço em família

Um domingo diferente e igual a tantos outros. Em cima da hora, e num telefonema rápido perguntei: há almoço para mais dois? Do lado de lá, ouvi a voz meiga que me dizia, claro que há, mas não sei se o teu filho gosta, Então o que é?, Arroz de lampreia, ele é capaz de não gostar, Ele gosta, de certeza, como a mãe.
Lá fomos a carregar no acelerador mais do que devia, mas a estrada convidava e o tempo também. A lampreia estava uma delícia, mas resisti à tentação de me servir segunda vez, a pensar na balança e no tempo primaveril que convida a umas roupas mais leves.
Com a conversa posta em dia e a tarde a ameaçar tornar-se noite, regressámos à cidade, onde me esperava algumas tarefas domésticas enfadonhas que tratei de executar depressa. Vim, entretanto, visitar o meu blogue sem intenção nenhuma de escrever. Só ver... e, assim que me deparei com a página aberta, recuei e não me revi no último post! Como se um intruso (aliás, intrusa!) tivesse forçado a entrada e ocupasse agora um espaço que antes era só meu. Uma estranha sensação a que senti!
E decidi eliminar esse vídeo que mostrava declarações da senhora Ministra da Educação à RTP 1 há alguns meses atrás.
É que neste espaço quero só que permaneça o meu lado oculto que desvendo num registo distinto do dia-a-dia, para que possa libertar ideias, pensamentos, sensações, emoções ao sabor das palavras...
01/03/2008
A mobilização dos professores
Assistimos a uma onda de manifestações, das quais particularizo a do grupo profissional dos professores dos níveis de ensino pré-escolar, básico e secundário.
Mas, independentemente, de quaisquer considerações acerca das medidas tomadas pelo Ministério da Educação, torna-se emergente reflectir sobre o movimento que corre o país de lés a lés, excepção feita às Regiões Autónomas, onde o sistema de avaliação é pacífico, nomeadamente nos Açores, que foi pensado com instituições de ensino superior credíveis, como prova a análise das fichas de avaliação que simplificam o processo e o tornam evidentemente mais objectivo.
É incontornável, dizia eu, falar desta mobilização autêntica, espontânea, genuína dos professores, embora os mais desprevenidos e dogmáticos continuem a rotulá-la de político-partidária e defendam que, afinal, não passam de manobras urdidas pelos vários partidos os quais, a propósito de não sei o quê, se uniram contra a política do Ministério da Educação.
Considero que esta fachada que alguns tentam impor para fazer crer que os professores não passam de meros fantoches nas mãos de dirigentes sindicais, partidários ou outros, se venha a revelar até perigosa.
Baseio esta minha percepção na imprevisibilidade que esta mobilização geral pode originar, já que, de facto, é a indignação de uma classe que tem vindo a ser denegrida desde há alguns anos, quer pelos efeitos do desgaste das sistemáticas reformas que aconteceram continuamente, em prol da melhoria do sistema educativo e que se revelaram catastróficas, quer pelo contributo que os governantes têm dado ultimamente para transformar os 150 mil professores deste país numa classe de incompetentes e faltosos. Esta generalização acabou por afectar a dignidade daqueles que, de facto, sempre foram dedicados à profissão e nunca precisaram de diplomas legais para compreender que o essencial do seu trabalho são os alunos!
Esta tomada de consciência global que, por sua vez, está a gerar também uma acção global, será certamente para os sociólogos um campo interessante para aprofundar.
A apatia da maior parte dos docentes durante anos e anos, que as forças sindicais não souberam contrariar, está a dar lugar a uma tomada de atitude consciente, embora haja sempre quem o exprima menos bem, talvez devido à falta de hábito das luzes da ribalta.
Se pensarmos que a escola é uma área onde se concentram o maior número de licenciados por metro quadrado, como dizia há tempos um responsável do sector, e constitui um dos maiores grupos profissionais dotados de um grau académico superior, então teremos razões sérias para ficarmos apreensivos com esta mobilização a nível nacional. Afinal, os ministros passam e eles permanecem...
Interessante o texto do A VER O MUNDO
28/02/2008
Palavras geométricas

