SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
30/08/2010
29/08/2010
28/08/2010
Não faz mal pensar...
Ninguém é responsável por ninguém... a responsabilidade é individual e diz respeito a nós próprios...
A ser assim, a solução dos nossos problemas não depende do comportamento dos outros, mas antes das metas que traçamos para a nossa vida, das nossas decisões e do estabelecimento das nossas prioridades.
Ninguém vive a vida por nós!
Ninguém vive a vida por nós!
27/08/2010
Frases soltas...
«A maior cobardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la»
Mas não... não foi! Este pensamento, vá-se lá saber porquê, saiu da cabeça (ou do coração?!) de Bob Marley...
A curiosidade de descobrir algum indício que pudesse esclarecer o fundamento da frase de Marley, levou-me a pesquisar a biografia do cantor e músico e descobri na Wikipedia o seguinte:
O pai, Norval Sinclair Marley, um militar branco do exército inglês casou com a adolescente negra Cedella Booker, grávida de Bob, e abandonou-a no dia seguinte ao casamento. Continuou a dar-lhes apoio financeiro mas não impediu as dificuldades a que a família foi sujeita, nem provavelmente algum sentimento de abandono por parte do jovem Marley.
Isto sou eu a pensar... a vida afinal é mesmo assim, cheia de injustiças ou de pontas soltas... e, dado que as sentimos na própria pele, por vezes, herdamos os fantasmas e queremos corrigir o percurso dos antecessores, como se expiássemos as suas culpas ou erros. É como se voltássemos atrás, encarnássemos as figuras que nos puseram no mundo e resolvêssemos que, agora sim, é que vamos repor tudo no sítio certo.
É evidente que viver com tamanho peso acaba por ter custos elevados: primeiro, porque ao corrigirmos uns, cometemos outros; segundo, porque não vivemos a «nossa» vida, mas sim uma vida emprestada. E não porque nos foi emprestada, mas antes porque a usurpámos, convencidos que somos mais capazes de a viver, sem desvios nem fracassos!
É interessante reflectir como este legado interfere com as nossas emoções mais profundas e até que ponto pode condicionar as nossas decisões ao longo da vida. É como se quiséssemos compensar as pessoas que amávamos e vimos sofrer e evitar o sofrimento de outras que amamos.
O livre arbítrio dá-nos essa possibilidade; mas, independentemente do que fizermos ou tentarmos corrigir, há sempre a imponderabilidade das consequências das nossas acções. Como acabamos por ter a certeza de que estamos a agir bem?! Provavelmente, só se o ciclo se perpetuar e virmos os nossos filhos a «corrigir» as nossas falhas...
A natureza humana não é infalível e exigir demais de nós próprios acaba por resultar numa pena de prisão perpétua, condenados por «crimes» dos quais, no fim de contas, somos os únicos inocentes!
Mas, para desanuviar, vale a pena ouvir esta versão do «is this love»:
24/08/2010
Dez tipos de homens...
Não sei exactamente como, mas de link em link fui ter a um site brasileiro que exibia o título «Dez tipos de homens pra ficar bem longe». Decidi-me então a perder alguns instantes a ler este sugestivo e enigmático artigo, na expectativa de descobrir algum conceito menos prosaico e ainda me divertir com o suposto conteúdo.
É tema recorrente o relacionamento entre homem e mulher em análises mais, ou menos aprofundadas ou científicas… Diria que nem um nem outro (outra, neste caso) resiste a ler este tipo de artigo, pois, espera encontrar mais um ingrediente para a receita milagrosa que existirá por aí algures para alcançar a relação perfeita!
«Não entendo os homens!» e «não entendo as mulheres!» são expressões utilizadas frequentemente para exprimir a incapacidade de entendimento entre masculino e feminino, o qual deveria, à partida, ser naturalmente natural, já que a Natureza assim o concebeu e não há constatações desse tipo nas outras categorias de seres vivos, já que será improvável assistirmos um dia a uma discussão entre um casal de gatos sobre questões básicas do dia-a-dia ou entre a qualidade da sua relação… (a haver, seria muito mais fácil aprendermos com o exemplo!)
Ora, diz-se que a mulher é um ser bastante mais complexo que o homem e daí, a maioria destas tipificações serem da sua autoria, decorrente da sua tendência para analisar e sistematizar as coisas e transformá-las em códigos indecifráveis que põem a cabeça dos homens em água! Por sua vez, os homens tenderão a simplificar demasiado as coisas criando linguagens pragmáticas que possam sustentar o seu mundo a nível das necessidades básicas. Ou seja, ambos os sexos precisam de estereótipos para sobreviver no mundo das relações.
Acontece que, no meio destas categorizações, se perde a verdadeira essência do ser humano, seja mulher ou homem, desviando a atenção apenas para o invólucro e ignorando a dimensão inesgotável de emoções e pensamentos que cada um possui e que nunca chega verdadeiramente a ser exposto ou conhecido. Por comodismo, habituamo-nos a formatar as pessoas ou a vê-las apenas nessa proporção e a agir, ou reagir, segundo as referências que vão sendo criadas para encontrarmos a base de apoio para construir um relacionamento.
