Apesar do cansaço provocado por uma longa e árdua semana de trabalho, não resistindo a fechar os olhos uma vez por outra, apreciei os sons retirados do saxofone com alma e coração. Sim, porque a alma existe só e apenas na música. É a conclusão a que cheguei no final do concerto.
SEM LIMITES, SEM FRONTEIRAS, SEM TEMPO, SEM ESPAÇO, SEM COR, SEM NACIONALIDADE, SEM SEM SEM...
30/09/2007
Um saxofone com vida
Apesar do cansaço provocado por uma longa e árdua semana de trabalho, não resistindo a fechar os olhos uma vez por outra, apreciei os sons retirados do saxofone com alma e coração. Sim, porque a alma existe só e apenas na música. É a conclusão a que cheguei no final do concerto.
23/09/2007
«Um Poderoso Coração»
A sinopse, lida na pausa de um café, aliada ao título sugestivo, prometia cento e dez minutos cinematográficos empolgantes. Sem pipocas por perto, assisti ao desenrolar da história do desaparecimento do jornalista do Wall Street, Daniel Pearl, interpretado por Dan Futterman, no Paquistão em 23 de Janeiro de 2002. Quando se propunha realizar o seu trabalho de investigação de pistas sobre o 11 de Setembro, a morte por decapitação põe fim aos seus dias, deixando uma viúva grávida de seis meses, interpretada (e mal, a meu ver!) por Angelina Jolie.Um Coração Poderoso, realizado por Michael Winterbottom, poderia ser um bom filme, mas, a meu ver, reduz-se a uma perspectiva monocular da verdadeira história que, por si só tão dramática quanto real, poderia servir para explorar outras sendas políticas e revolver consciências.
22/09/2007
IMPOSTOS p'ra que vos quero!!!
- irá para pagar as pensões dos idosos que, com pouco mais de 50 anos, se levantam às 7 da manhã, fazem exercício físico, passeiam pelos jardins, tomam café com os amigos/as, viajam por esse mundo fora, sustentam os filhos e os netos (porque o dinheiro não lhes chega, pois, por sua vez, pagam impostos, o LCD, o veículo topo de gama, o infantário, o Instituto de Inglês, a natação, as aulas de música, os vídeojogos, o telemóvel deles e dos filhos) ...
- ou para as pensões dos idosos indigentes e doentes que recebem uma ninharia?
Penso também: a que grupo pertencerei daqui a 20 anos?! Por este andar certamente ao segundo. É que nessa altura não haverá nenhum otário a pagar a minha reforma!
IRC - era o que faltava... não pago! não sou pessoa colectiva... por enquanto... sei lá...
IVA - indirectamente em tudo... no papel higiénico, no leite, no cinema... (há que poupar na higiene, na alimentação, na cultura!)
IMI - em 2 anos 900,10€ directamente para o município... (quem me mandou a mim confiar no representante da imobiliária que me garantiu ter pedido a isenção?!)
IMT - Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (conheciam este?! se venderem ou comprarem um imóvel vão descobri-lo!)
IMV - 50,29€ pago em 31 de Julho... acrescido ao imposto que, sem sequer darmos conta, pagamos na gasolina...
Habitualmente ando distraída com as contas... mas há tempos reparei por mero acaso que desde Abril de 2005 a prestação do meu apartamento aumentou 265€... (pouco menos do dobro que pagava no início!). A este ritmo, não tarda a que a placa "VENDE-SE" esteja colada na minha varanda e seja mais uma a enfeitar o prédio de 9 andares em que moro! O problema será arranjar um comprador que ganhe mais do que eu e que pague menos impostos!
Isto tudo reduz-me à grandeza dos números e à insignificância do esforço com que diariamente exerço a minha profissão, luto por ideias e acredito ainda ... ... ... (em quê?!) Agora, juro, fiquei sem palavras!
Mas não há crise nenhuma! Não fiquem com uma ideia errada! Isto é só um problema pessoal, ou nem isso, pois não havendo solução à vista, deixa de ser problema! A comunicação social dá-nos conta diariamente dos avanços que o país tem realizado.
