27/06/2007

Cinco livros entre os demais

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Recebi um convite para falar de livros. Não sei falar deles. Sinto-os. Tenho uma relação especial com eles. Não os devoro. Pego-lhes. Folheio-os de trás para a frente. Amo-os pelo cheiro, pela visão e pelo tacto. Saboreio-os. Ouço-os. Contam-me histórias. Faço amigos. Lentamente, disseco palavras, linhas, entrelinhas. Avanço, recuo. Um prazer sereno e empolgante que me vai acordando pela noite dentro.

Leio sempre, mesmo quando o livro de cabeceira - neste momento, Tango, da argentina Elsa Osório - se mantém fechado durante dias e dias. Gosto de o ter ali, à mão.

Por vezes, leio dois, três livros no mesmo período de tempo, um de cada vez, alternando entre eles. Gosto assim.

A Religiosa de Diderot marcou-me aos doze anos. Um contributo para a minha tempestade de ideias sobre a religião durante a adolescência.

Victor Hugo fascina-me com Os Miseráveis pelos volumes, pelo enredo, pela força da escrita.

O génio de Camões patente na epopeia d'Os Lusíadas intriga-me pela forma: dez cantos, 1102 estrofes que são oitavas decassilábicas, sujeitas ao esquema rímico fixo AB AB AB CC e atrai-me pelo concílio dos deuses, pelos amores de Pedro e Inês, pelo Adamastor.

Timbuktu fez-me descobrir Paul Auster, um escritor norte-americano que contraria tendências rotineiras de literaturas para consumo e já me fez companhia com O Livro das Ilusões, A Noite do Oráculo, Música ao Acaso, A trilogia de Nova Iorque.

Cem Anos de Solidão despoletou o gosto pela literatura hispânica e guiou-me pelo universo mágico de Gabriel Garcia Márquez!

Tantos outros nomes de escritores que ficam de fora, mas não menos importantes nas minha preferências literárias: Torga, Sophia, Eça de Queirós, Lobo Antunes, Saramago... poderia enumerar dezenas, centenas, portugueses e estrangeiros, que ficariam sempre alguns por referir.

Para dar sequência a esta cadeia, dirijo o meu convite aos seguintes blogues vizinhos:

Devaneios (3)

A selecção das imagens foi difícil: por um lado, pela má qualidade da maior parte das fotos que, não sei por que carga de água, saíram distorcidas; por outro, porque ao revê-las, revivi os momentos do concerto.
A vivacidade e a energia que dominou a actuação dos Rolling Stones do princípio ao fim empolgou o público que abrangia todas as faixas etárias... Ao som de êxitos mais antigos e mais recentes, todos saltaram, gritaram, aplaudiram.
A música é, de facto, um dos catalisadores mais poderosos para unir as diferenças, para diminuir o fosso entre gerações, para alimentar esperanças.
Os 64 anos de Mick Jagger, que fazem inveja aos «barrigudos» que se foram deixando intimidar pelo peso da idade, demonstram que é possível manter-se jovem, mais por dentro do que por fora.
No final do concerto, após ter saltado tudo quanto podia, sorri quando, mesmo atrás de mim, ouvi uma voz feminina comentar: «Ai as minha costas!», ao que a colega acrescentou: «Nem me fales!». Olhei de soslaio, adivinhando duas sexagenárias. Fui obrigada a olhar de novo, desta vez sem a discrição inicial, e confirmar que seriam da minha idade, mais ano, menos ano!
Sorri novamente. As minhas nem sinal davam! Satisfeita com a revelação, fiz a viagem de regresso.
Descobri, entretanto, que o meu corpo reage lentamente e que não resiste a uma viagem de comboio de quatro horas durante a madrugada! Escusado será dizer que a recuperação prolongou-se durante a semana! Mas valeu a pena, se valeu!!!


Devaneios (2)

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Lisboa é, sem dúvida, uma cidade que me prende, que me arrasta, que me seduz. Mas, pelos vistos, não é só a mim.

Devaneios (1)

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Pouco passava das oito horas quando chegámos à estação. Pedi o bilhete de ida e volta e quando referi a hora do regresso, o senhor sorriu e declarou com um sorriso nostálgico: então vai ouvir a música do nosso tempo... Partilhei o sorriso e, no papel de cúmplice apanhada com a boca na botija, retorqui: é verdade.
A opção pelo comboio surgiu à última da hora, quando, na véspera, me lembrei de consultar a página web da CP. A última viagem de comboio tinha sido em Julho de 2002 de Vichy para Bordéus que me permitiu usufruir da paisagem, da leitura, do sono descontraído e ainda me proporcionou algumas vivências caricatas.
Sempre achei peculiar o uso de metáforas associadas às viagens de comboio que, geralmente, traduzem simbologias da vida. Estações, apeadeiros, paragens, linhas, são termos associados a modos de estar, de ser, de decidir, de pensar.
Quando dei por mim mecanicamente sentada no lugar marcado, tive a sensação estranha de viajar contra o tempo. Via a paisagem deslizar a uma velocidade rápida e irrecuperável e, por momentos, sentia-me resistir. Uma resistência inexplicável mas imprescindível.
Apercebi-me, de súbito, que essa sensação provinha do facto de viajar de costas voltadas à direcção em que seguia o comboio.
Interroguei-me: andarei eu de costas voltadas?!