Concentrarmo-nos na descoberta do outro como indivíduo, com características singulares e únicas, é um processo demasiado lento para a sofreguidão com que se vive hoje em dia. Não há tempo para a exploração desse universo que cada um de nós transporta e que faz de nós seres absolutamente originais, dotados de uma riqueza incomensurável a vários níveis.
Abstrairmo-nos do enquadramento acessório e convergirmos para o essencial «invisível aos olhos», que passa pela aceitação do outro tal como realmente ele é e não como pretendemos mais facilmente supor, será, talvez, o mais belo desafio do homem ou da mulher…
Voltando ao motivo inicial que me levou a escrever estes devaneios, foi fácil associar um homem do meu círculo de conhecimentos a qualquer um dos tipos… Como seria, aliás, de esperar… E também acabei por me rever num dos «dez tipos de mulher a não copiar»…
E foi assim que acabei por reflectir nos perigos destas fórmulas caricaturais difundidas amiúde, que contribuem em parte para uma visão deturpada e oblíqua dos relacionamentos, já que, homem e mulher, são muito mais que um padrão fabricado por ideias simplistas, e o seu poder de atracção reside essencialmente na sua singularidade e excepção.
22/08/2010
Mais uma leitura...
«- Eu não decido nada. Acontece que eles estão à espera de ser incendiados. Pela minha parte, limito-me a fazer-lhes a vontade. Reconheço a situação e aproveito. Como a chuva. A chuva cai. Os rios transbordam e há coisas que são levadas pela corrente. Será que a chuva julga alguma coisa? Atenção, não penses que eu tenho queda para a imoralidade. Gostaria de acreditar que tenho a minha própria moral. E que representa uma força extraordinariamente importante para a existência humana. Sem moralidade, o ser humano não existe. A moral é o que permite existir simultaneamente.
- Existir simultaneamente?
- Exacto. Estou aqui e estou ali. Estou em Tóquio e, ao mesmo tempo, estou em Tunes. Sou eu o culpado e sou eu que perdoo. São tudo exemplos. Esse equilíbrio existe e, sem ele, não poderíamos viver. como acontece com um alfinete de segurança. Se esse alfinete se abrisse, ficaríamos em fanicos, literalmente. É graças a isso que podemos existir simultaneamente.»
Deliciosa passagem do conto «Os celeiros incendiados»! A eterna questão da moral, que serve os propósitos de cada um, conforme as conveniências... ou o colete de forças que nos atrofia a liberdade?!
Para ser livre, é preciso transgredir ou, apenas, soltar amarras? Viver a conta-gotas para manter o equilíbrio ou viver em queda livre permanente, ao sabor do nosso livre arbítrio com a opção de decidir se sim ou se não...
Talvez a maioria das pessoas prefira a primeira; mas, sem dúvida que, a meu ver, a segunda é muito melhor e mais completa: viver livre de falsas moralidades e poder decidir se sim ou se não, sem ter que inventar argumentos para as nossas atitudes, conforme a nossa vontade. Livre de materialismos e de estatutos sociais ou outros, com a certeza absoluta de que a vida é só uma, ninguém a vive por nós e um dia acaba... Termos consciência de que cada minuto é importante e que podemos fazer com ele uma imensidão de coisas... rechearmos o tempo de atitudes e factos significativos para nós e para os outros, que contribuam para uma evolução e não limitem esta passagem a uma mera repetição de rotinas... que, mesmo interrompidas, acabam por nos sufocar...
16/08/2010
(a imagem que faltava, estampada no peito de alguém... porque há coisas e pessoas que até se completam!)
de um sentir desejo
abandonado no gesto quente
de um simples cruzar de pernas
numa espera apetecida
e adiada…
nos dedos pendentes da mão
a tranquilidade
de que o tempo
afinal
não existe…
Irene Ermida
10/05/2010
09/05/2010
05/04/2010
(In)expressividades 3
pálida cor de ti
estende-se na minha janela
e não mostra o mundo
esconde-se na névoa
de estar aqui
e de não ser eu
nem tu
só matéria, só sonho
sem pontos
sem dedos...
estende-se na minha janela
e não mostra o mundo
esconde-se na névoa
de estar aqui
e de não ser eu
nem tu
só matéria, só sonho
sem pontos
sem dedos...
Irene Ermida
(In)expressividades 2
Imperceptível,
reconheço o som dessa voz
que me trai o pensamento
desligo a existência
embrulhada em fina folha de papel
decorada, já desbotada
de não saber nada
da alma inútil
e de frio vestida
reconheço o som dessa voz
que me trai o pensamento
desligo a existência
embrulhada em fina folha de papel
decorada, já desbotada
de não saber nada
da alma inútil
e de frio vestida
Irene Ermida
(In)expressividades 1

sem expressão, imóvel
fixo-me na miragem de um mar
pleno de vazio sentido
serei quem fui?