Um àparte: o marido de uma funcionária lá do sítio onde trabalho, com 52 anos, recebeu um computador portátil como prémio por ter concluído o 6º ano em pouco mais de dois meses (pobre do filho que não tem a mesma oportunidade e se mata a estudar!)!!! Não sabe é trabalhar com ele... pois o emprego que tem ainda não está ajustado a essa necessidade... mas certamente será para breve que baste teclar «rede de saneamento» no seu portátil e todo o concelho fique servido eficazmente!
Sugestão

Espreitei o adesenhar e descobri isto.
Sigam as pistas e aproveitem o fim-de-semana
para mudar a rotina
e ganhar novas energias para a semana.
Visite também
Fuego (3)
de sombras e de labaredas
de mãos e de olhares
divago e perco-me
em ti
por fora por dentro
arrasto-te
corres nas minhas veias
em permanente combustão
Fuego (2)
ardo na tua boca
e no insenso que nos amanhece
sem pudores de inverno
tirito de calor
numa onda que invade os sentidos
insensatos e alienados
visto-me para ti
de cores vermelhas
e de excepção coberta
Fuego (1)
entre o branco dos lençóis de linho
bordados
de sonhos e de desejos interditos
sem temores
as dermes rubras
cruzam-se
num contínuo fluir
d'estremecimentos
Abreviatura(s) 3
é um acento grave
que me adormece
e me acorda
em rotineiros costumes
(de rotinas perdidas)
impassível
parágrafo da vida
que me agrilhoa
no tempo e no espaço
pontilha as horas
e os adjectivos
entre um e outro ditongo
e resvalo para o rio
sem translineação
nem ancoradouro.
.
13/09/2007
Novos Talentos
Update: Apresentação Lisboa
Houve alteração da hora e local da apresentação, em virtude do agendamento do jogo Benfica- Sporting para aquela hora.
Assim:
Apresentação pública de Versos Nus, em Lisboa, no dia 29 de Setembro:
16 horas
Magnolia Caffe - Praça de Londres
Metro mais próximo: Campo Pequeno - (linha amarela)
Não me recordo como foi... vagueei pela blogosfera e encontrei-

Na entrevista ao autor podemos descobrir mais...
O lançamento do livro de Tiago Nené será em Lisboa, no
Uma capa expressiva que sugere um «miolo saboroso» .
Votos de muito sucesso!
02/09/2007
Abreviatura(s) 2
palavras nutritivas
dão alimento à fome de viver
enquanto
silêncios abstractos
tonificam sonhos musculados
versos por rimar
(porque em rimas não respiro)
toldam razões e tensões
conquanto
o trilho mais perceptível
recebe passos abertos
incondicionais
sem peso nem medida
.
01/09/2007
Abreviatura(s) 1
escrevo uma abreviatura
navego pelo alfabeto
que me mantém
permanentemente
em combustão
no cais de intemporal chegada
30/08/2007
29/08/2007
28/08/2007
... da água
regresso ao recôndito e ao esquecido
adormecido
evoluo... (as têmporas latejando)
e me atira raios de sol
parida pela água salgada
que me ofereces
e alada voo
nas ondas do teu sonho
acordado em mim
26/08/2007
uma troca de olhares felinos...
e castanhas ameladas (... leais!)
fundiram-se por instantes
numa desconfiança mútua
suavizada pela imobilidade que,
recíproca, nos surpreendeu.
14/08/2007
Sem peias...
Porque há textos que valem a pena serem lidos e divulgados!
09/08/2007
Parque Natural de Aiguestortes y Estany de Sant Maurici.
Mais perto do céu, a noite é mais escura e as inúmeras estrelas brilham com mais intensidade...
A água gelada e cristalina segue o seu curso selvagem ao sabor de desejos inconfessáveis das pedras que a acariciam...
Verde é a paisagem que, a perder de vista, entre vales e montanhas, nos faz sentir tão insignificantes...