Ocean's 13

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Nada melhor, num fim de tarde de domingo ofuscada por nuvens que obrigava a um recolher ao cinema, que um filme «light» com belas figuras de actores, que poderiam dedicar o seu tempo a desempenhar papéis decisivos e importantes para as suas carreiras cinematográficas mas preferiram, pela terceira vez, dar a cara num filme que se desenrola à volta de mais um ambicioso golpe, motivado pela recuperação de um membro da equipa que, após ter sido enganado por Willy Bank (Al Pacino), cai numa cama às portas da morte.
Valha-nos o pretexto nobre que exalta o valor da amizade, da cumplicidade e da união para não dar como perdido o dinheiro do bilhete.

26/06/2007

um s. joão festejado como um s. antónio

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Pela primeira vez e, por coincidência, acabei por passar o S. João, no Porto. Paradoxalmente, enquanto vagueava por ali, guiada por um amigo que ia recordando os velhos tempos de outros S. Joões, alheada das marteladas e dos transeuntes, a minha memória viajava até Lisboa, recuando no tempo vinte e poucos anos: imagens e cheiros transportaram-me até noitadas que acordavam nas manhãs junto ao Tejo, após a subida até ao Castelo e a descida pausada pelas paragens nos pátios para um bailarico, uma sardinha, uma imperial, num ambiente de alegria e descontracção própria da idade e adequado à festa.
Nessa altura, quem me tivesse alertado para a inexorabilidade do tempo, teria recebido como resposta risos e esperanças...

Fotos daqui

20/06/2007

Roll...roll...roll...

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A minha preferida!!!

Vou lá estar, em Alvalade, dia 25... com o meu filho!
Duas gerações unidas pela música e muito mais!

Inevitável (3)



(não) é inevitável chorar
quando no rio nem água corre
(não) é inevitável gritar
quando a voz nem som emite

distingo quimeras inúteis de ilusões primordiais
e sigo com os olhos com as mãos com a boca
a distância que nos afasta e nos une
em espontâneas convulsões de verdade
que surgem perigosas por trilhos virgens
que conciliam o claro e o escuro de nós

Inevitável (2)

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é inevitável permanecer sôfrego de sentir
é inevitável conservar o impulso de respirar
impregnada de aromas de lua cheia
descanso de partidas de mim sem chegada
resvalo pelas encostas da essência
renuncio a abstractos arquétipos
e galgo painéis de utopias delirantes
destituídas de razão e de sentido
que ofendem insípidos figurantes
em cera colhidos
pasmo de incrédulas paixões
que se adivinham e nunca são

18/06/2007

Inevitável (1)

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inevitável é olhar para o horizonte e ver os sonhos
inevitável é saborear a fantasia e degustar o êxtase
sem barreiras que impedem a visão clara do futuro
sem cortinas que embaciam a imagem do destino
a passos largos e determinados define-se
de braços abertos e sinceros constrói-se
hemisférios que oscilam num só ponto
coesos sólidos estáveis
diluem correntes e permanecem
intactos herméticos ilesos
assentes em convictos propósitos
alheados de dúvidas perenes
inevitável... até doer?!


17/06/2007

Uma pérola verde

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http://viajar.clix.pt/


A celebração de um feliz acontecimento levou-me ontem até a Ervamoira, uma quinta localizada na margem esquerda do rio Côa, em pleno Parque Arqueológico do Vale do Côa. Após oito quilómetros de caminho de terra, entre uma vegetação agreste e acidentada marcada pelo negro do xisto, vislumbramos, de repente, duzentos hectares de verde vinhateiro numa plantação vertical, que difere na forma das restantes caracterizadas pelos socalcos. O museu, que existe na quinta, expõe fotografias e algumas peças encontradas na estação arqueológica existente na propriedade.

A chuva, que caiu intensamente durante quase todo o dia, não impediu os convivas de usufruir da beleza da paisagem, da tranquilidade do espaço, do silêncio que abafava vozes prazenteiras, que traduziam o grau de satisfação com o repasto confeccionado com esmero - um óptimo bacalhau com broa e um delicioso cabrito assado -, acompanhado de um excelente vinho.

Este empreendimento é a prova de que a vontade do homem pode superar condicionalismos de relevo geográfico e pode desenhar uma harmonia natural. De salientar o bom senso que imperou quando a intenção de construir a barragem não se concretizou!


14/06/2007

Desafogo-me nas palavras, ora essa!

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Após textos que falam de amor e coisa e tal, apetece-me ter um desabafo daqueles que guilhotinam emoções e criam perplexidades de manter a boca aberta durante horas!
É que, na verdade, tenho uma dificuldade enorme em manter a calma, a boa disposição, a descontracção perante atitudes que revelam, além de insensatez e ingenuidade, uma grande, mas do tamanho das pirâmides do Egipto (agora não me lembro de algo mais alto!!!), dizia eu, uma imensa e paradoxal estupidez!
Não! não lido bem com esta castração do pensamento que, não lhe bastando corroer a mente de quem a detém, atinge com imponência graus de pura insanidade, que provocam calafrios de indignação a quem tem que assistir aparvalhadamente a atitudes de quem a ostenta!
Com tantos fármacos e tanta investigação científica, ainda ninguém terá pensado em criar um antídoto para este mal humilhante da condição humana ?!
Poupo os pormenores da história e perdoem-me o exagero da linguagem que raia a altivez arrogante de quem se acha muito esperta! Mas também tenho os meus dias... haja paciência.

Agora que desabafei já me sinto bem melhor! Por isso repito amem muito, sempre!


13/06/2007

O Cupido, nem mais!

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Ai, ai, ai... fui atingida em cheio!!! Uma flecha vinda do palavras soltas caiu no meu blogue!

«Cupido Fonte de Amor» é uma expressão deveras sugestiva... desconheço-lhe a origem, da expressão, entenda-se... Mas a história de Cupido fascina pela carga simbólica que sustenta a imaginação humana.