sem palavra que me baste
não fui quem serei
num estranho lema
sem noite
Irene Ermida
After Dark - Os passageiros da noite
«Uma vez tomada a decisão, a coisa não é assim tão difícil quanto isso. Basta que nos separemos da realidade concreta e deixemos para trás o nosso corpo, a fim de nos transformarmos num ponto de vista conceptual, desprovido de matéria. Esse estado permite-nos atravessar toda e qualquer barreira, passar por cima do abismo mais profundo. E transformamo-nos de facto num mero ponto,atravessamos o ecrã de televisão que separa os dois mundos. Partimos deste lado e somos transportados para o outro lado. Quando passamos através da parede e transpomos o abismo, o mundo conhece uma enorme transformação, abre falhas, desmorona-se e desaparece por momentos.Tudo adquire a consistência de uma poeira fina, imperceptível, que se espalha em todas as direcções. É então que o mundo torna a reconstruir-se. Cerca-nos uma nova materialidade. E isto acontece num abrir e fechar de olhos.»Murakami no seu After Dark, faz de nós observadores e participantes numa narrativa cativante e absorvente. As quatro horas que a leitura me ocupou, provocou-me a sensação do cinema, com a vantagem de participar, embora passivamente, no cenário! Mas sou suspeita, pois este é um dos meus escritores favoritos!
06/03/2010
17/02/2010
PROTÁGORAS E O DISCÍPULO
Conta-se que Protágoras, sofista notável, admitiu na sua escola o jovem Enatlus. E como este fosse pobre, firmou com o mestre um contrato: pagaria as lições quando ganhasse a primeira causa.
Terminado o curso, Enatlus não se dedicou à advocacia e preferiu trabalhar no comércio, carreira que lhe pareceu mais lucrativa.
De quando em vez, Protágoras interpelava o seu ex-discípulo sobre o pagamento das aulas e ouvia como resposta invariável a mesma desculpa:
— Logo que ganhar a primeira causa, mestre! É do nosso contrato!
Não se conformou Protágoras com o adiamento indefinido do pagamento e levou a questão aos tribunais. Queria que o jovem Enatlus fosse obrigado, pela justiça, a efectuar o pagamento da dívida.
Ao ser iniciado o processo perante o tribunal, Protágoras pediu a palavra e assim falou:
— Senhores Juízes! Ou eu ganho ou perco esta questão! Se eu ganhar, o meu ex-discípulo é obrigado a pagar-me, pois a sentença foi a meu favor; se eu perder, o meu ex-discípulo também é obrigado a pagar-me em virtude do nosso contrato, pois ganhou a primeira causa.
— Muito bem! Muito bem! — exclamaram os ouvintes. — De qualquer modo, Protágoras ganha a questão!
Enatlus que era muito talentoso, ao perceber que o seu antigo mestre, queria vencê-lo por um hábil sofisma, pediu também a palavra e disse aos membros do tribunal:
— Senhores juízes! Ou eu perco ou ganho esta questão! Se perder, não sou obrigado a pagar coisa alguma, pois não ganhei a primeira causa; se ganhar também, não sou obrigado a pagar coisa alguma, pois a sentença foi a meu favor!
E dizem que os magistrados ficaram atrapalhados e não souberam lavrar a sentença sobre o caso.
O sofisma de Protágoras consistia no seguinte: quando convinha aos seus interesses, ele fazia valer o contrato, e quando este podia de qualquer forma prejudicá-lo, ele pretendia valer-se da sentença. Do mesmo sofisma, o jovem Enatlus lançou mão com grande habilidade.
(Não sei de onde tirei isto...)
16/02/2010
Nas nuvens
Tantos objectivos que se vão desmontando, substituídos por imprevistos que nos ensinam a viver. Um argumento que podia ser o de qualquer um de nós, com variáveis de espaço e de tempo.
09/02/2010
Sabedoria popular
Quando enfrentamos situações de extrema pressão, socorremo-nos de todo o tipo de raciocínio lógico que, quando esgotado, nos impele a apelar a forças misteriosas capazes de nos desvendar as estranhas motivações e meandros do pensamento. Precisamos de entender o que existe no subterrâneo do comportamento porque, no fundo, é uma maneira de nos entendermos a nós próprios, enquanto seres em interacção social, e tentarmos aceitar o outro.
Apesar deste esforço, é comum não encontrarmos explicação alguma para certos acontecimentos que nos abalam como tremores de terra inesperados, com réplicas sucessivas, das quais emergem ideias que, associadas gradualmente, acabam por colocar as peças nos sítios certos do labiríntico puzzle por onde vagueia a nossa mente.
A vida ensina-nos a crescer com estes abalos emocionais e a ganhar imunidade suficiente para recuperarmos e nos fortalecermos.
E o que é certo, é que a sabedoria popular, com a sua pragmática perspectiva, acaba por simplificar e dar-nos o consolo necessário para prosseguir e enfrentarmos de novo outros sismos que, aos poucos, passamos a relativizar e a aceitar mais naturalmente, deixando de constituir a grandeza do nosso pensamento e reduzir-se à sua ínfima essência.
É caso, pois, para dizer: cá se fazem, cá se pagam; ou, quando pensamos ter encontrado todas as respostas, a vida encarrrega-se de mudar todas as perguntas; ou ainda, não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe!
Irene Ermida
07/02/2010
Inocuidade
Há momentos em que descobrimos, sem razão aparente e só porque o nosso cérebro tem mesmo de se ocupar com algum pensamento, que há pessoas inócuas… De tão inofensivas que são, transformam-se em indiferentes, como qualquer marco de correio ao lado do qual passamos todos os dias, mas em que já ninguém repara. Não nos fazem mal, mas também não nos fazem bem.