as palavras fluem em segmentos convexos
e expiram no vértice circunflexo
de alguém sem nome e sem origem...
do ângulo côncavo explodem destinos
que percorrem distâncias sem rumo,
de tempos sem dias para projectar estrelas
irrompem círculos desenhados no ar,
de cenas sem história e sem actores
resplandecem horizontes sem trajectória,
em pontos de fuga sem passado
convergem perspectivas grotescas...
fractais pulverizados de infinitos detalhes
distorcem a semântica dos sentidos
recolhidos em fragmentos anónimos...
20/02/2008
19/02/2008
Alice (?) no país das maravilhas...
Não sabia... mas fiquei a saber!
Não sabia que vivia no país das maravilhas!
Não sabia... mas fiquei a saber...
...que é tão fácil atravessar o espelho e viver no mundo da fantasia, em que a harmonia, a alegria, a esperança preenchem o nosso dia-a-dia.
Por um qualquer truque de magia, o importante é elevarmo-nos acima das comezinhas preocupações da vida e criar uma nova realidade de acordo com o que nos convém.
Só assim, poderemos manter a nossa sanidade mental!!!
Não sabia... mas fiquei a saber!
Que neste país "real", há canais de televisão que deixam qualquer "Alice no país das maravilhas" explanar os seus sonhos e fantasias durante 50 minutos...
Agora compreendo a necessidade de uma
E se cada um de nós tivesse a oportunidade de explanar os nossos sonhos e fantasias durante 50 minutos num canal de tv?!
Seria uma terapia insubstituível e decerto seria mais fácil passar através do espelho e mantermo-nos do lado de lá!
15/02/2008
Perplexidades
Seguramente a imagem da esquerda enternece os corações mais empedernidos...
A da direita assusta os mais destemidos...
Sem querer entrar em polémicas ou emitir qualquer juízo de valor, apenas exprimo a minha perplexidade perante alguns casos que vão sendo divulgados na comunicação social:
"Os quatro cães de raça rottweiler que mataram Vira Chudenko, de 59 anos, ucraniana, na Várzea de Sintra, foram abatidos logo no dia do ataque (anteontem), por ordem da procuradora-adjunta do Tribunal de Sintra e sem ter sido cumprido o prazo mínimo de 15 dias estipulado na lei para o despiste da raiva. O seu dono ficou em liberdade, com termo de identidade e residência."
Nunca saberemos se a «raiva» foi o motivo do ataque, assim como nunca saberemos o que sentiu a vítima nesse momento!
"Agarrei-o e ordenei-lhe que a soltasse. Obedeceu de imediato. Acho que nem se apercebeu do que fez porque estava calmo, como se tivesse estado a brincar"; Visivelmente emocionado, André Fernandes não consegue perceber o que aconteceu. Garante que "o Apolo era um cão dócil, muito meigo e estava connosco desde que nasceu há sete anos. Nunca revelou sinais de agressividade". Acredita que a explicação poderá estar no facto de cão e criança nunca terem brincado juntos."
A dor e a consternação que, sem dúvida alguma, tal situação gera, será indescritível e, só nesse contexto, poderá ser entendida esta declaração... (?)
Para mais informações:
11/02/2008
Agitação