O Amor

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.

A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.

A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável.

A marcar sobre os teus flancos
itinerários da espuma.

Assim é o amor: mortal e navegável.


Eugénio de Andrade

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um todo único

metade mim, metade tu

penso-te, sinto-te, adivinho-te

com intensidades serenas de ardor

creio-te, suponho-te, afago-te

com veemências
tranquilas de certezas

prendo-te, solto-te, medito-te

com firmezas e com amor!



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É suposto nomear dez blogues e cá vai:


Charlas








Provavelmente, alguns estarão a vociferar e a rogar-me uma praga e com toda a razão! Mas não se sintam obrigados a nada e ficamos amigos à mesma...
O importante é que nunca se esqueçam de amar, sempre!


Un petit rien...

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Foto: http://www.allposters.com/


Fui renomeada pelo sonho a sul para os memes e adoro desafios. Nunca lhes resisto! Mas desta vez não bloqueei!!! Lembrei-me, subitamente, de alguns textos que foram escritos há anos e que fazem parte de uma colectânea intitulada, por enquanto : Memórias Afectivas. Trata-se de uma tentativa de perpetuar algumas emoções relacionadas com histórias vividas durante a infância e adolescência.

O meme que vos deixo baseia-se num dos textos e conta como foi o meu primeiro dia na escola «por dentro de mim»... e não, não vou renomear mais um blogue! Antes, lanço um repto a todos os que entenderem responder: lembrem-se e contem como foi o vosso primeiro dia na escola «por dentro» de vós mesmos.

Primeiro dia

A mão materna aperta com ternura, força e segurança os pequenos dedos, durante a subida, degrau a degrau, até ao patamar. O primeiro dia! A ansiedade tolda a visão agravada pelo estrabismo e alguma miopia. Uma névoa envolve os passos até à porta da sala, a entrada, os vultos. Vislumbra-se lá no fundo, ao pé da janela e ao lado secretária da senhora professora uma mesa grande, baixa, de tampo verde, rodeada de cadeiras como as que se vêem na feira para as crianças: de madeira e pequenas. Pouco a pouco, os contornos vão tomando forma: um quadro negro, uma secretária, carteiras de madeira, um mapa na parede, um globo. Vestidos de branco, os vultos reanimam-se e tomam vida. Falam, olham, riem… Na mesa grande e baixa, de tampo verde, aparece o caderno e o lápis. Os olhos esbugalhados percorrem o cenário. À volta da mesa: batas brancas, rostos apreensivos, cadeiras vazias… Os olhos fixos na porta e na figura de uma menina, também de bata branca, com os cabelos encaracolados e uns olhos de brotam lágrimas a fio. Aproxima-se e senta-se. As lágrimas saltam e circulam ondeando as faces rosadas. «Não chores» arrisco eu aflitivamente, esquecendo o quadro, o giz, o mapa, os cadernos, os lápis… e assisto, incrédula, àquela cena incompreensível. Chorar, porquê? Um nó na garganta apertava e obrigava-me a repetir: Não chores!
As palavras e as lágrimas descobriram um sentimento novo: a amizade.

11/06/2007

«memes»

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Respondendo ao desafio de charlas e de adesenhar e, após um incontornável «bloqueio» , aqui estão os meus memes :


http://www.allposters.com/

amor / esperança / sonho


Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões


Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
O teu sorriso puro,
A tua graça animal.
Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
somente um bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinha.
Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
Por vê-los nus e suados.

Eugénio de Andrade

mar / lua / sol /mar / dia / noite / mar




O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.


Carlos Drummond de Andrade



http://www.ni-photos.jmcwd.com/moonlight-ireland3.jpg


Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Fernando Pessoa


http://www.1000imagens.com/

verdade / mentira

Se tudo o que há é mentira,
É mentira tudo o que há.
De nada nada se tira
A nada nada se dá.

Se tanto faz que eu suponha
Uma coisa ou não com fé,
Suponho-a se ela é risonha,
Se não é suponho que é.

Que o grande jeito da vida
É por vida com jeito.
Fana a rosa não colhida
Como a rosa posta ao peito.

Mais vale é o mais valer,
Que o resto ortigas o cobrem
E só se cumpra o dever
Para as palavras sobrem.

Fernando Pessoa


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia Mello Breyner Andresen


palavras / palavras / palavras / palavras / palavras


Serão Palavras


Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens

Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração

Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.

Eugénio de Andrade in “Mar de Setembro” (1961)



De amores e de esperanças navego por mares
inundados de lua e de sol

De palavras e de sonhos alimento dias e noites



Para a divulgação de outros «memes» escolho: Abstracto Concreto

10/06/2007

Despedidas...


.Ontem, pela primeira vez na vida, fui a uma despedida de solteira. Apesar de não compreender a expressão no seu sentido mais amplo, fiquei a saber que se trata de um alegre e saudável convívio entre amigas (sem artefactos indecorosos, nem manifestações indecentes, nem espectáculos de cariz sexual), que fazem questão de lembrar à noiva que a partir do dia «fatal» vão acabar as «borgas» e começar as responsabilidades de esposa e de mãe, de acordo com as expectativas da sociedade... (?)