Damos conta que, apesar de serem presença assídua na nossa vida durante anos, podiam ser substituídas por outras, igualmente inócuas. E não faria diferença nenhuma. Ou seja, estão ali por estarem, porque falam, mexem e riem. Tão transparentes que até magoa; tão ocas que até dói; tão fúteis que até ofende… E vamos deixando-as estar, pois, não está na nossa natureza criativa e sumarenta, sacudir o pó de tal ausência de conteúdo.
Felizmente, há o contrário, bem mais raro, é certo, mas que compensa! Instantes fulgurantes bastam, por vezes, para que um rosto, um olhar, um sorriso, uma palavra, irrompam pelo nosso discernimento adentro e nos provoquem emoções perpétuas e inesquecíveis. Sem esses encontros seríamos nós, igualmente, vazios de sentido.
Seres que irradiam uma energia invisível poderosa, que nos arrancam da mesquinhez e da banalidade e nos catapultam para um horizonte tão extenso e fértil, que nos fazem sentir verdadeiramente substantivos e significantes. E esse universo de sensações intensas perdura e multiplica-se, na consciência plena de que também marcamos a diferença, o que pode, evidentemente, transformar-nos no alvo de sentimentos menos nobres e no centro de situações embaraçosas.
Seres que irradiam uma energia invisível poderosa, que nos arrancam da mesquinhez e da banalidade e nos catapultam para um horizonte tão extenso e fértil, que nos fazem sentir verdadeiramente substantivos e significantes. E esse universo de sensações intensas perdura e multiplica-se, na consciência plena de que também marcamos a diferença, o que pode, evidentemente, transformar-nos no alvo de sentimentos menos nobres e no centro de situações embaraçosas.
Cabe-nos activar a lucidez e a distância em relação às tentativas de atrofia e asfixiamento do nosso estar, do nosso sentir e do nosso ser, e explorar serenamente os trilhos que nos vão surgindo. E, se no início, é tarefa penosa, acaba por ser, gradualmente, um objectivo tentador e delicioso, que compensa o esforço!
Irene Ermida
06/02/2010
«Começar a acabar»
Um belíssimo texto de Beckett numa interpretação excepcional de João Lagarto.
Como é que ficamos presos pelas palavras? Pela maneira como são escritas, mas sobretudo pela maneira como são ditas! O sentido que lhes conferimos ao interpretá-las subjectivamente e ao dar-lhes corpo e alma! A existir, a alma só existe na forma como se dizem as palavras! Não basta pensá-las e senti-las, é preciso corporizá-las em sons e só assim ganham vida!
A alternância entre o discurso demente e ilógico e o discurso lúcido e verosímil, transporta-nos à dimensão real e fantástica da dimensão do ser humano. E o amor subjacente a tudo, apesar de tudo, numa profundidade plena de sentidos!
Excelente espectáculo!
03/02/2010
Duas interpretações...
L is for the way you look at me
O is for the only one I see
V is very, very extraordinary
E is even more than anyone that you adore and
Love is all that I can give to you
Love is more than just a game for two
Two in love can make it
Take my heart and please don't break it
Love was made for me and you
26/01/2010
Filme «O dia da saia»
Um filme intenso que retrata o meio escolar da sociedade francesa multi-cultural e multi-racial. Uma história que põe a nu, por um lado, a fragilidade de uma professora exposta diariamente a uma tensão desmedida e à qual acaba por sucumbir e, por outro, à indisciplina dos alunos e a tolerância com que é tratada, tudo em nome dos direitos humanos de alguns. Um complexo retrato de uma sociedade sem determinação e sem força, que pode ser qualquer uma!
Uma interpretação de Isabelle Adjani que ficará memorável na sua carreira.
24/01/2010
Inorgânica
Foto: Adraina in http://olhares.aeiou.pt/foto3382117.html
passou a vida sem chorar
por quem, não sabe
nem porquê
dura e inerte
passou pela vida sem a sonhar
e amorfa permaneceu
nos bastidores de si
sem se pensar
Irene Ermida
21/01/2010
(in)temporal
Foto: João Prates
e havia vento
que agitava as nuvens de vidro
num espelho esférico
e havia a dimensão
que lhe dava os meus olhos
à escala da intensidade e da cor da luz
branca e cálida, liquefeita e visível
e não havia trovões
nem orvalhos
nem rajadas
havia deuses e demónios
de mãos dadas!
Irene Ermida
19/01/2010
Pela comunicação
.
"Rapport é a capacidade de entrar no mundo de alguém, fazê-lo sentir que você o entende e que vocês têm um forte laço em comum. É a capacidade de ir totalmente do seu mapa do mundo para o mapa do mundo dele. É a essência da comunicação bem-sucedida."
"Rapport é a capacidade de entrar no mundo de alguém, fazê-lo sentir que você o entende e que vocês têm um forte laço em comum. É a capacidade de ir totalmente do seu mapa do mundo para o mapa do mundo dele. É a essência da comunicação bem-sucedida."