forro-me do avesso com veludo suave
e desenho-me de vermelho sangue
moldo-me em formas de cetim macio
e transpiro odores floridos
trajo-me de seda natural
e escoo-me em pálidos fluidos
derreto-me em vibrações contínuas
e respiro palavras ofegantes
dilato-me nas ondas de calor
e irrompo em lufadas ciclónicas
adormeço em sonhos tranquilos
e sorrio olhares amendoados
04/02/2008
DESAFIO: «O idiota e a moeda»
O IDIOTA E A MOEDA
Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas. Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 REIS e outra menor, de 2000 REIS. Ele escolhia sempre a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.
Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e perguntou-lhe se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.
Respondeu o tolo: - Eu sei, ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar a minha moeda.
No final desta história tão simples, alguém deduzia a moral.
Lembrei-me então de colocar um desafio aqui no blogue e esperar que dêem asas à vossa criatividade, imaginação e capacidade crítica.
Aceitam-se sugestões para a «moral da história» e haverá apenas duas regras:
1. As respostas são aceites até 15 de Fevereiro;
2. Após essa data serão publicadas em simultâneo.
14/01/2008
Remar contra a maré
Remar contra a maré será uma expressão que traduz a persistência em afirmar ideias, princípios e postura na vida, apesar das adversidades que surgem em cada esquina.
Ficar de braços cruzados enquanto engolimos sapos acarreta consequências para a integridade moral, que pode destruir, corroer e lançar o ser humano num labirinto até se perder, sem bilhete de regresso.
Não dar o braço a torcer quando a crença de que o lado certo é mais forte do que qualquer evidência que nos queiram impingir, traz, com o passar do tempo, alguma debilidade de comportamento que pode levar, de vez, a perder a cabeça e a viver eternamente no mundo da lua!
Pôr as cartas na mesa pode custar os olhos da cara e levar-nos a passar o tempo com a pulga atrás da orelha.
Ser um osso duro de roer pode granjear o respeito e a admiração dos outros que, sentindo-se de mãos atadas, acabam, por vezes, a trepar paredes!
Quantas vezes se recebe um balde de água fria, por tentarmos manter a verticalidade que nos distingue de alguns zeros à esquerda que se pavoneiam sem pés nem cabeça na calçada atapetada de vermelho!
Riscá-los do mapa seria a solução mais confortável e deixaria margem para a evolução natural das coisas, antes que se transformassem em meras baratas tontas preocupados em infernizar a vida dos outros!
Mas, convenhamos que, fazer uma tempestade num copo de água, não contribui, de modo nenhum, para pôr os pontos nos is. Por vezes, é recomendável mandar essa gente pentear macacos e fazer vista grossa às asneiras que cometem.
Não adianta chorar sobre o leite derramado nem bater na mesma tecla! Importa antes armarmo-nos até aos dentes, arregaçar as mangas e meter mãos à obra!
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13/01/2008
Entoação 3
contrastantes meticulosas e adormecidas
sobrevoa ninhos de águias que vigiam as crias
de que preciso? sem interrogação gráfica
porque não é uma pergunta hesitante
restauro a imagem diluída no denso nevoeiro
e formo réplicas de animais extintos
que questionam existências derrotadas pelo paradigma
abolido por estrelas próximas e distantes
que apelam à suavidade de momentos eternos.
11/01/2008
Entoação 2
submersa na água doce do aquário couraçado
interpreto danças de duplos sentidos expirados
atravesso transparências e revolvo sombrias plantas
e sou um peixe colorido sem sina inventada pela cigana da praça
transgrido o vidro deambulante que se dissolve no ar
sem as regras ditadas pelos costumes arcaicos
e bailo por universos depurados e hostis
numa proporção ambígua de sons e ritmos vindos do calor de terra
onde as gentes encarnam os trópicos e cicatrizam as mágoas
Entoação 1

resisto aos ventos que me assaltam sem cortar as horas
numa incessante busca deambulo ao sabor dos minutos infligidos pelo relógio
do parecer que estrangula árvores seculares e ramos singelos
avanço pelo limiar resplandecente que sufoca raízes profundas
olho em frente para o mar bravio que cintila sob nuvens sombrias
e derreto blocos glaciares de intensidades permitidas
05/01/2008
Poeira(s) 3
nas minhas pálpebras de azul
e sustento os sonhos de vapores
que me embaciam o olhar adormecido.
Recuo apressadamente sob o véu ligeiro
de vermelho e de pérolas colorido
e languidamente deito-me na mesa rósea
coberta de invernos severos e tórridos
Preencho-me de talvez e de certezas
e agito o polvilho de censuras
que se enredam nos meus pés
como se âncoras fossem.
Levanto a poeira cósmica do livro proibido
e durmo nas páginas amenas da loucura.
Poeira(s) 2
e sugo a seiva salgada
de ondas escritas no rio
que corre e pára incessantemente
nas margens do meu corpo.
Com falta de ar respiro o enigma
plantado junto aos meus dedos
e sopro o pó dourado da solidão
no feixe de luz apagado.
Silenciosa entro sem permissão
e rodeio o brilho luminoso da sombra
que embala os temerários deuses
destituídos dos venerados altares.
Folheio as pétalas de cobre
que ofuscam o silêncio dos ventos.
Poeira(s) 1
jamais reduzida a memórias inverosímeis
de caminhos inacabados e perfeitos
Velo por riquezas desfeitas
perdidas e reencontradas
no ténue labirinto de fantasias fugidias
Ignoro alegorias e afogo-me em metáforas
Débil, prescindo dos mitos que me atraiçoam
sem imprimir marcas dúbias
nem libertar relâmpagos fáceis
de saudades sofreadas do amanhã
que demora no parapeito da janela
embaciada de lendas misteriosas
e de breves soluços que fogem de mim.
O ar húmido adensa-me o pensamento
e embrulha-me em nuvens de fumo e de pó!
27/12/2007
Rotação 3