09/06/2007

Transparência(s) 3

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http://www.1000imagens.com/


determinado, o direito avança
enquanto o esquerdo vacila

recolhida na voragem dos monossílabos hesitantes

esboço olhares que atravessam opacidades frágeis e intactas


transfiguram-se em imagens translúcidas

que sem cor, sem alma, sem dor, emergem possantes

de universos criados para alimentar saudades e fraquezas


reúno aliterações e metáforas e dou-lhes a cor de madrugada

pinto-as de calor e de sorrisos que encantam inesperados duendes

recolhida na força da água transparente que subjuga rios agitados

esboço singulares gestos que sugerem afagos e afectos

decididos, direito e esquerdo reconciliam-se e impetuosamente avançam


07/06/2007

Transparência(s) 2

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http://olhares.aeiou.pt/

deslizo o olhar pela minha sombra

e deixo-a ali estática e entaipada


descalça de fantasmas piso a relva húmida de orvalhos matutinos

que em gotas se entrelaçam nas folhas decalcadas de verde

nua de hipocrisias dormentes

que rastejam pela margem

do rio de águas exaltadas pela luz de graciosos profetas

que de sorriso em sorriso pintam vales e montes e sóis e nuvens

dispo-me de espartilhos morais que ornam o pórtico da razão

e esgrimo ditongos que penetram palavras ausentes de sílabas


de intenções torpes crivo o olhar alheado de visões reticentes

assombrada de invisíveis intuitos metamórficos

diluo cortinas de flores estampadas e inspiro pedaços do tempo

que um dia foi mas volta sempre

regresso e retomo a sombra

que ali esperava estática e entaipada


28/05/2007

transparência(s) 1

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retoco o olhar com sombra azul

revejo-me no espelho por breves segundos

saio e vagueio por jardins diáfanos que me embelezam os sentidos

apanho o feixe de luz que incide na sombra de mim

vestida de transparências rústicas e prescritas

nego singularidades deturpadas de flores silvestres

porque de selvagens respiram

mergulho em lagos gelados que fortificam excentricidades ocultas de peixes rosados

porque de rosas se alimentam

beijo pássaros que persistem distantes das luas e dos sóis

sorrio aragens de satisfação genuína de fontes de águas castas

porque ninguém alcança

regresso impregnada de tranquilidades visíveis
retoco o olhar com sombra azul

revejo-me no espelho por breves segundos

e prossigo - incansável, consistente e sólida

20/05/2007

romaria popular q.b.


«Como está a tua agenda? Tás para me aturar?» Foi esta mensagem via telemóvel que o meu amigo recebeu. E estava. Como estão sempre os verdadeiros amigos!
Um jantar rápido enquanto fizemos o ponto da situação das nossas vidas: novidades de cá e de lá; a dele mais organizada e tranquila; a minha com as necessárias flutuações para quebrar rotinas indesejáveis.
O passeio a pé que encetámos em seguida à beira-mar, fazia prever uma deambulação ao sabor de ideias e de sentimentos... cinema, teatro, política, amores e desamores, filhos, casamentos, divórcios... e demos connosco no meio do Senhor de Matosinhos.
Há anos que não sentia o odor das farturas que teimam em acoplar-se aos churros de nuestros hermanos; o algodão doce branco ou cor-de-rosa que girava e crescia, e fazia crescer água na boca; os divertimentos que agora, além de todos os que povoaram a minha/nossa infância, já incluem motos todo o terreno ou as chamadas motos quatro, que fazem as delícias de quem nunca terá coragem para vender os electrodomésticos e comprar uma.
Descobrimos que fazer o «enxoval» pode ser animador para quem quer juntar os trapinhos, pois, por cinco euros vendem dez peças de loiça; a olaria regional contrastava com a «porcelana» fina da Vista Alegre desenhada por Fátima Lopes; a cestaria que evoluiu de design e de funcionalidade desde o tempo em que os meus pais me levavam aos Remédios; pedras vindas do Brasil ao lado das peças de roupa vindas do Peru, ao lado de instrumentos artesanais de música que nos abrem o apetite de viajar até à cordilheira dos Andes; os relógios que atraem os coleccionadores e as bugigangas sonoras e coloridas que seduzem as crianças; as esculturas africanas que, em menor número este ano, denotando a política de imigração, passavam despercebidas junto ao alarido das «discotecas» que passavam os top ten da popular música portuguesa que, agora, nem sabemos muito bem o que é.
Um quadro de cor, de luz, de movimento, de odores, de multidões, que me fez recuar até à minha infância e levar-me a desafiar o meu amigo a dar uma volta numa das distracções que me faziam sonhar aos dez anos. Mas a sua expressão de surpresa convenceu-me a desistir antes que me pedissem o B.I.
Optámos por acabar a noite numa cervejaria que se orgulha de ter um leque variado de cerveja e, entre duas imperiais e tremoços, alguns desabafos e conselhos que têm o dom de me ancorarem e deslindar alguns nós que vão entorpecendo a existência.


ócios produtivos (?)

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«Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros, e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?»


Sentada, ao fim da tarde, num bar de praia tentava concluir um dos livros que me acompanham há algum tempo «Sputnik, meu Amor», de Haruki Murakami.
Interrompia a leitura pontualmente para observar o movimento da palhinha que, num copo vazio abandonado numa mesa à frente, interpretava uma dança sensual com o vento, que a acariciava com a delicadeza de um amante terno e apaixonado.
O olhar projectava-se no horizonte dominado pela espuma das ondas cúmplices que, em movimentos despudorados, mostravam ao vento que o mar enrola na areia.
Tropecei subitamente nas palavras! Não naquelas proferidas pelo homem que se levantou para ver o resultado do jogo: «viva o Mourinho»; «o Mourinho é o maior!»
E divaguei... solidão... solitários... o ser humano é essencialmente social...
Há momentos em que, sozinhos, não nos sentimos solitários e vice-versa. A solidão é necessária e, sem dúvida, tem efeitos terapêuticos; é ela que nos permite dissecar o que se passa à nossa volta e no nosso interior. É ela que nos mantém conectados ao exterior, aos outros, ao mundo. É ela que nos mantém em sintonia e harmonia. Quando bem orientada, pode traduzir-se no encontro com o outro e descobrir o valor e o significado que o outro tem para nós.
Agora, um solitário que se agrupe com outro solitário... resultará em dois solitários ou não necessariamente?!