Anthony Robbins
À primeira vista parece tão simples e fácil. Mas esta capacidade de percorrer com o outro (que abrange todos os tipos de relacionamento: familiar, de amizade, de amor, profissional, social) os mesmos caminhos das emoções, dos sentimentos, dos pensamentos, exige uma forte resistência mas, se a atitude não for recíproca, chegamos a um ponto em que a nossa energia se esvai e precisamos de tempo para a recuperar. Ha pessoas que se auto-regeneram porque têm uma força infinita para manter-se em constante aprendizagem. Não pressupõem que já atingiram o ponto ideal; pelo contrário, mantêm a abertura de mente e de coração necessária ao seu restabelecimento e até, renascimento.
Há momentos em que esta atitude perante a vida se torna esgotante, pois, a procura e as solicitações ultrapassam os limites que, também essas pessoas, têm. Obviamente, que ninguém é imprescindível. E nem esses seres dotados de uma comunicação peculiar o são. E também eles necessitam de ter ao seu lado, alguém que alimente as suas necessidades de exploração dos seus «mapas» interiores e os desafiem rumo a novos destinos, por percursos ainda desconhecidos.
É uma procura incessante de algo para além fronteiras e vão deixando pelo caminho marcas inolvidáveis e sólidas que fortalecem para sempre quem as recebeu.
Nunca estão sozinhos, porque estão sempre consigo próprios e a solidão é a recompensa de se terem dado aos outros. Esta espécie de «levitação» preenche os espaços vazios com recordações e lembranças do que fizeram de bem e ajudam a suportar e a entender o que fizeram de mal.
Sempre a um ritmo diferente dos outros, incompreendidos e misteriosos, avançam devagar, porque sabem que o tempo não existe. ´
Plagiando um amigo meu: Não há relações significativas; o que há são pessoas significativas!
11/01/2010
Tremor(es) 3
aturdida, oscilo
na penumbra do amanhã
que chega ainda hoje
na penumbra do amanhã
que chega ainda hoje
no cais de embarque
não parto sem ti
e entrego-me ao tempo
e dele depende a saída
de voltar a ser
inquebrantável no propósito
de, pela última vez,
adormecer sem sonhar
com águas salgadas revoltas
e acordar num beijo
temperado de paixão.
Irene Ermida
Tremor(es) 2
é um receio na sombra
que me estremece o sentir
e sustenta uma voz secreta
que me estremece o sentir
e sustenta uma voz secreta
e viro do avesso
o momento do olhar
colado no meu pensamento
reavivada na tua presença
afago a memória
afago a memória
com um sorriso generoso
e abraço a luz
com uma força firme
para nunca mais a ver fugir
entre os fios da saudade
Irene Ermida
Tremor(es) 1
e assim trémula de palavras,
entre reticências eternas
sorvo as gotas que deslizam na tua voz
entre reticências eternas
sorvo as gotas que deslizam na tua voz
ausento-me do meu corpo
e parto numa viagem sem fim
por estradas amplas de sentidos
e toco nas nuvens com os dedos
puxando-as levemente para mim
num aconchego de minutos
solto-as num ímpeto,
e deixo-as voar ao vento,
céleres,eufóricas e saciadas
penetram os poros da minha pele
e alimentam a sede do porvir!
Irene Ermida
10/01/2010
Balada da neve
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
Augusto Gil
07/01/2010
05/01/2010
A rever...
Closer - Perto Demais
O destino (?) dá voltas ao próprio destino e gera histórias que se cruzam num círculo fechado entre quatro personagens que se amam, que se traem a si mesmas num labirinto sem saída.
03/01/2010
Leituras...
«É curioso que as pessoas falem tão ligeiramente do futuro, como se o tivessem na mão, como se estivesse em seu poder afastá-lo ou aproximá-lo de acordo com as conveniências e necessidades de cada momento.» (pág. 176)
Aquando da publicação do livro, estava eu numa livraria com o próprio na mão e fui olhada com desdém por uma «senhora» que comentou: «Hum, Saramago!» Arregalei os olhos e sorri...
Alheia à polémica, li-o apenas agora, calmamente. Não sendo surpreendente, visto que toda a gente sabe das crenças do escritor e só o lê quem quer, é uma leitura crua sem espaço para distracções. Aliás, já o Evangelho o era! E gostei! Principalmente das evidências que são difíceis de dissimular e do estilo a que o Prémio Nobel nos habituou.
E, por mero acaso, agorinha mesmo lembrei-me do Nome da Rosa... cujo livro ainda não li, mas a acreditar no filme havia livros proibidos... e havia pessoas queimadas vivas... e ufa!!! que alívio! Já estamos no século XXI, embora às vezes não pareça!
Um 2010 com muitas leituras destas e de outras...
29/12/2009
Ano Novo, Vida Nova... que grande treta!
Frases de ciscunstância não fazem mal, mas não mudam nada. A mudança reside na atitude, e isso é que custa! Por isso, se estamos bem connosco próprios, vamos continuar a estar; senão, mudemos de atitude, se tivermos coragem!
Vibração
forrada do avesso com suave veludo
desenho-me de vermelho sangue
moldada em formas de cetim macio
transpiro odores floridos
trajada de seda natural
escoo-me em pálidos fluidos
derretida em contínuas vibraçõesrespiro palavras ofegantes
dilatada nas ondas de calor
irrompo em lufadas ciclónicas
adormecida em tranquilos sonhos
sorrio olhares amendoados
acordada
sou uma sobrevivente
amada
Irene Ermida
Leituras...