Sensações acentuadas por risos, música, aventura, espírito de colaboração e de comunhão com a natureza que, num gesto de humildade, se nos oferece com toda a sua imponência, apesar de tão frequentmente maltratada pelo ser humano...
05/08/2007
Bordertown não é só um filme...
«Bordertown - Cidade Sob Ameaça», não é um filme; é uma denúncia que traz à luz um cenário de morte e de medo, vivido por centenas de mulheres que trabalham nas Maquilas, fábricas mexicanas instaladas ao longo da fronteira com os EUA, e onde se procede à montagem de aparelhos electrónicos para o mercado americano.Um filme recomendado pela
acrobacia(s) 3
extática...
abro portas e sorrisos
de moradas esculpidas por magia
numa vertigem entreabro os olhos
e por acasos atravesso mundos
indefinidos e enigmáticos
que se estendem rubros e dóceis
adiante e algures de tempos
riscados em céus por estrelas
e borboletas de vidro
sem ventos que me levem
entrego-me sem parêntesis
nem todavia mesmo assim
a partilhas de tudo e nada
sem razão nem algo
que me acorrente a reticências
ou a palavras tolas e vãs
vibro num ocaso que nasce
e aquece após e antes
até insondáveis sem fins
que invento em ti
04/08/2007
Para pensar e não esquecer
Em descanso mas não distraída... É importante que façam pausa na música de fundo do blogue.
25/07/2007
acrobacia(s) 2
atrevida...
lanço o olhar
para horizontes esquecidos
numa vertigem abro os olhos
com brilhos nítidos e explícitos
dou corpo à voz
que, em vogais abertas
define o timbre
e em tónicas a intensidade
articulo preposições
contraídas com artigos
que rasgam histórias vividas
e renovam interjeições
há tanto refreadas
de emoção natural
a frase exclama prazer
adornado de sorrisos
como flores viçosas
que entoam baladas
e me acordam em ti
17/07/2007
Partir e ficar
Saio daqui a cinco horas e lá vou rumo a
Escolha ou destino?
13/07/2007
acrobacia(s) 1
mantenho o equilíbrio
a alturas distantes da ordem
numa vertigem fecho os olhos
à esquerda e à direita
num fio da navalha
de dentro de fora
de perto de longe
de tempos a tempos
de muito de pouco
de tudo e de nada
num desafio a limites e a regras
medievais ou barrocas
às claras e às escuras
a torto e a direito`
de manhã e à noite
em contramão e veloz
transfiro-me
desconjunto-me
desarticulo-me
desmancho-me
em acentos e em sílabas
porque não dói cair
o que dói é
manter o prumo
12/07/2007
11/07/2007
Página 161

«No entanto, não extraía dessa conclusão teórica forças suficientes para fazer o que ardentemente lhe exigiam reaparecidos instintos: passar a ponta dos dedos pela acetinada pele, poisar os seus lábios matrimoniais sobre aquelas colinas e ribanceiras que antevia tépidas, odorosas e de um sabor no qual o doce e o salgado coexistiam sem se misturarem. Porém não lograva fazer nada, petrificado pela felicidade, excepto olhar e olhar. Depois de ir e vir repetidamente da cabeça aos pés daquele milagre, de percorrê-la uma e outra vez, os seus olhos imobilizaram-se, como o requintado provador que não precisa de continuar a degustar pois identificou o non plus ultra da adega, no espectáculo que só por si constituía o esférico traseiro.»
08/07/2007
Blues do outro lado do Atlântico
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Densidade(s) 3
04/07/2007
Densidade(s) 2
Densidade(s) 1
27/06/2007
Cinco livros entre os demais
Recebi um convite para falar de livros. Não sei falar deles. Sinto-os. Tenho uma relação especial com eles. Não os devoro. Pego-lhes. Folheio-os de trás para a frente. Amo-os pelo cheiro, pela visão e pelo tacto. Saboreio-os. Ouço-os. Contam-me histórias. Faço amigos. Lentamente, disseco palavras, linhas, entrelinhas. Avanço, recuo. Um prazer sereno e empolgante que me vai acordando pela noite dentro.