das sombras à clareza

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http://prismes.free.fr/myst.htm

e os contornos que me medem redefinem-se
numa silhueta contrastante de luz e de cor
esbatem-se as sombras
nas águas subitamente tranquilas
e a nitidez da imagem
corporiza vontades e rumos
numa determinação lúcida
de desvendar o que esqueci

esqueci-me,
entre medos e tempestades
desviei-me,
entre muros e espectros

mais forte que o vento
dás-me força
olhares e palavras
despertam-me
e sinto-te

18/05/2007

de sombras

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http://prismes.free.fr/myst.htm


imito o som da ave que, frenética, enceta um voo delirante
esbarro no remoto muro de solidez e opacidade
mãos revoltas tão vazias e cheias de tudo

rebelo-me contra vagas de saudades que povoam recantos ocultos
tropeço na lágrima obstinada reflectida no espelho
embaciada na solidão que deixaste

um mundo de sombras coexiste
de mim de ti
p'ra nós

13/05/2007

Um pé de dança

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Foto: 1000imagens

Uma destas noites tive uma curiosa experiência. Entrei e senti que recuara umas décadas.
A música variava entre melodias sentimentalóides do tempo da minha adolescência e um ou outro ritmo mais actual.
Fui observando: pessoas de meia idade acompanhadas de outras de metade da idade delas, um outro casalinho mais jovem, alguns solitários… Pairava um clima de insinuação, de desejo, de vontades…
Subliminarmente, o desespero andava à solta: vestidos justos que agitavam corpos que, um dia, já foram perfeitos; decotes ousados que alimentavam esperanças; camisas cujas fraldas tentavam esconder o peso da idade; olhares de caçadores furtivos à espera da distracção da presa; gestos sedentos do amor que nunca chega.
Estoicamente, teimam em manter-se vivas apesar das marcas deixadas pelo tempo inexorável, que lhes semeou desgostos e desilusões, e que os impele a viver na urgência do momento, antes que notícias súbitas de doença ou morte lhes venha cortar a conexão a esta existência efémera.
Deambulei pela realidade deprimente e a reflexão incontornável. Há vivências que têm o efeito terapêutico de nos acordar do entorpecimento mental, em que a rotina nos vai envolvendo.
Quantas vezes nos deixamos subjugar pelas circunstâncias e nos obrigamos a vegetar durante o ciclo noite-dia, evitando o confronto connosco próprios?
NOTA: Este texto foi escrito três vezes! A ligação caiu e perdi-o das duas primeiras vezes. O primeiro estava muito mais incisivo... Aprendi a lição: escrevo em Word e colo em seguida!

10/05/2007

interrogações que tiram o sono...

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??? em tom convicto ouvi: «és profundamente espiritual ! » ???

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???????

???

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04/05/2007

No fundo do mar...

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Fotos da autoria de P. E. - cópia proibida...

É o mais novo. Sempre aventureiro e destemido. Estas fotos foram tiradas por ele durante mais um mergulho, desta vez, no fundo do mar, em Sesimbra... Lindas imagens!!!
«Bigada mano»

Palavra(s) salgada(s) 3

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é certa a dúvida perpétua de riquezas simbólicas

desnuda-se em ambiguidades
e fracciona-se em significações afadigadas

e a palavra reaparece
entre loucuras chegadas de longínquos destinos
sucumbe aos sons
amadurece afectuosamente e sorri
para o mundo
que a reconhece

palavra que grita ferindo silêncios torturados
impondo universos levianos
de cabelos repousados em olhares adormecidos

Palavra(s) salgada(s) 2

.

com sabor a mel e sal
a palavra desliza por mim
descama almas e essências
quando

aromas de sílabas tónicas ou átonas de risos e lágrimas
soltam-se, expulsam-me, dizem-se
abrem-se, fecham-se
engolem-me

cegas embatem no casco do navio que se afunda
o mar recebe-o no seu ventre
e imagina-se mãe que,
num movimento inverso,
impede a gestação

03/05/2007

Palavra(s) salgada(s) 1

.

Não sei porque escreves...

por que respiras palavras
e por que as provocas
por quem as sentes
ou por quem as apagas
risco-as e sopro-lhes
esvoaçam leves e compactas

mancham o branco esquecido
com nódoas doridas
em páginas amarelecidas
fulgurantes correm
numa libertinagem infrene
generosas oferecem ternuras
e amam intensamente
suaves sensuais submersas
sensitivas saudosas sarcásticas
elegem-te e cingem-te
excessivas ou sóbrias
fascinam-me


01/05/2007

30/04/2007

Pérola(s) só

.

derreto-me em diamantes raros
vindos de quentes terras negras
dissolvo-me em pérolas perfeitas e delicadas
recolhidas em tranquilos mares transparentes
rolam ligeiras na pele
crestada pela lua - do outro lado do sol -
transformam-se em rosas
vermelhas de lágrimas doridas

mas não basta
o mundo não é meu
e abro mão de horizontes
e
de malhas tecidas de gestos
de sentidos perdidos e achados

Sombra(s) 3

.

Foto de Zeduardo em http://www.1000imagens.com/

irreversível
omito-me
pelas penumbras da paixão
e da subversão idiota de postais
que chegam de lugar nenhum
com sombras de menina
que deixou de ser
mas parece

mulher que baloiça
na certeza de amar
escoa-se
por fendas estreitas e olhares desatentos
por corações ausentes e portas prudentes
ignora e transpõe
extremos que imploram
remanescentes


Sombra(s) 2

.