Uma coisa, qualquer que ela seja, se permanece demasiado tempo igaul a si própria, acaba por perder aos poucos a sua própria energia e torna-se letárgica. Até mesmo os castelos no ar só têm a ganhar com uma nova demão de tinta para ficarem com a «cara lavada».Uma narrativa que nos prende da primeira à última linha, oscilando entre a realidade e a fantasia, em que o narrador retoma o passado no presente, com a intenção de reescrever a sua vida, dissimulando a cronologia dos acontecimentos, como se fosse possível partir do zero a qualquer momento. O narrador caminha para o abismo numa promiscuidade entre o imaginário e o real, acompanhado pelo leitor que mergulha na teia ora do improvável mas possível, ora do impossível mas provável.
28/12/2009
desassossego(s) 1
24/12/2009
Fingimento
sem significado e sem ser santo
mais um dia em que fingimos que nos preocupamos
em que trocamos presentes comprados à pressa entre sorrisos atabalhoados
e acreditamos nos sonhos das crianças
que já nem sonham
perpetua-se a tradição da ceia que acaba com urgência
por ausência das palavras imposta pela distância
ao longo dos meses
e vêm à lembrança os que ignorámos e esquecemos
fingimos tão completamente
que chega a ser verdade
a verdade que deveras é...
Irene Ermida
Pensamentos
“Os Educadores lutam pelo sonho, de tornar os alunos felizes, saudáveis e sábios.
Por isso cultivam os terrenos mais difíceis de serem trabalhados; os da Inteligência e da Emoção.
Esta é uma tarefa heróica, mas estes ensinamentos não se destinam a heróis.
Destinam-se a seres humanos falíveis (como todos somos) que sabem que educar é realizar a mais bela e complexa arte da inteligência; é acreditar na vida, mesmo nos momentos menos alegres; é ter esperança no futuro, mesmo que o presente nos desiluda…”
Auguste Cury
19/12/2009
13/12/2009
Uma noite quente
O frio não esmoreceu a vontade de interromper a rotina da semana e deleitar-me com os sons da Old Blind Mole Orkestra que acabou por ser uma lufada de ar quente numa noite gelada! O humor e a voz do vocalista Stelele e a versatilidade dos instrumentos e da música (uma mistura de jazz e swing, em pop boémio, em folk e gipsy ou música dos Balcãs) foram um bom motivo para retomar o entusiasmo e a energia para mais uma semana de luta.
06/12/2009
Leituras...

«Na manhã seguinte, está sentado à secretária manca com uma caneta na mão, examina um poema recente e sente-se cada vez mais desencantado com o que escreveu, pergunta-se o que será melhor: seguir em frente com o poema, arrumar o manuscrito para posterior reflexão, ou muito simplesmente atirá-lo para o cesto do lixo. Ergue a cabeça paea espreitar pela janela: cinzento e nublado, uma montanha de nuvens avoluma-se a oeste, mais uma mudança no sempre mutável céu de Paris. Agrada-lhe a obscuridade que inunda o quarto - uma obscuridade reconfortante, por assim dizer, uma obscuridade amistosa, uma obscuridade com que uma pessoa poderia conversar horas a fio.»
Um livro inquietante e imprevisível ao estilo de Paul Auster. Mas este «Invisível» ultrapassa as expectativas a que já nos habituou. Uma história caleidoscópica que prende o leitor aos pormenores e a uma escrita que viaja no tempo e espaço.

« - Quando alguém procura - respondeu Siddhartha - pode acontecer que os seus olhos vejam apenas a coisa que ele procura, que não permitam que ele a encontre, porque ele pensa sempre apenas naquilo que procura, porque ele tem um objectivo, porque está possuído por esse objectivo. Procurar significa ter um objectivo. Mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objectivos.(...)»
Uma viagem pela espiritualidade do ser humano que nos recolhe em nós próprios, por sensações esquecidas e nos revela o fluir da vida.
Um livro que não pode ser lido e arrumado na prateleira!

«Ele era um homem de fé. A fé elevava-o, proporcionava-lhe altura, transportava-o para fora do tempo. E justamente no momento em que, com mais fervor, pedia ajuda, os seus olhos cruzaram-se com os de Malinalli e uma faísca maternal uniu-os num mesmo desejo.Malinalli sentiu que aquele homem a podia proteger; Cortés, que aquela mulher o podia ajudar como só uma mãe o conseguia fazer: incondicionalmente.»
Uma história de amor entre Hernán Cortés, um dos mais importantes conquistadores espanhóis e a índia Malinalli, sua intérprete, atenua, por um lado, os acontecimentos cruéis ligados à conquista do México e, por outro, realça a riqueza da cultura indígena.
Uma leitura que nos leva a pensar na imperfeição do Homem, que tanto é capaz de crueldades extremas, como de infinita benevolência.

«Doeram-me as palavras dele como se a vida estivesse espetada no meu corpo e, para crescer, eu tivesse que desencravar essa farpa.»
«Em Jesusalém, o que mais me impressionou, desde logo, foi a ausência de electricidade. Nunca antes tinha sentido a noite, nunca tinha sido abraçada pelo escuro, abraçada por dentro até eu mesma ser escuro.»