Rodopiam albatrozes no ar...
circulam nas ondas rasgadas de espuma
e viajam por longas distâncias:
atrás, deixam o sabor agridoce do passado
povoado de ténues memórias
da respiração arfante de crianças
presas à voz grave que se solta em gargalhadas
envolvem-se no mistério de uma porta que se abre
e dela surge, repentina, a figura amada
e há tanto desvanecida dos olhares fixos no mar
20/12/2007
Rotação 2

giro à volta do eixo imaginário
de presenças vazias de sentido
que movem raízes de si
sem saberem
e partem...
delas reconheço esboços de uns
e de outros sem tacto
que se baralham nas luzes da cidade
e não são quem eram
mas eram trindades unívocas
antes de tomarem novas rotações
patéticas e embaladas em alvoroço
- denunciam ausências arriscadas
de quereres perdidos para sempre
16/12/2007
Rotação 1

colhida pela intempérie de luzes
esvoaço pelas solidões alheias
enclavinhada em vectores inscientes
que rejeitam formas incisivas
de boatos e rumores anacrónicos
e presa à rotação insolúvel das imagens
prescindo da força centrífuga
que irradia a cor ténue da palavra
e extrai fantasias desenhadas a carvão
de jazigos encerrados pelo tempo
de livres associações
combino sentidos e figuras
que se fundem numa alquimia
de afectos intensos e vorazes
04/12/2007
Paris
Paris com chuva, frio e vento...
Paris, com o sol tímido a romper por entre as nuvens e a teimar mostrar a sua exuberância, o seu encanto, a sua luz, o seu mistério, o seu romantismo...
Paris, trespassada por cores e por música... por pessoas oriundas de todos os cantos do mundo... por cheiros e por vozes...
Uma viagem a Paris devia fazer parte do currículo escolar! Em tenra idade, mas já suficiente para compreender o mosaico multi-facetado em que vivemos.
Aprender a sentir, a ver, a ouvir, a cheirar, a rir, a compreender, a aceitar, a amar!
E, de quando em vez, revisitá-la para não esquecermos...
Relembrei e descobri Paris diferente.
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27/11/2007
Recessão (3)
de invernos distantes
retidas no lastro da lareira
consumida pelo tempo
recuo por trilhos de serenos olhares
que me afagam os cabelos
eivados de ternuras avoengas
e pinto mãos enrugadas e calosas
nas paredes de casas fantasmas
percebo sorrisos remotos
que embalam sonhos e premonições
20/11/2007
Recessão (2)
com palavras perdidas
da infância extraviada
no tempo devorado
por idades remotas
sem rugas sem gelhas
que atenuam a cor
e a dor aparente
dos anos implacáveis
desperto em nevoeiros
e elevo-me na atmosfera
condensada de raízes
sem sementes nem embriões
suprimida por impotência
da natureza e da matéria
11/11/2007
Recessão (1)
que me transportam tímida
por décadas, séculos, milénios
sem causalidade aparente
viajo à velocidade da luz
e mergulho em tempos remotos
de fantasias medievais
ou de festins romanos
recuo a épocas de grutas
e descubro o fogo hipnótico
que me devora numa combustão
interminável
e desfaleço em labaredas
e converto-me em cinzas
04/11/2007
Tempo de pintura...
Cheguei tarde e aguentei o frio que caiu após um dia de sol que se recolheu sem avisar.
Enquanto esperava na fila, pude observar o movimento das pessoas que se deslocavam lentamente e aos soluços, percorrendo o perímetro do átrio dessa bela casa, um exemplar magnífico da arquitectura solarenga portuense, que remonta ao século XVIII, em estilo barroco, da autoria de Nicolau Nasoni. Tentei, para me distrair e divertir, mudar o rumo da fila que seguia atrás de mim, dando uns passos mais à direita. Pouco consegui, mas confesso que não me esforcei muito.
Já lá dentro, pude apreciar o calor que aquelas paredes ofereciam aos visitantes, além dos interiores ricamente revestidos.
Não me seduziram as sequências de litografias ("Bíblia Sagrada", "Gargantua e Pantagruel" e "Fausto"), exceptuando uma ou outra. O mesmo não posso dizer das esculturas que, até ao momento, nunca tinha tido oportunidade de ver. Fixei em especial "Mulher Nua Subindo a Escada" que me atraiu pela simplicidade de formas e pelo movimento de ascensão que expressa.

Registei a inabilidade dos visitantes que observavam as obras expostas a vinte centímetros de distância, como se as fossem devorar a qualquer instante e impediam a visão sequencial e global da obra. Enfim...opções (?!)
Foto: http://jpn.icicom.up.pt/
Tempo de cinema...

Elizabeth The Golden Age