Imagem: http://www.photo.net/

enrolo-me em sombras
ogivais e transitórias
expostas
ao olhar descuidado, fatais

da mão espalho a quietação
de dedos rigídos e inertes
e do gesto
interrompo o sentido

para o templo recuo
e de costas voltadas
solto génios que trauteiam o teu passo

incauta avanço
em contínua transgressão
de limites de céus e de mares

29/04/2007

Quem / o que nos passa ao lado ?

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imagem: http://www.akvarelbilleder.dk/Malerier.htm

Li com alguma apreensão este artigo que suscitará questões a nível mais, ou menos, profundo, conforme a nossa apetência para reflectirmos sobre o que se passa à nossa volta.
Haverá, provavelmente uma, ou mais, explicações lógicas, e até credíveis, que sustentem este estranho acontecimento que põe em causa o comportamento humano e a percepção do mundo que o rodeia.

Conheço pouco, mas o suficiente para dizer que gosto de Joshua Bell. Também eu me interrogo qual seria a minha reacção naquela estação de metro... Quero acreditar que seria uma criança e por uma razão particularmente especial: o meu pai tocou violino durante a sua juventude e nunca o ouvi tocar, pois, devido a um infortúnio na família, pôs de lado um dos seus prazeres da vida: a música. Quem teve oportunidade de o ouvir diz que tocava bem... e sinto saudades de o ouvir.
Perdemos a capacidade de apreciar a beleza, como diz John Lane no artigo, ou a sensibilidade de a reconhecer?!
A vida actual encarcera-nos num autismo a que nos submetemos dócil e resignadamente. Tudo nos passa ao lado ou nós passamos ao lado da vida, da sua essência, do que realmente interessa?!


Sombra(s) 1

.

Foto tirada pela minha amiga O. em S. Cristóvão em Abril de 2007


solidões cruzadas de ventos
de ariscos lamentos reais

soltas e remendadas
as palavras na pedra riscam
limites de mim
abrigada
nas sombras de nuvens desenhadas
e de terra projectadas
em azuis e verdes e brancos
rodopiam em milímetros
dum deserto rejeitado
apaziguadas em ti retidas

27/04/2007

A língua que faz sorrir

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Enquanto atravesso o deserto e as palavras se recusam a atormentar-me, vou invadindo este espaço com algumas «brincadeiras» porque brincar também é preciso!
Publico novamente um texto que recebi por e-mail.
Mais um admirável exercício sobre a riqueza da língua portuguesa:


POEMA GENIAL

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

A leitura deste poema encerra outra completamente diferente, oculta à primeira vista; ora tente ler do fim para o princípio...

Agradeço ao João o envio do texto.

26/04/2007

Surpresa!

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Após ter recebido por e-mail o episódio cómico que transcrevo em baixo, decidi efectuar uma pequena pesquisa no google sobre a personalidade em questão:
«Rui Barbosa foi, sem dúvida, um dos mais importantes personagens da História do Brasil. Rui era dotado não apenas de inteligência privilegiada, mas também de grande capacidade de trabalho. Essas duas características permi­tiram-lhe deixar marcas profundas em várias áreas de actividade profissional nos campos do direito - seja como advogado, seja como jurista - do jornalismo, da diplomacia e da política. (...)» VivaBrazil
EU LEVO OU DEIXO?
Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.
Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada. E o ladrão, confuso, diz:
- Dotô, eu levo ou deixo os pato?"
A comunicação é indispensável no nosso quotidiano e processa-se em circunstâncias variadas. Existem inúmeros factores que condicionam a efectiva transmissão da mensagem e que dão azo a equívocos, por vezes, até irresolúveis.
Não responder ou não reagir de acordo com as expectativas do outro pode, no entanto, ser uma solução para situações incomódas. (?)
Obrigada pelo mail Eric

23/04/2007

Exemplos: bons ou maus?!

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Acerca de Churchill sempre se ouviu falar sobre a sua presença de espírito...
Recebi do vício este mail que não resisto a publicar:


Quando CHURCHILL completou os 80 anos um repórter de menos de 30 foi fotografá-lo e disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos.
Resposta de Churchill:
- Por que não? Você parece-me bastante saudável.

Telegramas trocados entre Bernard Shaw e Churchill
Convite de Bernard Shaw a Churchill:
"Tenho o prazer e a honra de convidar Sua Excelência Primeiro-Ministro para apresentação da minha peça "Pigmaleão". Venha e traga um amigo, se tiver." Bernard Shaw
Resposta de Churchill a Bernard Shaw:
”Agradeço ilustre escritor honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver." Winston Churchill.


Debate no Parlamento inglês.
Aconteceu num dos discursos de Churchill, quando foi interrompido por uma deputada da oposição.
Ora, todos sabiam que Churchill não gostava de ser interrompido... Mas foi dada a palavra à deputada e ela disse, alto e bom som:
-"Sr. Ministro, se V. Exª. fosse o meu marido, punha-lhe veneno no chá!"
Churchill, com muita calma, tirou os óculos e, depois de uns minutos de silêncio em que todos estavam suspensos pela resposta, exclamou:
-"E se eu fosse o seu marido, tomava-o."


Quantas vezes, no nosso dia-a-dia, precisamos de ter a resposta na ponta da língua para desarmar os adversários instantaneamente e ficamos paralisados pela inércia do pensamento que teima em alhear-se por momentos!!!
Posteriormente, quando reflectimos sobre a situação ou a partilhamos com alguém, comentamos: «devia ter dito isto ou aquilo» mas já perdemos a oportunidade!