«Regressados à cozinha, um impulso me atirou de encontro ao peito do meu irmão. abracei-o, por fim. E o abraço durou todo o tempo da sua ausência.»
A magia da escrita de Mia Couto em todo o seu esplendor!
Expressões de uma beleza e expressividade surpreendentes, é o que podemos descobrir neste livro, que me foi oferecido pelo meu filho, com a particularidade de estar autografado pelo próprio autor! Até hoje, sem dúvida, a melhor prenda de aniversário!
28/10/2009
... e permaneço
risco no cetim diademas e pulseiras
obras de arte rudes e inocentes
que adornam os voláteis anéis de vento
encaracolados
combino planos inclinados e traço gotas de água
enredadas em forma nenhuma
distraída de mim
modelo sombras num mistério ignorado
cansado
entristecido
rasgo o pano imaculado
e viro as trevas do avesso
num gesto ferido!
obras de arte rudes e inocentes
que adornam os voláteis anéis de vento
encaracolados
combino planos inclinados e traço gotas de água
enredadas em forma nenhuma
distraída de mim
modelo sombras num mistério ignorado
cansado
entristecido
rasgo o pano imaculado
e viro as trevas do avesso
num gesto ferido!
Irene Ermida
24/10/2009
... não sou
nasci na nuvem que atravessa o deserto
e voo nas secretas asas de mim
num dia sem horas marcadas
numa palavra distinta
separo a chuva, gota a gota,
escrita nas mãos
que verbo sou na folhagem pintada
no mural de vultos e silêncios?
e voo nas secretas asas de mim
num dia sem horas marcadas
numa palavra distinta
separo a chuva, gota a gota,
escrita nas mãos
que verbo sou na folhagem pintada
no mural de vultos e silêncios?
Irene Ermida
enquanto sou...
e porque se cala o vento?
de onde vem esse sussurro que abafa a voz?
sem tempo, nem dó?
não há sol no meu olhar,
e vejo a luz que se acende na minha boca
e abraço a sombra do meu corpo
numa forma que não é
procuro o sopro adiado que vem de longe
entre quimeras e perguntas
perdidas nas águas vermelhas do rio
e não há céu
e não há voz
de onde vem esse sussurro que abafa a voz?
sem tempo, nem dó?
não há sol no meu olhar,
e vejo a luz que se acende na minha boca
e abraço a sombra do meu corpo
numa forma que não é
procuro o sopro adiado que vem de longe
entre quimeras e perguntas
perdidas nas águas vermelhas do rio
e não há céu
e não há voz
Irene Ermida
15/10/2009
12/10/2009
08/09/2009
Viagem
A capacidade de viajar ultrapassa largamente as limitações geográficas e económicas.
Viajar é abrir portas e janelas e deixar entrar a luz e o vento, sensações e pensamentos.
Uma viagem pode ser um livro, um filme, uma conversa, uma atitude, um sonho, um devaneio...
É, no fundo, uma questão de sobrevivência e um modo de estar na vida. É a essência e a alteridade. É desembrulhar arquétipos e escavar túneis. É desobstruir canais e construir pontes. É riscar preconceitos e percorrer estradas.
Não interessa o meio, o local, o tempo... viajar, é fundamental.
31/07/2009
Luz(es) 3
Luz(es) 2

e saio de mim pelo rio
que nasceu floresta no mar
sem extensão, sem espaço
imagem que me afasta e me aproxima
do centro, tímido e húmido, informe
sem perdão,
caminho entre as vozes
de silêncios
quem murmura palavras
atrás da cortina secreta
sonha-me inteira
atrás da cortina secreta
sonha-me inteira
e não sou eu que mudo o som
que não se ouve
que não se ouve
Irene Ermida
Luz(es) 1

não há vento que me abale
nem dia, nem noite
que me atordoe
nasci árvore num continente
que podia ser africano ou asiático
ou nenhum deles, ou todos num só
é uma terra sem luz, sem rio
sem vazio
surda, ouço a cor do som
que me pinta num quadro
onde o verde é azul
que me pinta num quadro
onde o verde é azul
e a água cega o olhar de quem não vê.
Irene Ermida
23/07/2009
Mágoas
e a propósito de nada
e o cordão umbilical
a meio do calor da tarde
lanças o perfume relesde uma natureza rude e incisiva
que esquece a dor do parto
e o cordão umbilical
que fez de ti mãe
dissolve-se na amargura
e na mágoa das palavrascontundentes e injustas
Irene Ermida
02/07/2009
despertar 3
saio do sono montada
numa estrela cadente
já não é noite nem dia
és tu, sou eu
sem limites de horas
nem de fronteiras
não há cercas nem grades
há uma vontade de te querer.
numa estrela cadente
já não é noite nem dia
és tu, sou eu
sem limites de horas
nem de fronteiras
não há cercas nem grades
há uma vontade de te querer.
Irene Ermida
despertar 2
um beijo que me arrasta
pelos lençóis da ternura
acorda a minha existência
em labaredas galopantes
que me consomem
até deixar o rasto de um sorriso
travesso e penetrante
bom dia, meu amor.
pelos lençóis da ternura
acorda a minha existência
em labaredas galopantes
que me consomem
até deixar o rasto de um sorriso
travesso e penetrante
bom dia, meu amor.