Leio sempre, mesmo quando o livro de cabeceira - neste momento, Tango, da argentina Elsa Osório - se mantém fechado durante dias e dias. Gosto de o ter ali, à mão.
Por vezes, leio dois, três livros no mesmo período de tempo, um de cada vez, alternando entre eles. Gosto assim.
A Religiosa de Diderot marcou-me aos doze anos. Um contributo para a minha tempestade de ideias sobre a religião durante a adolescência.
Victor Hugo fascina-me com Os Miseráveis pelos volumes, pelo enredo, pela força da escrita.
O génio de Camões patente na epopeia d'Os Lusíadas intriga-me pela forma: dez cantos, 1102 estrofes que são oitavas decassilábicas, sujeitas ao esquema rímico fixo AB AB AB CC e atrai-me pelo concílio dos deuses, pelos amores de Pedro e Inês, pelo Adamastor.
Timbuktu fez-me descobrir Paul Auster, um escritor norte-americano que contraria tendências rotineiras de literaturas para consumo e já me fez companhia com O Livro das Ilusões, A Noite do Oráculo, Música ao Acaso, A trilogia de Nova Iorque.
Cem Anos de Solidão despoletou o gosto pela literatura hispânica e guiou-me pelo universo mágico de Gabriel Garcia Márquez!
Tantos outros nomes de escritores que ficam de fora, mas não menos importantes nas minha preferências literárias: Torga, Sophia, Eça de Queirós, Lobo Antunes, Saramago... poderia enumerar dezenas, centenas, portugueses e estrangeiros, que ficariam sempre alguns por referir.
Para dar sequência a esta cadeia, dirijo o meu convite aos seguintes blogues vizinhos:
Devaneios (3)
A música é, de facto, um dos catalisadores mais poderosos para unir as diferenças, para diminuir o fosso entre gerações, para alimentar esperanças.
Os 64 anos de Mick Jagger, que fazem inveja aos «barrigudos» que se foram deixando intimidar pelo peso da idade, demonstram que é possível manter-se jovem, mais por dentro do que por fora.
No final do concerto, após ter saltado tudo quanto podia, sorri quando, mesmo atrás de mim, ouvi uma voz feminina comentar: «Ai as minha costas!», ao que a colega acrescentou: «Nem me fales!». Olhei de soslaio, adivinhando duas sexagenárias. Fui obrigada a olhar de novo, desta vez sem a discrição inicial, e confirmar que seriam da minha idade, mais ano, menos ano!
Sorri novamente. As minhas nem sinal davam! Satisfeita com a revelação, fiz a viagem de regresso.
Descobri, entretanto, que o meu corpo reage lentamente e que não resiste a uma viagem de comboio de quatro horas durante a madrugada! Escusado será dizer que a recuperação prolongou-se durante a semana! Mas valeu a pena, se valeu!!!
Devaneios (2)
Devaneios (1)
A opção pelo comboio surgiu à última da hora, quando, na véspera, me lembrei de consultar a página web da CP. A última viagem de comboio tinha sido em Julho de 2002 de Vichy para Bordéus que me permitiu usufruir da paisagem, da leitura, do sono descontraído e ainda me proporcionou algumas vivências caricatas.
Sempre achei peculiar o uso de metáforas associadas às viagens de comboio que, geralmente, traduzem simbologias da vida. Estações, apeadeiros, paragens, linhas, são termos associados a modos de estar, de ser, de decidir, de pensar.
Quando dei por mim mecanicamente sentada no lugar marcado, tive a sensação estranha de viajar contra o tempo. Via a paisagem deslizar a uma velocidade rápida e irrecuperável e, por momentos, sentia-me resistir. Uma resistência inexplicável mas imprescindível.
Apercebi-me, de súbito, que essa sensação provinha do facto de viajar de costas voltadas à direcção em que seguia o comboio.
Interroguei-me: andarei eu de costas voltadas?!