22/04/2007

(In)suspeição 3

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http://www.olhares.com/fallen/foto684659.html


sinais construídos de indícios e demónios concebidos de pasmada erudição
em matizes inexoráveis de suspeitas e de vestígios
determinam
cansaços humilhados e destronados
e dormentes e latentes rastos de sombras de verão
quem adormece no hemisfério de mármore?
se crivada de rugas profundas suspiro em alvoradas?

cómoda e parcelar gotejo palavras
que adejam à solta por jardins férteis de ternuras nunca esmorecidas
de frutos despida porque sem face me deito na terra mundana
de todos visível e distante golpeio promessas
em seiva renasço
em verso

18/04/2007

Give me five...


Agradeço ao Vício ter elegido o meu blogue um dos seus five...

Now, it's my turn:

And the winners are:

Adesenhar

Amanh'ser

Charlas

Poder de encaixe

Pensamento pró-fundo


P. S. - pois... com a emoção esqueci-me de explicar: É suposto os eleitos reelegerem, por sua vez, cinco blogues que os fazem pensar, escrever uma postagem a nomeá-los e copiar o respectivo selo e publicá-lo na barra lateral dos seus blogues. Simples!



17/04/2007

Sobre rodas... (continuação)


O meu é igual a este:
Para os interessados que leram a postagem anterior:
Novamente numa oficina da concorrência, relatei a ocorrência de ontem ao mecânico... Palpites: pode ser o filtro, blá, blá, blá, a bomba que puxa a gasolina que é cara...

Ao almoço recebo o telefonema a comunicar que é necessário substituir a tal bomba... 195 €... o que somado à quantia já gasta este mês com o carro, perfaz quase 500€!
E tenho alternativa?! É nestas alturas que sinto mesmo vontade de me mudar para uma zona metropolitana bem servida de transportes públicos! E todo o dinheiro que se gasta em combustível, seguros e oficina bem aplicado numa viagem de sonho!!! Do meu sonho, entenda-se, não dos sonhos que nos impingem nas agências de viagens!!!

Para que saibam tenho um humilde Kia Shuma de 99 com pouco mais de 100 000 Km que até agora nunca me deu motivos para me arrepender... Será mesmo conspiração da parte dele?! Provavelmente quer usufruir de alguns dias de férias na oficina... Talvez alguma paixãozita que tem por lá... Vá-se lá entender estas máquinas!!!

16/04/2007

Sobre rodas...

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Será que este tem soluços?!


Há uns anos tive a oportunidade de ver, num qualquer canal de televisão, um documentário sensacionalista de autoria norte-americana sobre a «vida» que, supostamente, os automóveis podem assumir. Exemplificava-se com casos de carros que não obedeciam às orientações concretas dos condutores e, embora eles virassem o volante para a esquerda, o carro teimava ir para a direita provocando o despiste e acidentes!
Sugeria-se, pois, que os carros eram donos de uma vontade própria e que deviam ser sujeitos a atitudes de respeito por parte dos seus donos a fim de os tornar dóceis e obedientes.

Hoje, numa deslocação à Maia para uma reunião, deparei-me com a vontade própria do meu carro que me transportava juntamente com uma colega. A dado passo, na auto-estrada, diminuiu abruptamente de velocidade, entrando num suplício de solavancos, ameaçando a qualquer instante parar!!!

Insisti e, aos soluços, continuei consultando a minha colega sobre a possibilidade de parar na estação de serviço e chamar a assistência em viagem. Mais descontraída ainda do que eu, sugeriu que prosseguisse. Lá fomos andando e soluçando até chegar à entrada da Maia onde tive mesmo que parar. Mesmo assim, retomei a marcha e persisti até estacionar no centro, no parque de estacionamento, onde venho a descobrir mesmo em frente um stand da marca!
Trataram-me de ir buscar o carro e averiguar o problema.

Após a reunião fui ver qual era a situação e, para meu espanto, informam-me que, apesar de todos os testes electrónicos e outros, não haviam detectado qualquer problema.
Impotente, sem poder provar o contrário, regressei após ter recebido aquele olhar tipo «ela-imaginou-tudo», ou «não-percebe-nada-de-carros»... Até que ao chegar às portagens, lá começou ele novamente aos soluços e, entre paragens e risos na IP4, lá chegámos sãs e salvas!

Amanhã vou levá-lo novamente à oficina...

15/04/2007

«Diamante de sangue»

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Não haverá mais nada a dizer sobre este filme...
A mensagem que transmite é incómoda e perturba a nossa rotina que se mantém indiferente aos atentados que por aí grassam aos direitos humanos.

O mundo civilizado, que se mantém à custa de valores tão ocos espelhados nas montras de joalharias, virá certamente a provar do seu próprio veneno e, embora os exemplos já sejam numerosos, continuamos a alimentar o fosso de desenvolvimento entre países que se julgam civilizados e continuam de olhos fechados ao contínuo desrespeito dos direitos humanos.

A par da história de amizade que liga três personagens unidas por um diamante, existe a denúncia de realidades condenáveis: as crianças-soldados usadas numa guerra que não é certamente a delas, o comércio ilegal de diamantes, os campos de refugiados, a luta sem escrúpulos pelo poder.
A densidade do tema é provocatória mais do que o sangue que se derrama frequentemente durante as cenas. Um filme que, obrigatoriamente, nos deixa a pensar nesta «vidinha» que vai indo...