Irene Ermida
01/07/2009
despertar 1
um despertar lento de volúpia
beijos que se entrelaçam
no calor dos corpos e dos lábios
quero-te
livre, como uma águia
que bebe o ar quente
e a água fresca
quero ser a tua nascente.
beijos que se entrelaçam
no calor dos corpos e dos lábios
quero-te
livre, como uma águia
que bebe o ar quente
e a água fresca
quero ser a tua nascente.
Irene Ermida
27/06/2009
«O canto do Marquês»
Escrever, para uns, é uma arte, para outros, apenas uma ferramenta de comunicação imediata. Cada vez há mais escritores, cada vez há menos quem escreva «bem». Por isso, foi com grande satisfação que descobri este blogue http://www.ricardomarques.pt.vc/ !!!
Reparem na idade do autor e digam lá que não é uma maravilha ler «alguém» assim!
20/06/2009
27/05/2009
21/05/2009
Na bruma 3
...
Impregnada de neblinas
absorvo a humidade quente
que paira na minha madrugada
de acordares sem sal
na tranquilidade dos mares
devoro as nuvens
na liberdade de quem sou
em cada momento
aspiro o orvalho
e reclamo luz na sombra
de quem sorri.
Impregnada de neblinas
absorvo a humidade quente
que paira na minha madrugada
de acordares sem sal
na tranquilidade dos mares
devoro as nuvens
na liberdade de quem sou
em cada momento
aspiro o orvalho
e reclamo luz na sombra
de quem sorri.
Irene Ermida
08/05/2009
Na bruma 2
...
Antevejo formas lunares
de um eclipse sideral
numa órbita imaginária
de sentidos e odores
Não distingo o volume
atreito a rumos e,
numa trajectória repentina,
afasto a neblina
que me inflama a retina
numa percepção clara
da unidade absoluta.
Vocalizo a tua presença
num efémero murmúrio
da voz do silêncio.
Antevejo formas lunares
de um eclipse sideral
numa órbita imaginária
de sentidos e odores
Não distingo o volume
atreito a rumos e,
numa trajectória repentina,
afasto a neblina
que me inflama a retina
numa percepção clara
da unidade absoluta.
Vocalizo a tua presença
num efémero murmúrio
da voz do silêncio.
Irene Ermida
06/05/2009
Na bruma 1

Obrigada TCA pela ilustração deste poema.
abraço a bruma
de uma aurora que tarda
nos lábios de quem não diz
nada nem ninguém
numa espera silenciosa
respiro o futuro
com a incerta certeza
do amanhã adiado,
que virá envolvido
na ténue imagem de ti.
Irene Ermida
26/04/2009
Una palabra, Carlos Varela
Una palabra no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
igual que el viento que esconde el agua
como las flores que esconde el lodo.
Una mirada no dice nada
y al mismo tiempo lo dice todo
como la lluvia sobre tu cara
o el viejo mapa de algun tesoro.
Una verdad no dice nada
y al mismo tiempo lo esconde todo
como una hoguera que no se apaga
como una piedra que nace polvo.
Si un dia me faltas no sere nada
y al mismo tiempo lo sere todo
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo,
porque en tus ojos estan mis alas
y esta la orilla donde me ahogo
20/04/2009
Imprevisto(s) 3
ferida no traço de um corpo
que se adivinha no meu olhar
inerte permaneço
no seio de línguas frenéticas
tão cheias de vazios
que secamente se dilatam
em manifestos sibilinos
respiram lufadas bafientas
que não me embriagam
dessa luz anímica
e num suspiro de ironia
recolho a suavidade
de cores e sons
que se adivinha no meu olhar
inerte permaneço
no seio de línguas frenéticas
tão cheias de vazios
que secamente se dilatam
em manifestos sibilinos
respiram lufadas bafientas
que não me embriagam
dessa luz anímica
e num suspiro de ironia
recolho a suavidade
de cores e sons
Irene Ermida
21/03/2009
Imprevisto(s) 2
oculto-me na linha de um sorriso
que insistente desabrocha nos meus lábios
de cores desmaiadas pelo espelho
que nada me diz
no silêncio áureo
da catedral de sonhos barrocos
dos meus gestos maquinais
surge um esboço do mundo
incandescente e fugaz
e num apetite de palavras
cruzo promessas laminadas
por um rio azul
que insistente desabrocha nos meus lábios
de cores desmaiadas pelo espelho
que nada me diz
no silêncio áureo
da catedral de sonhos barrocos
dos meus gestos maquinais
surge um esboço do mundo
incandescente e fugaz
e num apetite de palavras
cruzo promessas laminadas
por um rio azul
Irene Ermida
05/03/2009
Imprevisto(s) 1
estranho-me no véu de minúsculas
que em vão cobre o meu nome
não me sinto ali no papel
nem me vejo mulher
na translúcida passagem
por lugares distantes das minhas mãos
dos meus olhares vazios
nasce a vontade de encher o mar
de estrelas e de cavalos
num galope desenfreado
retenho uma imagem opaca
da ínfima realidade que sou
Irene Ermida
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