Ocean's 13
Nada melhor, num fim de tarde de domingo ofuscada por nuvens que obrigava a um recolher ao cinema, que um filme «light» com belas figuras de actores, que poderiam dedicar o seu tempo a desempenhar papéis decisivos e importantes para as suas carreiras cinematográficas mas preferiram, pela terceira vez, dar a cara num filme que se desenrola à volta de mais um ambicioso golpe, motivado pela recuperação de um membro da equipa que, após ter sido enganado por Willy Bank (Al Pacino), cai numa cama às portas da morte.Valha-nos o pretexto nobre que exalta o valor da amizade, da cumplicidade e da união para não dar como perdido o dinheiro do bilhete.
26/06/2007
um s. joão festejado como um s. antónio

Pela primeira vez e, por coincidência, acabei por passar o S. João, no Porto. Paradoxalmente, enquanto vagueava por ali, guiada por um amigo que ia recordando os velhos tempos de outros S. Joões, alheada das marteladas e dos transeuntes, a minha memória viajava até Lisboa, recuando no tempo vinte e poucos anos: imagens e cheiros transportaram-me até noitadas que acordavam nas manhãs junto ao Tejo, após a subida até ao Castelo e a descida pausada pelas paragens nos pátios para um bailarico, uma sardinha, uma imperial, num ambiente de alegria e descontracção própria da idade e adequado à festa.Nessa altura, quem me tivesse alertado para a inexorabilidade do tempo, teria recebido como resposta risos e esperanças...
20/06/2007
Roll...roll...roll...
A minha preferida!!!
Vou lá estar, em Alvalade, dia 25... com o meu filho!
Duas gerações unidas pela música e muito mais!
Inevitável (3)
e sigo com os olhos com as mãos com a boca
a distância que nos afasta e nos une
em espontâneas convulsões de verdade
que surgem perigosas por trilhos virgens
que conciliam o claro e o escuro de nós
Inevitável (2)

é inevitável permanecer sôfrego de sentir
é inevitável conservar o impulso de respirar
impregnada de aromas de lua cheia
descanso de partidas de mim sem chegada
que se adivinham e nunca são
18/06/2007
Inevitável (1)
inevitável é olhar para o horizonte e ver os sonhos
inevitável é saborear a fantasia e degustar o êxtase
sem barreiras que impedem a visão clara do futuro
sem cortinas que embaciam a imagem do destino
a passos largos e determinados define-se
de braços abertos e sinceros constrói-se
hemisférios que oscilam num só ponto
assentes em convictos propósitos
alheados de dúvidas perenes
inevitável... até doer?!
17/06/2007
Uma pérola verde
A chuva, que caiu intensamente durante quase todo o dia, não impediu os convivas de usufruir da beleza da paisagem, da tranquilidade do espaço, do silêncio que abafava vozes prazenteiras, que traduziam o grau de satisfação com o repasto confeccionado com esmero - um óptimo bacalhau com broa e um delicioso cabrito assado -, acompanhado de um excelente vinho.
Este empreendimento é a prova de que a vontade do homem pode superar condicionalismos de relevo geográfico e pode desenhar uma harmonia natural. De salientar o bom senso que imperou quando a intenção de construir a barragem não se concretizou!
14/06/2007
Desafogo-me nas palavras, ora essa!
Após textos que falam de amor e coisa e tal, apetece-me ter um desabafo daqueles que guilhotinam emoções e criam perplexidades de manter a boca aberta durante horas!
É que, na verdade, tenho uma dificuldade enorme em manter a calma, a boa disposição, a descontracção perante atitudes que revelam, além de insensatez e ingenuidade, uma grande, mas do tamanho das pirâmides do Egipto (agora não me lembro de algo mais alto!!!), dizia eu, uma imensa e paradoxal estupidez!
Não! não lido bem com esta castração do pensamento que, não lhe bastando corroer a mente de quem a detém, atinge com imponência graus de pura insanidade, que provocam calafrios de indignação a quem tem que assistir aparvalhadamente a atitudes de quem a ostenta!