(In)suspeição 2

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atípica e fugaz suspeita de infernos apocalípticos
de seduções cultivadas em teias exponenciais de ímpares certezas e dúvidas
enredam-te em imagens quiméricas de felicidades sonhadas
serpeiam pelos poros de um futuro simbólico
oprimido por promessas diletantes volúveis e errantes
simulas universos de rosas que de espinhos te cobrem
sem pétalas cor de vermelho
exuberantes ritmos do mundo de tons e de sons
porque danças?
recurvas enredas ludibrias
palavras presas nas distintas maiúsculas
de espelho rasgadas
porque dizes?

realizo portanto
porque no entanto
tão só

11/04/2007

(In)suspeição 1

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imagem do google
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uma suspeição que circunda a chama do fósforo
que arde inteiro por entre dedos e lábios
de pálpebras e olhares enclausurados
dobras-te em ângulo recto e sopras palavras ténues
de tanta suavidade incontida e desprezada
saber que foges pelos arbustos adormecidos
por sonhos moribundos de cinturas finas
cais da cama de penas enlutadas de ciúme e de infortúnio
porque cantas?
de palavras choras e em palavras habitas
no ancestral dilúvio te escoas e te intrometes
resistes porque da natureza te fazes
gritas do umbral e projectas distâncias triviais
porque fendes e não esqueces?
ora ora
nem sabes quem eu sou
nem de que sou feita na tua mente

10/04/2007

«Pecados íntimos»

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Na divulgação, a frase «Cinema... sem pipocas, no Teatro de Vila Real» cativou-me de imediato. E paguei cinco euros para ver este filme de Todd Field, do qual já tinha ouvido excelentes críticas.

Dinheiro mais bem empregue!!!

No pequeno auditório, recordei-me dos tempos idos do Quarteto, em Lisboa.

E o filme é, sem dúvida nenhuma, o meu género: desenrola-se sob uma densidade oculta por uma vida rotineira e desinteressante, as frustrações, os desejos, o desistir dos sonhos; o acordar num tempo qualquer e dar-se conta... e querer mudar; e ficar...

A última mensagem do narrador: ninguém pode mudar o passado; mas o futuro pode-se a qualquer altura e em qualquer lugar...


09/04/2007

Human system


Não resisto a publicar esta imagem que me foi enviada por mail! Nem todas as legendas corresponderão aos mitos feminino/masculino, mas não deixa de ter piada.
Certamente, cada um de nós substituiria algumas!
Obrigada Carlos

07/04/2007

Rascunhos 3

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A foto foi enviada pelo meu querido amigo Francisco que me ajudou na procura mas perdeu a referência de onde a tirou!
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um sorriso desliza pelos lábios
e uma borboleta bate asas

ensaios vividos
entre equações e cálculos
entre sinopses e esboços
de energias aglutinadas vindas e crescidas de temerários reflexos
desfraldo velas
solto aves
e pincelo o abraço ao mundo que me aguarda
para além de tudo que sufoca entre as paredes

pulverizada
repartida
e
ferverosa
derreto-me entre gelos polares
e atravesso incólume tempestades de areias
rodeada de cintilantes estrelas
e uma interrogação toma corpo e voz
e ecoa por entre mim

quando parte o voo?


Rotação (2)

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«Explica-me como se eu fosse muito, muito, mas mesmo muito burra!»
Ora aí está a solução!

Enquanto ouço o marido a queixar-se (o que deve ser entendido como 'vangloriar-se' evidentemente) que, por vezes, tem feito de motorista, permitindo à adorada esposa o cumprimento dos seus deveres profissionais que, de momento, a obrigam a constantes deslocações por esse distrito fora, vou ironizando que tal facto só pode ficar a dever-se ao prazer que a sua companhia lhe proporciona, ao fim de vinte e tantos anos de casamento (sem comentários e sem ironias!), pois, afinal, ela até é uma mulher destemida!
Entre sorrisos, ela pergunta-me se, no meu caso, iria sozinha... Apostada em provocar um cataclismo, apesar do ambiente solene do velório, confesso naturalmente que já fui até ao Algarve sozinha e iria até à China se fosse preciso! E de repente, um misto de admiração e de repulsa desceu sobre mim!

De há uns tempos para cá, os homens descobriram (após séculos de total ignorância!) que lhes assenta muito bem confessarem que apreciam a 'inteligência' nas mulheres. O que é certo, é que sob essa superficialidade democrática, aproveitam, sempre que podem, para demonstrar que isso é pura ilusão. Mas, no fundo, eles próprios é que estão a ser vítimas duma outra ilusão!

E pus-me cá a pensar com os meus botões: uma mulher que se finja de 'burra', só tem vantagens!!! Poupa-se muito mais, tem sempre um homem que a trata como uma princesa e só faz o que lhe apetece!

Viver em sociedade (homens e mulheres) exige regras que se enquadrem num código social e mantenham as aparências! Por isso, aqui fica uma sugestão: a inteligência nas mulheres deve ser sempre camuflada! O papel de indefesa, de vítima, de frágil, de carente, de retardada intelectualmente, deve ser sempre preservado!

Vão por mim, as mais jovens, que eu já não vou a tempo!
E sim, deliberadamente, corro o risco da generalização!
E sim, declaradamente, não sou feminista!
E sim, esta postagem pretende mesmo ser tudo o que se pode vir a dizer...

"Alma Grande"

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Numa encenação de João Brites, o Bando dá voz e corpo às palavras cheias de força do conto de Miguel Torga: Alma Grande, a figura do Abafador que se ocupava a abreviar o sofrimento numa primitiva eutanásia necessária à manutenção da dignidade da vida. O contraste da luz e da sombra que vai desfilando ante os olhos do espectador anestesia os sentidos e acorda a irrefutabilidade da inevitável morte.