Com tantos fármacos e tanta investigação científica, ainda ninguém terá pensado em criar um antídoto para este mal humilhante da condição humana ?!
Poupo os pormenores da história e perdoem-me o exagero da linguagem que raia a altivez arrogante de quem se acha muito esperta! Mas também tenho os meus dias... haja paciência.
Agora que desabafei já me sinto bem melhor! Por isso repito amem muito, sempre!
13/06/2007
O Cupido, nem mais!

Ai, ai, ai... fui atingida em cheio!!! Uma flecha vinda do
Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.
A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.
A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.
Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.
A marcar sobre os teus flancos
itinerários da espuma.
Assim é o amor: mortal e navegável.
****************************************************************
um todo único metade mim, metade tu penso-te, sinto-te, adivinho-te com intensidades serenas deardor tranquilas
creio-te, suponho-te, afago-te
com veemênciasde certezas prendo-te,solto-te, medito-te
com firmezas e com amor!
É suposto nomear dez blogues e cá vai:
Charlas
O importante é que nunca se esqueçam de amar, sempre!
Un petit rien...
As palavras e as lágrimas descobriram um sentimento novo: a amizade.
11/06/2007
«memes»
Respondendo ao desafio de
amor / esperança / sonho
Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
O teu sorriso puro,
A tua graça animal.
Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
somente um bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinha.
Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
Por vê-los nus e suados.

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
Carlos Drummond de Andrade

Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Se tudo o que há é mentira,
É mentira tudo o que há.
De nada nada se tira
A nada nada se dá.
Se tanto faz que eu suponha
Uma coisa ou não com fé,
Suponho-a se ela é risonha,
Se não é suponho que é.
Que o grande jeito da vida
É por vida com jeito.
Fana a rosa não colhida
Como a rosa posta ao peito.
Mais vale é o mais valer,
Que o resto ortigas o cobrem
E só se cumpra o dever
Para as palavras sobrem.
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Serão Palavras
Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens
Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração
Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.
Eugénio de Andrade in “Mar de Setembro” (1961)
De amores e de esperanças navego por mares
inundados de lua e de sol
De palavras e de sonhos alimento dias e noites
Para a divulgação de outros «memes» escolho:
10/06/2007
Despedidas...
.Ontem, pela primeira vez na vida, fui a uma despedida de solteira. Apesar de não compreender a expressão no seu sentido mais amplo, fiquei a saber que se trata de um alegre e saudável convívio entre amigas (sem artefactos indecorosos, nem manifestações indecentes, nem espectáculos de cariz sexual), que fazem questão de lembrar à noiva que a partir do dia «fatal» vão acabar as «borgas» e começar as responsabilidades de esposa e de mãe, de acordo com as expectativas da sociedade... (?)
09/06/2007
Transparência(s) 3
determinado, o direito avança enquanto o esquerdo vacila
esboço olhares que atravessam opacidades frágeis e intactas
transfiguram-se em imagens translúcidas
que sem cor, sem alma, sem dor, emergem possantes
reúno aliterações e metáforas e dou-lhes a cor de madrugada
pinto-as de calor e de sorrisos que encantam inesperados duendes
esboço singulares gestos que sugerem afagos e afectos
07/06/2007
Transparência(s) 2

e deixo-a ali estática e entaipada
descalça de fantasmas piso a relva húmida de orvalhos matutinos
que em gotas se entrelaçam nas folhas decalcadas de verde
nua de hipocrisias dormentes
e esgrimo ditongos que penetram palavras ausentes de sílabas
de intenções torpes crivo o olhar alheado de visões reticentes
assombrada de invisíveis intuitos metamórficos
diluo cortinas de flores estampadas e inspiro pedaços do tempo
que um dia foi mas volta sempre
que ali esperava estática e entaipada
28/05/2007
transparência(s) 1
20/05/2007
romaria popular q.b.
«Como está a tua agenda? Tás para me aturar?» Foi esta mensagem via telemóvel que o meu amigo recebeu. E estava. Como estão sempre os verdadeiros amigos!
Um jantar rápido enquanto fizemos o ponto da situação das nossas vidas: novidades de cá e de lá; a dele mais organizada e tranquila; a minha com as necessárias flutuações para quebrar rotinas indesejáveis.
O passeio a pé que encetámos em seguida à beira-mar, fazia prever uma deambulação ao sabor de ideias e de sentimentos... cinema, teatro, política, amores e desamores, filhos, casamentos, divórcios... e demos connosco no meio do Senhor de Matosinhos.
Há anos que não sentia o odor das farturas que teimam em acoplar-se aos churros de nuestros hermanos; o algodão doce branco ou cor-de-rosa que girava e crescia, e fazia crescer água na boca; os divertimentos que agora, além de todos os que povoaram a minha/nossa infância, já incluem motos todo o terreno ou as chamadas motos quatro, que fazem as delícias de quem nunca terá coragem para vender os electrodomésticos e comprar uma.
Descobrimos que fazer o «enxoval» pode ser animador para quem quer juntar os trapinhos, pois, por cinco euros vendem dez peças de loiça; a olaria regional contrastava com a «porcelana» fina da Vista Alegre desenhada por Fátima Lopes; a cestaria que evoluiu de design e de funcionalidade desde o tempo em que os meus pais me levavam aos Remédios; pedras vindas do Brasil ao lado das peças de roupa vindas do Peru, ao lado de instrumentos artesanais de música que nos abrem o apetite de viajar até à cordilheira dos Andes; os relógios que atraem os coleccionadores e as bugigangas sonoras e coloridas que seduzem as crianças; as esculturas africanas que, em menor número este ano, denotando a política de imigração, passavam despercebidas junto ao alarido das «discotecas» que passavam os top ten da popular música portuguesa que, agora, nem sabemos muito bem o que é.
Um quadro de cor, de luz, de movimento, de odores, de multidões, que me fez recuar até à minha infância e levar-me a desafiar o meu amigo a dar uma volta numa das distracções que me faziam sonhar aos dez anos. Mas a sua expressão de surpresa convenceu-me a desistir antes que me pedissem o B.I.
Optámos por acabar a noite numa cervejaria que se orgulha de ter um leque variado de cerveja e, entre duas imperiais e tremoços, alguns desabafos e conselhos que têm o dom de me ancorarem e deslindar alguns nós que vão entorpecendo a existência.
ócios produtivos (?)
«Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros, e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?»
Interrompia a leitura pontualmente para observar o movimento da palhinha que, num copo vazio abandonado numa mesa à frente, interpretava uma dança sensual com o vento, que a acariciava com a delicadeza de um amante terno e apaixonado.
O olhar projectava-se no horizonte dominado pela espuma das ondas cúmplices que, em movimentos despudorados, mostravam ao vento que o mar enrola na areia.
Tropecei subitamente nas palavras! Não naquelas proferidas pelo homem que se levantou para ver o resultado do jogo: «viva o Mourinho»; «o Mourinho é o maior!»
E divaguei... solidão... solitários... o ser humano é essencialmente social...
Há momentos em que, sozinhos, não nos sentimos solitários e vice-versa. A solidão é necessária e, sem dúvida, tem efeitos terapêuticos; é ela que nos permite dissecar o que se passa à nossa volta e no nosso interior. É ela que nos mantém conectados ao exterior, aos outros, ao mundo. É ela que nos mantém em sintonia e harmonia. Quando bem orientada, pode traduzir-se no encontro com o outro e descobrir o valor e o significado que o outro tem para nós.
Agora, um solitário que se agrupe com outro solitário... resultará em dois solitários ou não necessariamente?!
das sombras à clareza

e os contornos que me medem redefinem-se
numa silhueta contrastante de luz e de cor
esbatem-se as sombras
nas águas subitamente tranquilas
e a nitidez da imagem
corporiza vontades e rumos
numa determinação lúcida
de desvendar o que esqueci
esqueci-me,
entre medos e tempestades
desviei-me,
entre muros e espectros
mais forte que o vento
dás-me força
olhares e palavras
despertam-me
e sinto-te
18/05/2007
de sombras

imito o som da ave que, frenética, enceta um voo delirante
esbarro no remoto muro de solidez e opacidade
mãos revoltas tão vazias e cheias de tudo
rebelo-me contra vagas de saudades que povoam recantos ocultos
tropeço na lágrima obstinada reflectida no espelho
embaciada na solidão que deixaste
um mundo de sombras coexiste
de mim de ti
p'ra nós
13/05/2007
Um pé de dança
Foto: 1000imagensA música variava entre melodias sentimentalóides do tempo da minha adolescência e um ou outro ritmo mais actual.
Fui observando: pessoas de meia idade acompanhadas de outras de metade da idade delas, um outro casalinho mais jovem, alguns solitários… Pairava um clima de insinuação, de desejo, de vontades…
Subliminarmente, o desespero andava à solta: vestidos justos que agitavam corpos que, um dia, já foram perfeitos; decotes ousados que alimentavam esperanças; camisas cujas fraldas tentavam esconder o peso da idade; olhares de caçadores furtivos à espera da distracção da presa; gestos sedentos do amor que nunca chega.
Estoicamente, teimam em manter-se vivas apesar das marcas deixadas pelo tempo inexorável, que lhes semeou desgostos e desilusões, e que os impele a viver na urgência do momento, antes que notícias súbitas de doença ou morte lhes venha cortar a conexão a esta existência efémera.
Deambulei pela realidade deprimente e a reflexão incontornável. Há vivências que têm o efeito terapêutico de nos acordar do entorpecimento mental, em que a rotina nos vai envolvendo.
Quantas vezes nos deixamos subjugar pelas circunstâncias e nos obrigamos a vegetar durante o ciclo noite-dia, evitando o confronto connosco próprios?
10/05/2007
interrogações que tiram o sono...
???
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??? em tom convicto ouvi: «és profundamente espiritual ! » ???
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???
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04/05/2007
No fundo do mar...
Palavra(s) salgada(s) 3
é certa a dúvida perpétua de riquezas simbólicas
desnuda-se em ambiguidades
e fracciona-se em significações afadigadas
e a palavra reaparece
para o mundo
que a reconhece
de cabelos repousados em olhares adormecidos
Palavra(s) salgada(s) 2
com sabor a mel e sal
a palavra desliza por mim
descama almas e essências
quando
soltam-se, expulsam-me, dizem-se
abrem-se, fecham-se
engolem-me
cegas embatem no casco do navio que se afunda
o mar recebe-o no seu ventre
e imagina-se mãe que,
num movimento inverso,
impede a gestação
03/05/2007
Palavra(s) salgada(s) 1
Não sei porque escreves...
por que respiras palavras
esvoaçam leves e compactas
mancham o branco esquecido
com nódoas doridas
numa libertinagem infrene
e amam intensamente
sensitivas saudosas sarcásticas
elegem-te e cingem-te
excessivas ou sóbrias
fascinam-me
01/05/2007
30/04/2007
Pérola(s) só
derreto-me em diamantes raros
recolhidas em tranquilos mares transparentes
rolam ligeiras na pele
vermelhas de lágrimas doridas
mas não basta
o mundo não é meu
e abro mão de horizontes
e
de malhas tecidas de gestos
Sombra(s) 3
pelas penumbras da paixão
na certeza de amar
escoa-se
por fendas estreitas e olhares desatentos
por corações ausentes e portas prudentes
ignora e transpõe
extremos que imploram
remanescentes
Sombra(s) 2
ogivais e transitórias
expostas
ao olhar descuidado, fatais
da mão espalho a quietação
de dedos rigídos e inertes
e do gesto
interrompo o sentido
para o templo recuo
e de costas voltadas
solto génios que trauteiam o teu passo
incauta avanço
em contínua transgressão
de limites de céus e de mares














